A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

terça-feira, agosto 25, 2015

TCHIM-TCHIM PELO AMANHÃ




TCHIM-TCHIM PELO AMANHÃ

Brindemos ao próximo dia. 
Digamos do olhar a avidez
Com que nos devora a poesia
Para sermos poema outra vez. 

E num tchim-tchim gladiador
De quem esgrime os receios, 
Ergamos o cálice do amor
E sejamos seus fins – e meios!

Joaquim Castanho  

CALO DE OUVIDO




CALO DE OUVIDO

E... E os sábios do «Ouvi dizer...»
Pois a mim não me dizem nada! 
Porque quem sabe também sabe ter
A "orelha" muito bem calejada.

Calo por dentro, furo por fora, 
Prà razão entrar desentupida, 
Que quando no chegar demora
Já carrega em si o lixo da vida. 

Joaquim Castanho 

segunda-feira, agosto 24, 2015

O PRAZER DE NOS LERMOS




O PRAZER DE NOS LERMOS

Pudera a flor de querer-bem
Noutras flores de bem querer
Pousar seus olhos e ver
Que não há melhor querer bem
Além do querer que a flor tem
Com suas pétalas abrindo, 
E seus gestos numa dança, 
Onde o desejo se faz lindo
Sob uma capa de esperança.

Joaquim Castanho 

DE TODOS OS TEMPOS, O TEMPO




DE TODOS OS TEMPOS, O TEMPO

Teu olhar não me esquece, 
E a tua voz não se apaga, 
Que o poema se fortalece
No tempo que tempo traga, 
Engole, risca, transfere
Prà'quele tempo amigo
Do minuto que espere
Novo minuto contigo... 

Que o tempo, tempo traz
E ao minuto outro segue, 
Pra quem esperar for capaz
E o primeiro nunca negue. 

Joaquim Castanho

domingo, agosto 23, 2015

ANDAR SEM SENTIR O CHÃO




ANDAR SEM SENTIR O CHÃO


O meu poema escreve doce,
Como que uma franja de rima, 
Que o verbo que aqui me trouxe
Tanto conjuga, como ensina. 

Ensina-me o olhar, explica-me 
Deveras o que é carinho, 
E faz com que o chão de macadame
Pareça um tapete – bem fofinho!

Joaquim Castanho  

sexta-feira, agosto 21, 2015

NOTÍCIA DE PRIMEIRA PÁGINA




NOTÍCIA DE PRIMEIRA PÁGINA


Hoje, o milagre aconteceu
Assim todo ele feito de magia, 
Pois sendo suposto não te ver
Eis que de repente
Em frente de mim te via. 

Tão real, tão autêntica, tão flor
– Petúnia leda dos olhos infinitos –, 
Que se a vida portanto vida for
Então és tu quem só ela giza e gera
Nessa doce e sublime quimera
Que ilumina meus sonhos e mitos. 

Hoje, o milagre aconteceu
Numa prece que se cumpriu, enfim
Porque recordava-te eu 
Quando de repente vi
Estares tu diante de mim... 
– E fez-se na terra outro céu! 

Joaquim Castanho

quinta-feira, agosto 20, 2015

PÉTALA IMPERATIVA




PÉTALA IMPERATIVA 

Anda um tropel de flores distintas
A pôr-me a alma em áureo filigrana: 
Ditongos, sílabas átonas e famintas
Com que o versejar todo se ufana... 

E creio até que murmura, ou cicia
Nas lágrimas das pétalas do goivo, 
Que por certo há de ter qualquer dia
Um poema como seu único noivo. 

Eu só observo, em acanhado esgar, 
Tímido e apreensivo, mas deleitado
(E louco) a negra petúnia desse olhar... 
É que no tropel, o céu, o astro se agita... 
E se uma pétala grita todo o cuidado
(É pouco).       


Joaquim Castanho

quarta-feira, agosto 19, 2015

E PORQUE NÃO?




E PORQUE NÃO? 

Saracoteia-me na mente
A tua saia balançada, 
Deslizando fugazmente
Pondo-me a alma calada... 

E calada pela delícia
De ver-te deslizar assim, 
Quase sonho e carícia
Florescendo só PORQUE SIM. 

Joaquim Castanho

terça-feira, agosto 18, 2015

BAILIA DA LUA NOVA




BAILIA DA LUA NOVA


Dança-me a lua com doçura
De tão nova para crescente, 
Quase azeitona madura
A brilhar na alma contente. 

Contente mas bem contida, 
Em receio de real temor, 
Que há gente nesta vida
Que tem inveja do amor. 

Joaquim Castanho

segunda-feira, agosto 17, 2015

OCASO TROIANO





OCASO TROIANO

Quanto nos dizemos no não dito
Se permitido é ao verbo, assim
Discorrer pelo doce infinito
Do profundo sentido que tens pra mim...

Joaquim Castanho 

INTRANSIGÊNCIA



A intransigência é um fruto
Que se colheu já podre, 
Mas que nos recusamos a atirar fora
Com o pretexto de ter sido


                                                                       Colhido

Agora.

Joaquim Castanho


domingo, agosto 16, 2015

ENIGMÁTICA RECRIMINAÇÃO




ENIGMÁTICA RECRIMINAÇÃO 


Pelo que daqui se conclui
Como convém, 
Que a vida não é parte, 
Não é negócio,
Não é bem; 
É élan que flui
Entre as margens do ócio, 
Com prazer e arte, 
Mas pertença de ninguém. 

É arrebatada exegese
Intento destino do olhar
Para quem nos é querida, 
Como se mais nada houvesse
Ou tivesse lugar 
No tempo de que está investida.

É silêncio; e é fala...  
E é não pensar o que penso
Quando teu olhar me cala.

Joaquim Castanho

sábado, agosto 15, 2015

VIVER ESSENCIAL




VIVER ESSENCIAL 


Escondo a pressa, a ansiedade
Sob um montão de coisas por fazer,
Que onde a chama chama a claridade
Arde sempre a mecha do parecer, 
Que tão diferente é desta vida
Em sua realidade inconfundível, 
Que ao vivê-la nos parece perdida
Por parecer ser a parte invisível
Do que nunca nos pareceu ela ser... 

Mas eu escondo o esconder ao mostrar
Que sinto quanto me faz sentido, 
Que esta vida para ser há de estar
Onde está tudo o que me é querido. 

Joaquim Castanho

A SAGA DO SANTO GRAAL




A SAGA DO SANTO GRAAL  


A felicidade existe. Não importa 
O que passámos para a atingir, 
Quantos obstáculos contornámos,
O tempo que esperámos antes 
De conseguir chegar perto dela; 
Nem sequer quanto tempo durou. 
O que conta é que estivemos lá
Cara com cara a ouvi-la respirar
E decorar seus olhos e gestos, 
Carimbá-los na alma pra sempre, 
Tatuá-los no ser e na esperança
Com risos, traquinices de criança.

Nada mais importa, além do vivi
Que se me cola à leda memória,
Que rescreve a humana história,
Enquanto bebendo-te olhei pra ti.   


Joaquim Castanho

sexta-feira, agosto 14, 2015

DANÇA MÁGICA




DANÇA MÁGICA

Navegar nesse mar encantado
Onde as fadas do olhar das flores
Contam da magia o cuidado, 
E dele como brotam fulgores, 
É, tão sublime, tão perfeito, 
Que sinto estrelas no peito
A fulgir em ímpares esplendores... 

Por vezes, julgo até que dançam
Imitando os cabelos compridos
Pelas costas, sedosos e caídos, 
Se em cada passo teu balançam. 

Joaquim Castanho      

quinta-feira, agosto 13, 2015

REALIDADE & ILUSÃO




REALIDADE & ILUSÃO

Pode a saudade de somente um dia
Ser mais dolorosa do que a de anos?
Quem julga que o amor dá alegria
Apenas crê no maior dos enganos... 

Joaquim Castanho 

quarta-feira, agosto 12, 2015

CASCATA DE ESTRELAS CADENTES




CASCATA DE ESTRELAS CADENTES  

Que após um dia, outro dia vem... 
Que tudo dura, mas só até acabar... 
Que (im)perfeito não há mesmo ninguém... 
Que o rumo é rio que nos faz remar... 

Que a voz é o eco da consciência... 
Que o sonho dita, e a vida executa... 
Que a água só fura com permanência... 
Que o ouvido ouve, mas a alma escuta... 

São crenças e presságios viáveis
Para quem se crê com autenticidade
No afluente da poesia, em pura fluência
E escorreitas ondas de seda navegáveis 
Pelas suaves encostas da eternidade... 

Joaquim Castanho

terça-feira, agosto 11, 2015

DIAS PESAROSOS





DIAS PESAROSOS 

Fazer poesia, nestas manhãs, 
É um enorme sacrifício; 
A gente tenta, já se vê, mas vãs
As palavras vão no precipício 
Caindo sonsas e desbotadas, 
Dizendo o que, desde início, 
Pra tal não foram convocadas. 

São dias amargos, bem doídos, 
De descer às soturnas cavernas
Da ansiedade; e nelas caídos
Sentirmos presas as pernas, 
Que se negam ao movimento, 
Ao gesto, aos simples sentidos
De reconhecer o sentimento. 

E se lhe sobrevivemos é só
Porque a esperança não seca, 
Pois ond'alma dói, até o dó
De pecar nos pesa... E peca! 

Joaquim Castanho 

segunda-feira, agosto 10, 2015

HÁ NA BRISA O ODOR DAS VIOLETAS





HÁ NA BRISA O ODOR DAS VIOLETAS   

Entretece-nos no vento essa teia
Como trama ao momento pré-escrita
Onde futuro e passado se enleia
A fazer da corda do tempo outra fita
Helicoidal, célula a célula tecida
Pla qual circulam os genes da vida. 

E no vaivém perpétuo infinito
A fluir iluminando a esperança, 
Eis que teu olhar ecoa no meu grito
De avelã madura em hábil dança. 

Joaquim Castanho 



NO ESTILO DOS PICUINHAS




NO ESTILO DOS PICUINHAS 

Por ironia, hoje, a poesia fez-me o manguito... 
Arrepiou caminho, adornou de banda,
Encarquilhou a trama, em favor do atrito, 
Já que a rima derrapa, e até desanda. 

Que a métrica também não é por aí -além! 
E em abono da verdade, creio somente ter
Aquela rara qualidade que a ruindade tem,
Se bem feito o balanço entre o deve e haver. 


São contas doutra contabilidade... eu sei! 
Porém, se isso não incomodar ninguém, 
Sempre direi que ao menos a rima é de rei 
– Ou viperina como lhe costuma chamar alguém! 

Joaquim Castanho



domingo, agosto 09, 2015

BILHETE DE RIMA




BILHETE DE RIMA

Perfeito é o verbo que diz calado
Em conjugação precisa da voz, 
No gesto simples e descuidado
De quem se declina apenas por nós

Sendo centro de universo, tema, 
Assunto a resolver com calma, 
Qual talão de ingresso ao poema
Já de si verso e reverso da alma. 

Joaquim Castanho

sexta-feira, agosto 07, 2015

SENTIDO CERTEIRO




SENTIDO CERTEIRO

Abrevia solidão como quem tece
A saga dum silêncio amortizado
A distância incendiada dos corpos
A alma indizível no desejo proferido:

Ainda é hora. Tens a boca escolhida
Nos lábios do tempo solícito literal
Aberto, descosido, integral ao verbo
E és espera de quem aporta num alerta.

Contudo, de todos esgares disferidos
Desferes o único soslaio que me acerta.

Joaquim Castanho


ANOITECIDO DESABAFO





ANOITECIDO DESABAFO

Coloridas de silêncio antecipado
As palavras capricham plenas de sigilo
Constrangidas pelo parado das aragens
Refletem: são pausas, folhas, páginas
Retratos extrovertidos que se alinham
Ao fundo da cidade com seu soslaio de Sé
Entre as góticas demandas do ego cego
Nas vésperas de um verão precoce
Apressado a cumprir o calendário das estações

No granito ante as rosas; cal, sempre cal,
Brancura ofuscante e cintilante e reflexa
Mas a espraiar-se prò lusco-fusco após o ocaso
Distanciando-se imaginável por detrás do casario
Apenas ruborescendo o horizonte
       Irisando
       Apodrecendo      de metal incandescente o pacífico azul.


É preciso reconhecer o privilégio de estar só
Ser ínfimo perante a grandeza do dia
Para escutar a lentidão da luz a esvanecer-se
A dissolver o intermitente negro sobre o céu
No curvilíneo e estonteante esvoaçar das andorinhas.

Na planura quieta do espelho do céu
Diluindo pouco a pouco o anoitecendo.
Não serve de nada fingir que a tarde tarda
Nem lembrar porque se esqueceu o meio-dia.
Não está certo sermos quem não somos
Ou esconder o rosto nas sombras do querer ser:
A frescura da luz que refresca está em si
Mesma e igual é esta cinza de aço baço
Como mapa de sonoridades caladas por descobrir.

Ouvir-me na luz que se esconde não é crime
Nem pedir palavras aos silêncios antecedidos,
Porque escorrendo as sombras são apenas sombras
Nadas incapazes de sobrecarregar os espectros temidos
Ou os fantasmas duma desesperança que desabafa
E nos confidencia que está a postos mesmo se tomba.

Joaquim Castanho

CAUSA ÚNICA





CAUSA ÚNICA

Viver é um caso pendente
Pela intenção que se quer
Desse tanto que nos faz gente,
Inventada génese fluorescente
Na causa única duma mulher…

Tão-só a que nos diz, dita e tem
Sem que determinado fosse
E jamais ter pedido pra ser assim;
Que sentir é estar, e ser do bem
Como um verbo que nos trouxe,
Desde o princípio, e se fez fim.

Joaquim Castanho


TROVA NOVA




TROVA NOVA

Essa ordem caprichosa
Cujo detalhe é mês a mês
Renovada por uma rosa,
Escreve versos em prosa
– Baladas por Dona Inês…

E o jogral que eu não sou,
Numa voz que eu não tenho,
Tanto canta as aves em voo
Como tira Cristo do lenho. 

Joaquim Castanho

GOVERNÂNCIA REAL





GOVERNÂNCIA REAL

Sabida, a esguia lucidez
Correu à minha frente,
Ainda assim não fosse Inês
Procurá-la noutra gente.

Seu reinado, mal começado
Punha o pé olhando o chão,
Que um rei apaixonado
Só governa pela razão.

Joaquim Castanho


O PAR IMPERFEITO





O PAR IMPERFEITO

Não estamos aqui para competir,
Nem tu, nem eu, temos nada com isso.
Crias o que podes, dizes o que queres
Calas o que te apetecer; nada te impede...
Ser é tão-só caminho tracejado de sendo...
E eu criarei igualmente o que puder.
Faço o que quero só por o fazer.
Digo o que quero apenas para o dizer.
Escuto-te se vir que é caso disso
E sei que havemos de lá chegar um dia.
Não sei onde, mas temos o porquê tatuado
Em qualquer parte da alma, na artéria da poesia
Que dá prà Praça da Liberdade e centro ajardinado.
Qualquer meta é realizável se o sangue pulsar,
Por isso, se fores para o mesmo lado que eu,
Ou se eu for para o mesmo lado que tu,
Podemos caminhar a par e conversar um pouco
Acerca dos ontens e dos amanhãs, das quimeras
A sobrevoar outonos, outeiros e primaveras.
Veremos o mar se for preciso... o que será baril,
Esteja ele calmo e morno ou tempestuoso e louco;
E poderemos até sentar-nos na estação ferroviária
Com uma máquina fotográfica, pão com chouriço
E um garrafão. Ou então, nada disso... Apenas
Alguns poemas, que fiz pelos beijos que te não dei
Quando me apeteceu fazê-lo mas estavas longe
A espremer os cravos de abril até darem sumo de laranja.


Joaquim Castanho

DE PORTALEGRE A PORTO ALEGRE A MESMA LÍNGUA FLUI





DE PORTALEGRE A PORTO ALEGRE
A MESMA LÍNGUA FLUI

Da alma dos verbos nascido
Meu respirar é pulsante,
Quase latência no ouvido
De latejar cada instante…

E seu percurso feito rio
De amiga luz no asfalto,
Ilumina o quente e o frio
Num balanço sem sobressalto.

Joaquim Castanho 

QUANTO VALE CADA MINUTO




QUANTO VALE CADA MINUTO


Grandes problemas haverá nesta vida
Cuja solução eu gostava de saber…
E deles um é, se curta ou comprida,
Porque diferente tempo tem seu viver.

Pois se o dia 24 horas tem
(Que 1440 minutos são),
Porque é que só dois minutos de alguém
Tanta e tamanha felicidade nos dão?

Se houvesse quem a isso respondesse
Fazia-me extraordinário favor,
Mesmo que com descaramento dissesse
Que no dia todo só houve dois com amor!

Joaquim Castanho  

FIO DE ARIADNE





FIO DE ARIADNE

Todos somos um sentido
Para muitos sentimentos,
Onde nos anda perdido
Todo sentido dos tempos.

Busca aqui, busca acolá,
Até se encontrar a fusão
Que só o sentido nos dá
Por uma terceira visão.

E só ela nos salva e acalma.
Só ela sabe o caminho,
Dentro do arquivo da alma
Onde fizemos o ninho.


Joaquim Castanho

quarta-feira, agosto 05, 2015

AMAR É A ARTE DA PERFEIÇÃO




Amar é a arte da perfeição.
Aquela que nos leva a ser parte
Do universo que é seu reverso
– Doce «sim» feito de miolo de «não»!


Joaquim Castanho

terça-feira, agosto 04, 2015

PSIQUE




PSIQUE


Ante o verbo me inclino
Num fenecer plangente,
Que feito está o destino
Com a anuência da gente,

Sobretudo se aceitamos
Quanto ele nos queira dar,
E ao sonho concedamos
O poder de nos inventar,
Apenas conforme o quer
A mão que tem nossos planos
Escritos com plena certeza
E será sempre A mulher
Pr’além da inveja da deusa.

Joaquim Castanho


NO REVERSO DO VERSO




NO REVERSO DO VERSO

O destino é bipolar...
E após um dia de sorte
Lesto aplica o tal corte
Pra nos dar outro de azar.

E embora o não te ver
Me ponh'alma crucificada
Com o sangue a escorrer
Prà selha  da ânsia a ferver,
E a língua desesperada
A esconder seu rosto
Nas sombras de agosto
Ond'a tristeza acoitada
É clepsidra d'escuridão
A destilar morte e solidão,

Prefiro implorar em vão
Ao céu e a todos os deuses,
Todos credos e profissões,
Que me apague este tição
Que pulsa e arde nas vezes
Em que creio nas previsões.



Joaquim Castanho

MESMO-MESMINHO QUE ATÉ DÓI




MESMO-MESMINHO QUE ATÉ DÓI


Existir é uma grande barbaridade
Para quem o faz mesmo a sério,
Não só por ser verdade
Mas por ser a verdade que quero.

Que a vida dum homem assim
É mesmo-mesmo muito complicada…
Se fecho os olhos, vejo-te perto de mim;
Porém, se os abro, não quero fazer mais nada.

Ver-te é a minha fé, a minha superstição.
Pois quando não te vejo, vejo-te até
Só com os olhos do coração.


Joaquim Castanho

segunda-feira, agosto 03, 2015

A MAGIA DO PAPEL




A MAGIA DO PAPEL

Às vezes, o papel em que escrevo
Já traz consigo um poema dentro,
Tão preciso e real, que nem me atrevo
A dizer que é só meu; e no centro
Dele, como um núcleo dessa espiral
O nome por que o inspirado alento
Sempre me nasceu honesto e natural…

Também hoje, foi exatamente assim
E ainda sinto ledas rimas a borboletar,
Quais meigos colibris prontos a aflorar
Os melhores sentimentos que há em mim.


Joaquim Castanho

domingo, agosto 02, 2015

SELO ETERNO




SELO ETERNO

Em Uruk, meu amor, no templo de Inanna
Em cuja eduba fomos par, e nas tabuinhas
Deixámos bem vincado o desejo em chama
De nunca executarmos escrita entrelinhas,
De dizer pra dizer, como de calar pra calar,
De nunca fazer uma coisa para outra referir…

Sim, em Uruk meu amor, aprendemos a sentir
Pra dizer, e a dizer tudo o que devíamos falar,
Nunca nos mentirmos. E assim fizemos os votos
Sob o olhar protetor da Grande Mãe, e de Arina
Sua tutora celestial, Senhora dos vivos e mortos,
E da Terra inteira, que no céu infindo peregrina.

Em Uruk meu amor, sim, gravámos o primeiro selo…
A nossa marca, a cor de teu olhar, e de teu cabelo.


Joaquim Castanho