A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sábado, agosto 08, 2026

Um apontamento que já deveria ser desnecessário...

 


PRÒ ou PRÓ, ISSO DEPENDE…

 

By Joaquim Maria Castanho

 

Quando escrevemos pró em vez de prò, desde que não estejamos a reiterar o apoio ou ser a favor de alguma ideia, coisa, causa e pessoa, ou grupos de pessoas, animais, terras, lugares, etc., por conveniência ou vantagem, por formalidade ou para salvar as aparências, estamos a faltar à correção ortográfica, tendo em conta que  “O Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) não introduziu regras novas para o acento grave, mantendo inalteradas as diretrizes anteriores.” (IA) Portanto, o que está a valer é a Base XXIV do ACORDO ORTOGRÁFICO de 1945, aprovado pelo Decreto n.º 35 228, de 8 de Dezembro de 1945, e alterado pelo Decreto-Lei n.º 32/73, de 6 de Fevereiro, em que (sic) “Segundo o modelo das formas à e às, resultantes da contracção da preposição a com as flexões femininas do artigo definido ou pronome demonstrativo o, emprega-se o acento grave noutras contracções da mesma preposição com formas do mesmo artigo ou pronome, e bem assim em contracções idênticas em que o primeiro elemento é uma palavra inflexiva acabada em a. Exemplos: ò e òs, contracções da dita preposição (correspondentes às combinações normais ao e aos) com as formas o e os; prò, prà, pròs e pràs, contracções de pra, redução da preposição para, com as quatro formas o, a, os e as.

Analogamente, faz-se uso do acento grave nas contracções da preposição a com as formas pronominais demonstrativas aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, e com as compostas aqueloutro, aqueloutra, aqueloutros, aqueloutras: àquele, àquela, àqueles, àquelas, àquilo; àqueloutro, àqueloutra, àqueloutros, àqueloutras. Mas, se tais formas, em vez de se contraírem com essa preposição, se contraem com uma palavra inflexiva acabada em a, por exemplo pra, já o acento grave não tem cabimento, porque as duas partes se escrevem distintas, apesar de foneticamente unidas: pra aquele, pra aquela, pra aquilo, etc. (a+a=a aberto), tal como para aquele, para aquela, para aquilo, etc.”

 

Isto é, como no Acordo Ortográfico de 1990, aprovado pela Assembleia da República através da Resolução n.º 26/91 e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 43/91, ambos publicados a 23 de agosto de 1991, e que entrou em vigor em 13 de maio de 2009, a Base XII, que se refere ao (sic) “emprego do acento grave” é bastante clara e resumida, afirmando empregar-se “o acento grave: a) Na contração da preposição a com as formas femininas do artigo ou pronome demonstrativo o: à (de a + a), às (de a + as); b) Na contração da preposição a com os demonstrativos aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo ou ainda da mesma preposição com os compostos aqueloutro e suas flexões: àquele(s), àquela(s), àquilo; àqueloutro(s), àqueloutra(s).” O que sublinha e reitera o emprego de prà e prò, ou pràs e pròs, na atualidade, garantindo assim a sua validade de uso em Portugal, bem como em toda a CPLP, porquanto é a transcrição exata da contração da redução da preposição para, que é pra, com o artigo definido (e o prenome demonstrativo) masculino o e (feminino) a, indicando que pra + a é prà, pra + o é prò, pra + às é pràs e pra + os é pròs, pois os Acordos Ortográficos não se revogam uns aos outros, antes sim alteram algumas práticas anteriores por serem pouco claras, complexas, confusas e menos sensatas. Mas para o fazerem têm que ser referidas no novo Acordo, e não havendo referência a regra a aplicar é a que ficara estipulada noutros anteriores Acordos, garantindo a evolução diacrónica duma língua.


terça-feira, fevereiro 10, 2026

ODE A ÉRATO

 

ODE A ÉRATO*

 

Em democracia a mentira e o embuste

Nunca poderão ir longe, nem perdurar.

E, por mais que aos trauliteiros isso custe,

Não há tik-toks, blás-blás, nem ilusionismos

Fintas, arrazoados, ou sequer racismos

Que alguma vez lhes possibilitem ganhar.

 

É que o bom povo português, no seu geral

Até pode andar distraído, mas vai daí,

Na altura de votar, pondera entre bem e mal

E assina de cruz, dando bom acordo de si.

 

Sabe que a democracia não nasceu ontem

E se valoriza mais pla a existência, 

Que à mentirosa ilusão mal a notem

Votam com responsabilidade e consciência. 

 

É povo iluminado, gentil, sabedor...

Que cuida e é cuidado, provando o seu valor.

 

Joaquim Maria Castanho

 

*ÉRATO – uma das Musas. Precisamente a da poesia e da geometria.


terça-feira, janeiro 20, 2026

"pelo sonho é que vamos"

 

"PELO SONHO É QUE VAMOS"

(Sebastião da Gama)

 

Diz a alma intransigente

Perante a luz, ante as cores,

Que o futuro é fulgente

Entre o verde chão das flores.

 

Se longe da primavera

Se à parte do que pensamos

E a esp'rança não for quimera,

"Pelo sonho é que vamos".

 

Joaquim Maria Castanho

#redesenharavoz