Cordão de Luz e Memória
Por essa linha fora, nesse registoEm que o olhar se demora
Existo, na nesga celeste que o horizonte,
Qual fita azul que ao azul do céu fita
Distante, no longe da longínqua fonte
De quem sob a fronte se debita
Data infinita já desde o imediato agora
Até à Lua Cheia da humana História?
Eis, portanto, quem nasceu feminina nas dezenas
E mulher nas unidades, a que entanto
Se somados seus ícones na clave das serenas
Estrelas de oito pétalas ao octívago manto
Casulo arquitectado do perfeito eremita, poeta, santo
Capaz de nada como de muito, do pouco como do tanto,
O rubro rubi que ao aceso das almas amenas
Acalenta e aninha a palha dourada da luz crua
O cabelo de Verão das espigas maduras nas searas pequenas
Ao Outono da noite como um grito da Lua...
Oito deitado na dezena do ano, do segundo milénioO génio do olhar que se alonga secreto até ao infinito
Mais que um remo que ruma é tão-só o silêncio do grito
Que calado se agiganta a arder na garganta
E rebenta na lava que lava e casa com a liberdade
Ao repetido anseio do esteio outonal da eternidade,
Num breve instante cujo ponto de vista
É mais distante quanto adentro alcança – e avista!
Selo de Arina que a brilhar destina ver
Da janela do ser a plenitude na profundidade,
Inventa o silêncio que conflui dizendo o saber
Esperar, aqui, Foz Inequívoca da Luz Incisa Paz na Alma
Fulgente à Íris Lavada no Ínclito Pleito da Aurora calma
A edificar brasão e flor se aninha na lídima cavidade
Do cálice onde estremece o néctar da vida feita seiva terna
Que o desejo é apenas outra realidade que se faz eterna.
Por essa linha imaginada, plana e plenaEm que os factos dependurados a secar
Buscam sua foz na voz serena
Almofada cósmica dos sonhos, como alfazema
Amadurecendo sob o amanhecido Luar.
Dia 26.10.2010, às 06:20 horas
(Ilustração: fotos de/e quadros de Filipa Brasão Antunes)
Com cinco dedos que o Noddy ergue ao céu e saúda
Tal como há espinhos que dão flor
Era uma vez um escriba escolhido por Inanna no seu coração sagrado
Se no banquete em honra de Enki Inanna lhe usurpou poderes divinos
Uruk a cidade das deusas e residência das rainhas protegidas e fiéis de Arina
Assim o querem e acatam os escribas na Eduba entre o Templo alto de Inanna Entre Templo alto de Inanna e o Templo baixo de Shara é a casa das tabuinhas
Se gasta em Tebas com a morte seis vezes mais do que à vida faz falta
Se os pequenos dilúvios de Abril e Maio fertilizam os vales do crescente
E eis que assim respondeu Mestra de Inanna ao pedido de Mestra de Shara

Eis por que eis o porquê do laço nos une sobre a cruz do peito as mãos juntas
Com o destino traçado pelas vinte estrelas de Tique me disse Dice
Quando a Lua cheia de teu nome transforma o sonho em vida real o rio
Estrela Inanna ladeia teu sucumbir perante a luz de Arina se amanhece
Sua cor aos quatro cantos do mundo pois o canto é luz de quem acredita.
O crescente é fértil porque os campos estão alagados entre colunas
Treze são os turnos de culto daquela que os escribas veneram de noite
Essa é a trindade celebrada quando as mãos se juntam sobre o peito.
Pelas margens do Eufrates acima a prosperidade floresce e reina
É conhecido que de Eridu a Hadyi Mohammed e deste a El Obeid
E nelas está escrito que um dia de glória se celebrará da volta sã
Essa é a certeza que A deusa nos conta sobre a vontade de Arina
Nesta Lua Nova, sexta-feira, dia treze do oitavo mês
Mas esta esquina é a mais frequentada da cidade desde cedo
Foi a principal prova do poder e gratidão de A Deus entre nós
"O persa – tão zeloso em rejeitar
Divindade do fogo, cor da energia tomada em seu supremo ser
Conta-me, que não renego meu ser guebro no seio e luz dos parsis!
Dolorosa lição essa, e só se imagina visando o firmamento
Por cada vez que o poema se esgarça, e rompe
Que esse astronauta cruzador feito nome primeiro