Com o destino traçado pelas vinte estrelas de Tique me disse DiceAs rosas, lírios, violetas, íris, jacintos e narcisos atapetam-lhe o chão
E cré com cré, lé com lé, nos losangos do centro do corpo humano
Coração e ventre nos vértices se unem, ondeiam, oscilam e dançam
Com precisão imaculada o fumo serpenteia a evolar-se das fornalhas
Enquanto na cella espero instruções da Mestra Sacerdotisa contemplo
É maior o meu respeito se na libação executo o mister da concentração
Recatado estou perante ti, ó divina feita mulher por cuja sede me meço
E teço exemplo sem ilusão mas que com a arte exímia exerço e adestro
Que a honra seja trinta e seis vezes superior à de qualquer outro escriba
Pois servir-te é merecer teu afago e desfrutar de tua vista e fala e sentir
E estar enlevado na partilha do fumo celeste pelo mesmo bocal leonino
E saber a luz que há na voz e escutar teu canto pelas minhas argilas lido
Minhas placas de alabastro esculpidas no estilete do rigor de tua ordem.
Quando a Lua cheia de teu nome transforma o sonho em vida real o rioDevolve ao céu a tua silhueta de alambre e ambrosia que nele mais és
Mais ondulas e abrilhantas espigas e cintilas nas verdes folhas da hera
Essa que teceu a rede onde foram aprisionados os titãs primitivos infiéis
Masmorra dos descrentes a quem nunca será dada honra de argonauta
Nunca poderão negociar nem viajar entre o céu e a terra nem venerar-Te
Mesmo que suas raízes nasçam nos témenos que sejam tua propriedade
Pois nunca delas a flor brotará nem o ciciado murmúrio das ocarinas
Eflúvios chamamentos suspirados entre sonhos do mel apreciado bebo
Sorvo lânguido do bocal sobre o qual antes teus lábios disseram prece
E nada fica agora que obstrua a cristalina seiva do ser no libado vigor.
Estrela Inanna ladeia teu sucumbir perante a luz de Arina se amanhecePorém não há batalhas divinas mas respeito e contemplação ordenada
Que quando Arina elucida todas e todos, ar, fogo, terra, água obedece
E lúcida é a alma que sabe e reconhece ser seu mister e a quem pertence
A voz rasga os véus e sopra vontades aos ouvidos acautelados e fiéis
Que ao oficio de dizer é inerente o acto se a fala no nome apenas se exala
E inala Inanna os eflúvios do meu pote enquanto espero se Shara chama.
A chama que é Shara e aquece o Lar pernoita também quando Arina dita
Sua cor aos quatro cantos do mundo pois o canto é luz de quem acredita.
O crescente é fértil porque os campos estão alagados entre colunas
Treze são os turnos de culto daquela que os escribas veneram de noite
Essa é a trindade celebrada quando as mãos se juntam sobre o peito.
Pelas margens do Eufrates acima a prosperidade floresce e reina
É conhecido que de Eridu a Hadyi Mohammed e deste a El Obeid
E nelas está escrito que um dia de glória se celebrará da volta sã
Essa é a certeza que A deusa nos conta sobre a vontade de Arina
Nesta Lua Nova, sexta-feira, dia treze do oitavo mês
Mas esta esquina é a mais frequentada da cidade desde cedo
Foi a principal prova do poder e gratidão de A Deus entre nós
"O persa – tão zeloso em rejeitar
Divindade do fogo, cor da energia tomada em seu supremo ser
Conta-me, que não renego meu ser guebro no seio e luz dos parsis!
Dolorosa lição essa, e só se imagina visando o firmamento
Por cada vez que o poema se esgarça, e rompe
Que esse astronauta cruzador feito nome primeiro
Ao luar, entre as diatribes da luz
Exagero requerido de poemas a dançar
Estendidas sobre toalhas das praias e areais
Pois bem: a essas flores, oriundas das cascatas
Três vezes sete foram as loucuras
Sete pra ti, sete pra mim, e outros tantos
Trago a trago apreciado mandamento
Duas vontades unidas por um só fim
Arina, rainha dos astros e sóis
Dez dedos que são os nossos
Comunhão do poder entre géneros



