Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
domingo, agosto 15, 2021
AGITADA TEIA
AGITADA TEIA
Digo diferentemente a cada passo
Pra ser quanto sou em quanto faço,
Sinfonia aberta e alva de sons guturais
Sílabas grávidas, sem pecados mortais,
Nem compulsões que invertam os seres,
Que se afastam tão de si, como dos demais,
Pla vileza das ações, como dos dizeres…
S’o modo impera, torno-me maneira.
Se o grito dança, voltei até bonança,
Pondo na lembrança passado que escasseia.
Porém a infância, que era por brincadeira
Se regressa é regressão, que a voz ateia,
Aos flancos incendeia, põe em polvorosa
Numa agitada teia, de nós sem prosa!
Joaquim Maria Castanho
quinta-feira, junho 24, 2021
quarta-feira, junho 23, 2021
Silhueta Distante
SILHUETA DISTANTE
Dito-me estendendo a fala
Sobre o chão que pisaste,
Qu’o coração nunca cala
S’os olhos veem que passaste…
Mas o verde verte agora
Sombra na luz azul do dia,
Qual bandeira qu’aflora
O mal se vê, dos sem poesia!
Joaquim Maria Castanho
segunda-feira, junho 21, 2021
IDEIA LÍQUIDA
IDEIA LÍQUIDA
Leva-me a levada Serra abaixo
Com gestos íngremes e rápidas curvas;
Contudo, se das nuvens me desencaixo
Em trovões, raios (aparo) e novas chuvas
Ou misteriosa sinfonia, rumor (baixo)
Surdina mansa d’água ao rés da terra,
E tilintando espuma, eis que acho
O mais onírico qu’o sonho encerra:
– O de ser breu diluído, nascido dos céus
Feito ideia, mas transformada um dia
Em vala de pedra, cimento e poesia
Descendo dos fundos cimos da ribeira
Pra juntar alecrim à urze e uveira,
Send’assim maneira, de dar luz aos ilhéus!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Maria Inês / Mia Teixeira
#poesia
#poemas
#redesenharavoz
#literaturaportuguesa
quinta-feira, junho 17, 2021
quarta-feira, junho 16, 2021
A BOLSA DAS MARMITAS
A BOLSA DAS MARMITAS é uma novela policial, mas jocosa. De costumes, mas divertida. De crítica social, mas sem magoar ninguém. Que promove uma região, mas nunca a nomeia. Que está pejada de realidade por todas as sílabas, mas como espelho dela.
Carrega consigo o peso da atualidade duma terra (Casal Parado) dividida em quatro: a parte de cima e a parte de baixo; o lado direito e o lado esquerdo. Mas igualmente um romance de afeto e paixão entre duas personagens essenciais: Ludgero Campaniço e Eslovákia Hirondina. O primeiro, oriundo da grande família dos Ninguém-Tem-Nada-Com-Isso; e a segunda, natural de New Ville, que é uma terriola que fica para lá do Canadá.
Todavia, não posso adiantar mais nada… Em breve estará entre nós, e cada leitor ou leitora o poderá constatar por si mesmo, por si mesma.
O autor
Joaquim Maria Castanho
sábado, junho 12, 2021
HOJE
HOJE
Procura-me no tempo… Exatamente
Onde o ontem e amanhã fazem esquina;
Tão perto, ao rés do que é permanente
Mas que a eternidade ainda declina.
Não precisas de trazer nada (em mente)
E outras coisas qu’a etiqueta ensina;
Sequer boas intenções… Apenas sente,
Qu’é nas ilusões que o afeto germina.
São elas o caldo viscoso (com gorgulhos)
Visceral, pantanoso, e lamacento,
Apropriado pròs melhores mergulhos
À profundez oceânica do momento.
– Ou do exemplo, instante tumescente
Que penetra a lama donde nos contemplo!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#literatura
#poema
#redesenharavoz
segunda-feira, junho 07, 2021
SACADA HISTÓRICA
SACADA HISTÓRICA
Esta sacada mora em mim
Como um obstáculo inamovível.
Cerca-me de ferro forjado
Algema-me em formas simétricas
Obriga a ler contornos invisíveis
Entre o miolo branco da luz
Durando mais que qualquer vida.
Já no século XVIII era assim.
E também, quase todos que a viram
Pereceram, ou estão próximo disso
Mais século menos século…
Todavia, ela permanecerá
Por outros tantos – pelo menos!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#redesenharavoz
#literatura
#poema
#certa
#castanho
domingo, junho 06, 2021
Dia santo, Santo dia
DIA SANTO, SANTO DIA
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Começo a semana sem ti
Vai a semana no meio,
Ainda nem sequer te vi
Já tenho o copo cheio.
Tento não perder o tino
Qu’a coisa anda aziaga,
Para fintar o destino
Para curar esta chaga.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Entraparam-m’a cabeça
Nada de narizes ao léu,
Pra que não nos aconteça
Ser outras estrelas no céu.
Ind’ò domingo não chegou
Já me sinto a futurar,
Que o sonho também sonhou
Chegar a ti, contigo estar.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Joaquim Marias Castanho
6 de junho de 2021
10:00 / 12:00 horas
quinta-feira, junho 03, 2021
A ARTE DAS ARTES
A poesia é a arte das artes.
PORQUÊ?
Porque com todas elas, ela convive, sem nenhuma ofuscar, mas antes completando, e acrescentando valor, como sucede com a música, com a pintura, com o teatro, com o romance, com o cinema, com a fotografia, com a escultura, com a arquitetura, com a paisagística, com a pedagogia, com a didática, com o desporto, com a gastronomia, com a decoração urbana, com a decoração doméstica, com a filosofia, com as ciências, com as ideologias, com a política, com a história, com o moderno, com o antigo, com o exotismo, com o esoterismo, com a cibernética e com a semiótica. Com o design e com TV.
Quando Bob Dylan, num passado ainda recente, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura, enquanto poeta, estendeu esse prémio a outra arte: à música.
Quando foi atribuído, a Gabriela Mistral, nos meados do século passado, o Prémio Nobel da Literatura, ela estendeu-o ao magistério primário, à pedagogia e à didática.
Quando no quotidiano, no dia a dia, em qualquer esquina, em qualquer café, em qualquer praia, em qualquer rochedo, em qualquer floresta, em qualquer fábrica, em qualquer repartição, em qualquer meridiano, nos acontece a poesia, ELA decora-os, embeleza-os, e dá-lhes sentidos e significados que, até aí, nunca tiveram ou lhes foram reconhecidos.
A POESIA É DESVIO. Sem ELA, tudo é rotina. Tudo é tédio. Tudo é compulsão. Tudo é monotonia. E tudo é lassidão.
Na economia, no jornalismo, na rádio, na televisão, marca presença, ilustra, dignifica, ou serve de argumento às matérias da comunicação social. Os jornais de referência repetem-na em títulos e a publicidade em slogans.
A poesia motiva, mostra, festeja, celebra, enaltece, conta, regista, fixa, o que a humanidade tem de heroico (ÉPICA), de existencial (DRAMÁTICA), de sentimental, emocional, afetivo e psicológico (LÍRICA), em cada uma das suas eras, de suas aspirações, de suas crises e de seus sucessos. Torna presente o que foi passado; “realiza” o que será futuro.
É imprescindível nas comemorações, atos solenes e passos em frente, de quase todas as culturas da atualidade. Os hinos de todos os países, compõem-se de poemas mais ou menos musicados, dando relevo ao que há de mais profundo em suas almas, seus inconscientes e conscientes coletivos.
Seja o que for que a humanidade fez ou possa vir a fazer, foi antevisto pela poesia, e diversos poetas ou diversas poetisas passaram por lá anteriormente, e interiormente.
A poesia integral, a prosa versificada e a prosa poética, divergem formalmente, mas estão unidas, e imbuídas, do mesmo sentido gregário, artístico, poético, ético, estético, literário, linguístico, pedagógico, filosófico e socializador, reunindo os seus cultores, fazedores e apologistas, numa mesma, grande e universal família – a nossa, a da POESIA. Umas vezes, cada qual trabalhando em separado e avulso; outras, em equipa, criando, divulgando, promovendo, usufruindo, trazendo a arte das artes para a praça pública, para o dia a dia. Para a publicação, para o entretenimento, para o espelhar da alma e das almas, para o livro… Como neste caso.
O livro qu’aqui ‘tá – obra com muita gente,
É um verso plural, poema coletivo.
Reúne de cada qual o ser diferente;
Dá a todos e todas, um sentir positivo.
Joaquim Maria Castanho
TODO O POEMA É CONTROVERSO
TODO O POEMA É CONTROVERSO
Cada momento é único.
E mesmo qu’o tempo seja
Extensível, por peleja,
Adulterado ou púnico,
Cada momento é único.
Nada há que o contorne.
Nem pérfida mente, visão
Distorcida pla navegação,
Ou alguém que o transforme…
Ninguém há que o contorne!
Único ainda qu’adverso…
S’o momento é legítimo
E nasce da graça dum crer,
Traz colado a si um verso
Seja público ou íntimo,
Pra que toda a gente ao ler
O dê ímpar… – controverso!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#literatura
#redesenharavoz
domingo, maio 30, 2021
QUE TRAGO A TRAGO, DE RIMAS ME EMBRIAGO
QUE TRAGO A TRAGO, DE RIMAS ME EMBRIAGO
Gravo a voz na pedra deste instante
Com o cinzel da minha fala em brasa.
Então, aí, eu esculpo-me de rompante
Porta, como batente da mesma casa…
O que sou, é tão-só verso ofegante
Cisco de língua que em rimas s’abrasa;
Escolho dum naufrágio mais adiante,
Que até o próprio instante atrasa.
E da residência hostil, mas aberta
Onde, enfim, fomos recebidos de vez,
É tempo de olhar prà rua deserta
Inundada pelo tal sol que desperta
Além da sede, criação, rebanho, rês,
Nossa febril e lânguida embriaguez.
Joaquim Maria Castanho
PORTALEGRE
sábado, maio 29, 2021
terça-feira, maio 25, 2021
sexta-feira, maio 21, 2021
Três dos livros de JOAQUIM MARIA CASTANHO









