A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sábado, outubro 02, 2021

TERCEIRO REINO

 

O TERCEIRO REINO


Disse a meus olhos que parassem

Mas eles não ouviram, sequer;

Foram a avelã madura dos teus

Antes que deuses os chamassem,

Para lhes proibir ver na mulher

Deusa da terra, rainha dos céus.


E eles, como todos os olhos são,

Que só mentem, se bem treinados,

Deram-lhe também meu coração

Qu’é outro reino, pròs seus reinados!


Joaquim Maria Castanho


sexta-feira, outubro 01, 2021

CAIR NA REALIDADE


 

CAIR NA REALIDADE



Voz noturna (desmagoada)

Solta estrelas ao redor,

Pintando manhãs, calada,

Em telas d’anilada cor.

Compenetrada, e distante

Com gestos precisos, imediatos

Voltou, para ser quem antes

Era, dos meus dias

Motivo, poesias

Sentires mais concordatos.


Que de vê-la me não canso

Mesmo que à espera fique,

E sufi sonho oro danço

Caindo do céu… e a pique!


Joaquim Maria Castanho

terça-feira, setembro 28, 2021

NUM SÓ, TODOS OS TEMPOS

 

NUM SÓ, TODOS OS TEMPOS



Há gestos preciosos, lestos, precisos

Imediatos à voz, cuja doçura

Espelha a brancura dos narcisos;

Os sonhos das açucenas, dos jasmins

Cativados pela serena brandura

Com que os meios se transformam em fins.

Que nos agarram por dentro e por fora.

Que nos espanejam a alma alcantilada

Nos promontórios com que o ser se escora

Pra imaginar-te do outro lado da estrada.


E quando a sorte se aproxima

Quase um precipício prà sina,

Eis que estranho braço a empurra

A vertigem do grito a fustiga

E banindo-a a zurze e a surra

Até lhe extorquir toda a fadiga…


Então ante ti, meu olhar fica nu.

Tudo quanto ele omitiu, eu omiti.

E se alguém mais viu, eu também não vi

Que, de repente, no meu presente

Somente uma pessoa existiu… – Tu!


Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, setembro 24, 2021

DEGUSTAÇÃO DAS SÍLABAS


 

NA DEGUSTAÇÃO DAS RIMAS



Pela crosta estaladiça dos dias

Em que pleno o palato se me dilui

Sôfrego colho eu duns olhos poesias

Onde, por serena, a beleza flui

Quase avelã madura, desmedida,

Inteira entrega de mim, total cerne,

Se nesse quase ponho toda a vida

Desde o mais íntimo à flor da derme.

Do miolo nuclear à textura pura

Aí, sólido imbricado o ser assenta,

Com que a tez empresta a sã frescura

Que atesta a formosura que aparenta…


E assim nascido dum quase perfeito

Mastigo rimas, degusto-as uma a uma,

Até que farta a alma m’enche o peito

Onde só as tuas cabem… Mais nenhuma!


Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, setembro 23, 2021

L'Amour est bien plus fort que nous (Subtitulado)

O OUTONO VEM COM AS FOLHAS

 

O OUTONO VEM AÍ COM AS FOLHAS 

QUE INSISTEM EM MUDAR DE COR


Conta-se que outrora

Que contar

Era explicar...

                       … uma história.


Mas agora

Em que em nada há memória

Nem tem explicação,

É só mostrar o resultado

Numa foto de mel coado

De que se pode gostar... ou não!


Joaquim Maria Castanho


segunda-feira, agosto 30, 2021

Livros de JOAQUIM Maria CASTANHO

 

Meus amigos e minhas amigas,

Apraz-me informar-vos que os meus livros DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, O VALENTÃO DAS DÚZIAS, REDESENHAR A VOZ, NA MINHA CASA MORA UM GATO e A BOLSA DAS MARMITAS, também se encontram à venda na loja MILÉNIO GOLD, no segundo piso do Centro Comercial Fontedeira, em Portalegre.


Preços:

Dadinha Dá Uma Lição ao Lápis VLUP-Vlup, o Valentão das Dúzias 7.00€

Redesenhar a Voz 15.00€

Na Minha Casa Mora um Gato 6.00€

A Bolsa das Marmitas 10.00€

domingo, agosto 15, 2021

Pomme "La lavande"

AGITADA TEIA

 


AGITADA TEIA


Digo diferentemente a cada passo

Pra ser quanto sou em quanto faço,

Sinfonia aberta e alva de sons guturais

Sílabas grávidas, sem pecados mortais,

Nem compulsões que invertam os seres,

Que se afastam tão de si, como dos demais,

Pla vileza das ações, como dos dizeres…


S’o modo impera, torno-me maneira.

Se o grito dança, voltei até bonança,

Pondo na lembrança passado que escasseia.

Porém a infância, que era por brincadeira

Se regressa é regressão, que a voz ateia,

Aos flancos incendeia, põe em polvorosa

Numa agitada teia, de nós sem prosa! 

 

Joaquim Maria Castanho 

quarta-feira, junho 23, 2021

Silhueta Distante

 

SILHUETA DISTANTE


Dito-me estendendo a fala

Sobre o chão que pisaste,

Qu’o coração nunca cala

S’os olhos veem que passaste…


Mas o verde verte agora

Sombra na luz azul do dia,

Qual bandeira qu’aflora

O mal se vê, dos sem poesia!


Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, junho 21, 2021

IDEIA LÍQUIDA

 

IDEIA LÍQUIDA


Leva-me a levada Serra abaixo

Com gestos íngremes e rápidas curvas;

Contudo, se das nuvens me desencaixo

Em trovões, raios (aparo) e novas chuvas

Ou misteriosa sinfonia, rumor (baixo)

Surdina mansa d’água ao rés da terra,

E tilintando espuma, eis que acho

O mais onírico qu’o sonho encerra:


O de ser breu diluído, nascido dos céus

Feito ideia, mas transformada um dia

Em vala de pedra, cimento e poesia

Descendo dos fundos cimos da ribeira

Pra juntar alecrim à urze e uveira,

Send’assim maneira, de dar luz aos ilhéus!


Joaquim Maria Castanho

Com foto de Maria Inês / Mia Teixeira 

#poesia 

#poemas 

#redesenharavoz

#literaturaportuguesa  

quarta-feira, junho 16, 2021

A BOLSA DAS MARMITAS


 

A BOLSA DAS MARMITAS é uma novela policial, mas jocosa. De costumes, mas divertida. De crítica social, mas sem magoar ninguém. Que promove uma região, mas nunca a nomeia. Que está pejada de realidade por todas as sílabas, mas como espelho dela.

Carrega consigo o peso da atualidade duma terra (Casal Parado) dividida em quatro: a parte de cima e a parte de baixo; o lado direito e o lado esquerdo. Mas igualmente um romance de afeto e paixão entre duas personagens essenciais: Ludgero Campaniço e Eslovákia Hirondina. O primeiro, oriundo da grande família dos Ninguém-Tem-Nada-Com-Isso; e a segunda, natural de New Ville, que é uma terriola que fica para lá do Canadá.

Todavia, não posso adiantar mais nada… Em breve estará entre nós, e cada leitor ou leitora o poderá constatar por si mesmo, por si mesma.

                                     O autor

                      Joaquim Maria Castanho


sábado, junho 12, 2021

HOJE


 

HOJE


Procura-me no tempo… Exatamente

Onde o ontem e amanhã fazem esquina;

Tão perto, ao rés do que é permanente

Mas que a eternidade ainda declina.


Não precisas de trazer nada (em mente)

E outras coisas qu’a etiqueta ensina;

Sequer boas intenções… Apenas sente,

Qu’é nas ilusões que o afeto germina.


São elas o caldo viscoso (com gorgulhos)

Visceral, pantanoso, e lamacento,

Apropriado pròs melhores mergulhos

À profundez oceânica do momento.


Ou do exemplo, instante tumescente

Que penetra a lama donde nos contemplo! 

 

Joaquim Maria Castanho 

 

#poesia 

#literatura 

#poema 

#redesenharavoz 

segunda-feira, junho 07, 2021

SACADA HISTÓRICA


 

SACADA HISTÓRICA


Esta sacada mora em mim

Como um obstáculo inamovível.

Cerca-me de ferro forjado

Algema-me em formas simétricas

Obriga a ler contornos invisíveis

Entre o miolo branco da luz

Durando mais que qualquer vida.


Já no século XVIII era assim.

E também, quase todos que a viram

Pereceram, ou estão próximo disso

Mais século menos século…

Todavia, ela permanecerá

Por outros tantos – pelo menos!


Joaquim Maria Castanho

#poesia

#redesenharavoz

#literatura

#poema

#certa

#castanho

domingo, junho 06, 2021

Dia santo, Santo dia

 

DIA SANTO, SANTO DIA


Pelo mau trato

Que a vida me tem dado,

Tu és a minha vingança

Tu és o meu El Dourado.


Neste preparo

Em que a gente balança,

Só tu és quem eu acato

Tu és toda a esperança.


Começo a semana sem ti

Vai a semana no meio,

Ainda nem sequer te vi

Já tenho o copo cheio.


Tento não perder o tino

Qu’a coisa anda aziaga,

Para fintar o destino

Para curar esta chaga.


Neste preparo

Em que a gente balança,

Só tu és quem eu acato

Tu és toda a esperança.


Pelo mau trato

Que a vida me tem dado,

Tu és a minha vingança

Tu és o meu El Dourado.


Entraparam-m’a cabeça

Nada de narizes ao léu,

Pra que não nos aconteça

Ser outras estrelas no céu.


Ind’ò domingo não chegou

Já me sinto a futurar,

Que o sonho também sonhou

Chegar a ti, contigo estar.


Neste preparo

Em que a gente balança,

Só tu és quem eu acato

Tu és toda a esperança.


Pelo mau trato

Que a vida me tem dado,

Tu és a minha vingança

Tu és o meu El Dourado.


Joaquim Marias Castanho

6 de junho de 2021

10:00 / 12:00 horas

quinta-feira, junho 03, 2021

A ARTE DAS ARTES

 


A poesia é a arte das artes.

PORQUÊ?


Porque com todas elas, ela convive, sem nenhuma ofuscar, mas antes completando, e acrescentando valor, como sucede com a música, com a pintura, com o teatro, com o romance, com o cinema, com a fotografia, com a escultura, com a arquitetura, com a paisagística, com a pedagogia, com a didática, com o desporto, com a gastronomia, com a decoração urbana, com a decoração doméstica, com a filosofia, com as ciências, com as ideologias, com a política, com a história, com o moderno, com o antigo, com o exotismo, com o esoterismo, com a cibernética e com a semiótica. Com o design e com TV.

Quando Bob Dylan, num passado ainda recente, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura, enquanto poeta, estendeu esse prémio a outra arte: à música.

Quando foi atribuído, a Gabriela Mistral, nos meados do século passado, o Prémio Nobel da Literatura, ela estendeu-o ao magistério primário, à pedagogia e à didática.

Quando no quotidiano, no dia a dia, em qualquer esquina, em qualquer café, em qualquer praia, em qualquer rochedo, em qualquer floresta, em qualquer fábrica, em qualquer repartição, em qualquer meridiano, nos acontece a poesia, ELA decora-os, embeleza-os, e dá-lhes sentidos e significados que, até aí, nunca tiveram ou lhes foram reconhecidos.

A POESIA É DESVIO. Sem ELA, tudo é rotina. Tudo é tédio. Tudo é compulsão. Tudo é monotonia. E tudo é lassidão.

Na economia, no jornalismo, na rádio, na televisão, marca presença, ilustra, dignifica, ou serve de argumento às matérias da comunicação social. Os jornais de referência repetem-na em títulos e a publicidade em slogans.

A poesia motiva, mostra, festeja, celebra, enaltece, conta, regista, fixa, o que a humanidade tem de heroico (ÉPICA), de existencial (DRAMÁTICA), de sentimental, emocional, afetivo e psicológico (LÍRICA), em cada uma das suas eras, de suas aspirações, de suas crises e de seus sucessos. Torna presente o que foi passado; “realiza” o que será futuro.

É imprescindível nas comemorações, atos solenes e passos em frente, de quase todas as culturas da atualidade. Os hinos de todos os países, compõem-se de poemas mais ou menos musicados, dando relevo ao que há de mais profundo em suas almas, seus inconscientes e conscientes coletivos.

Seja o que for que a humanidade fez ou possa vir a fazer, foi antevisto pela poesia, e diversos poetas ou diversas poetisas passaram por lá anteriormente, e interiormente.

A poesia integral, a prosa versificada e a prosa poética, divergem formalmente, mas estão unidas, e imbuídas, do mesmo sentido gregário, artístico, poético, ético, estético, literário, linguístico, pedagógico, filosófico e socializador, reunindo os seus cultores, fazedores e apologistas, numa mesma, grande e universal família – a nossa, a da POESIA. Umas vezes, cada qual trabalhando em separado e avulso; outras, em equipa, criando, divulgando, promovendo, usufruindo, trazendo a arte das artes para a praça pública, para o dia a dia. Para a publicação, para o entretenimento, para o espelhar da alma e das almas, para o livro… Como neste caso.


O livro qu’aqui ‘tá – obra com muita gente,

É um verso plural, poema coletivo.

Reúne de cada qual o ser diferente;

Dá a todos e todas, um sentir positivo.


Joaquim Maria Castanho


TODO O POEMA É CONTROVERSO

 


TODO O POEMA É CONTROVERSO



Cada momento é único.

E mesmo qu’o tempo seja

Extensível, por peleja,

Adulterado ou púnico,

Cada momento é único.


Nada há que o contorne.

Nem pérfida mente, visão

Distorcida pla navegação,

Ou alguém que o transforme…

Ninguém há que o contorne!


Único ainda qu’adverso…

S’o momento é legítimo

E nasce da graça dum crer,

Traz colado a si um verso

Seja público ou íntimo,

Pra que toda a gente ao ler

O dê ímpar… – controverso!


Joaquim Maria Castanho

#poesia 

#literatura

#redesenharavoz