Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
quarta-feira, agosto 24, 2022
navegação à vista
NAVEGAÇÃO À VISTA
Janela de evasão, os teus olhos
Quando me perco no caminho,
São oceanos sem lixos nem escolhos
Ond’o sonho mergulha sozinho
Depois de comigo se abraçar.
As folhas e os troncos nos vestem
(Vagens de chocolate e leda luz...)
Onde deuses e deusas entretecem
As teias mais subtis da vera jus.
E nesse excelso entrelaçado
Condomínio da poesia e rigor,
Vejo teus olhos em todo o lado
Onde seja possível habitar
Os abraços que não queiram calar
Que tiveram origem no amor!
Joaquim Maria Castanho
c/ foto de Mia Teixeira
Portalegre, 24 de agosto de 2022
segunda-feira, agosto 22, 2022
superAÇÃO
SUPERação
Vai além, um pouco além de ti
Olha na sombra a luz do sim e do não
Quando se libertam do quépi,
Deixam de guerrear pra ser explosão.
Camada a camada caíram podres
Doídas, desiludidas, incapazes
As máscaras dos ricos e dos pobres,
Dos vis, sãos, medrosos ou audazes…
Personas do olvido (im)pessoal ,
Ordenanças da infelicidade
Militantes da peste emocional,
Que (não) amam por questões de idade.
Primeiro, porque eram novos e novas.
Depois, por terem essas obrigações
Que os adultos dão como provas
De criancismo, em suas regressões.
Vai além de ti, deixa de mentir
Definitivamente, e sem medo…
É que o futuro também é porvir
À espera de quem chega mais cedo!
Joaquim Maria Castanho
quinta-feira, agosto 18, 2022
segunda-feira, agosto 15, 2022
FEITIÇO MAIOR
O FEITIÇO SUPREMO
A vida é diminuta
Mas eclode d'avalanche,
Quando o Amor a escuta
Pra nos dar mais uma chance
– De repetirmos o caminho
Que vai do túmulo ao ninho.
Seus segredos nossos são
Abertos frutos maduros,
Pra que ao regarmos o chão
Os passos sejam seguros,
Feitos num equilíbrio tal
Que mal destrincemos a tensa
Diferença qu'ainda tem, o pão,
Nado em noção de pertença
S'amassado por bem... ou por mal
Dos feitiços conhecidos
Encantos de mil segredos,
Que nos encontram perdidos
Mal esquecidos os medos!
Joaquim Maria Castanho
domingo, agosto 14, 2022
quarta-feira, agosto 10, 2022
CAUSA DE VIDA
CAUSA DE VIDA
Tempo tem esporas
Que picam desejo…
– Perco-me nas horas
Quando te vejo.
Tempo é deleite,
Inventor d’esperas…
– Pra qu’eu me sujeite
A ver-te deveras
Passo junto a ti
Murmuro o teu nome
– Pra provar que te vi…
Só ver-te me consome!
Joaquim Maria Castanho
sábado, agosto 06, 2022
É FELINO, O MEU AFETO...
O MEU AFETO É FELINO
O meu fiel companheiro de leituras
Não percebeu bem o poema que lhe li…
No entanto arrebitou as orelhas
Logo que tão saudoso lhe falei de ti
Vieram-me à ideia ideias futuras
Coisas intenções, causas que não perdi,
E que plas sombras frescas, férteis e escuras
Me dão a ver todo o afeto que já senti…
Que se repete mas que é sempre novo
Aberto caminho que nunca confesso,
Élan da vida, motivo de progresso,
Iluminação de destino que atravesso
Indo pra lá das metas – e do estorvo –
E prova ser igual ao do resto do povo!
Joaquim Maria Castanho
quarta-feira, agosto 03, 2022
terça-feira, agosto 02, 2022
A METÁFORA E A PROMESSA
A METÁFORA E A PROMESSA
Que nós pomos princípios em tudo…
Mesmo se escrevemos no imediato.
Conceitos que enrolamos em canudo
Pra melhor caberem em qualquer prato!
Ou na salva de prata, que no entrudo
Usamos pra mascarar ímpio retrato…
Tal e qual essa, que põe pra fora o oculto
Que há na promessa, de futuro farto.
Princípios e promessas não se dão bem!
Pois que os primeiros são sempre meios
Com que recheamos conteúdos já cheios.
E as segundas, formas de iludir desdém
Pelos conceitos, argumentos e enleios,
Premissas e preconceitos, que são promessas
De penetrar pelas portas das travessas
Onde nunca nos cruzaremos com alguém…
Joaquim Maria Castanho





