Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
sábado, agosto 19, 2023
VER ALÉM DO OLHAR
VER ALÉM DO OLHAR
Arina, Aquela que é deus
Cujos raios penetram as sombras
E devolve em luz aos seus
Os temores, as dores e as cãibras
Que obscurecem o existir;
E pinta os dias com as cores
Aromas e odores do porvir...
Arina, somente Ela é luz e visor
Azulina alga no coral do amor.
Joaquim Maria Castanho
19.08.2023
sexta-feira, agosto 18, 2023
ondina da manhã
≈ ≈ ONDINA DA MANHÃ ≈ ≈
Entre troncos me mantenho
Quase rasura, presente
Pela luz distinta (mente
A sombra em cada lenho).
Gravetos, arabescos, tis
A acentuar o etéreo anil,
Nas teias das rasuras mil
Ou duplo til, às ondas diz.
Diz que te navego no olhar.
Diz que sobrevivo pra ti.
Diz A Sol prestes a chegar.
E diz que vendo-te te vi
Onda breve deste lugar
A cintilar, e mesmo ali ≈≈≈≈.
Joaquim Maria Castanho
18.08.2023
quinta-feira, agosto 17, 2023
p u l s a r a l o n g a d o
P U L S A R A L O N G A D O
Absorvo a causa mas a casa absorve-me
Absorve pela luz, desliza fugazmente
Como quem se exila na sombra da derme,
Pele verde da terra molhada, crente
Sem crenças, aspergida breve, fugidia
Pelo sonho que teve na própria poesia…
E a causa é da casa, não é de ninguém
Antro cerzido em água fria, tecida
A horas cruzadas com horas, com vida
Por mais vida entretecida sem entretém,
Nem sequer outra coisa além da ousadia
Que habita no sonho da própria poesia.
Absorvo-me, mas reescrevo-me, também
Tal reescrito é cada verso, cada dia
Quase estrofe de balanço, nesse vaivém
Com que o ritmo marca a própria poesia.
Joaquim Maria Castanho
17.08.2023

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