A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

terça-feira, maio 21, 2019

CHUVA DE LÁGRIMAS





CHUVA LACRIMAL


Ponh'os lábios na brisa da tarde
Que afagou teu cabelo preso
Pra beijar o silêncio que arde
Caiado d'azul celeste, ileso.
E, assim retido, posto a sonhar
Deixo a alma ganhar seu peso
Pra com ela pousar os pés na terra,
Fluir d'água que nuvem encerra
Mas que o sol impede de gotejar.

Tal sou eu, quando passas perto
E, sequioso como um deserto,
Não permites sequer contigo falar!

Joaquim Maria Castanho

domingo, maio 19, 2019

TUDO TERIA SIDO DIFERENTE





TUDO TERIA SIDO TÃO DIFERENTE


Toca de leve nos meus sentidos:
Clica aqui, clica ali, clica acolá.
E os sonhos disparam desmedidos
Nuns beijos que te dei...
Mas tu não estavas lá!

A sede não tem fontes, não tem marés,
Não tem mares, não tem rios, não tem céu.
Pisa as areias das almas sem ter pés.
Põe nossos tímidos corações ao léu.

Beijo-te os lábios à distância...
Pequenos passos que só o olhar dá,
Como sílabas em metros de ânsia
Restos duma infância
Que não fui, nem sei...
Porque tu não estavas lá!

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, maio 15, 2019

A INQUIETAÇÃO






INQUIETAÇÃO...

Embora “novo” ambiente
(Menos mórbido e triste)
Onde o olhar diferente?
Onde para a nossa gente?

Será que ainda existe?!

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, maio 09, 2019

Don McLean - Vincent (Starry Starry Night) Legendado Tradução (Van Gogh)

Espelhado sentir


TANTO MAL POR TÃO POUCO (bem)


   


TANTA MORTE POR NADA...


Toca na luz a asa estreme
Polindo sombras e arestas;
Usa os pólens como creme
Pra tapar cerzindo as frestas
Com arraiais ribeirinhos
E daquelas marchas funestas
Que se exibem plos pelourinhos,
Plos altares das ordens pagãs
Onde, com olhos esgazeados,
Loucos mataram pessoas sãs
Por terem sido doutrinados
Por outros loucos endeusados...
Coisas acontecidas outrora
Quando éramos antigos,
Mas que esquecemos agora
Porque temos outros perigos.


Porém, memória salva também,
Não do passado mas futuro,
E que nunca o olvide ninguém:
Tantas crianças foram mortas
Por o mundo lhes fechar as portas
Somente em troca dum muro!

Joaquim Maria Castanho
Com montagem de Elie Andrade, em memória de todas as crianças judias mortas pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, 1939-1945.

quarta-feira, maio 08, 2019

Leonard Cohen - Hey, that's no way to say goodbye (Subtitulada / Subtitled)

SENTIR ESPELHADO


   



ESPELHADO SENTIR

A poesia ausentou-se...
Foi contigo a qualquer lado!
Deixou-me conforme te trouxe
Num momento desesperado.
Fê-lo, propósito vincado,
Com intenção bem explícita
De fazer sofrer um bocado,
Qu'a dor à inspiração incita”.
Mas é engano e 'tá errado
Magoar para termos valor:
Quem vale ama descuidado
E não despreza nenhum amor.
Nem o seu, somente porque é seu;
Nem o nosso, porque valor lhe deu.

Joaquim Maria Castanho
Com foto (Parc Monceau, Paris), de Elie Andrade

quinta-feira, abril 25, 2019

ACORDO VEM DE ACORDAR


   



ACORDO VEM DE ACORDAR

Ora atacar, ora defender
Nunca foi, nem é conviver;
Quanto muito é só pleitear...
Conversar é mais que isso:
É tentar compreender e aprofundar
Maneiras de ser e de pensar
E escolher modos pròs dizer.

Falar é compromisso!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quarta-feira, abril 24, 2019

PESSOALÍSSIMA UTOPIA...





UTOPIA PESSOAL


Se pudesse, esquecia-te (já)
E nunca mais te veria;
Mas temo tanto por mim
Como temo pla poesia.

Fazia-m'o breve que abrevia
Ápice entre está e não 'tá,
Prestes a ruir, assim
Sílaba o enuncia.

Punha o querer num punhado
Mancheia de versos disformes,
Onde as sombras, enfim
São luz, são a maresia.

Dava-lhe haver por sobrado
Despensa, sementes e fomes;
Alguns ramos de alecrim
Prò odor da melodia.

E então, quando conseguisse
Já predicado sem sujeito
Havia de dizer: «Se pudesse
Tirava-te também do peito!»


Joaquim Maria Castanho

terça-feira, abril 23, 2019

Keane - Somewhere Only We Know Tradução Legendado

DOENTIA SANIDADE

  



DA SANIDADE DOENTIA

Consequência de alma travessa
Por tantos nós ter já da vida ganhado,
Ficou-m'a voz mais grossa e espessa
E com sotaque meio arrevesado
Digo umas coisas pra falar doutras
Como alguns poetas mortos imortais
Se liam odes aos manequins das montras
Editados, dia seguinte, nos jornais.

E isto agravou-se repentinamente
Aproximou-se da gripe hepática
Ou da azelhice tipo “pouca prática”
Caraterística dessa comum gente
Que parece sã mas está tão doente
Que só vê que quer – movendo-s'estática.

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, abril 19, 2019

APRAZÍVEL NUVEM


  



NUVEM APRAZÍVEL

A poesia é imprevista
Tal uma trovoada d'abril;
Pega a arte e o artista,
Surpreende poetas, aedos,
Afia nomes pelo esmeril,
Revela íntimos segredos
Mesmo os escondidos de nós
Nas cavas profundezas da voz.

A poesia subverte os sons,
Os significados distantes
E os próximos; dá meios tons
Aos tons que entoara antes;
Mas, principalmente, é fugaz
E só por instantes nos apraz.

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, abril 17, 2019

The Cranberries - When You're Gone (Official Video)

RECAÍDA, OUTRA






OUTRA RECAÍDA

Recaio,
Sempre recaio...

Depois de ter jurado
Nunca mais te pôr a vista em cima,
Eis que esfriado
Saio
E caio
Em fazer-te mais uma rima.

A poesia desceu à rua
Era já manhã cerrada,
Trazia manto cor de lua
Olhar de mulher desejada.
Plo andar era liberta
Dengosa flor, estrelada
Pétala, a boca, desperta
Pròs suspiros duma toada.


Fiquei sem jeito, portanto
Ao reconhecer que sou assim...
Basta sorrires, e logo o santo
Que era, foge pra longe de mim!

Joaquim Maria Castanho