O NOME DO TEMPO
Numa sociedade em constante
mudança, sempre sujeita a contínuas e aceleradas atualizações, onde a inovação
social e económica parece ser um dos principais motores de desenvolvimento,
crê-se, mais ou menos na generalidade, que se deve dar uma importância especial
crescente à imaginação e à criatividade, para que a sustentabilidade da
sociedade seja propícia à realização completa e concreta da humanidade, a que
não pode ser alheia a igualdade de género.
Nesse sentido «algo de novo se prepara no mundo, cuja ponta
avançada é a mulher.
Tão distante de um certo domínio da linguagem, menos fechada que o homem. Encontrando-se
assim na última periferia dos territórios conhecidos, não tem um registo onde
inscrever-se.
É um presente, ausente e silencioso.
É o nome do tempo.*»
Reconhecidamente de todo o tempo, se adianta, não só por
ser mentora e tutelar administrativa do sistema social anterior ao
antropocentrismo primário, mas também porque já em 1920, por exemplo, há mais
de cem anos portanto, ano em que foi publicado pela primeira vez, quando a
autora tinha 45 anos, e somente depois de ter conseguido divorciar-se, tendo em
conta que o marido não lhe reconhecia qualquer talento e chamava aos seus
escritos de papéis, sendo contra a sua verve literária, bem como ao seu gosto
pelas coisas da literatura e do viver em sociedade, o livro OS QUE SE DIVERTEM (A Comédia da Vida),
da autora portalegrense LUZIA, se debatiam as questões da igualdade de género e
dos direitos humanos, da defesa dos animais e da biodiversidade, embora nesse
tempo não fossem ainda assim tão evidentes e prementes, não obstante o livro tivesse
vindo a revelar-se um sucesso extraordinário, com duas reedições seguintes.
Ou seja, para as
coisas da sensibilidade cultural e literária ela, a mulher, incluindo a mulher
portuguesa, revelou sempre uma aptidão superior, que não é só de agora, mas
marcou o desenvolvimento humano, mesmo quando ele se revelou ser-lhe opressivo
e castrativo, pelo que é de relevante importância que lhe seja devolvido
estatuto correspondente.
Joaquim Maria
Castanho
*in SEXUALIDADE E PODER
Direção de
Armando Verdiglione
Trad. António
José Pinto Ribeiro
EDIÇÕES 70,
1976
Página 55.