A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

domingo, janeiro 18, 2026

no rodopio da vida


 

NO RODOPIO DA VIDA

 

Neste sobe, para e desce

Em que nos mantemos vivos,

Somos dança em negativos...

 

Tanto é tão pouco. É voltear

Que a vida nos oferece

Pra nos ajudar a bem cuidar

Do que também se merece.

 

É esse eterno ir e voltar,

Repetição que amadurece,

Que nos ajuda a caminhar

Se o caminho estremece.

 

É rodopio que não tonteia...

E é a lua nova que cresce

Até se cumprir lua-cheia.

 

Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, janeiro 12, 2026

a grande VIAJEM da literatura

 


A GRANDE VIAJEM DA LITERATURA... 
 
Selma Lagerlöf ensinou-me as aves ao voar,
Disse-me a bravura da distância e a sua dor,
O quanto podemos fazer para a colmatar,
Quanto bater de asas nos pode assim aproximar
Nesse voo maior que é a imensidão do amor... 
 
E nisso, voltámos a ser iguais, mas diferentes
Viajando todos os dias lendo, lendo e lendo
Ou sendo, fazendo, comunicando, vivendo
A fazer parte do que criam as nossas gentes. 
 
E a escutar-lhes os passos sobre a neve fria
Quando se reinventam a cada hora, segundo
Reconhecendo quanto há ainda de poesia
Só por fazerem parte da vida e do mundo. 
 


quinta-feira, janeiro 08, 2026

ENCONTRO À ESQUINA DA VIDA


 

ENCONTRO À ESQUINA DA VIDA

 

Tínhamos encontro marcado

E não lhe podíamos faltar;

O trânsito estava fechado

E o chão gelado (pra escorregar...).

 

Mas a intenção era genuína,

O querer sério e maduro

De mulher até há pouco menina,

Sem passado e muito futuro.

 

Portanto, aparecemos os dois

(A ver no que dava coisa assim...)

E se fomos uns, viemos depois

Fundidos – eu em ti, e tu em mim!

 

Joaquim Maria Castanho

Com foto de Elie Andrade

quarta-feira, janeiro 07, 2026

DESILUMINADO SILÊNCIO

DESILUMINADO SILÊNCIO

 

Escuto o silêncio de agora...

Nem a neve cai sobre o coreto,

Nem este frio que nos devora

Respira as rimas do soneto.

 

É só manto branco que escora

As sílabas num assíndeto,

Que a transbordar deita fora

Quanto é quente e concreto.

 


Porque concreta é a saudade

É o afeto, ou o jeito de andar,

Os brotos a rebentar nos ramos.

 

Não esse silêncio de frialdade

Que impede os coretos de falar

Acerca da vida a que nos damos.

 

Joaquim Maria Castanho

Com fotos de Elie Andrade