A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

quarta-feira, janeiro 30, 2019

PORFIA A ESPERANÇA. PORFIA QUEM A ALCANÇA


   



QUEM ESPERA NÃO DESISTE

Quando nuvens se abatem sobre nós
E o teto do céu fica rasteiro,
Pesado aos dias, do nascer à foz
Ninguém aufere as horas por inteiro...
Algumas demoram passar, presas a retrós
Desde as mãos do tempo seu condutor,
Cujas rédeas de gris são própria voz
Instigando-as, carroceiro desamor.
E outras, se passam, fazem-no por favor
Preenchidas de lentidão afetada...
Que desavindas, e já falhas de calor
Aspergem de frio a terra amarrotada.

É nelas que a esperança arredia
Se vê fraca, tonta, zonza... Porém porfia!

Joaquim Maria Castanho

terça-feira, janeiro 29, 2019

ENTRE TANTA GENTE SÓ TEU OLHAR É DIFERENTE







TANTA GENTE VI E SÓ UNS OLHOS NÃO ESQUECI...

O meu sonho prendeu-se ao teu olhar
Disse o que preferia nunca dizer,
E anda agora com o verbo esperar
Na espera que lhe voltes a acontecer.
Se culpasse, fosse do que fosse, meu ser
Por se sentir em teus olhos naufragar,
Havia também de culpar o querer viver
Pois que sem eles me vej'a desesperar.
E desespero plo que quero e não quero
Vivendo entre tudo crer e não ver nada,
Que só a teus olhos sou e me esmero
Por ser com alma por mil multiplicada.

Coisa de pouca monta em tão grande grei
Não fosse ess'olhar único a que me dei!

Joaquim Maria Castanho

domingo, janeiro 27, 2019

I - AI


   




AI (I)

Qual um ditongo breve
Ápice de iniciação,
É ele quem nos inscreve
Desde o berço à nação.

Traz do limbo o sentido,
Do verbo o crer ser ação,
E quando já não serve
Ei-lo de grito perdido:
Ferve já vulcão ferido
Rasga breus, imensidão.

Dizem-no singular pessoa
Alguns, de estranha fala,
Mas toda a gente que voa
Caia ou não, nunc'ò cala.

Joaquim Maria Castanho

sábado, janeiro 26, 2019

ENCANTAMENTOS E MAGIAS


   



MAGIAS & ENCANTAMENTOS

1.

Há poemas que são deliciosos, 
Que se desfazem no palato... 
Tão fofinhos e tão cremosos
Que apetece lamber o prato.

Não lhes sei os ingredientes, 
Nada conheço da confeção; 
Mas são feitos plas nossas gentes
Com os saberes do coração!

Joaquim Maria Castanho


DA VISÃO NASCE A DEMONSTRAÇÃO







VER É DEMONSTRAR

O meu poema
Não sabe recordar...
Não sabe esquecer...

É um teorema
Onde o verbo amar
Vive pra demonstrar
Quanto importa viver!

Joaquim Maria Castanho



sábado, janeiro 19, 2019

The Corrs - Everybody Hurts UNPLUGGED - Amazing version of the R.E.M. Song

Gratidão à chuva que cai...






Olha eu, da chuva, com saudade...
E era coisa que nem sabia.
Por este andar, até da verdade
Vou ter saudade algum dia!
Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, janeiro 10, 2019

AS PINCELADAS DE CRONOS




AS PINCELADAS DE CRONOS 

Já triplo cinzel me cerziu
Matriz enfim, choro, grito
Desbastam, gastam por cicio
Só de metal frio, aflito... 

Como terá acontecido?
Sob que mistério, assim
Presente, futuro ou ido
Passado tornam granito
Pra se "assentarem" em mim? 

Nascem das sombras, num torpor
Rústico, desajeitado; 
Às vezes, merecem amor 
– Outras, apenas cuidado. 

Joaquim Maria Castanho
Com escultura de João Aires Garcia

domingo, janeiro 06, 2019

OCASO DOURADO




RUBRO OCASO

Do lídimo olhar, atento
Esgar mínimo, diverso
Nasce a cor deste verso
Tão submerso sentimento
Em que ocaso m'invento
Na tarde aguda, fria
Quase farta de tudo
Até do silêncio mudo
Onde pasce a poesia... 

E logo qu'ela eclode
Traz no rosto, no perfil
A magia de quem pode
Mais qu'm cravo de abril! 

Joaquim Maria Castanho



quinta-feira, janeiro 03, 2019

BREVE PASSADA




PASSADA BREVE

Aproximo os lábios dessa rosa
Que não digo, nem me pica:
Estico o verso até parecer prosa
Cujo sentido não estica... 

E no balanço alcanço o chão.
Calco-o simples, andamento
À espera duma ilusão
Terra a terra, rasa fica
Pra nada segurar em si... 
Nem a brisa, a luz, o vento... 
Algo que não sei – nem esqueci!  

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, janeiro 02, 2019

BARRO AURÍFERO




AURÍFERO BARRO

Há oníricas argilas
Escorrem dos ocasos
Pingam, almas acesas
Gotas incandescentes
Tal destilo, se destilas
Os sonhos e surpresas
Na plástica da tarde... 

É luz que não fenece
Mesmo anoitecida
Capaz de gerar vida. 
É calor que não arde! 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Zélia Mendes

segunda-feira, dezembro 31, 2018

O PULO DO PONTEIRO




O PULO DO PONTEIRO


Vivi sem planos um ano inteiro!
Prà’manhã não tenho nada planeado 
– Que até o sol, se for de janeiro
Olha pra dezembro como mês passado. 

Minha vida é um supor descuidado
Ponto de fuga adiada, primeiro
Logo assumida, detalhe, seleção;
Como que um tic-tac desse ponteiro
Digital que pula sempre afinado, 
Mas tanto lhe faz seja dia a dia, mês 
A mês, ano a ano ou estação a estação:
Ao fazê-lo, esquece de onde veio
Para, assim, viver o que tem em cheio, 
Esquecendo-o, mal pule outra vez!     

Joaquim Maria Castanho 
Com foto de Elie Andrade

sexta-feira, dezembro 28, 2018

O AGORA TEM POUCA DURA





O AGORA TEM POUCA DURA



Esse agora tem muito pouca dura
Não é de confiar nem longas esperas
Mesmo sendo previsto ou abençoado; 
Sua pureza ‘tá na grande mistura
Impura qu’o futuro tem do passado.  


O presente, esse muro de lamentações
Com que a gente asperge o passado
E salpica expetativas no futuro, 
Tem por óbice alisar os verões
Emparedar quaisquer primaveras
E fala sempre muito e por dobrado
Das quimeras (as tais aves que são feras)
Acaso se não sinta pleno e seguro.


O presente é um cruel condenado
Que esquece quem foi mal vê o futuro; 
Faz dele caminho em qualquer lado… 
– Com manhã clara apaga ontem escuro!

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, dezembro 27, 2018

MADRUGAR




MADRUGAR

Descendente destas sombras esguias
Voz cavada pelas linhas sem credo
Aligeiro os meses, horas e dias
Adormeço tarde e ergo-me cedo. 

E nesse acinzentado destino
Como quem atravessa a neblina, 
Envieso a alma, esgar menino
Prà leitora da palavra que ilumina. 


Joaquim Maria Castanho

domingo, dezembro 23, 2018

PENSADOR




O PENSADOR

Aqui sentado
O tempo escorre, 
Como um cuidado
Que nunca morre. 
Porém, se medito, 
Apenas acredito
Ser quase prece 
Desse grito
Que não esmorece
Pelo  granito 
Que me percorre. 

Joaquim Maria Castanho
C/ escultura de João Aires Garcia

DO OCASO, O SEGREDO


terça-feira, dezembro 11, 2018

BOAS FESTAS




BOAS FESTAS! FELIZ NATAL! 
ANO NOVO DE EXCEÇÃO! 
E que a PAZ UNIVERSAL
Traga harmonia à tradição. 

Eis quanto vos desejo
Minhas amigas, amigos meus: 
PROSPERIDADE e FESTEJO, 
Seja qual for vosso Deus. 

NAMASTÉ _/|\_ 

sexta-feira, dezembro 07, 2018

A medida certa




MEDIDA CERTA

De onde vem, não sei
E, pra onde vai, também não; 
Mas vê-a a filha do rei
Como a do maior pobretão... 

De onde vem, não sei. 
Pra onde vai, desconheço. 
Mas tem meneios de lei
Pois só o amor que dei 


                                      Mereço. 

Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, novembro 26, 2018

A FORÇA DA VERDADE




A FORÇA DA VERDADE 

Vejo-te, mas desconheço se me vês... 
Aconteces-me sempre tão desacontecida
Como quand'ontem foras pra mim és
O dia sonha, o sol esclarece e a lua, despida 
Recata-se – puxa pra si a nuvem, em pudor
Pelo meu amor, ao ver-te passar outra vez. 

E extremoso, embora descuidado
O vento repara também, 
E fica ali especado, a soprar parado
Antes que o veja mais alguém. 

Quanto de nós haverá que seja manso
Suave como o borboletar da luz matinal
Sobre as pálpebras ainda adormecidas? 
Porém, mesmo a sonhar, não descanso
De querer teu suspiro profundo, integral
Incandescente grito nas planícies floridas. 

Então, desço sol na tua sombra
E lá, de onde ecoa a eternidade, 
Só o carinho nos deslumbra
Só a ternura é verdade. 

Joaquim Maria Castanho 
Com foto de Elie Andrade  

domingo, novembro 04, 2018

DOS LÍRIOS VIERAM ROSAS





DE LÍRIOS SE FIZERAM ROSAS



Tal brota uma rosa sobre espinhos
Assim é minh’amada entr’as demais
Que, ao cruzarem-se, nossos destinos
Os olhos do coração soltaram ais. 
Abriram novas sendas, novos caminhos
Pintaram noutras cores, o arco-íris 
Pétalas coloridas foram lírios 
No rumor das brisas soaram jograis. 


Seus enganos sublimes (inocentes)
Ensinara-me a espera sem desespero; 
Suas demoras foram puro esmero
Que torna as rotinas bem diferentes, 
Já que antes apenas tédio eram…  

– Amantes amam, mesmo se só esperam!

Joaquim Maria Castanho

domingo, outubro 14, 2018

MEMÓRIA SELECTIVA

 


MEMÓRIA SELETIVA

As mãos mais bonitas
Que eu já vi até hoje
Estavam agarradas a uma esfregona.

 
Dançavam de expeditas
Em ora perto ora longe...
Ora perto ora longe...
Ora perto ora longe...
Mas esqueci-as. – E só lembro a sua dona!


Joaquim Maria Castanho
Com imagem de Lara Coutinho

quarta-feira, outubro 10, 2018

APALAVRAR O COMPROMISSO

 


COMPROMISSO APALAVRADO

Digno e imaculado
O silêncio acomodou-se
No chão gretado
Como se fosse
Pra qualquer lado...


Então, fez-se de vez
Naquele quiosque chinês
O dito, que era esperado!


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

segunda-feira, outubro 08, 2018

OLHAR TÍMIDO





TÍMIDO OLHAR

Lua que viajas nua
Hoje, por cima de nós
Afinal és a mesma lua
Que foi vista assim nua
Aqui, também nesta rua, 
Plos avós de tod'os avós! 

Joaquim Maria Castanho

sábado, setembro 29, 2018

O TRIGO LÍQUIDO




185. 
TRIGO LÍQUIDO 



Rebelde e trigueiro 
Já desci para a fonte,
Que eu cresci no outeiro
Mas também nasci num Monte
Onde aprendi primeiro
As cores do horizonte
Que o devir não eclode 
Dum repuxo cristalino, 
Nem brinc’ao escond’esconde
Como se fora menino… 


É espiga de mármore
A verter líquido puro, 
Regando cada árvore
Qu’edifica o futuro! 


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

A ÁGUA BEM-DITA




186. 
ÁGUA BENDITA 



Digo-me, 
Da sombra do céu sobre mim
Quando me sento na relva
Escuto flores. 
Cognome 
Do que era princípio, será fim 
– O verbo atravessa a selva
E brilha entre demais cores. 


Mas da eficácia do chão
Evola murmúrio de água. 
Para elas, é mais que pão. 
Pra mim… Remédio prà mágoa!   

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quinta-feira, setembro 27, 2018

PINÁCULO DE S. TOMÉ




PINÁCULO DE S. TOMÉ 


Deslizo com a vista
E aliso pelo olhar, 
Que da Serra, a crista 
Já me quer crucificar. 


Mas de luz inundada
Espreita a madrugada
Ponto de mira em riste
Qu’assesta atesta assiste
Com’uma seta de luar. 


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quarta-feira, setembro 26, 2018

POR AMASSO




183.
ESCARPA DESFEITA POR AMASSO ESCARPA  (ELEITA) 


  
Areia batida
Grão celestial; 
Granito, lida
Estrada real:
Passo a passo
Eu gesticulo
E me desfaço
Mas não azulo. 


O céu? Abraço 
Que não m’abarca…
E, pur’amasso, 
Todas as retas
São minhas netas
Se fui escarpa! 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

terça-feira, setembro 25, 2018

ÀS VARANDAS VIRTUAIS...




VARANDA VIRTUAL

Procuro o eco mas não o sigo 
E recordo teu esgar profundo.
Nesse momento estou contigo...

– Da nossa janela vemos o mundo! 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

sábado, agosto 25, 2018

UNIÃO INEGÁVEL




177.
INEGÁVEL UNIÃO
  
Tudo quanto aprendi, perdi-o já
Nada sei, pouco na alma me resta
De quem fui, que pensei; onde quer que vá
Não sou eu quem vai, senão apenas esta
Ânsia de voltar a encontrar-te lá… 

Mas perguntar-me porquê, é letra morta. 
É fingir que não sinto quanto sinto. 
É fugir ao pensar; é fazer batota. 
E tão-só é verdade quando minto… 

Porém, nesse lugar profundo das veias
E brumas indistintas (nossas e alheias) 
Onde moram afetos, amor, paixões
Lanço âncora, renovo a alegria
Perco-me no teu sorriso, tenho visões… 

– Vejo corações unidos por poesia! 

Joaquim Maria Castanho

in REDESENHAR A VOZ

segunda-feira, agosto 13, 2018

ETERNA MUSA




MUSA ETERNA

A morte é um incómodo enorme… 
Vira-nos a existência do avesso. 
Quem amamos até parece que dorme… 
É dano que não mereces, nem mereço! 


E quando na ideia se conforme
Ser possível evitá-la com um Terço
De quanto és, mas ele te informe
Só d’um décimo do que em ti imerso
Navega à deriva no que julgas ser
Então, essa morte é quem por ti vive
Quem percorre os mares, rios, caminhos 
– Os afluentes da liberdade livre, 
Propriedade de quem saltou dos ninhos
Num voo picado pela sã ousadia… 
– Qu’essa sim, é a Musa de toda a poesia!


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

O TEMPO AGORA (Modinha)




MODINHA DO TEMPO AGORA


Esp’rei-te à esquina
Mas não me deste atenção; 
Como qualquer menina
Jogaste pra muito longe
O qu’estava mesmo à mão. 

Neste tempo que é sem tempo
Agora tudo tem um fim, 
Que também não tenho tempo
Pra quem não tem tempo pra mim. 


Se o futuro olha pra nós
E nos olha como hoje, 
Escreve a uma só voz
O qu’à outra voz lhe foge. 

Neste tempo que é sem tempo
Agora tudo tem um fim, 
Que também não tenho tempo
Pra quem não tem tempo pra mim.  

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quarta-feira, agosto 08, 2018

O CÃO E A RAPARIGA




A MOÇA E O CÃO 

Fugiu o Biscoito à menina
Retouçou na tarde fresca, amena
Sobre relva, d'esquina em esquina
Fugiu o Biscoito à "piquena"... 
Continuou linda mas não serena!

Deu dois saltos e três corridas
Driblando com ufana galhardia
Quem, por vê-lo, ganhou novas lidas
Cuidados, temores pla ousadia... 

Fugiu o Biscoito à sua dona,
Correu-se descarado e audaz
À sua volta, e naquela zona
Dada à reinação e tropelia
Também frequentada por muito rapaz. 

Fugiu o Biscoito à pequena
Sobre a relva, esquina a esquina, 
Retouçando pela tarde amena
Fugiu o Biscoito à menina... 
Continuou linda mas não serena! 

Joaquim Maria Castanho
Com imagem do Google

terça-feira, agosto 07, 2018

O TEMPO NÃO TEM ESTRATO SOCIAL




O TEMPO NÃO TEM ESTRATO SOCIAL

O presente, esse muro de lamentações
Com que a gente asperge o passado
E salpica de expetativas o futuro, 
Tem por óbice alisar os verões 
Emparedar quaisquer primaveras
E fala sempre muito e por dobrado
Acaso se não sinta pleno e seguro... 
Como podemos resistir-lhe, não sei
Mas vive-o tanto o povo como o rei!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

A SAUDADE, ESSE LABIRINTO...




NO LABIRINTO, A SAUDADE 

Procuro-te memória a memória
Bisbilhoteio a alma plo teu olhar
Atiro ao fundo o anzol da História
Para içar-te de lá reconstruída, 
Mas não te encontro neste vazio: 
Diluíste-te pelas ondas de calor... 

Sei que és descendente do infinito
Guardiã d'imortalidade adiada
Que possuis o encanto que só eu fito
E sem ele não sei desejar mais nada. 


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quinta-feira, agosto 02, 2018

NO CONFLUIR, A FALA




NO (CON)FLUIR, A FALA 

Desliza a fala
Entre línguas de terra... 
Espelha o que só o sonho cala, 
Só a porfia encerra. 

Tem na redondez da verde espera
A fluidez daquilo que exala
Para rolar sem ferir, 
Fazer que não erra
E se se esmera
É apenas pra florir. 

Joaquim Maria Castanho 
Com foto de Elie Andrade

SEMPRE OS MESMOS MAS HORA A HORA DIFERENTES




SEMPRE OS MESMOS, A CADA HORA DIFERENTES

Sim Monet, os nenúfares 
Partilham sempre mudança
Impressionam vagares
Dizem genuína aliança
Que tem hora e luz do dia... 
Estabelecem empatia
Negam alheada visão,
Que apatia não é opção. 
Não é escolha nenhuma; 
É apenas constatação... 

É só remar que não ruma! 

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade