A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

quinta-feira, fevereiro 27, 2020

ABRAÇAR NÃO É ESTRANGULAR





ABRAÇAR NÃO É ESTRANGULAR



Cada dia que desperdiças
Com quem jamais te amará
Dia roubado a quem t'adora
Oxidação das dobradiças
Ponto de rotura, letra agá
Morto e alcatruz de nora
Que roto está, água verte...
É ânsia fria e inerte.



Amar não é isso, nunca doi;
É outra coisa muito além...
É um oxidar que não corroi.
É envelhecer que só faz bem!



Joaquim Maria Castanho
Com foto por Elie Andrade

terça-feira, fevereiro 25, 2020

A TRUPE DA MÁ-LÍNGUA




Prà trupe da má-língua
Toda a gente tem defeito...
Daí viver à míngua
Sem lucro. Sem proveito!

Joaquim Maria Castanho

sábado, fevereiro 22, 2020

INDIGNAÇÃO EXISTENCIAL





INDIGNAÇÃO EXISTENCIAL



Onde estavas, realmente
Que só agora eu te vi?
Peca quem apaga gente
Pra lembrar-se apenas de si...



Portanto, cuida bem de ti
Que, independentemente
Do que venha a acontecer
Amar-te-ei tanto e sempre
Como luz, razão e ventre
Sentir, eco, ouvir, dizer
Élan nado por que nasci
Sol de rimar até morrer
Onde estavas,realmente
Que só agora te vi!



Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade



segunda-feira, fevereiro 10, 2020

#SENTIR #PLANÍCIE


   


SENTIR PLANÍCIE

Sou – podes crer! – aquele que te ama
Sem limites nem quaisquer comparações.
Que apenas vai se o coração chama
E está sem haver demais razões.
O que desinventa a dor, se a há;
Que esconde teus receios (febris)
E canta a luz, ainda assim não vá
Haver rumores ou algum diz-que-diz.
O que desmagoa e nunca exige.
Que só se perde para te encontrar.
Que se condoi com o que te aflige.
Que navega tão-só pelo balançar.

E se balança em cego embalo,
Se dito cala, o que por ti calo.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

sábado, fevereiro 01, 2020

O #BOM #EXEMPLO


 


#BONS #EXEMPLOS

Pois, quem quer ajudar
O presente e o porvir,
Sabe também separar...

Bons exemplos são pra seguir!

Joaquim Maria Castanho

domingo, janeiro 19, 2020

Travis - Sing Legendado Tradução

#BOMDIA

             SEXTILHA DE #PAPEL

Hei! Bom dia, pessoa linda!
Rios de mel pra ti, neste dia!
Porém, se não chegar, tem ainda
Este dulcíssimo barquinho
Feito com pétalas de carinho
– Com velas e remos de poesia!

Joaquim Maria Castanho




quinta-feira, janeiro 02, 2020

o desamor acrescenta-nos valor






Devo-te a liberdade...
Obrigado por não gostares de mim!
Graças a ti, vivo numa cidade
De sonhos, flores e marfim.

As ruas são todas planas
Prédios acessíveis.
Não há palavras em flamas,
Os horários primam por flexíveis.

E, às vezes, quando apareces,
Antecedendo o boato e o rumor,
Parece que apodreces
Só pra exalar o sutil perfume do fedor.

Joaquim Maria Castanho
in CONFISSÕES E OUTRAS MÁGOAS

sexta-feira, dezembro 27, 2019

NA ALVURA, O GRAFITE





GRAFITE

Com tanto de tão pouco nasce a fortuna que é sorte sina o ter nascido
Que outro milagre não houvera igual em qualquer tempo futuro ou ido
Este de levantar os olhos e reconhecer que o sonho é tão real-autêntico
Como respirar, falar contigo, estar a par, porém saber o propedêutico
Instar da luz no recanto da folha digital tangente ao desejo assumido.

Que devagarmente se isola na rispidez o gesto assaz nulo, oco e vão 
Pois nisso de viver é coisa basta a resistência comezinha e até pueril 
Dizer «sim» quando ao «não» se pensa ou tido vice-versa por decisão
Como qualquer fogo que arde sem combustível pode apenas ser ardil
Da matéria, ao espírito alheia, simples fusão a frio do ninguém e nada
Pondo a parte tida em forma perdida já por demais em si tão achada.

Porém, tempos houve outrora ainda do aqui-e-agora tão-só distantes
Que lídimos dedos apontaram os céus infindos e disseram o espanto, 
E perante tua luz os olhos fulgiram como mil sóis candentes voantes
Explodindo as vozes dos mais entendidos em desgarradas no descanto. 

Foram esses os primeiros dias de todos os dias daí seguintes adiante
Que feitos à tua imagem na repetida procura, busca ansiosa e diária
Nenhuns outros se assemelhando em intensidade, que se de férias
Ou folga tida, me senti pária roubado por mim de minha própria vida.  

Me senti desnecessário do sentir que é viver e não saber até quando
Teus olhos me segam o desespero sem qualquer intenção de fazê-lo, 
Pois que ao Sol do acaso todo o verbo é um gerúndio afecto andando
A(r)riscar reflexos e ângulos silentes e lisos às esquinas do teu cabelo. 

Joaquim Maria Castanho

HAVIA DE DIZER-TE


   



DIZER-TE ENTRE AS FOLHAS

Pela cadência da batida do tear se dispõe
Enquanto vestes o tempo de flores coroadas
A marca do ritmo se a consciência propõe
A sopesar, a transferir as cores bordadas
Para o horizonte que se quer distanciar…


Cresceste-me como um ventre inaugural
A redoma do destino na imensidão da planície
A lente de alvorar à estrela incondicional
Afinal a heurística desse sempre que nos inicie
Como se cada passo fosse o derradeiro primeiro passo
Cada voz a incontornável revelação de sermos sós
Cada laço lasso a única maneira de darmos nós
Cada nó a distância feita atreita à curva do compasso
No desembaraço do balanço redondo na redoma do plural.



Havia de dizer-te entre as folhas
Como luz esgarçada saltitante
A bailar na sofreguidão da tarde
Que conforme ao verbo, me recolhas
E assim perecerá a sombra distante
Deste Sol que por nós em nós arde!


Joaquim Maria Castanho

EXATA EQUIDISTÂNCIA


  


A EXATIDÃO DA DISTÂNCIA

Se na equidistância entre estrelas o afastamento a uma é aproximação
A outra entre dois pólos navega como pêndulo à procura da unidade
Esse ritmo binário digital com que nos sustentamos irrequieta condição
A bater as horas entre ser e não e não-ser, sintetiza-nos átomo paridade
Ao construir-nos duplos no género mas iguais perante a generalidade. 

Olho devagar a concisão de teu sorriso aflorando o recanto da alegria
E nesse olhar em que me vou tornando está o manto rosáceo, puro, liso
Que não descuro nem quanto dele preciso para seguir em frente no dia-
A-dia, sobre a mesa da ocasião, apenas à solidão calada as letras aviso
Arriscarem-se a perecer se ao cometer a traição temerem doce ousadia
De tecer teus ombros na fina e branca seda dos astros reflexos os areais
Bronzeados mestiços metais nada são se os comparar a alvos celestiais
Das velas navegantes que mundos viram e trouxeram uma página mais.

Duas folhas unidas pela medianiz como dos troncos nasce só uma raiz
A veia feita das duas metades que já foram quartos doutras tantas luas
Ao querer como se crê e tanto quis que as pétalas saídas do cálice tuas
Fossem únicas verdades essas lidas assim tatuadas na pele tão-só a giz
De gizar o caminho ao amaciar o linho da repousada água na líquida fé
De se apagar a mágoa no mansinho ser somente quem, ao querer-te, é.

Joaquim Maria Castanho

terça-feira, dezembro 24, 2019

IGUARIA DA TIA ROSA





FELIZ NATAL


Celebrar com carinho, com paladar
E no coração visão deliciosa,
O Natal, cá, ou em qualquer lugar
Só tem mesmo sentido, só tem sabor
Com iguarias feitas pelo amor
E confeção de mestria, da Tia... ROSA!


Joaquim Maria Castanho

domingo, dezembro 22, 2019

The Police - Every Breath You Take Legendado Tradução #MusicaePoesia

ARTE ETERNA





A ARTE ETERNA


A literatura é lixada...
Quando lemos, partimos
E tudo o mais vale nada.
Plo chão ficam destroços, limos
Vestígios da enxurrada,
Do são tsunami em que vimos
Tanta vez a alma espelhada;
Viagem com bilhete de ida
Donde nunca volta quem fomos,
Retalha a polpa da vida
Dá-lhe estrutura por gomos.


E se acaso nos socorre
Com brisa de prosperidade,
Mata-nos, contudo não morre
Que só ela é eternidade.


Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, dezembro 16, 2019

ERA E NÃO ERA, MANDA NA TERRA; MAS QUEM ACERTAR, NÃO ERRA.





ADIVINHA


Anexo à alma universal
Nota de dívida ou extrato
Remendado a linhas de bem e mal,
Com pespontos na bainha do fato
(Que perdeu o C numa demanda),
Anda agora a parecer que anda
Mas só sabe mesmo marcar passo
Jogar bombas, poluir, terçar aço.


Se acaso não adivinhou quem é
É só por ter acertado em cheio,
Dando ora outro tiro no mesmo pé
Da pegada com que sujou o meio...


Joaquim Maria Castanho

domingo, dezembro 15, 2019

HORTELÃO DA LIXOSA





O HORTELÃO DA LIXOSA


Daqui, de onde te vejo
Meu amor é só mistério,
Aberta gruta num beijo
Lenda passada a sério...
Mas em três libras vertida
Desse ouro paupérrimo
Que é ilusão bem sentida,
Visão em brocado vestida
Linda moura encantada.


Foste élan vital e vida
Cada vez qu'ergui enxada,
Tantas vezes nesta lida
Noutras tantas imaginada.


Joaquim Maria Castanho


RIMAS SUBLINHADAS





SUBLINHADAS RIMAS


Se sublinhas os meus versos
Com identidade perfumada,
Agrupas sentires dispersos
Onde a vida será amada.
Libertas os sonhos submersos
Pela sisudez estagnada,
Mostrando, se são perversos,
Como torná-los só uns versos
Que entoam paixão calada...


Então esculpes um cuidado
Feito pelos cheiros sem flor,
Num odor subtil, perfumado,
E escrevo poema cruzado
Apenas com rimas de amor.


Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, dezembro 13, 2019

A CADÊNCIA EXISTENCIAL





CADÊNCIA EXISTENCIAL


Concludente ou nervosa
Toda a prática indica
Qu'onde poesia faz prosa
A existência tremelica,
Trepida onda aquosa
Que a moda multiplica...
Se, por bem, vira glosa
Mas por mal nem se explica.
Assim, é vera opinião
Lógico efeito e causa
Qu'o amor nunca faz pausa
Bate conforme o coração.


Se grande, então acelera.
Porém, se maior... espera.


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade