A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

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São o chão em chamas onde as lavras
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domingo, dezembro 17, 2023

poema sibilante

 

POEMA SIBILANTE

 

Propus-te nove livros originais

Mas não mos quiseste comprar.

Queimei três (que nem eram iguais)

Mas também não quiseste os seis

Que te fui novamente levar.

 

Deles, queimei outros três

E plo mesmo preço dos nove de antes

Eis que aos três restantes

Já com eles quiseste ficar.

 

Azar o teu, podes crer

Que de todos, são falhos de luz ou pranto

E os que estavam em branco

Os que ainda faltava escrever.

 

Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, dezembro 16, 2019

ERA E NÃO ERA, MANDA NA TERRA; MAS QUEM ACERTAR, NÃO ERRA.





ADIVINHA


Anexo à alma universal
Nota de dívida ou extrato
Remendado a linhas de bem e mal,
Com pespontos na bainha do fato
(Que perdeu o C numa demanda),
Anda agora a parecer que anda
Mas só sabe mesmo marcar passo
Jogar bombas, poluir, terçar aço.


Se acaso não adivinhou quem é
É só por ter acertado em cheio,
Dando ora outro tiro no mesmo pé
Da pegada com que sujou o meio...


Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, julho 04, 2019

AI, AI, TÍLIA, TILIAZINHA





AI TÍLIA, TILIAZINHA!

Já quando esta tília
Era menina, pequenina
E inocente, tinha família
Entre flores e demais gente.

Para mim, ao lembrar-me dela
Faz-me ela vários reparos,
Além do de ser útil e bela,
Chá de sabor e aroma raros.

Mais me disse que não conto
E acerca daquela grade,
Onde esperei feito tonto
Muitas vezes, às três da tarde.

Joaquim Maria Castanho

terça-feira, junho 27, 2017

ESSA INVENÇÃO, A POESIA




A POESIA, ESSA INVENÇÃO

Retardo o passo pra que passes
Cruzes portal pró desconhecido, 
Que faças o que só tu fazes
Dites a rota, dês sentido
Aos caminhos que te celebram
–  Aos poemas que te inventam!

Joaquim Maria Castanho 

domingo, junho 25, 2017

SILVO DE COLORIDA LUZ




SILVO DE COLORIDA LUZ 


Só quando te não vejo 
Posso refugiar-me em ti, 
Dizer que penso, que sinto
Que anseio, que desejo
Como foi o dia que vivi
Sem viver, se dele pinto
O esgar sonhado e ali
Refugiado atento
Mais caminho de pronto
Com os poemas que avento
À Sol num cruel rodopio
Pelas fisgas do assobio
Que sufi me deixa tonto… 

Joaquim Maria Castanho

domingo, abril 16, 2017

QUANDO ÉS INEQUÍVOCA INSPIRAÇÃO




QUANDO ÉS INEQUÍVOCA INSPIRAÇÃO…

Ao recortarem-se no céu adverso do circunstancial azul, 
As verdes ramadas dos salgueiros (bíblicos e distintos)
Escrevem-te serena na memória desse instante, subtil
Tal como te encontrei na manhã de todos os infinitos
Ali, já quase inacreditável, quase silhueta inesperada
A trabalhar num dia feriado, logo dedicado às famílias, 
E foste visão, Maia ou Arina, das princesas encantadas
Gomo de responsabilidade avançada pla emancipação
Consciente de ti, resistente de nós, de Senhora gentil 
E segura que não atira a toalha ao chão e quer ganhar
Vencer porque sim, sabendo que nunca há ser tarde 
Mesmo que haja incertezas e abriladas incandescentes; 
E que todos os dias serão só os nossos perfeitos dias
Inequívocas inspirações da vida real pra reais poesias.

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, abril 06, 2017

MINHA LEI, MEU CREDO




MEU CREDO, MINHA LEI 

Dilui-se-me a alma já por pensar-te
Horizonte estendido pra lá do lá, 
Que a fonte é teu querer nesta arte
Onde me sou, se vida em nós está, 
E tu és a imperativa imensidão
De "sofreguir" os verbos dess'além-cá
Do corpo, órbitas da sorte e parte
Da fé n'A sol, infinito mel que há
Na serena luz, se desfaz a ilusão
Sem omitir o sonho do sim, nem do não… 
Porque a voz, se tua, é A lei minha
Crente num ente, de cuja vontade
É igualmente o nó dado, e a linha
Que aprende o pulsar da liberdade. 

Joaquim Maria Castanho

domingo, fevereiro 19, 2017

DA MEMÓRIA




MEMÓRIA

Se nada se perde também
Nada se tem para sempre, 
Que ser é contínuo vaivém
Entre os céus e o ventre 
Da Terra, essa mulher-mãe
D'humanos, filhos diletos
Nos dois géneros completos.

E fraternos igualmente
(Irmanados em igualdade), 
Mesmo que a insana gente
Creia omitir a verdade…
Porque nada se perderá
Nem sequer o que já não há! 

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, janeiro 25, 2017

NÉCTAR DIVINO, A LÍNGUA DA LUSITANIDADE




DIVINO NÉCTAR 

Teu pequeno «Olá!» foi imenso
Na minha imensa solidão, 
Tão grande que até penso
Que é semente de paixão
Que germinará e será flor, 
Pétalas, odor sem igual,
Se for regada com o amor
Que é a língua de Portugal
Adoçada pla brasileira
Num sonho de mel maduro
Torna-viagem da videira
Que dá o néctar do futuro…

– O sentir da vida inteira,
E em cada dia mais puro!

Joaquim Maria Castanho

sábado, janeiro 14, 2017

DOCE ALGODÃO





ALGODÃO DOCE


Estou combalido?
Sim. Com o quê?
Com a sorte, que não me quer;
Com a vida, que não me pensa.
Como se a última, fosse mulher
Mãe da segunda
E avó da primeira – a ofensa.

É um encanto que arrelia,
Uma arrelia que não foge,
Como esse niquinho de lã
A voar no bico do hoje.

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, novembro 24, 2016

LETRA U




LETRA U 

Usura dura e única esta: 
Ultrapassar a tua ausência – 
Ustir último se já funesta 
Urdidura uiva urgência, 
Ultima lugar prà sepultura, 
Aquiesce em suma anuência, 
Aqueda em tumular cesura… 
Que quando é usual ustir
Sem amuar (cumprindo ajuste), 
Nem undíssono urde iludir 
Porque “quem quer uste, que lhe custe”,
Num muito sumário aprumo
De quem curte seu supremo rumo
Em nunca ocultar – nem desunir! 

Joaquim Maria Castanho 

quarta-feira, novembro 09, 2016

LETRA I




LETRA I 

Nove III, imperador do infinito
Condómino maior na escala decimal
Senhor do fim, do abismo e do esquisito
Faz saber que todo centro é marginal.
Todo o coletivo é individual. 
Todo o corpo é sempre um espírito.
Todo o silêncio é seu próprio grito.
E todo bem tem seu correspondente mal.

E mais que isso, se decreta agora, 
Que embora diga que és tudo e nada 
(Serviço de urgência, base, escora…), 
Não há prova que existas realmente: 
Só és ponto de partida e de chegada 
– Pintinha de sangue no olho desta gente! 

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, setembro 23, 2016

BBBHHHAAA!!!




BBHHHAAA!!!  

Almejam os ignaros decidir 
O que os poetas devem escrever, 
Para assim, talvez, se prostituir
A fim de que alguém os queira ler… 

Ó pacóvios, contem-me outra, 
Qu’essa história já está gasta, 
Pois nenhum poema será montra
Das aldrabices da vossa casta! 

Joaquim Maria Castanho  

quinta-feira, setembro 22, 2016

TROVA DO SENTIR PERENE




TROVA DO SENTIR PERENE 

Tenho poema a periquitar
Plos olhos que há pouco vi, 
Tão lindos, que ‘tou a pensar
Que foi por eles que nasci. 

São avelãs de bem-querer
(Maduros sonhos cerzidos), 
Capazes de nos meus ver
Como eles andam perdidos.

Prós ver e neles acreditar; 
E sonhar vê-los agora aqui, 
Num poema quase a chegar
Tão-só por me lembrar de ti. 

São avelãs de bem-querer
(Maduros sonhos cerzidos), 
Capazes de nos meus ver
Como eles andam perdidos.

Numa tão nobre perdição
Que não se vêem sozinhos, 
Tendo feito do coração 
Seus próprios caminhos. 

São avelãs de bem-querer
(Maduros sonhos cerzidos), 
Capazes de nos meus ver
Como eles andam perdidos.

Rotas ou descobrimentos
No alinhado meridiano, 
Plo qual os sentimentos 
Dum dia valem todo ano. 

São avelãs de bem-querer
(Maduros sonhos cerzidos), 
Capazes de nos meus ver
Como eles andam perdidos.

Joaquim Maria Castanho 

quarta-feira, agosto 24, 2016

TRÊS VEZES TRÊS




TRÊS VEZES TRÊS 

Por três vezes o nácar cintilou
Entre os breus da existência,
E em todas elas meu ser voou
Num grito (calado) de urgência… 
Arrebatado sim, e premente
Preso à eterna luz fulgente
Do universo que a vida criou. 
Encontro triplo, tripla magia
Que a cintilar germinou, talvez, 
Outras tantas pétalas de poesia
Que se hão de multiplicar por três. 
Até o infinito da imensidão. 
Até o crepitar da madrugada. 
Até que os corpos sejam a razão 
Da alma perdida, se encontrada
Ao cubo de si, pérola da voz
A escalar as rampas da memória, 
Da beleza que escreveu em nós 
Seus dias… – e própria história! 

Joaquim Maria Castanho  

segunda-feira, agosto 15, 2016

OLHOS DE MADRUGADA EM FLOR




OLHOS DE MADRUGADA EM FLOR

Das pétalas de lua preciosa
Que as ondas do mar depuraram, 
Nasceu o poema, o mote e a glosa
Com que os aedos celebraram
De todas, sua maior estima
Ou motivo de sentida rima, 
Dentro do tempo e tempos idos
Presentes, futuros e ideais
Tanto, qu’até hoje são ouvidos 
Nas rádios, e lidos nos jornais. 

São sílabas do nome em flor, 
Mãe com olhos de água mansa; 
Pérolas no limbo nácar da cor
Nas sete portas de esperança
Do berço encrespado do amor. 
Mas muito mais, sempre e ainda
Centelha de luz das almas puras
Donas da vida viva, e linda
Que ilumina as noites escuras.

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, junho 23, 2016

MÁTRIA, OU ALMA DA PÁTRIA




MÁTRIA, OU ALMA DA PÁTRIA 

Se o vento sopra na vela
Todo o barco vai com ela, 
Que o impulso pessoal 
Transforma os coletivos 
Dando o cunho do real 
À concretização de normativos. 

Um povo, se dividido,
Quebrado pelos interesses, 
Se tiver alguém destemido
Pode mais que o desenvolvido,
Cumprido a lei todas a vezes
Que lhe seja dado escolher;  
Que a unidade sem cores
Nem corporativismos senis, 
Galvaniza os melhores 
Sem precisar doutros abris. 

Cada qual ajuda como puder
Se o fizer dentro do Direito, 
Que a Justiça é uma mulher
No interesse e no conceito.      
E a força nascida individual
Unida à de cada qual no eito
Conjuga o social no perfeito!

Joaquim Castanho 

quarta-feira, junho 22, 2016

RIMAS POR DESFASTIO




RIMAS POR DESFASTIO 

Pois a mim, me disseram um dia
Como quem se cansou na espera,
Que a certeza tem tanto de fria
Como a ânsia em quem se esmera.
Que o mundo se é são, é tão louco
Que pedir-lhe pra ter compreensão,
É querer que o muito seja bem pouco,
E o nada tenha o tudo por dimensão.

Se calhar, coisas quiçá desconhecidas
Pra quantos, como eu, são desatentos
Aos nadas que nos preenchem as vidas
De inesquecíveis causas — e momentos! 

Joaquim Castanho