A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

quinta-feira, abril 27, 2023

da histeria política

 

DA HISTERIA POLÍTICA

 

No dia em que o verão disse “Olá!”

Estava em casa, à espera dele

A pensar em como o mundo está

Por haver tanta gente a destruí-lo,

A cantar de galo na morte dum grilo,

E tão pouca quem dele cuide e zele.

 

Mas, é claro, que não alterei nada…

Deixei-o seguir o seu ingénuo rumo.

Que pensar não é trampolim nem escada

Para fazer da histeria fio-de-prumo!

 

Joaquim Maria Castanho

sábado, abril 08, 2023

DA RAZÃO E DO QUERER

 

DA RAZÃO E DO QUERER

 

Apanhado nas leituras

E não tendo como negar,

Só me resta ter costuras

Para que possa prosperar…

 

Pois hoje, foi de sardinha

Coisa qu’há muito não comia,

Qu’isto de matar a fominha

Também pode gerar poesia.

 

Faz-se o que se pode, então

Incluindo pra bem crescer,

Que ser pobre não é razão

Nem sequer para não comer.

 

Joaquim Maria Castanho  

C/ foto do Manuel

quarta-feira, fevereiro 22, 2023

Léo Ferré : Le Bateau ivre (Rimbaud)

Le Bateau ivre (Arthur Rimbaud)

EL POEMA DE AMOR MÁS ANTIGUO DEL MUNDO - Recitado por FENETÉ

SERMÃO AOS ASTROS

 

  


SERMÃO AOS ASTROS

 

Todos os poemas nascem

De ideias que adormecem

No íntimo limbo de nós 

Quase à beira da voz

Para as lembrarmos melhor.

 

Às vezes, mas não muitas

De caras passam a gratuitas

A precisar de retoques

Ênfases, sal, ou enfoques

Até as sabermos de cor.

 

Porém este furou a regra

Fez-se técnica apenas sua

E veio como quem prega

Sermões à Sol – e à Lua!

 

Joaquim Maria Castanho


sexta-feira, fevereiro 17, 2023

ISTMO DE MOTIVAÇÃO


 ISTMO DE MOTIVAÇÃO

 

Neste ano mal começado

Tão “rés-vés” à nossa vida,

Pode ser melhorado

Plo afeto, poesia e lida.

 

Disso, temos certeza

Que o que ainda faltar

Se fará no verbo amar

Qu’é essência da beleza!   

 

Joaquim Maria Castanho

sábado, fevereiro 11, 2023

O SEGREDO DO SÉTIMO DIA

 

O SEGREDO DO SÉTIMO DIA


Só porque hoje a alegria é tanta

Que meus olhos voam, o ser rejubila

A alma estremece, e a poesia canta,

Eu posso dizer que vi o amor a correr

Tal como uma flor livre, qual sibila

Lesta e gentil, plena de graça e prazer.


Só “porque hoje é sábado”, com certeza,

O sonho libertou-se nas veias do jardim,

Se sob o arrulhar das rolas verseja

O segredo da beleza… que me inspira a mim!


Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, fevereiro 09, 2023

Leituras ComVida - "Poeta", de Alice Neto de Sousa

testamento

 

TESTAMENTO



À beira do tempo, ensaio, recuperação

De quem fui, de quem sou, a pulsar pla vida,

O avançar sobre o ímpio breu do alcatrão.

E do outro lado, na margem oposta

Há o silêncio de quem gosta mas desgosta

Por preferir girar sempre em contra-mão.


Tudo é plano, exceto tu cidade qu’rida

Além pináculo das mouras encantadas…

Mas se houver alguém que por mim decida

Que nunca esqueça suas gentes tão amadas!



Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, dezembro 05, 2022

LIVROS DE Joaquim Maria Castanho


 

Meus amigos e minhas amigas:


Apraz-me informar-vos que os meus livros de ficção e poesia DADINHA DÁ UMA LIÇÃO AO LÁPIS VLUP-VLUP, o Valentão das Dúzias, NA MINHA CASA MORA UM GATO, REDESENHAR A VOZ e A BOLSA DAS MARMITAS, também se encontram à venda na COSTUREIRA DULCE, no Centro Comercial da Fontedeira, em Portalegre.

Portanto, já podem festejar este Natal com literatura regional (e local), oferecendo aos vossos afetos (e desafetos), amizades e inimizades, algo que as “arrebate” e prenda ao conforto da casa, ao calor do lar e da lareira, ao silêncio aconchegante das noites frias e chuvosas: livros. E, de preferência, livros que espelhem a identidade da nossa terra, da nossa gente.


FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO


Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, outubro 12, 2022

GIGLIOLA CINQUETTI - FOREVER!

Barbara Pravi - Mes Maladroits English Subtitles

HORASSÃO


 

HORAÇÃO


Creio na tarde e na imensidão do mundo.

No sonho que não arde nem se contradiz.

No escoar do tempo lento e profundo.

No cuidado que merece petiza e petiz.


E creio no mistério aberto e vagabundo

Que há no olhar que ledo espera à solta

Pelo passado que é ontem mas não volta

À própria visão que o aprisiona e escolta

Como se fora a invenção de cada hora

No vivo instante que jamais se demora

Nos sessenta décimos de um segundo.


Creio – não faço nada por menos que isto... –

Tal-qual com’outros creem em Buda ou Cristo!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 12 de outubro de 2022


terça-feira, setembro 20, 2022

Claire Laffut - Vérité

LES UNS ET LES AUTRES - Bolero (piano)

(SÓ) somos quem somos

 

SÓ SOMOS QUEM SOMOS


Deslumbra a fidelidade intrínseca…

Não há metáforas para o teu olhar.

E quando a sombra se torna promíscua

Nenhuma lágrima o poderá lavar.


Hidrato basilar será a sua máscara

O pigmento da memória por colorido;

Mas no fim de tudo o corpo é chácara

Onde o fado destila poema (sofrido).


Que o ser se à alma se entrega de boa-fé

Nem resiste, enfim, à sua unificação,

É porque quer ser somente aquilo que é.


Abdica da mentira e representação,

Do logro, da iluminura e do rodapé,

Pra casar co’a verdade da sua condição.


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 20 de setembro de 2022

domingo, setembro 18, 2022

CLIO - T'as vu [CLIP OFFICIEL]

Elena Roger - Un Instante Irreversible (Videoclip Oficial)

NOTAR A AUSÊNCIA É DESEJAR VER

 


NOTAR A AUSÊNCIA É DESEJAR (VER)



Somente saudade resta depois de ti

Ao partir semeaste vazio no meu olhar,

E não fora o instante rasgar que senti

Só a memória habitaria este lugar.


O TEU SORRISO inventou-me por dentro

Como qualquer madrugada por fazer,

E agora se plas manhãs adentro entro

É tão-só na esperança d’O voltar a ver.


O TEU SORRISO é luar prestes a crescer

Entre aspas, até eclodir bem no centro

Onde a palavra entretece o puro tecer,

O que nem mil vocábulos têm pra contar,

Quanto unicamente em teus olhos li…

Que a ausência é prenúncio de desejar!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 18 de setembro de 2022

domingo, setembro 11, 2022

Uma Odisseia no Espaço "Assim Falou Zarathustra" - OFUC / Maestro Davi O...

A GRANDE incógnita

 


A GRANDE INCÓGNITA


Chamo-me Futuro, e não sou pra graças.

Nada sei do amanhã à exceção daquilo

Que é tão irrevogável como os braços de Milo

Na frugalidade do Agora e suas trapaças.

Podem não me ver sem lentes especiais

Esquecer-me entre as bagagens usuais

De quem pernoita nos desvãos e nas praças.


Nos arquivos, concertos e festivais

Ou nas partilhas por heranças e traças

Com que a inveja congemina planos, ameaças

Para se vingar dos que pensa serem mais.


Mais isto e aquilo, aqueloutro e coisa e tal

Sabe-se lá! – Ou sinal intermitente

Tipo digital VIVO / MORTO, Virtual

Versus Real, em que existe tanta gente.



Chamo-me Futuro, e estou de partida

Para onde o passado não me encontre,

Perdendo de mim o rasto, sentido e norte,

Ainda que mui deseje repetir a vida!


Joaquim Maria Castanho

Com foto de Mia Teixeira

Portalegre, 11 de setembro de 2022

sexta-feira, setembro 09, 2022

Ana Bacalhau - Leve Como Uma Pena

TÍTULO PÓSTUMO


 

TÍTULO PÓSTUMO


Era uma vez um poema sem título

Que fazia parte de um romance, vivo

Real, ativo, nada abstrato e cativo

Do enredo, sendo dele outro capítulo

Jovem, mas sensato e ilimitado,

Como a sustentabilidade infinita

A sua pele cor de mel enfeitiçado

Seu olhar de luar de outono-escuro

Que chamo num silêncio qu’apenas grita

Sentido amor que vai para lá dos sentidos.


Se me aproximo, seu sorriso é puro.

Se o nomeio, conta cantando Mil… Dois… Cem… Três…

E salta da História o tempo, o muro

Dos nomes, para ser Rainha… – Sim…: outra vez!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 09 de setembro de 2022



terça-feira, setembro 06, 2022

Falas De Bem-Querer

SOBRE A IMORTALIDADE DO SONHO

 

SOBRE A IMORTALIDADE DO SONHO


Na orla do movimento

Todo o caos desacontece:

Fenece plo sentimento

Que só teu rosto merece.


E esse sinal que sei de cor

Bem a jeitinho de beijar

Quase tão botão de flor;

Quase seio de nobre amor

Qu’até põe o sonho a sonhar.


Porque ao ver-te eu o digo

Posto fora de perigo

Já longe de qualquer mal:

S’até o sonho sonho contigo

Que não se passará comigo

Que sou simplesmente mortal!


Joaquim Maria Castanho

Portalegre, 06 de setembro de 2022

quinta-feira, setembro 01, 2022