Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
quarta-feira, outubro 09, 2019
METAMORFOSE DA PEDRA
A
METAMORFOSE DA PEDRA
Na
pedra que o faz imortal
Cinzelou
o beijo (de granito);
Porém,
a ternura foi tal
Que
a pedra se tornou grito.
Invadiu
nave celestial,
Cruzou
aquéns e aléns terrenos,
Tirou
ânsia à humanidade.
Irados
mares tornou amenos
E
aos sábios deu bondade.
Mas
a mim, que sou um sonhador
Arreigado
e irreverente,
Pôs-me
a pensar ser por amor
Qu'as
pedras se fizeram gente.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
EM CUMPLICIDADE (MINERAL)
CUMPLICIDADE MINERAL
Desce
na brisa...
O
ar não contamina.
É
só oxigénio que desliza
Rasgado
por fiapos de neblina.
Dedico-te
toda a esp'rança.
E
dedico-te todo o desejo
E
dedico-te o dizer que balança
E
dedico-te a ânsia dum beijo
Num
arpejo que nos alisa
Motiva
e anima
– E
determina.
És
minério do mesmo veio
Labirinto,
em surpresas várias.
Granito,
grão a grão, pleno e cheio
Sinal
d'inspiração d'estrofes diárias.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
terça-feira, outubro 08, 2019
A GOTA MADURA
GOTA MADURA
As dúvidas, como as certezas
Se têm igual transparência,
São tal e qual outras belezas
Que nos incitam à coerência.
Coerência no crer e no pensar.
No sentir, esperar e no querer.
Na contemplação e no imaginar.
No fazer, comprar e no escolher.
As dúvidas são mãe da certeza
Porque ela só nasce do duvidar,
Carregando peso à leveza
Qu'amadurece, pra de vez pingar.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
sexta-feira, setembro 27, 2019
"O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS"
“O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS”
A jovem flor sempre brilha
Indiferente à cor do dia...
Tem a luz por sua filha
Mais do sol, se ele porfia,
Insiste ser claridade
Induz beleza no mundo
Alegre desanoitecer
Capaz de luzir e crescer
Se o negrume é cidade
– Buraco negro e imundo.
A jovem flor liberta luz
Não a prende, teme ou ata...
A dissemina e destapa,
Tal a verdade traduz
O ver qu'aos olhos escapa.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
terça-feira, setembro 24, 2019
DA MOTIVAÇÃO DA ESCRITA
DA MOTIVAÇÃO DA
ESCRITA
Sem
tampouco me dizer nada
Que
quando plos olhos me dou
É
por ter a alma enamorada,
Tocada
já pelas suas mãos
Desfeita
em promessas, preces
Poções,
palavras e razões
Que
só tem mesmo quem é fada,
Merece
o que só tu mereces:
Beijos
em todos os desvãos
Do
corpo, assaz escondidos,
Com
que a alma apaixonada
Une
e estremece os corações;
Sonhos
perpétuos floridos,
Com
que pétala abandonada
Esquece
os amores tidos;
Luz
que brilha poro a poro
Que
com os lábios percorro,
Se
os olhos neles eu demoro
E
renasço, se acaso morro...
Pequena
fada, de voz doce
Doce
jeitinho e tão gentil,
Escrevo
pra que teu ser fosse
Não
só duma fada... mas de mil!
segunda-feira, setembro 23, 2019
segunda-feira, setembro 16, 2019
quinta-feira, setembro 05, 2019
domingo, setembro 01, 2019
SE A BURRIDADE VIRA VIRTUDE...
DO VALOR DO
PRECONCEITO
Se
a burridade vira virtude
Haverá
uma gente que nada sabe
Que
muita coisa sabe e amiúde;
Porém,
de tão rudimentar efeito
E
rústica natureza, que cabe
No
teor da palavra preconceito...
E
pra todos os problemas do mundo
Acham
ser essa a solução que resta.
Contudo
eu, sem hesitar um segundo,
Digo-lhes
já: «É mentira. Não presta!»
Joaquim
Maria Castanho
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quinta-feira, agosto 15, 2019
PORQUE TE DECORO?
DECORO-TE
Decoro-te...
És pauta de harmonia
Divina
poro a poro, pálpebra a pálpebra,
Sílaba
a sílaba és códice, poesia
Digital
ode nesta nova álgebra
Que
estrela a estrela ao céu acende.
Decoro-te
que nem chave indizível
Quase
refrão perfeito que não ofende
A
língua, tal e qual a alma tangível
Quando
se estende é real, plausível...
Tal
a voz nunca se cansa de repetir nós.
Decoro-te...
És flor à beira da tarde
Que
inclina as pétalas, fala à gente
E
sorri, sorri sempre, mas sem alarde
Ante
todos os incómodos que sente.
Joaquim
Maria Castanho
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quinta-feira, agosto 08, 2019
A CHUVADA INTERIOR
CHUVADA INTERIOR
Eu
nunca saberei como, nem porquê,
Mas
creio que ela só me aparece
Ao
ler em teus olhos o que ninguém vê...
Eles
dizem o esplendor do luar
Se
acaso a lua brilhar tão cedo,
Que
é uma adaga de prata a cortar
Silêncio
ao luscofusco e ao medo.
Dizem
por esse infinito profundo
Com
que a alma se torna um poço sem fim
Donde
a felicidade jorra prò mundo
Numa
água que também me lava a mim!
quarta-feira, julho 24, 2019
terça-feira, julho 23, 2019
O DISCURSO DO TRIGUEIRO AOS SEUS PARES
DISCURSO
DO TRIGUEIRO AO SEU BANDO
Tinha
uma família que o amava
E
todas as primaveras cumpriu missão
Que
o destino, ou a vida lhe destinava:
Fazer
ninho, alimentar filhos... – Mas em vão.
Aquele
que morreu, era vosso irmão.
Não
foi pra alimentar nenhuma cobra,
Não
foi para alimentar nenhum gato.
Morreu
sem um porque sim ou porque não,
Num
desperdício de vida e de razão.
Aquele
que morreu, era vosso irmão...
– Em
nenhum planeta há vida de sobra.
Os seus assassinos
ficarão salvos
Mas
nós continuaremos a ser seus alvos...
– Em
nenhum planeta há vida de sobra –
Aquele
que morreu, era vosso irmão!
quinta-feira, julho 04, 2019
AI, AI, TÍLIA, TILIAZINHA
AI
TÍLIA, TILIAZINHA!
Já
quando esta tília
Era
menina, pequenina
E
inocente, tinha família
Entre
flores e demais gente.
Para
mim, ao lembrar-me dela
Faz-me
ela vários reparos,
Além
do de ser útil e bela,
Chá
de sabor e aroma raros.
Mais
me disse que não conto
E
acerca daquela grade,
Onde
esperei feito tonto
Muitas
vezes, às três da tarde.
Joaquim
Maria Castanho
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quarta-feira, julho 03, 2019
A LÁGRIMA INCANDESCENTE
LÁGRIMA
INCANDESCENTE
Envelope
lacrado a pele,
Gota
a gotejar, se expele
É
gotícula que evapora.
É
sinal do âmago, limo,
Cristal,
pura transparência
Quando
a alma vem ao cimo
No
oceano da ausência.
Se
desse refúgio aflora
Dá
alvissaras a quem a zele,
Promete
que não irá embora.
Geme
como fado canalha.
Se
a afagamos, estremece.
Se
a sopramos, logo voa.
Mas
quando a sede nos calha
Ganha
tanta febre e aquece
Que
bebê-la viva... – magoa!
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