A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

segunda-feira, novembro 11, 2019

PELOS SONHOS QUE TEMOS É QUE NOS VEMOS...





PELO CÉU É QUE VAMOS


Só um enorme desconforto nos impede de desejar o que está certo preterindo o seu contrário, o errado. Ou porque nos sentimos mal connosco e indispostos com os demais, ou, então, porque sabendo que algo está mal, nos mantemos na secreta solidão dos eleitos, mas temos medo de enveredar por ela consecutivamente, com consciência e responsabilidade, levando-a às últimas consequências, que é pensar para agir, e agindo de forma a resolver esse erro, falta, incoerência, inexatidão, etc. Alguns e algumas atiram para Deus, outros e outras esperam que o tempo faça por eles e elas, havendo também quem sacuda a água do capote, justificando-se com o tradicional “quem vier atrás que feche a porta”. Enfim, vivemos em constante desassossego, reclamando que isto não é vida, preferindo a cómoda inquietude à desinquietação da mudança. Seremos preguiçosos? Não, claro que não! Seremos desleixados? Nunca! Seremos vingativos? Se no passado ninguém nos acautelou o presente, porque é que no presente nos havemos de preocupar com o futuro? Se o futuro é dos nossos filhos e dos nossos netos, das nossas filhas e das nossas netas, então que sejam eles e elas a acautelarem-no...

Há muita gente para quem a interioridade foi – e é – uma bênção. Mesmo tendo pouco, sobra-lhes, e possuem ainda muitíssimo mais do que a maioria (planetária), que não tem nada. Estão saciados de realidade, que lhes basta, e o sonho assusta-os e assusta-as. Pois a mim, essa prisão – a fria e seca árvore do real, que até dava patacas antigamente –, não obstante seja dourada, não serve absolutamente para nada. Prefiro sentir-me disponível para ajudar a concretizar uma Europa que abrace todas as regiões e seja una na sua pluralidade. O aeroporto internacional de Beja seria mais um elo, o elo que falta nesse abraço, uma vez que os elos do norte (Porto) e do centro (Lisboa) já foram forjados, e são concretos. Principalmente, porque o maior sonho da humanidade, o de voar, foi realizado com sucesso há muito-muito tempo, e sem precisar das asas de Ícaro. Que caiu ao mar, mas se fosse hoje estava era sujeito a que o mar lhe caísse em cima...


JOAQUIM MARIA CASTANHO

domingo, novembro 10, 2019

A QUESTÃO DE JUSTIÇA (SOCIAL)





UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA SOCIAL

Os quatro pilares de governação subscritos no Orçamento de Estado para o próximo ano, são a consolidação demográfica, a transição digital, as alterações climáticas e a coesão sócio-territorial,com principal ênfase no combate às desigualdades. As assimetrias regionais geram desigualdade que, consequentemente, se multiplica em inúmeras desigualdades pessoais, ambientais, culturais e estruturais. A almejada sociedade inclusiva fica, assim, cada vez mais longe, e urge inverter essa tendência. Como? Apostando no progresso e desenvolvimento económico-social de cada região, emancipando-a (gradualmente).

O interior do país, tantas vezes sacrificado aos interesses centrais, e que tem sido ao longo da História uma espécie de faixa de Gaza, ou tampão muralhado contra as invasões estrangeiras, sobretudo espanholas, foi sucessivamente afastado dos desígnios nacionais, nomeadamente o da partilha e produção de riqueza. Os PIB's regionais periféricos são baixíssimos se comparados com os da faixa litoral desde o Sado até ao Minho, pelo que não se pode falar em combater a desigualdade nem gerar coesão (social, territorial, económica,...,...) sem se apostar e investir no interior (fronteiriço) com o mesmo vigor e determinação com que Portugal o tem feito no litoral desde há séculos, e que culminou no consecutivo enriquecimento das duas áreas metropolitanas atuais (Lisboa e Porto).

O aeroporto de Beja é apenas o tiro de partida para essa corrida, uma pequenina mosca numa reparação continuamente adiada... Um passinho em frente para a justiça social (historicamente defraudada). Por que esperamos?


Joaquim Maria Castanho

sábado, novembro 09, 2019

AO OVO DE AVIOA




O OVO DE AVIOA

A obtusidade tem limites. Continuar a defender (insistentemente) que o novo aeroporto internacional português se deve localizar próximo de Lisboa, como são os casos de Alcochete e Montijo, com a agravante de ambos irem à revelia da lei, descurando a mais valia económica, estratégica e de combate às assimetrias regionais, em termos de desenvolvimento e coesão territorial que Beja proporciona, é um erro que nos poder sair bastante caro e em muito mais curto prazo do que aquele que é vaticinado pelos arautos e pitonisas do conservadorismo retrógrado português.

Beja é a única solução que respeita a lei, não onera os custos ambientais dum projeto desta envergadura, nem provoca danos colaterais evidentes para nenhum ecossistema ou habitat. Pelo contrário. Promove o desenvolvimento económico e demográfico de uma região que carece de recursos e em risco de desertificação, pugna pelo equilíbrio e coesão territorial, contraria a interioridade e estimula a formação e modernização da rede ferroviária portuguesa, rentabilizando-a e elegendo-a como meio eficaz para a descarbonização dos transportes em Portugal. Com uma linha de TGV interior, de alto a baixo, ia-se mais depressa de Beja a Bragança, do que se vai atualmente de Lisboa ao Porto...

O aeroporto de Beja é a única opção racional, sustentável, legal, positiva, e capaz de catapultar Portugal para a modernidade europeia. Vamos desperdiçar essa oportunidade e apenas para garantir que os especuladores imobiliários que compraram terrenos nas proximidades do Montijo, contando com ovo ainda no cu da galinha, não percam os lucros chorudos que ambicionaram, ou, por outro lado, vamos aproveitar a oportunidade para ingressarmos no pelotão da frente europeu? A resposta parece clara...

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, novembro 07, 2019

AUSÊNCIA versus PRESENÇA





DA AUSÊNCIA E DA PRESENÇA

Tu estás, e a saudade morre.
É essa a virtude das (sãs) paixões
Com que o tempo lava e discorre
Sobre o maior sentir das tradições.
Nossa, enquanto portugueses
Mas também universal (às vezes)
Que o que é do humano coração
Pra todos tem igual condição.

Tu estás, a terra gira, gira
E eu rodopio com ela, feliz.
Qu'a saudade nunca se retira
Sem por nela a presença que se quis!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quarta-feira, novembro 06, 2019

COM O SONHO À FLOR DAS PÁLPEBRAS




                COM O SONHO À FLOR DAS PÁLBEBRAS
Teus olhos feiticeiros
Fugidios ind'agora
Atiram sempre certeiros
S'os meus querem demora.
Não com pedras nem com setas,
Nem promessas, nem pedidos,
Sim com certezas concretas
Com'as dos prados floridos
Prò sol inventar sementes
Pra cultivar os sentidos,
Tão presos e tão contentes
Que só nos dizem escondidos.
Que só nos cantam calados...
Se sonham que são sonhados! 


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

terça-feira, novembro 05, 2019

SILENTE TRANSPARÊNCIA





SILENTE TRANSPARÊNCIA


Há palavras líquidas em tua face
Minha lua, segredo incorrompido
És o instante enquanto nasce
Até a palavra dita ter nascido.
Ter troado e no clarão se trace
O céu e sonho, que jungido abrace
Tudo o que é são e esclarecido.
Tudo o que venceu e foi vencido.

Fosse lágrima, 'tava encantada.
Fosse orvalho, tinha cor de terra.
Porém se fosse na derme amada,
Dissess'o amor enquanto espera,
Seria luz que diz ao ficar calada...
Diria tudo o que a palavra encerra!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

segunda-feira, novembro 04, 2019

O ELIXIR MNEMÓNICO






              ELIXIR MNEMÓNICO
Eu guardei o teu sinal para mim...
Assim, ninguém sabe que é só meu.
Beijei-o com o olhar de querubim
– Deitei-o entre os sonhos de Orpheu.
Aspergi-o com lavanda e jasmim. 
Elegi-o como chave de Gineceu.
Dei-lhe o trono do eterno sem fim
(Seja n'Olimpo divino ou plebeu).

Então, acaso ocorra desventura
Ou enfrente ânsia desesperada,
Sei que algo belo e vida pura
Há a que recorrer nesta caminhada;
Espada pra combater a amargura
– Elixir d'aurora na madrugada.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

sábado, novembro 02, 2019

CONTRARIEDADES, CONTRASTES E ADVERSIDADES





ADVERSIDADES, CONTRASTES E CONTRARIEDADES

Sei que meu bem nem bem me quer...
Escond'os olhos pròs não ver;
Mas também sei qu'ela é mulher
De grande afeto e bem-querer.
E estes desencontros na vida
Que a gente não sabe vencer,
Somam mais lida, à lida
Plos cuidados que nos faz ter.

Preocupação maior não há
A quem por sentir não nega:
Às vezes, é porque não 'tá;
Outras, é porque 'tá “cega”.

Alma doi, coração arrepia
Por ver qu'o qu'era nunca foi,
Nem chegou a ser «Bom dia»!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade.

quarta-feira, outubro 30, 2019

O EQUILÍBRIO LUMINOSO





EQUILÍBRIO LUMINOSO
 

Na balança do destino
Os pratos d'igualdade,
São o badalo dum sino
Que ecoa além da tarde.

E a luz dessa emissão
Mostra sempre a verdade
Até na sua negação!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

segunda-feira, outubro 28, 2019

FLORES DE ESTILO





AS FLORES DE ESTILO

É... Se se fica, ficasse
Bem ou mal, seja onde for,
E quem se pica, pica-se
Então, se também picasse
Muito maior seria a dor.

Que nos nós, encruzilhadas
Ond'a pronúncia não vigora,
Há picos, coisas faladas
Que picam como quem chora.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quinta-feira, outubro 24, 2019

George Michael - Careless Whisper Legendado Tradução

A BORBOLETA ALQUIMISTA


  


MARIPOSA ALQUIMISTA

Em cada esquina, em cada lugar
És o único verbo que sei conjugar
No silêncio do espaço imprevisto
Se o sorriso aflora sem precisar
Tão preciso eu fora no teu olhar.
E aí borboleteio mal te avisto
Quando por amor ao amor insisto;
Pouso e ouso, o coração a bater
Ansioso diz mais do que sei dizer
Mais do qu'a voz, do qu'a alma e o mito...

A asa treme, a fala entaramela
E o sonho grita, lá do infinito
Joga setas na brisa (sem atrito
Mais velozes qu'o grito) e diz: é ela!!

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, outubro 23, 2019

AO BALANÇO DA FOLHA





           NO BALANÇO DA FOLHA
O vento fustiga arvoredo
Cujas folhas já combalidas
Jogam fora o verde segredo
E sucumbem amarelecidas.
Caem ao chão ou levantam voo
Riscam as sombras desmaiadas,
Alisam cinzas que o céu coou
Entre nuvens desidratadas
– Que nem pingo d'água escorrem,
Que nenhuma vivalma acodem.

Porém, se uma se inclina
Balança entre mil cuidados,
Reluz, sede sacia, anima
Até os sonhos bloqueados. 


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

terça-feira, outubro 22, 2019

O TORTULHO





FUNGO LUNAR

Já trépido, o dia, descamba
Desce prò outro lado do mundo,
Rasga sertões no país do samba
Exala negruras que não excomungo.
Foi lento a passar, ronceiro
Analógico na navegação;
Arqueou salto, caiu inteiro
No avesso (reverso) d'escuridão.

Mas nem assim, o ânimo mingua
Ou a vida para, retrai, exila
Que nos recantos húmidos, a Lua
Fecunda fungos... Tortulho brilha.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

segunda-feira, outubro 21, 2019

SUBJETIVIDADES





SUBJETIVIDADES!

Dependem os fatos doutros factos
Pendem, oscilam, interligados
Pondo dependência em seus atos
Independentemente dos dados
Dos argumentos, das perspetivas
Dos detalhes que lhes dão sensatez
Solidez, concisão, positivas
Mesmo que sejam só dois ou três...

Dependem. Tal como nós pendemos
Entre tendências ou sujeitos
S'acaso nos damos ao que vemos
Dando-lhe qualidade e... defeitos!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

quinta-feira, outubro 17, 2019

OS LIVROS SÃO TABUINHAS DE MIRAR O UMBIGO





42.
OS LIVROS SÃO TABUINHAS A MIRAR O UMBIGO


Entre mim e ti eu sou o labirinto alheio
Meda de palha numa eira falha de grão,
Baraços de tojo, cânulas de aveia, centeio
Destes braços que malham pra catar pão
Que não medrou, cuja semente se perdeu
No receio desta gente que também sou eu,
Se fez decalque, pressão, zip, ecrã, visão…


Ponto, interceção entre o que é material
E o que é espírito, as tabuinhas são cultura
E essência de vida em teoria e em ideal
Que têm palavras, símbolos e estrutura
Pelo que algumas são mesmo, e à parte
Autênticos exemplos, vivas obras de arte.


Nascem após gestação apurada, coletiva
Mas que é inequívoca plo cunho pessoal,
Pra que o sonho nelas s’aquiete, sobreviva
De maneira ativa, prolífera, bela e racional.


São almas qu’espelham e inventam almas
Integridade, dignidade, respeito, galhardia
E apreciam partilha, venda, citação, palmas
Passear de mão em mão e boa companhia.


Não raras, de clássicas, são agora eternas;
Outras, de universais, viraram circunstância
Local, etária, conjugam antiguidade e infância.
E há as que trazem ao cimo e de forma vária
O que noutras era fixo e uno, ou letra sumária.


São livros que se cumpriram no seu suporte
Sinas públicas ou clandestinas de consorte…
Fazem zoom sobre esses ínfimos detalhes
Que, tão pequenos, passam despercebidos
Embutidos, floreados, filigranas, entalhes
Que em sociedade se esvaem tipo e diluídos.

Joaquim Maria Castanho
in REDESENHAR A VOZ, página LXIX
Com foto de Elie Andrade

Peter Frampton - While My Guitar Gently Weeps

AO TEMPO CERTO E TEMPO ERRADO


 



31.
TEMPO CERTO E TEMPO ERRADO


Pensar certo como s’errado fosse
Causa calafrios quando se faz…
Dedos frios, voz tropeça na tosse…
Convence-s’o sujeito de incapaz.
Mas não é tão mau com’o contrário:
Pensar errado como se fosse certo
Qu’assim se torna o bom ordinário,
O asno se faz passar por esperto.
Pensar requer responsabilidade
Plo que certo ou errado não conta,
Que se é honesto o pensador há de
Rever na verdade o que desmonta
A mentira, a ilusão, a desgraça –
E ver qu’o tempo só fica se passa.

Joaquim Maria Castanho
In REDESENHAR A VOZ, página LIV
Com foto de Elie Andrade

segunda-feira, outubro 14, 2019

Metallica - My Friend Of Misery Legendado Tradução

BEIJO SECULAR


   


O BEIJO SECULAR

Beijar os teus olhos é soletrar
É abrir sulcos n'alma imperfeita
Semear neles cristais e âmbar
Espreitar luz que também espreita;
É rogar aos céus sem crer rogar
Implorar perfeição à jus eleita,
Eleger amar o negrume lunar
Sem fundo por uma fenda estreita.
Mas, principalmente, é reconhecer
Que sem eles não há amar, não há ver
Não há esperança, não há esplendor;
Não há dúvida, e não há certeza
Não há felicidade, nem beleza.
Não há sonho... E também não há amor!

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

domingo, outubro 13, 2019

A VÍRGULA MUTANTE





VÍRGULA MUTANTE


Era uma vez um aprendiz de jornalista por sua própria conta e risco. Começou como uma vírgula que em breve se tornou asterisco. E sempre que alguém lhe perguntava porquê respondia: «Eis que à realidade visto, com os fatos que de mim mesmo dispo.» Porém, de maduro bebeu demais... Até que um dia, regressou à poesia, e deixou definitivamente os jornais.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Maria José Castanho

quarta-feira, outubro 09, 2019

Pearl Jam - I am mine legendado

METAMORFOSE DA PEDRA






A METAMORFOSE DA PEDRA


Na pedra que o faz imortal
Cinzelou o beijo (de granito);
Porém, a ternura foi tal
Que a pedra se tornou grito.
Invadiu nave celestial,
Cruzou aquéns e aléns terrenos,
Tirou ânsia à humanidade.
Irados mares tornou amenos
E aos sábios deu bondade.

Mas a mim, que sou um sonhador
Arreigado e irreverente,
Pôs-me a pensar ser por amor
Qu'as pedras se fizeram gente.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

EM CUMPLICIDADE (MINERAL)


 


CUMPLICIDADE MINERAL


Desce na brisa...
O ar não contamina.
É só oxigénio que desliza
Rasgado por fiapos de neblina.

Dedico-te toda a esp'rança.
E dedico-te todo o desejo
E dedico-te o dizer que balança
E dedico-te a ânsia dum beijo
Num arpejo que nos alisa
Motiva e anima
E determina.

És minério do mesmo veio
Labirinto, em surpresas várias.
Granito, grão a grão, pleno e cheio
Sinal d'inspiração d'estrofes diárias.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

terça-feira, outubro 08, 2019

A GOTA MADURA




GOTA MADURA

As dúvidas, como as certezas
Se têm igual transparência,
São tal e qual outras belezas
Que nos incitam à coerência.

Coerência no crer e no pensar.
No sentir, esperar e no querer.
Na contemplação e no imaginar.
No fazer, comprar e no escolher. 

As dúvidas são mãe da certeza
Porque ela só nasce do duvidar,
Carregando peso à leveza
Qu'amadurece, pra de vez pingar.


Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

sexta-feira, setembro 27, 2019

Natalie Imbruglia - Torn (Official Video) [HD Remastered]

"O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS"





“O ESSENCIAL É INVISÍVEL AOS OLHOS”
A jovem flor sempre brilha
Indiferente à cor do dia...
Tem a luz por sua filha
Mais do sol, se ele porfia,
Insiste ser claridade
Induz beleza no mundo
Alegre desanoitecer
Capaz de luzir e crescer
Se o negrume é cidade
– Buraco negro e imundo.


A jovem flor liberta luz
Não a prende, teme ou ata...
A dissemina e destapa,
Tal a verdade traduz
O ver qu'aos olhos escapa.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

terça-feira, setembro 24, 2019

Marvin Gaye - I Heard it Through the Grapevine Legendado Tradução #Music...

DA MOTIVAÇÃO DA ESCRITA


 



DA MOTIVAÇÃO DA ESCRITA
                                                                          (à fada de meus olhos)


Pequena fada me segredou
Sem tampouco me dizer nada
Que quando plos olhos me dou
É por ter a alma enamorada,
Tocada já pelas suas mãos
Desfeita em promessas, preces
Poções, palavras e razões
Que só tem mesmo quem é fada,
Merece o que só tu mereces:
Beijos em todos os desvãos
Do corpo, assaz escondidos,
Com que a alma apaixonada
Une e estremece os corações;
Sonhos perpétuos floridos,
Com que pétala abandonada
Esquece os amores tidos;
Luz que brilha poro a poro
Que com os lábios percorro,
Se os olhos neles eu demoro
E renasço, se acaso morro...


Pequena fada, de voz doce
Doce jeitinho e tão gentil,
Escrevo pra que teu ser fosse
Não só duma fada... mas de mil!

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, setembro 05, 2019

O ESPINHOSO DELEITE



  


ESPINHOSO DELEITE

Capricho de véspera
Tem o sol à espreita,
Que à vida áspera
Esp'rança a deleita...

Porém o verbo cresce
E torna-se natureza,
Que sonha mas esquece
O sonho por rudeza.

Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade

domingo, setembro 01, 2019

Lost for words - Pink Floyd - Legendado

A TOMADA DE CONSCIÊNCIA





TOMADA DE CONSCIÊNCIA


Se é tão bom gostar de ti
E melhor seja de quem for,
Não é por sentir o que senti...


Foi por ver que era amor!

Joaquim Maria Castanho

SE A BURRIDADE VIRA VIRTUDE...


   



DO VALOR DO PRECONCEITO

Se a burridade vira virtude
Haverá uma gente que nada sabe
Que muita coisa sabe e amiúde;
Porém, de tão rudimentar efeito
E rústica natureza, que cabe
No teor da palavra preconceito...

E pra todos os problemas do mundo
Acham ser essa a solução que resta.
Contudo eu, sem hesitar um segundo,
Digo-lhes já: «É mentira. Não presta!»

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, agosto 15, 2019

PORQUE TE DECORO?





DECORO-TE

Decoro-te... És pauta de harmonia
Divina poro a poro, pálpebra a pálpebra,
Sílaba a sílaba és códice, poesia
Digital ode nesta nova álgebra
Que estrela a estrela ao céu acende.
Decoro-te que nem chave indizível
Quase refrão perfeito que não ofende
A língua, tal e qual a alma tangível
Quando se estende é real, plausível...
Tal a voz nunca se cansa de repetir nós.

Decoro-te... És flor à beira da tarde
Que inclina as pétalas, fala à gente
E sorri, sorri sempre, mas sem alarde
Ante todos os incómodos que sente.

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, agosto 08, 2019

A CHUVADA INTERIOR


   



CHUVADA INTERIOR


Quando a poesia me acontece
Eu nunca saberei como, nem porquê,
Mas creio que ela só me aparece
Ao ler em teus olhos o que ninguém vê...

Eles dizem o esplendor do luar
Se acaso a lua brilhar tão cedo,
Que é uma adaga de prata a cortar
Silêncio ao luscofusco e ao medo.

Dizem por esse infinito profundo
Com que a alma se torna um poço sem fim
Donde a felicidade jorra prò mundo
Numa água que também me lava a mim!

Joaquim Maria Castanho