A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

quarta-feira, novembro 07, 2012


NA VOZ DAS MÃOS


Enquanto na orla dos anseios inquietos
A horda de pétalas silvestres reluz,
Reflexos dispersos, raios de alva jus
Traçam tangentes aos primordiais afetos



Esses, que tidos por puros e sãos
Se nos cruzam como apelos secretos
Nos lúcidos trajetos…



– Da palma das mãos!

domingo, novembro 04, 2012

Do coração, sua essência nos acarta... O sangue, o DNA, a família e seu afeto! 

segunda-feira, outubro 29, 2012


SÁBADO, dia 3 de novembro, HÁ (MAIS) POESIA EM PORTALEGRE


A poesia, se traz na alma a marca dos lugares que os poetas frequentaram e as pessoas com quem conviveram, tem o mérito de traduzir esse quanto de harmonioso e sentimental que cimentou a história dos homens e mulheres como das cidades onde se cristalizaram gente – e vida!
Vai daí, há seis anos consecutivos que a iniciativa e a criação poética tem acontecido, mais ou menos de mês a mês, com exceção de pequenos interregnos sem grande significado nem moléstia de desabituação para os adeptos dessa expressão artística milenar, quiçá nascida ainda como ecolalia no berço da humanidade. Desta feita, e celebrando o fato, inaugurar-se-á a exposição coletiva de poemas, sábado, dia 3 de novembro, pelas 16 horas, na Galeria Tempo Sem Fim, em Portalegre, onde permanecerá até ao dia 31 de dezembro deste ano.

Não creio que seja o culminar de uma ação constante e de uma criação desconexa o que nela se poderá assistir, mas antes a síntese de um esforço múltiplo, de cada poeta e poetisa, como da organização de ambas as etiquetas (Momentos de Poesia e Galeria Tempo Sem Fim), que intentou dar a conhecer o vitral da imagética portalegrense sob as tonalidades da escrita em carne viva, a que o sangue comum emprestou o DNA da participada e envolvida vontade de desenvolvimento e progresso de uma região a braços com diversos problemas e assimetrias, entre os quais, a crise geral que o país atravessa. É, digamos assim, o humilde contributo de quantos e quantas fizeram da palavra uma estratégia para dignificar a existência e os seus semelhantes, a arte e o sentimento, a emoção e esse enorme pecado que dificilmente seremos perdoados: a ternura, o amor e amizade.



Portanto, o Convite a que se junte a nós nesse dia, aqui lhe fica dirigido, com a atenção e cuidado que irremediavelmente merece… Bem-vindos e bem-vindas sejam!    

domingo, outubro 28, 2012


DA OXIDAÇÃO DO SER



Eu podia ter um anjo amarelo
– Mas não tenho…
Ou um diabinho rosa circunspeto…
– Mas também não tenho.



Igualmente, quando contra a luz me ponho
(Sujeito e verso descubro de pronto)
É tal e tão difuso o meu aspeto
Que sendo eu, outro de mim me suponho.



Por isso, não exijo nada ao Ser
Cuja identidade me abarca condigno;
Basta-me observar e de imediato esquecer
Ainda assim o melhor de mim se não torne maligno!



domingo, outubro 14, 2012


DE BRAÇO ERGUIDO



Torarei de pronto mal souber a voz
Ou me amanhecer teu rosto vivaz,
Que o destino afronto em cascas de noz
Deixando o passado passar para trás…



Trastanto o verbo há de ser mais um nós
De conjugar o querer crendo no que se faz,
Porque é do mundo criar estando a sós
Se sabido for em fazer o que a todos nos traz.



Traz por mim, traz por vós, assim por diante
Passo a passo cumprindo o mister destinado,
Que a vida nos escolheu seu primeiro amante
Logo no primeiro choro que por nós fora dado.



Isso comigo se passou, e convosco foi passado,
Que nosso bem é grande, mesmo sendo um punhado!


sábado, outubro 13, 2012


NO EMBALO DO BALAIO



Neste balaio carrego
Minha serena condição,
Que a vida toma o rego
Prà vereda mais à mão…



E rumo de rima e aprumo
Fuzilaz para o zulzul,
Escorrente água e sumo
Nascidos do verão do sul.



Praias e música é bagagem
De quem não sabe naufragar,
Que se o amor é de torna-viagem
Então vai e vem – e torna a amar!



quarta-feira, outubro 03, 2012


DO NÚCLEO, A ESPIRAL



É difícil o despovoar dos sonhos cimentados
Crescidos no dia-a-dia ante os teus gestos
Como verbos de arrumar em livros catalogados
Novos, reposições, como registos, e lestos
De pronto se autorizam e te obedecem servis…



Por mim o digo, que no contento de tuas mãos
Me andam ajeitados os puros sentimentos
Balançando nas ondas de teus cabelos, sutis
Vaivéns de quem alisa recatados desvãos
Onde moram os secretos anseios e alentos.  



Pudera eu ser o teu andar! Pudera eu ser, então,
Todo o ar que respiras para ir até cada poro teu,
Invadir de manso tua íntima pele, e na sofreguidão
De ver-te cirandar, rodopiar em mim até ao céu!

sábado, setembro 29, 2012


PELOS SONS DO CAMINHO



Soam teus passos no paço da investidura
E como sargaços no oceano da saudade
Têm a liberdade de ser a sua armadura
E descalços irem na água da eternidade...

Buscam-se ante o silêncio de longa dura
Se presencio as vozes sem cor ou idade;
E mais que o sonho são a leda aventura
De abraçar com ternura e autenticidade.




Perdidos mas achados, soam pé-ante-pé
Nesse marchar inclinados pelo balanço
Numa mistura de samba e fado manso,




Que nisso de dançar nada é puro – nem a fé
Cujo xadrez quadrícula todos os credos
Sob as mesmas esperanças, iguais medos!

quarta-feira, setembro 19, 2012


BORIS, O LEITOR



No jeito especial de ler
Está posto o saber usufruído…
Deitado até dá para ver
Quanto anda a fazer
Quem nos traz absorvido.

Sério suporte é a cultura,
Sustentáculo abnegado,
Dos que querem vida segura
Tenha ela curta ou longa dura
Neste mundo tão (a)variado.

Por mim, aceito o que vem,
Meu destino é observar…
Desde que não exista ninguém
Que se lembre de ler também
E apenas para me enxotar!

segunda-feira, setembro 10, 2012


ATÉ «COM LICENÇA» É MARIMBONDO



À-toinha num átimo
Meu benzinho se escafedeu:
Foi pôr num brinquinho ótimo
As pétalas do meu céu…



Até já que não demora
É breve de minha oração,
Mas o minuto sem escora
É monjolo de dó e perdição.



Por isso mal fores vem logo
Não entre em bengo sofrido…
Ouve o que exige este rogo,
Exige que espere o pedido! 

sexta-feira, setembro 07, 2012


PRESSENTIDO SENTIMENTO


Desacordada a tarde se faz noite,
E no escuro quiriri
De luar apagado
Onde só a solidão se acoite
Para melhor pensar em ti,
Osculo o olhar imaginado
Tal e qual o teu que em mim vi…


Esse de diz que não diz
E me atira a adivinhar,
Tomando a rama pela raiz
Do bem-querer que se diz – a calar!


segunda-feira, julho 09, 2012


DO PROJETO AO DESTINO



1.
(PONTO CARDEAL)



Já pouco (ou nada) nos dizemos nas horas caladas
Ao toque da alvorada dos corpos nus e insubmissos
Concordámos em acordar discordando nos nadas,
Pormenores escolhidos, de enredos apenas esquiços.
Somos breves na profundidade, velozes nas estradas
Do ser sem perscrutar paisagens laterais, sinais, avisos
Alertas prà contramão opressiva do tempo, nessas tapadas
Onde antes pastavam quimeras, mariposas, colibris, narcisos
Nascem agora torres de betão armado, antenas difusoras
Agulhas góticas que pretendem penetrar o firmamento
Como fizeram as petrolíferas perfuradoras ao solo do sustento:
Umas, emitem que jamais teremos os mesmos outroras;
Outras, que embora iguais em nossos agoras somos mais
E estamos Além, lugar utópico e interdito a nós, mortais.



2.
(LIVRE ARBÍTRIO)



Quem poderá saber o que está para acontecer?
Ninguém: é esse o lugar próprio do soneto, a sua
Tabela de aferir, régua, ponto G, ou raio laser,
Medida exata de ordem lunar que não mingua
A dor, nem mitiga complacência. Faz tremer
Intenções que se acendem se o verso se insinua
Entre as prosas da linha, ou decretos do poder,
Há trejeitos estéticos que enfeitam a língua.



Há tambores que ecoam no coração universal.
Há refrões que sublinham o respirar dos ventos.
Há seres de bruços estendidos no lodo intemporal.
Há flores a eclodir da espuma nos vãos momentos.

Porém tu, a quem me rendo de peito aberto, todo
Moldas-me o verbo, o pulsar, dizendo-me a teu modo!

3.
(BAILARINA DA NOITE)



Em pontas voa a luz e a sua forma
Silhueta que rodopia nosso destino
Cujo fito é fintar, e assim contorna
Como seiva, água, derme, puro linho…
Se dança na brisa é flor feita norma
Regra de harmonia prò ser em desalinho
Voz tépida, terna mente, seda morna,
Pétala madura de cetim doce e fino.
Que do coração sua essência nos acarta
Seara pronta, respigo atento, simplesmente
Brilhando na noite escura, quase de repente:
E é por isso, um entreposto da leda marca
Sinal constante desta alegria intermitente
Qual farol de felicidade, que nunca farta! 


quarta-feira, julho 04, 2012


NO PREDICADO, A IDENTIDADE



1.

Pigarreando a voz, exercício afinado, de imediato
Respiro o sol, a macia volúpia do crepúsculo…
Não há gesto que melhor nos esconda
Do que a silhueta perfilada ante o ocaso;
A penumbra agridoce da tarde, o estio violeta
A sombra que entretece a dúvida, o vento
Norte fresco do destino a eclodir maduro.



Se a tua paz é a minha aflição febril
O anil aceso duma aguarela visceral,
Porque danças e balanças os braços nus
Tecendo luz na insurgida escuridão do silêncio?

O rosto diz-te, mas a alma sublinha-te verbo
E eu apenas recito, nego a oralidade do esquecimento.


2.


Acende-se a manhã, é como quem assopra
O nevoeiro dilui-se, o palimpsesto remanesce
A tinta desbotada dos ontens grita sua sobra
Num brilho novo que ao antigo nunca esquece…



És a minha única fragilidade, e aquela que cobra
De mim a dor; quem te magoa me fere, embrutece
Torna ímpio e cruel; rasga no ponto da dobra
O puído ânimo das malhas que o universo tece.

Sofrer é isso… Temer que a pior das piores desgraças
Nos aconteça. E para além do tédio, do choro e do riso
Reconhecer que para ser muito feliz somente é preciso



Que nada de grave te alcança quando leda passas
A fronteira das visões imaginadas, logo (pres) sentidas
Que é onde desaguam todos os medos – todas as vidas! 

sábado, junho 09, 2012


DA ROMÃ, O GREGÁRIO



Que se entrecruzem ainda ante o olhar
Esses sentidos cujo motivo somos:
Há antevésperas de nós a pairar
Separando-nos a vida por gomos…



E sementes. Cada qual no seu lugar
É uma parte em si do total que fomos
E do que havemos de vir a ser também,
Posto que as partes geram o todo ímpar
Sendo pares entre si no todo, ou alguém
Feito gesto com tempo, verbo e modos.



Puro luxo, se dirá, este existir assim;
Que a véspera de cada qual apenas está
Nessa repartida parte que há de nós todos
– Essoutras partes minhas, exteriores a mim!