A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

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São o chão em chamas onde as lavras
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quarta-feira, abril 25, 2018

Abril, 25 de abril de 2018




A cultura não tem credo nem regime, não é de esquerda nem de direita, quer ser livre, inovadora e sustentável, diversa, emancipada, responsável, emancipada, harmoniosa e socialmente responsável. 

sexta-feira, março 30, 2018

DO PORQUE SIM AO PORQUE NÃO




DO PORQUE SIM AO PORQUE NÃO 


Põe os olhos no exato
Sentido da palavra, raiz 
Pois é ela quem de facto
A alicerça pra dizer – e diz. 
Mas deixa-os escorregar
Log’a seguir, prà valeta
Para a água a depurar
E a tornar escorreita. 


E então, nesse ínterim 
Escuta-a só dizendo não
Somente porque não é não 
– Apenas porque sim é sim.

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, outubro 18, 2017

SUOR, LÁGRIMAS E SANGUE




SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS

Se estivermos atentos
Sempre que uma flor brilha, 
Logo veremos momentos
Em que mãe é também filha
Aspergindo esse deserto
Das vozes, se distantes
Com que o amor torna perto
Os corações dos amantes
Na recíproca medida: 
Beijo entre após e antes 
– Cálice de pura vida! 

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, julho 14, 2017

B - POEMAS POLÍTICOS de A a Z - CADA CÊNTIMO




B - POEMAS POLÍTICOS de A a Z 

Cada cêntimo é uma gota de suor
Naco de nação, migalha de povo
Às vezes lágrima de trabalhador
Lágrima de trabalhadora, lição
Caída da construção dum país novo… 
Desperdiçá-lo, é negar-nos razão; 
Perdê-lo, apoucar-lhe o esforço; 
Cobiçá-lo, julgá-lo por cada pão
Que come, e traduzir por alvoroço
Suas conquistas, palavras, condição. 

Cada cêntimo é um grão de trigo
Ajuda viva pra matar fomes
Que se acendem, pondo em perigo
Milhões de mulheres, crianças, homens
Todos, todas, deveras essenciais, 
Pelo que atirar fora os "tostões" 
É desperdiçar balas, ou munições 
Na guerra de querermos ser iguais. 

Joaquim Castanho

sábado, maio 06, 2017

FALAR NÃO É COLAR RÓTULOS (AOS DEMAIS)




FALAR NÃO É COLAR RÓTULOS 
(AOS DEMAIS)

1.
A cobaia, no reduzido reduto
Redoma, escritório, cela, toca
Reduz-se até ser outro produto
De compra/venda, empréstimo, troca;
Já ouviu dizer que a sua raça
Tivera outrora o costume de falar
Pra discutir a utilidade dos sons
Prà'nalisar os motivos a discutir
Prà'valiar mercados, cota em praça
Pra conduzir fiéis entre maus e bons
Para produzir distrações e bem-estar
Se ouvir a si mesma e demais ouvir…
– Foi aí que a coisa tremeu, talvez: 
Perdeu razão no dia-a-dia e mês a mês, 
Ano a ano, vida a vida… e até morreu. 

E ora supõe-se que nunca aconteceu! 

2.
A voz não é uma arma de arremesso
Nem a fala serve só para atacar
Ou pra defender, "gritar" o excesso
Náusea, resto, do sentir e do pensar; 
Não é nenhum instrumento do avesso
Contrário ao humano uso de criar, 
De ligar o vário e avulso a seu par
De partilhar, conviver e ser começo
De tudo que não é apenas fim; e isso
É já um terço dos atos e compromisso
Que após ser muito bem combinado
É então cumprido por qualquer lado
– Vértices questionáveis em discussão
Prontos ao remate final do sim ou não. 

Joaquim Maria Castanho

domingo, abril 30, 2017

PARABÉNS GUILHERME





PARABÉNS, GUILHAS

Parabéns Guilhas, campeão
Formado e em formatura
Que nos dá por ora a lição
– Tranquilidade segura
Que persegue suas metas
Entre curvas, sobre retas
Até ao destino final –
De pôr o ponto assente
No ser e estar consciente
Da verdade ambiental
E equilíbrio social
Que se requer sustentável
Além de gerar o "ar" puro
Harmonia e ser seguro
Pró bem-estar, e agradável
Na construção do futuro
E pla eternidade sem fim… 

Eis os votos do teu tio 
                       Quim

terça-feira, dezembro 20, 2016

3 HAIKUS COM URUBUS




TRÊS HAIKUS COM URUBUS
  
1. 
E urubus avançam sobre a carniça
Mas, na derriça, 
Não a alcançam. 

2. 
Há urubus insanas
Que urubusam
Pela liça, como manas. 

3. 
Mais se diz sobre urubus
Só com um verso
Do que com três haikus!  

Joaquim Maria Castanho 

(Nota: 
HAIKU – género de poesia japonesa que emprega, geralmente, alusões e comparações. O haiku é formado por três versos sob um número total fixo de sílabas: dezassete ou dezanove.)

quinta-feira, dezembro 24, 2015

UMA ÓPERA MALCONTADA

 
 
 
 
UMA ÓPERA MAL CONTADA

 

"Agora estás distante certamente

Pois tua voz tem o inumerável tom

Do eco, e mal o ritmo lhe percebo.

Mas te vejo: tens violetas nas mãos

Cruzadas, tão pálidas, e tens líquenes

Junto aos olhos. Portanto, estás morta."

in SALVATORE QUASIMODO, A Balsa

 

 

Quasimodo tinha uma bela

Mas que não era tão bela assim,

Pois ao fazer o caminho dela

Apenas lhe antecipava o fim.

Queria da poesia o elogio,

Da vida o sonho e a magia,

Mas esquecia viver num rio

Onde a corrente é só água fria...

Quasimodo tinha uma bela

Tão bela que parecia Querubim

Que fugia, fugia, fugia, e fugia ela,

Porque uma mariposa assim

Só brilha apenas se mais ninguém

Lhe pinta a alma com esse desdém

Que além de brisa é assopradela.

Joaquim Castanho

(Imagem personagens Disney)

 

Salvatore QUASIMODO, poeta italiano, nascido em Siracusa, Sicília, em 20.08.1901, e falecido em Nápoles a 14.06.1968, funcionário do ministério das obras públicas, redator do semanário Il Tempo e professor de literatura no Conservatório Giuseppe Verdi, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura em 1959.

terça-feira, dezembro 22, 2015

TRAJA A IDEIA CONFORME O IDEÁRIO




TRAJA A IDEIA CONFORME O IDEÁRIO 


O que não é proibido é permitido
E não poderia ser doutro modo, 
Que quem serve também é servido
Garantida parte e de garantido todo. 
Porém, no relativo e igual aparte 
Tem parte cativa no positivo
Que assiste ao social da arte
E dita o natural normativo
Hipotético
Categórico, 
Tanto pelo plural ou ético, 
Simples ou gongórico, 
Qualquer verso do universo imperativo... 
Seja aqui, na Terra, como em Marte. 

Joaquim Castanho
(Imagem: Princesas Disney)

quarta-feira, dezembro 02, 2015

IUS EST IUSTUM




IUS EST IUSTUM 

O que é justo é direito, 
Que do direito se vê justo
Tudo quanto a muito custo
Vai ficando a nosso jeito.
E logo assim em igualdade
Sílaba a sílaba proposto,
Se também for essa a vontade
Das uvas que podem ser mosto. 

E mosto de elevado grau, 
Bem frutado e fino aroma; 
Que a justa liça não é pau
Mas razão que a todos doma. 

Joaquim Castanho 

TOGA DE CINZA




TOGA DE CINZA

Há grafites na pele do ser
Que o revestem de brocados
Sedas ou cetins a condizer
À garça por graça tatuados, 
Transparecidos por vocação
São dogmática, são cuidados
São conceitos em justa (razão) – 
São razão prà razão criados. 

É por eles, que à alma espelham
Como sombras de cinza e prata, 
Que estes versos se assemelham
A algodão numa negra nata.

Joaquim Castanho  

segunda-feira, novembro 30, 2015

FORMATO INTEMPORAL





Teu corpo cola-se ao meu
Num formato intemporal; 
São estrela que desceu
Pla luz do desejo astral, 
No cumprimento urgente
Da aspiração profunda
Que o sangue incandescente
Tem se a vida o inunda.



E a Terra para, estanca
Do universo em suspensão... 
É nosso grito que a tranca
No orgasmo da imensidão! 

Joaquim Castanho

QUANDO SE NÃO PERCEBE UM TEXTO VOLTA-SE A LÊ-LO





Quando se não percebem os poemas
Quando se não percebem as pinturas
Quando se não percebem seus temas
Quando se não percebem as criaturas
Então, é porque foi chegada a hora
De voltar a lê-los e vê-las sem demora.

Joaquim Castanho 

quarta-feira, novembro 25, 2015

HUMANIDADE SUICIDA




HUMANIDADE SUICIDA  


O medo dos outros criou inumanos 
Seres dentro desta humanidade, 
Tão apegados aos limites e seus danos,
Suas virtudes, narcisismos e vaidade,
Que geram a morte apenas prà gerar
Morrendo de seguida, e em seu lugar. 

Loucura ou avaria da espécie, se dirá
Pra esconder suma ignorância latente; 
Porque a brutalidade é a filha que há
Dos pais do país que não olha prà frente. 
Que só quis ser história, egrégio passado,
Dor da memória num futuro crucificado.

E assim, feito depósito fétido e nojento
De quanto esta vida tem na pior vileza, 
Onde cada qual se cozinha no tormento
Que o há de comer à sua própria mesa. 
O medo dos outros gerou gente insana, 
Qu'é o que sucede a quem a si se engana. 

Joaquim Castanho

domingo, novembro 15, 2015

IRMÃS DA ESPERANÇA de PAUL ÉLUARD




IRMÃS DA ESPERANÇA 

Irmãs da esperança ó mulheres corajosas
Que contra a morte tendes feito um pacto
O de unir as virtudes do amor

Irmãs sobreviventes
Que jogais a vossa vida
Pra que a vida triunfe

Aproxima-se o dia ó irmãs da grandeza
Para rir das palavras guerra dor e miséria

Cada rosto terá seu direito à carícia. 

POEMAS POLÍTICOS
Prefácio de LOUIS ARAGON
Trad. Carlos Grifo
Col. Forma / Editorial Presença
(Pág. 74)

DIÁLOGO por PAUL ÉLUARD




DIÁLOGO

Belo invento coberto de vergonha
Memória de ouro enrolada no chumbo
Amor glorioso posto fora do leito
Natureza nobre manchada por anões

VINDE VER O SANGUE NAS RUAS

Somos muitos a recusar
Que seja o sol uma faca
Que seja o mar um veneno
Somos muitos a querer viver

NADA NEM MESMO A VITÓRIA
ENCHERÁ O TERRÍVEL VAZIO DO SANGUE: 
NADA, NEM O MAR, NEM OS PASSOS
DO SAIBRO E DO TEMPO
NEM O GERÂNIO ARDENDO
POR SOBRE A SEPULTURA. 

Muitos de nós perderam a vida
Na esperança de um mundo melhor
Inocentes seguros dos seus direitos
Eu lhes sorrio e me sorriem

UM ROSTO DE OLHOS MORTOS VIGIA AS TREVAS
SUA ESPADA ESTÁ CHEIA DE ESPERANÇAS TERRESTRES

Gravidade de sentidos e sexo
Veleiro da matéria subtil
E nós somos uma só ramagem
Folhas e frutos para servir a árvore

Por único exercício a bondade
Por única manobra a razão
Com centenas e milhares de aves
Levadas de planeta em planeta

FILHOS DILETOS DA VITÓRIA, TANTAS VEZES CAÍDOS, 
DE MÃOS TANTAS VEZES SUPRIMIDAS

Sempre a palavra meu coração confio
Imagens das imagens a manhã que desperta
Mas que já despertou pois que falamos dela
O sonho sol da noite tem a força de sempre

Ó MÃES ATRAVESSADAS PELA ANGÚSTIA DA MORTE
VEDE A ALMA DO DIA NOBRE QUE VAI NASCER
SABEI QUE VOSSOS MORTOS VOS SORRIEM DA TERRA
SEUS PUNHOS LEVANTADOS TREMULAM SOBRE O TRIGO

Vou fazer florir o redondo carmim
Do céu por sobre a terra e do seu dominar

Ódio é nada amor escreve-se duplo
Se um enfraquece descolaram os dois

VI COM OS OLHOS QUE TENHO, COM ESTA ALMA QUE OLHA, 
VI CHEGAR OS CLAROS COMBATENTES, OS COMBATENTES QUE DOMINAM 
DA ESBELTA, DURA, AMADURECIDA, DA ARDENTE BRIGADA DA PEDRA. 

Que a coragem mais clara esclareça a linguagem
O homem perseguido vem a ser a perfeição futura. 

(NOTA: "As passagens em MAIÚSCULAS são extraídas de poemas de PABLO NERUDA.")

in PAUL ÉLUARD 
POEMAS POLÍTICOS
Prefácio de LOUIS ARAGON
Trad. Carlos Grifo
Col. Forma / Editorial Presença
(Págs. 66-67-68)

quarta-feira, novembro 11, 2015

ECLIPSE TOTAL de John Brunner




In JOHN BRUNNER
ECLIPSE TOTAL
Trad. de Eurico da Fonseca


"Ouvidos naquele ambiente, que tanto recordava a Terra longínqua, os relatórios iniciais de cada departamento pareciam mais impressionantes. Em Peat, as pessoas sentiam-se dominadas pelo passado. Ali estava a oportunidade de descobrir uma crença no futuro. 
Ian meditou até que chegou o momento de fazer o seu próprio relatório e depois repetiu mais ou menos o que ele já dissera a Nadine e a Lucas. Não lhe soou melhor que antes; mesmo assim podia reconfortar-se com a ideia de que até o conhecimento negativo era útil. 
Quando toda a gente concluiu o que tinha a dizer, Rorscharch disse: 
– Há uma coisa que eu noto, depois de os ter ouvido a todos. 
Olharam-no, em expetativa. 
– Parece-me que estão a falar como se tivessem chegado a um beco sem saída em todos os últimos caminhos que vos restavam. Estou surpreendido. Para mim, parece-me que deram constantes passos em frente. 
– Valentine? – disse Igor, com um gesto. 
– Sim? 
– Quase tens razão no que disseste. – O velho arqueólogo-chefe inclinou-se para a frente, com um copo de vinho nas mãos. – Naturalmente, em resultado da descoberta dos nossos muito esplêndidos e idênticos edifícios... em atenção a Ian não lhes chamarei «templos»!... em resultado disso nós fizemos uns progressos tremendos. Mas!...
Bebeu um pouco de vinho antes de prosseguir. 
– Mas fomos apanhados num círculo vicioso. É verdade que sabemos muito mais dos nativos do que esperávamos há ano e meio; temos tido uma sorte tremenda, o que é outra maneira de dizer que temos mantido os nossos olhos e os nossos espíritos abertos e respondemos quando alguma coisa surge. No entanto, por outro lado, precisamente porque temos reunido tantos factos novos, temos muitas, muitas mais combinações possíveis. Cada um de nós, à sua maneira, pode ser olhado como tendo o mesmo problema que Ian: portanto enquanto estamos simplesmente a reunir dados, sem um quadro imaginário onde os colocar, sentir-nos-emos mais frustrados que agradados. Pelo que pretendo propor que ressuscitemos o plano de Ian para a construção de um Draconiano simulado, e vejamos se podemos desenvolver uma boa hipótese, partindo das recomendações dele, para comprovarmos aquilo que pensamos saber. 
– Apoiado! – disse imediatamente Cathy, do lugar onde estava, ao lado de Ian." 

(Págs. 130-131)   

sábado, outubro 31, 2015

ÍMPETO CROMOFÓBICO




ÍMPETO CROMOFÓBICO 


Sem ti todos os poemas acabam
Antes do fim mesmo ainda antes
Começar é já uma árdua epopeia 
Impossível é renovar palavra concreta
Pastosa agonizante pelos pauis da ânsia
O desespero a escorrer-lhe sílabas abaixo
Viscoso acorrentado ao temível desconhecido
Pronto e viável dos vendavais infinitos, 
Que a vida é um tumulto de incompreensão, 
Um atoleiro de sombras e receios mil. 

Sem ti o sol é uma passagem estreita, 
Um pomar vazio, um rio sem corrente. 
E as sílabas que sabiam taleigos e várzeas
Ou rodopiavam nos trapézios do ocaso,
Não passam agora de lixo amontoado 
Nos cantos da página cega à flor das horas. 

Porque sem ti arranco-me o coração pla boca
Ouço a madrugada dum luar que é só luz
Onde o mistério e saudade são vozes off, 
Os dias somente folhas mortas nos fundos
Das chávenas vazias dum chá cáustico amargo
Ácido de corroer a alma trôpega e senil, 
Trôpega e disforme sem ritmo nem rima
Alagada de silêncio putrefato sulfuroso
Faz almôndegas dos verbos e cartilagens 
Mais desprezíveis da lusatinidade cediça 
Nociva é a pétrea expetativa que mata esperanças
Pica os olhos da noite e da platina de luar 
Frio, lúcido, ímpeto cromofóbico a dizer-se 
– Que ininterruptamente me arranca o coração
Pela língua é que os rios enchem oceanos 
D'água doce e raízes e girinos e sementes de vida. 

Joaquim Castanho