A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

quinta-feira, outubro 23, 2008

S@S

Já unimos ditongos ideais nos trevos e ervas silvestres da serra
Todavia é quando assim a cidade me nasce dos pulsos abertos
A noite a escorrer-me pelos dedos e pingando o chão dos dias
Eis como me fica ali a voz esgarçada salpicando aqui silêncio
Coisa de somenos na estranheza púrpura mas dourada aurora
Instantes silentes e cintilantes no granito vozes estremunhadas
Os pomos dos dedos apalpando esperança polpa que amanhece
Encontro propício com teus olhos à esquina do tempo balcão
Das horas varanda de ver passar a nossa história apenas mágica
Imaginação no dito inaudito as pétalas juntas como pálpebras...

Todavia direi: junge, une os dígitos ideais totalmente enleados
Emaranhada decapita-me ao passar colhe ainda o sigilo breve
Atira-me o cérebro na distância das estrelas o fogo em nébula
Apenas ao teu esgar entre enigmas e soslaios na fé sucumbo
Bate-me o coração o sussurro dos teus passos onda na calçada
Respirar sincopado soprando as folhas de plátano numa dança
Coreografia própria do amarelo torrado a aspergir a verde relva
Talvez e tão-só recital de espera na esquina que adiante segue
Labirinto do sonho entre portas e muralhas entretecida memória.

Podes repeti-lo ante toda a gente que calar-me-ei bem avisado
Ouço o destino ainda o indicador em riste sobre os teus lábios
Breves frestas as pálpebras seteiras fitam sei que sabes que sei
Cúmplices testemunhas as pessoas passam para o seu trabalho
Algumas entretêm-se no café até derradeiro momento piparote
Calculado no relógio o pulso pinga os minutos sobre o xadrez
Mosaicos pretos e brancos pois é este chão que ambos pisamos
Mesmo quando corremos à desfilada no jardim dos labirintos
Porque já unidos (1+1=2) dígitos da igualdade tão emaranhados
Abrem na sombra a fresta do teu nome medindo-me o pulso
Veia verdejante em beijos de segredo sussurrados a uníssono
Como uníssono é ser que sendo se sonha no sonhar do sonhado!

segunda-feira, outubro 13, 2008

Edital

Tenho andado bastante preocupado – ultimamente – a sério
Com os meus pintassilgos; é que eles desapareceram assim
E não disseram para onde foram de férias, o que é mistério
E eu desconfio, que não sendo eles lá muito dados a lérias
Algo deveras lhes aconteceu, imperiosamente os demoveu
De voltar, como igualmente os obrigou a esquecer a prosa
Desta forma assaz ansiosa com que os continuo a esperar...

Por favor, se alguém os vir, transmitam-lhe o meu recado
Digam-lhe nesse algures em que estiverem e permaneçam
Que não esqueçam, ou que se não for de sua livre vontade
Há-de sempre haver aqui, um lutador advogado da verdade
Que por vós pugnará, com alvíssaras e caprichando no risco
Fazendo dos seus verbos, ideias, actos e gestos aquele isco
Indomável sonho, petisco com que a vida pesca a Liberdade!

terça-feira, setembro 23, 2008

(A + B) x C = D

Pus as mãos em concha na água da fonte nascente dos rios
Que ao princípio era o nome soletrado beijo se fez espuma
Seiva, saliva, soro que a língua tornou verbo interligação
Da qual só se saberá o significado se aberto completamente
E entendermos que lhe escorre dentro transparente e fugaz
Veloz Borak à desfilada pelas secretas planícies do silêncio
Leva-nos ao acto e devolve-nos de volta apenas numa noite
Que Ela transporta a pérola do olhar de Rita, a leda rainha
Aquela que habita a nave onde Sarah é a ternura e princesa
Sucessora do lácteo brilho liso espelho no mar de estrelas
Farol que encandeia os deuses e lhes guia a sôfrega alma
O Shofar soa agora acompanhado das liras lídias e frígias
Entre o azul da solidão cósmica e opaco luto da eternidade
Manto de lusco-fusco e apresta aurora tingida em púrpura
Nácar e violeta madrepérola esculpido espólio de Pompeia
Na tecida tez de aveludado pêssego que a boca consome
Soletra líquido sol suculento fogo de incendiar o sangue
Nenúfar incandescente em nocturnos lótus da grega Nisa
Euclase lapidada nas faces de seda de Margarittas em flor
Pétalas silentes da silene nos nichos de granito os umbrais
Portas do templo do corpo por cujos seios gritam aos céus
O mel dos figos maduros na cremosa espiral do teu néctar
Oceano onde A e B vão Cerzir o Delta irreverente do sonho
Signo de Albatroz no anel dos gomos das pirâmides de Gizé
Primeiras letras do verbo no alfabeto da soletração de Reia
Gaia semente onde a amizade se transforma em sabedoria
Capital próprio de investir no ganho certo da amizade universal

quarta-feira, setembro 17, 2008

Capa de Ninfa

Tu, a quem Afrodite imita
E fazes das deusas uma beleza menor
Ou permites às estrelas terem o olhar de Rita
Quando lá do alto nos miram, acredita
Sem favor, não és só mais uma mulher bonita
Mas simplesmente a Deusa do Amor...

Pois que o sonho também sonha e aspira
Encerra o grito de tornar-se maior
Que é entre a espuma que a escuridão expira
Como no canto de uma qualquer lira
Em cujo tom o calor da voz transpira
O suor inventa a ternura e esta inventa a cor.

Inventa a aurora, inventa os dias
Inventa a púrpura do lusco-fusco à beira-mar,
Inventa a luz que à noite explora,
Que se no mundo há a alegria das alegrias
É ter o futuro feito de outroras
E o presente distraído no olhar
Quando ao ver-me a ver-te me demoras.

Prendes, cativas, manietas, atas
Enrolas ao corpo de Pitonisa grega
E me escondes sob a cabeleira negra

Das sedas e veludo de tuas capas!
Brados nos bosques do templo

Feitas que foram as preces ao inumano divino da acerbada fé
Sucumbiu este aos impropérios designos do predador cabal
E o que era rasgo sublime no real violento crime se tornou Sé
Embora que na malícia doce dos coros das virgens da pia moral
Viessem vis cisnes acicatar devaneios em satã seu senhor feudal.

Consumaram-se sacrifícios e executaram oferendas libidinosas
Sob a pira resta agora a infiltrar-se no chão aquele fio de sangue
Por arder o vermelho vivo coagulado intocável das forças ciosas
Como profana gargalhada de desmentir a morte dura ou langue
Consternada oposição a contestar pelo profundo idioma do ser
Que arreigada condição teceu gritada cor num vestígio de viver.

E esta linha se avolumou só por seu próprio modo a borbulhar
Erguida de si mesma fermento levedado querendo-se alimento
E alimentando-se do seu querer apenas fé de sobrevivo alento
Ousada semente de génio que ao gene nunca permite naufragar
Que sobre a história nasce a memória mas dela não haverá fala
Se àquilo onde se cala por contraditória não sobrevier o imaginar.

Nesse cimento com que a conjectura rendilha qualquer momento
Enreda a solto quanto ata os factos na rede de acontecida malha
Entretecendo o destino de pontos avulsos onde até a sina falha
Sendo ela acontecida acontecimento e calha de seu próprio tento
Que ao tentar-se intentou fazer-se em si e ao seu mesmo tempo.

Confluência entre querer e acção sem destrinça é apenas facto
Que ser humano de nascida condição só se o é quando for acto
Forma que enforma reformando o ser conforme quanto se quer
Alinhavo entretecido entre quereres num esclarecido propósito
Tão complexo que pouco se basta desde que somente depósito
Do quanto lhe adveio herdado dum homem mais duma mulher!

quinta-feira, setembro 11, 2008

Notícias da rara hera que é...

Sendo alva a névoa doce no repentino amor
Ainda retido dentro da nívea alma do sorriso
Nada acalmará a sede aberta e rumo de aviso
Destilado na rima acérrima sina do navegador
Remando aceso sobre as águas novas do destino
Antigo da saudade amiga nascido desse resigno

Seiva audaz navegada dobagem de renovar os anos
Artéria das naus na diáspora rubra aurora dos solitários
Nuvens e dosséis rodeando ansiedades subtis acasos
Divinas reservas ante o sofrer e alívio dos nativitários
Reduto auspicioso do suco ancestral noite dos desenganos
Alcantilados sobre a áspera negação do díspar remanso
Algodão rosa e doce das nascentes almas sibaritas
Sumo da alegria nova distinta das regras avitas

Saber assente noutros desígnios raros mas auríficos
Ária e néctar de dessedentar rubis acesos e soberanos
Nados destemidos a render auxílio a serenos andanhos
Destras revelações das almas sibilinas afeitas a nativos
Redomas e ânforas do sangue austero neste decante
Alfazema somada do avindo nível ao dócil remate

Soluto do almofariz e nardo a deduzir resina ateada
Acendidos núcleos a deferir rosas adstritas ao ser
Nascentes decididas de renovo em áureos siares alada
Dizimando resistências e anáforas sem autoridade de nascer
Receitas, adágios, sofismas, acintes, negativos ditados
Ardis silentes de auferir núbeis devaneios romanceados
Doces rebentos de algas sonhadoras no alento renascidas
Naves defensoras das réstias da alma sempre amanhecidas


Sonetos autênticos no naufrágio das digitais redes de água
Andarilhos nenúfares desses rios no âmago dos sentidos
Navegáveis dentro das ruas como antigos sinais adidos
Destas ravinas abertas no segredo aliado das Ágoras
Rebentação ansiada do sonho alfanje natural dos deuses
Antiquários sequiosos da alegria nascida nos doces revezes

Sebe altaneira aos náuticos desvios ao receio dos amantes
Andaime noctívago ao desvelo dos répteis amigos no serão
Nascituras donzelas reféns aprovados sobre admiração
Dívida registada e amparo sentido de activos navegantes
Região de abrigo secreto da amizade nascida do desejo
Auxílio sumptuoso às almas nobres no destino rendidas
Reparo de atenção sucinto da aurora navegada às desmedidas
Desterro natural no acróstico sublime e ária de realejo
Nativa docente do real salvador aclamada por aedos
Asilo recente da deusa e ninho das almas solfejadas
Sempre airosa e nova que no desejo reitera o amor!

sexta-feira, setembro 05, 2008

@lbatroz On

(Notícia de última hora: Andam remando sonetos no ar onde os argonautas do sonho recolhem almas no céu aspergidas, reluzentes e à deriva no olvido, em silhuetas de ouro. A algumas (Negreiros) cativaram-nas; a outras, não.)

Havia uma incandescida multidão fremente à porta do verso
Adornada com flor de sal a soleira desmaiava nos umbrais
E entre as colunas do cais os barcos erguiam as velas ao céu
Gritando sua cruz como farrapos brancos às esquinas da luz
Havia o sorriso amainado nas réstias azuis como silente véu
Confinadas arestas dos ombros sombreavam as rubras areias
E cintilantes auras reflectiam doces odes no solfejo das ondas
Porque auferiam do regresso do ansiado rosto na alma refeita
Clímax de abrir rosas divinas em odores sentidos na ode eleita
Cascata sinuosa de anéis resolutos das águas rimadas a sangue
Penteadas na seda airosa dos rebentos auríferos e beijo langue
Cuidado no aroma rebelde dos doces oásis em saliva oblatados
Senda aberta no remanso das algas listradas das vestes leoninas
Clube de ambos no rendido desejo de ouvir o silêncio do olhar
Alvo segredo recolhido amor nas sibilinas sílabas de ser e arar

quarta-feira, setembro 03, 2008

São os ires e voltares de Arina na areia em raios X quem ilumina
E há no tempo altares de abrires a íris ante os milagres que vires
Relógios biológicos dos noves redondos às novidades da gravidez
Porque a dança dos números na cadeia da existência exige tua tez
Neles há elos que entrelaçam a urgência alfanumérica na sensatez
Se despem dos caprichos sulcando nichos de fluorescência e canto
Verdes ramos de silene nas frinchas do manto em retalhos multicor
Esculpidos nas escarpas do ser ainda investido da perfeição divina
Falésias fustigadas pelas marés do amor que a si mesmo se ensina
Quanto só se ama amando na vereda feita por quem muito caminha
Autoestradas a uma outra Roma sem César nem o incendiário Nero
Novo calendário onde os Setembros são noves e o nove apenas zero
Recinto aberto dos deuses que duros não fogem e muros esfarelam
Quando as humanidades às vezes fiéis a seus poderes divinos apelam
Mulheres e homens tão-só sem os absolutos corcéis da exigida voz
Idades médias da refrega em laços redutos de refúgio e pura entrega
Socalcos na arena onde perante o temor o último reduto somos nós
A sós feitos nós da rede as mãos damos nos Íris conforme vamos
Assim a noite ensombre o dia e a sombra do mar na terra maresia
Que todo o ph está apenas no fósforo em Pi rico desta filosophi@
Dita nas Ágoras invisíveis e fóruns de ouro dos sentimentos vivos
Como seguro SOS da liberdade nos W que vítreos vencem os e-crãs
Transparentes almas à solta e triplo salto do sonho em solfejo digital

terça-feira, setembro 02, 2008

Os meus versos não são versos são estrofes preces sem contrição
Actos livres e soltos à consignação do verbo vértice do parágrafo
Vertigens brancas de espuma que medem a sofreguidão do mar
Escorrem como areia molhada no raio X de todos os impérios
Roma em concha de tuas mãos imperecíveis de navegante à tona
Solitária flor entre grãos das escarpas rochosas do ritmado pulsar
Remada de comprimento da onda vaivém na respiração completa
Inspiração própria do coral que expira na espiral da monda certa
Segar escolhos de escuma nascida nas esquinas da escuna rasgada
Objectivo final da rebentação do ser a ferver na praia desmaiada
Em balões de vidro sobre o areal manso do ventre ao remanso
Enseada aberta como porto seguro dos sonhos oráculos sagrados
À flor da História na memória de alerta infinito feito onírico sal
Sol em @nforas peregrino a soldar ocasos fiéis a idílicos abraços
Entre o poder que cura quando saras a pedra em frincha aberta
Altar onde florescem os nomes que ligam o sangue na ara secreta
Anseio digital no gineceu de Itaca onde Hipátia segrega mel sábio
Sede de alianças que se entrelaçam no sereno repouso dos deuses
Estendidos na areia ao Sol cintilando como esmeraldas facetadas
Polidos pelo esmeril da mão das palmas desenhadas idas palmiras
Leques de bafejar fresquidão ao regaço da senhora dos planetas
Renovar os dedos dos sonhos que se entrelaçam cobras sôfregas
Na vara da fala que não sucumbe aos medos e deles a si nada cala
Desde que hajam agoras raros alcantilados no silêncio dos olhos
@bertos ao sigilo das ondas fulgentes na Iris das auroras vigentes
Auríferas lágrimas de euclase na pura face do Mercúrio que cura
E saras com o fogo da palavra pré-bíblica numa cobrança decimal
Gesto de reserva e tranquila submissão ao elo universal das estrelas
Nove sejam elas que tu a primeira reconhecida igualmente planeta
Lava de Lua amoldável na bigorna dos Hefestos da palavra acesa
Dízimo em receita dos contributos divinos pelo aluguer humano
Renda paga pelos deuses para poderem imitar homens e mulheres
No corpo e nas vestes, nos prazeres e na beleza, no ser e pensar

sexta-feira, agosto 29, 2008

Caduceu das Letras

Neste caduceu herético nunca tentarei conduzir-te e avaliar-te
Nem contabilizar em conta-corrente aquilo que és ou não capaz
Que não quero sob controlo oprimir-te e muito menos libertar-te
Que jamais quererei o teu mal e nem sequer quererei o teu bem
Porque deles só tu sabes o que é, somente tu e mais ninguém.
Não quero ou sei o teu futuro, nem sei nem quero o teu passado
Como também não quero teu longe se me estás no peito calado
Porquanto é apenas aqui que te respeito e só teu agora me satisfaz.

Mas diz como é difícil corresponder aos apelos do imediato
O exacto ângulo do corpo quando este se arqueia para o salto
Fica na posse do instante como pose de constante rima e leme
Alma a compartir-se e multiplicando-se por novas essências
Frame que freme quando se queda perante a quieta espera de agir
Como é difícil esconder as mãos dos olhos que sustêm a rédea
Matar as suspeitas adivinhações que obrigam regressos sem idas

Imóvel e atento ao próximo dobrar de cada esquina desconhecida
Não esquecer para melhor descansar no desconhecimento de si
Entre Berlim e Pequim quantas malhas estrangularam teus nós
Quantos soldados e informadores da ditadura da ignorância
Quantos pagens da má-fé e loosers militantes do caciquismo
Jungiram a espada e aperraram a inveja maledicente do preceito
Nos silentes santuários do silêncio destilando em súbdita voz
O estéril ódio e a intolerante peçonha do medo corporativista
Da podridão preceptiva motivada do burro coça outros burros
Irmandade das bestas que do coice elegem o afortunado beijo
Tribo da ululação em volta das caveiras abertas pelo seu gesto
E desconhecem como é difícil corresponder ao apelo do corpo
Exímia alma que desnaufraga no imo oceano das sólidas coisas
Está na laçada posse dos compartidos núcleos hélices oculares
Duplas serpentes que se enrolam e entrelaçam à volta do nome
Asas de ara e trompas de Falópio que erguem altares de fogo
Ovos incandescentes como sóis ou estrelas sem calados poentes.

É difícil corrigir os leitos dos rios sem lhes alterar as águas
Que dentro outras estendem as margens para lá de todos os lás
Abrir janelas pela manhã e não esclarecer as intenções do gesto
Dizer «bom dia, Sol» abençoar a tua graça Arina, coisas assim
Simples abalos na terra entre os socalcos dos corações vazios
Repor a ordem depois dos tsumanis e vulcões mais impiedosos.

Como é difícil a calma e tranquila indiferença ante as vírgulas
A opaca lucidez nebulosa mancha de estrelas e lácteo brilho
Teu olhar viciado em contemplação do nome que floresce luz
Entre as frinchas do granito poroso da História eclode a flor
Como do bronze polido dos ombros descem os seios erguidos
Para a boca da fala plenos e cheios como astros a rebentar
Dedos prestes a decifrar a ceifa espiga nas entrelaças mãos
Prontidão inegável de todos os caminhos das cinco esquinas
Nós de balizar o rosto entre as abertas palmas que se tocam
Linhas cruzadas para Itaca na rede em que os nós da velocidade
Não atam antes desprendem e libertam a espuma pelo rigor
Ondas que se contraem e distendem no salto de franquear o ser
E se espraiam desmaiadas entre os grânulos rochosos dos dias
Balões de clepsidra soprados de boca em boca como verbos
Súbditas ondas a fulgir incandescentes auroras @ntes e-scriptus
Póstumos mas aliados irmãos fidedignos operando sofreguidão
Urgência pura do grito que salta as barreiras do silêncio sofrido
Sacrifica na ara o sangue a escorrer nas sinuosas linhas do corpo
Cálices de silene onde fermentam idílicas aspirações alvas unhas
De agarrar os minutos de areia na concha das palavras ciciadas
Quando se tenta dizer a alma e nela delas proferidas se prefere
Saber ouvir fulgentes e íntimos anéis nos sinais olímpicos do sonho
Porque se soubermos soletrar as ondas fintaremos as ignaras aspas
Que calam e silenciam significados na ignorância sublinhados
Manietam e aprisionam a metáfora na falta dos termos próprios
Negam o solfejo ousado de fingir o impossível com autenticidade
Caduceu das letras que é pedra-de-toque singela ara dos sentidos
Multiplicação do cinco onde se aprende a saber ouvir os silêncios!

sexta-feira, agosto 22, 2008

Sileno Ourives Forja Infinitas Almas

"Levanta os dedos: cinco
e outros cinco – dez.
Erguidos para o Sol,
Translúcidos rebentos."

(Egito Gonçalves)

Morrer é fechar a porta com o gesticular mudo
Esquecer surdo, ficar às escuras e boquiaberto
Ter a língua de quem corta ou bifurca em tudo
Inocentes bocas puras com a aridez do deserto.

Fazer das crianças letra morta, pesponto sisudo
Ou ponto cruz cinzento dos bolsos nas costuras,
Que cada trapo comporta na rodilha do entrudo
Entre refegos das texturas e sacanas com canudo.

Morrer é erigir perto o santuário do silêncio, aqui
Escola do medo e ignorância na gestão autárquica,
Preferir a missionária razão exemplar da suástica
Ao segredo da transparência que em teus olhos vi,
Teus dois seios afoitos rompendo auríferas @uroras
Cálice de silene ousada a fabricar infinitos agoras!

terça-feira, agosto 19, 2008

Sela e Arção, Rédeas de Artemisa Hipátia

Do Olimpo Lis Hartel saúda os duplos peitos medalhados
Par de seios ao puro laço de olhar infinito a eterna moradia
Vivenda dos vivendis modus que habitam hábitos divinos
Dinamarca dos meus reinos onde cavalgas adestramento
Moldas o destino fazendo-o cepilho de teu meigo ventre
Domesticas sob tuas coxas o selvático alento e fértil fulgor
Diriges com estalos de língua e rédeas de harmonia o silêncio
Comandas o verbo à solta pelos ângulos da ternura sem freio.

Espero-te à sombra da expiração profunda de meus versos
Haverá sempre saudade nas esquinas da cidade desabitada
Sempre síncopes de soluços entrecortados sinais de morse
Entre as almas simples esperar não é assim tão desastroso
Apenas fere a dolosa ausência matiza as tardes cor de fogo
Incendeia de ânsia pelo reencontro na reconhecida voz o til
Pois só tu
saras o silêncio que há nas vírgulas das estrofes
E agora sei da semana concreta da minha morte o tamanho
Exacto choro medida do meu doer no delta aberto dos olhos
Ansiedade liquefeita aço de minutos redondos e perfurantes
Brocas pontiagudas como espinhos no diadema dos sonhos
Croquis de intenção no esboço da cultura em areal deserto
Espuma desmaiada sobre quem navega a concha da memória
Teu batel cimeiro no comando das tempestades do mar chão
Se outras leis geradoras de alternidade se quedam caquécticas
Sonegam a autarcia responsável e autêntica porque têm medo
E tal como a sequestrada de Poitiers que vivia num chiqueiro
Pocilga de convencimento e violação pelos nazistas celebrada
Implorou em prece prostrada aos Aliados que lhe não roubassem
A sua linda casinha lodeiro corporativista de afirmação suína,
Assim essa chicória de répteis das muralhas de outras eras são
Assim são as osgas perto da luz para caçar os insectos incautos.


Mas o Pégaso branco de Aras voa agora em Berlim sobre as areias
Altares fixos como rectângulos de pedra e lousa no imo do lar
Sela-as de ternura a grinalda cilha aí contigo nas asas do voo
E galopo o sonho no coração em trote que em valsas se demora
Piafés, deléveis empinos, ladeados, passages no adaptado jumping
"Vernissage" em cabriolas de quem muito a si mesma se sonhou!

quarta-feira, agosto 13, 2008

Sem Ansiedade no Repetido Alento

Que toda a vida é apenas uma palavra líquida
Incluindo a minha, digamos sangue, digamos
Digamos água corrente bebível a sôfregos tragos
Digamos regato que se esconde nas areias quentes e desérticas
Entre os poros da tua pele, subterfúgio de porcelanas
Amanhecidos marfins ante as portas de jade.

Digamos o escoar clepsídrico nos ponteiros da sinonímia
Literatura de sofreguir o momento sob a urgência (geo)métrica
Instante que vaza sobre o cálice do corpo a mágica sede.

Digamos imediatez no abismo estreito do abraço apertado
Lúdica entrega ao acaso descendente do ocaso na planície
Mergulho no outro lado exímia investidura leda no lá do lá
Ritmo animal que pulsa e se contorce na revulsão do ser
Sonho desnudo na boca dos olhos que gritam a saudade.

Digamos salto de corça na clareira das folhas impressas
Gesto, esgar, repente, gargalhada de arrancar ao movediço chão
O pavimento polido e xadrez interior da palavra tudo.

Digamos sílex acutilante, digamos recorte no espaço
Digamos teu nome sem ansiedade mas repetido alento,
Digamos desfraldada vela na crista da onda à proa do vento
Digamos murmúrio de dizer beijando o beijo em teu regaço.

terça-feira, agosto 05, 2008

Ângulos de Soprar as Areias Raras

Enfim, saberás tu Hipátia dos meus secretos hexámerons
Bela sábia lapidada pelos gangs missionários do medo
Como o traidor Sinésio de Cirene me induziu em erro
Me fez crer serem suas as teorias explanadas no recato
No terraço neoplatónico onde trocámos impressões raras
Sensações traduzidas por convertidos (Judas) resignadores
Que sonegaram o prazer do conhecimento de si mesmos
No tranquilo controlo das inquietações se acende o sentido
Significado e sensação únicas vias para a ética até Ítaca
Desde que Thera sucumbiu a Roma me entrego agora a ti.

As uvas ainda não amadureceram mas a sombra das parras
Ilumina de laivos e chispas o jarro de limonada sobre a mesa
Os dois copos que o ladeiam, os teus dedos prestigiadores
Prestes ao dígito clique de acender verbos tácteis atingindo-me
Saliva aglutinada de silvestre e lânguido planger do vidro
Na porta que não tem porta apenas a cortina dança e balança
Sob a brisa de tuas passadas lestas no baile da túnica e tules
Estremecer da cal branca ante gases e linhos nos alvos godés
Conforme a lua se ergue me prende a beijar-te os níveos pés.

Ainda peço tudo demais as horas falhas de azares ou sortes
(A)parto-me delas e sofro mortes quando nelas demoras
Se entanto esqueces milhões sucumbem aflitas consortes
Nortes indiferentes aos lábios da bússola o sexo me escora
Fulminantes as vozes de pedir água plangente cristal na luz
A fonte quase seca de boca em boca se faz renovado alcatruz
Da nora funda imensa roda que nos solicita plena liquidez
Atira fora irrigando doce paz nas veias da senda da humanidade
Quase intento se o instante do momento ganha elasticidade.

E freme no enleado enternecimento dos corpos entrelaçados
Desinquietos se abriram e abrigaram inquietações e cuidados
No terraço perante o mar naufragamos nas ondas convulsas
Que em revulsão nos enredam e atam entre laços e soslaios
De reclusas milenárias em revoltas vestes me despes a pele
E em carne viva da tua carne me fundo e me transformo copo
Cálice seio da clepsidra que nos ângulos topos da areia me sopro!
About Roads And Streets

São apenas oito os caminhos da liberdade no acaso do ocaso
Os olhos, as bocas, as línguas, os sexos, os abraços infinitos
Seios de Hipátia em Cirene apedrejada por sentir prazer dizendo-o
Por pregar a autarcia e emancipação de quem a si se conhece
Alfa e ómega das estranhas estradas para (im)possíveis longes.

De resto labirintos, abismos, promontórios, padrões e cruzeiros
Cruzamentos, pelourinhos e rossios de sextas-feiras à meia-noite
Rotundas como becos sem saída nem outro fim além de si mesmas.

Porque só são caminhos os caminhos abertos
Todos aqueles de cujas janelas se avistam campos de papoilas
Na frugal avareza dos olhos silvestres
Das bocas
Dos sexos
Dos abraços apertados
Como nas demais estradas ainda possíveis.

Porque de resto é a morte
É a progesterona
É o nuclear
É a modificação genética
É o suor frio
É o efeito de estufa
É a campânula do smogue
É a birra e o capricho
É o silêncio incomunicável
É o homicídio de um no par
É o rio apodrecido
É a floresta incendiada
É o beco sem saída
É o precipício abismal
É o redil e o curral
Onde chafurda a própria vida
No suíno lodo do quintal
Tão inútil
Como todas as outras coisas inúteis.

E
Inútil é o estares aí e eu aqui e
Inútil é a leitura sem sentido e
Inútil é a sequência mortífera e
Inútil é a gradação decrescente e
Inútil é a estrada fechada e
Inútil é a anáfora rotineira e
Inútil é a hipálage do medo e
Inútil é a dissimilada opressão e
Inútil é a configurada abdicação e
Inútil é a estrada sem destino e
Desconhecer que uma estrada é um corpo
Uma rua que se faz caminho novo ao apagado caminho.

Como a letra, a palavra, a frase que leva até ti
A língua que se curva em redor do teu nome...

sábado, agosto 02, 2008

Quando enfim voarmos de Ítaca para Roma ou no regresso
Inverso voo de conjugarmos o ser diverso que somos, és e sou
Ou soar sobre o mármore das escadas o tilintar das lídias
Rolando degrau em degrau como uma História que saltita
Entre os cômoros do tempo onde se ergue o nosso bairro
Na encosta frente ao mar saberemos o destino de cada barco
Cada silêncio à tona do azul cintilante no esgar dos dias
Lua deslumbrada mas tão equívoca aos instantes de prata...

Porque se Ítaca nos receber de volta, sim iremos certamente
As rédeas nas asas à solta sem freio qual voz incandescente
De moldar o vidro com o sopro simples do murmúrio ledo
Ciciada penumbra sólida das esquinas insolúveis do segredo.

Iremos sim, sem serôdios recatos nem esperar outras alegrias

Nem sufrágios alcantilados nas ruínas agrestes alinhados cedo
Além dos socalcos natos das varandas donde a ver-te me vias!

quinta-feira, julho 31, 2008

Cuido haverem outras Penélopes e outros Ulisses
Aflorando em nossos passos perdidos pelo gesto
De quantos minutos pesam dez anos na clepsidra
Vidro de medir o mar a remar desenganos me apresto
A reinventar mitos esquecidos, a cortar a Hidra
Olho de Ciclope a ver-te de onde apenas tu me visses...

Invectivei o dia, fustiguei a noite, parti por ti a jarra,
Intimidei com ameaças o tempo e o modo, e despi
A parra, para não magoar teus olhos de verbo sem ira
Na beira da fúria que mira o suplício da conjugação
Incondicional me fiz no imperfeito da pretérita solidão
E quando Roma me quis me vi romã aberta em tua mão.

Acordar é um desacordo intempestivo com o sonho
E bago a bago me dedilhas rede da sede que mantenho
Pela madrugada densa no dengado de tuas ancas acesas
Colunas do templo à subtileza columbina de teu colo
Arco que retesas no disparo se desejas quanto imploro
E naufrago na cascata de teus cabelos que a respirar decoro
Quando sôfrego neles morro, se me detenho e me demoro
Até castanho escurecido também eu ser que viver só é viver
Se se for vencido e assim perdido apenas por ti renascer.

Porque só quando a aurora se descodifica em luz e púrpura
A sombra incendeia o manto de aurífero brocado e canto
Ou teus olhos se abrirem para os meus sem medo e temor
Seda estampada de macia cor que na clara derme dorme pura
E mata a sede quando cedo me concedo à dor do desencanto
Ou te escondes de meus olhos sob a digita esquina escura,
É que do cálice do texto se pode fazer a leitura da borra negra
E a sina se desenha tsunami do passado que a ficção agrega
Segura no abraço-luz de ouro futuro rompendo a noite escura.

Cuido haverem outras Penélopes que escrevem e lêem teus passos
Sentem a navegação de sala em sala sobre as páginas da memória
Que as redes de nós lidos sob a prata dos peixes se fazem laços
Nas ombreiras pintados ou sinais da rota, sendas, mar de abraços
Celebrações secretas dos beijos dados nas catacumbas da História.
E delas, uma serei eu, a entrançar palavras para prender-te a mim
Que se me olhas me lavras seara de cristal na aura areia sem fim

Porque há alvas recordações em auríferas sendas entre a escória!

sexta-feira, julho 18, 2008

...

Perdoo-me esta insanidade de sentir-te indomável
Solta sobre o meu corpo na soletração insubmissa
Subjugando-o ao fogo arguto do voo insaciável
Redimensionado no táctil augúrio, dígita premissa;
Que nem fátuo arco-íris entre Vénus e Mercúrio,
No manto azul terreno envolvendo a névoa loa
Mas já nebulosa intemporal adormeço naufragado
Sonhos de corromper o instante tido em si destoa.
Que das ondas sou sempre o outro lado do centúrio
Fustigado, elo e coroa nos corais de mim compartido.
Aí, a seiva que brota em espuma se desfaz no areal
Fui eu a rapariga, enquanto tu o rapaz cavalheiro
Gentil que sulcando em lemes o mar todo e inteiro,
Tremes porém no imo abraço derradeiro mas plural
Ao que explodindo em ti a minha lava de quente bruma
Vulcão assim me (re)tornei homem que em ti se esfuma
E tu, a praia fértil que o (a)mar cava em eterna espiral!

Havia silêncio no pôr do sol, depondo as vestes da ousadia
A resvalada réstia dos ocasos alvorados e nascidos dia a dia
Astro a astro, numa sinfonia infinita compondo o alfabeto
Do mundo a dedilhar arcanjos amputados do grito secreto
No golpe das asas... Asas? Só as que a imaginação nos dá!
Essas sim, que são seguras e verdadeiras de forjar órbitas
Plenas e centrípetas, não ícaras sombras no lado de lá do lá,
A fazer autênticos alqueives e sementeiras de acordar acólitas
Da vida, quais obreiras de produzir o trigo que em nós há...

Pão de searas selvagens os corpos se equilibram e balançam
Incandescentes de bem-querer na vida suspensa dum cordel
Notas de solfejo na paleta colorida das diferenças se abraçam
Na magia simples de arrotear encontros que os peitos cruzam
De eu e tu, tu e eu, do eis à flor da pele, na entrega absoluta
Colhendo sem dor nem luta, das pétalas a cor, e do pólen... o mel!

segunda-feira, julho 07, 2008

Andam Ninhos No Ar

Dizes que já não queres acender o brilho?
Dizes que já Galaaz te venceu, e a espada?
Pois bem, amiga: mataste-te. Estás acabada.
Não há agora quem se importe com teu trilho.

Teus passos jograis do credo do sarilho
Cantam velhos eventos em nova estrada...
É o fim, amiga: quedo-me. Estás acabada:
Jamais amarás o amor como nosso filho.

Ao culto de Onan anuíste, cruel, ilesa,
Esquecendo que o amor é a melhor defesa
Contra o vento forte da morte e solidão?

Pois bem, amiga... A raiva a ti por ti acesa
Dar-te-á a liderança do €uro como do pão;
Mas nunca te há-de dar carinho – isso, NÃO!

quinta-feira, julho 03, 2008

Ainda Sabemos Amar Repetidamente


À porta de casa o futuro nos reescreve.
Por isso, soletra-me inteiro, não só universo quebrado
Da boca
Dos olhos
Do sexo
Da fala
Da diferença, mas também o igual âmago
Referente do que entre nós permanece humano
O rosto exíguo na luz do entardecer nas colinas breves
O sol oblíquo ao falado horizonte sustenido das árvores
A pedra, o tronco, o vidro em que me dilacero sílaba a sílaba
Os dedos
Presa fácil na mortífera insistência de dizer-te sede
Água cristalina Helena da minha Tróia nos cavalos do sangue
À desfilada na crista dos medos a sofreguir
Da boca
Dos olhos
Do sexo
Da fala
De teu corpo todo sob as vestes do silêncio
A fronte hitita e alva na rebentação da memória
Ondas de seda no afagar da sede
Sede de sonhos no congeminar da prece
Se apareço pronto a perecer ao teu apreço
Sebe de estrelas na Via Láctea do sorriso
Em que me acoita em infinita coita
Que a gesta se na serena luz se afoita
Torna-se breve instante de urgência preciso
E conciso
Na fala
Na cor
No gesto
Na alva sofreguidão.

Soletra-me inteiro como te soletro plena
Que o corpo só é verdadeiro
Quando no sonho do próprio nome nos acena!