A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sexta-feira, maio 05, 2017

AO CONTRÁRIO DA MORTE




AO CONTRÁRIO DA MORTE

Buzinam isto, aquilo
Dizem pra fazer assado
Cozido, frito, e dar asilo
Ao doce coração aflito
Por 'tar assim acossado
Causador d'algum atrito
Além desse que é nascer
Ser gentio e querer dizer
Ao que veio, ao que está
Mesmo que não esteja aqui
Esteja até noutra parte, 
De ilusão em ilusão vá
Plantar acolá, acoli
Algo parecido com arte. 

Mas esquecem os projetos
Vontades esclarecidas
Que pintam nos velhos tetos
Das Sistinas carcomidas
Novos grafites e afetos
Entre chegadas e partidas; 
Que irrompem sem esperar
Como dum clique qualquer, 
Estalido que pel'olhar
Se tornou big-bang profundo
Nessa espécie de mar –
E lágrima com te inundo
Ao ser apenas quem te quer
Sem querer nada do mundo. 

Que à vida não importam
As cruéis minudências
Que nos prendem e nos atam
Ao agora das tendências; 
Como representar pra ser
Que faz das aparências, 
Coisa já de si contrária
Aos credos, como às razões, 
Que ela evolui por vária
Reformando as tradições
Do vulgar e ordinário
Para pulsar nos corações… 

– Ser da morte o contrário!

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, maio 04, 2017

GIZAR DA LUA




O GIZAR DA LUA 

Arina, A Deus sempre eterna
Mentora do bem, do prazer e da jus, 
Podia entrar no mar mas vai pla berma
Arredondando-o no ser com sua luz. 
O ocaso, é tão-só porta do fundo, 
E nas casas, se diz, de serventia;
Porém, sua morada é nosso mundo
E d'onde sai ao fim de cada dia…

Para onde irá? Terá amantes? 
Ninguém sabe… Ou, sabendo-o, não o diz. 
Que onde ela vai, já ia muito antes
E a lua não fala… Só escreve a giz! 

Joaquim Maria Castanho

MARKETING... OU QUALIDADE?




MARKETING OU QUALIDADE?

Já não há soluções definitivas
Prò que esporádico acontece
Pouco é o desejo e expetativas
Além das estatísticas se desce
À realidade pura e dura
À coisa vida sem os enfeites
Dessa nuance, grande urdidura
Com que o homo sapiens teceu
Os paraísos, infernos, deleites
E declarou ser o Planeta só seu… 
A atualidade é um detalhe
Fruto direto mas circunstancial, 
Com que a lógica do crer atalhe
Pròs desvios ao que é essencial. 

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, maio 03, 2017

A MARCA DAS FAMÍLIAS




A MARCA DAS FAMÍLIAS 

Plo chão me aliso, desmedido
No texto, perdido; porém, viso
À esquina do riscado friso
Sob o azul, cruzado, vertido
Em espelho de mão pra navegar, 
Enquanto já a luz incidia
Sobre folhas (de figueira) ralas –
Os cachos pendentes a balançar
Solfejo de ondas plas escalas
Da tua passada, que me dizia
(Determinada pla direção tida
Como quem irá ganhar seu dia, 
Fazer pla sorte, fazer pla vida) 
Que ver-te vai além da poesia
Em significado e sentimento, 
Exalando nela essa alegria
Do sentir que se fazia alento, 
Por ser matriz de uma jornada
Marca registada do momento. 

Que o mundo, seja lá o que for!, 
Reflexo de um conto, ou teoria, 
A circular cúmplice, ou isento,
Só é real se estiver da cor
E tonalidade do teu «B :) m dia!»

Joaquim Maria Castanho

terça-feira, maio 02, 2017

FAZER... O ...TEMPO




FAZER... O ...TEMPO

Pra que sejamos o etc. & tal
Dos três pontos entre o bem… e o mal, 
Ainda que o rio corra agitado
Temos que avançar prò outro lado; 
Que só lá, naquela avistada margem
Nossos sonhos deixam de ser miragem
E passam a fazer parte integrante, 
Qual ritmo e batida, desse pulsar
Que é nuclear a cada instante. 
Que o tempo também tem um coração
Seu órgão vital, modelo ou matriz, 
E se dou a volta ao quarteirão
Para te ver, mas falho por um triz
Foi porqu'ele quis e não quis, e em vão
Vi e não vi, que seu ser fui eu que o fiz. 

Joaquim Maria Castanho 

segunda-feira, maio 01, 2017

À BEIRA-RIO, ROMANCE COM SEREIA



ROMANCE COM SEREIA À BEIRA-RIO

Adivinho-te ainda do outro lado
Mas já defesa me caiu e espero,
Sem que pela ânsia desesperado
Expetativa esconda o que quero,
Que águas correntes são cadeado
Quando coração bate por sincero
E silêncio não significa cuidado
Se calado espero – e até acelero
O tempo pra que surjas imediata, 
Sorriso tão à flor dos olhos, assim, 
Que do respirar então me escapa 
O barco das viagens aonde se ata
O corpo s'o desejo quer e destapa
Pra beijá-lo poro a poro e sem fim.

Joaquim Maria Castanho

domingo, abril 30, 2017

PARABÉNS GUILHERME





PARABÉNS, GUILHAS

Parabéns Guilhas, campeão
Formado e em formatura
Que nos dá por ora a lição
– Tranquilidade segura
Que persegue suas metas
Entre curvas, sobre retas
Até ao destino final –
De pôr o ponto assente
No ser e estar consciente
Da verdade ambiental
E equilíbrio social
Que se requer sustentável
Além de gerar o "ar" puro
Harmonia e ser seguro
Pró bem-estar, e agradável
Na construção do futuro
E pla eternidade sem fim… 

Eis os votos do teu tio 
                       Quim

sexta-feira, abril 28, 2017

GENTIO E DEScomPARECIDO




GENTIO E DEScomPARECIDO 

Já sob sombras me navego
Enquanto o sol declina
Por detrás dessa cortina
Folhas dançam, e eu cego
Chego a adorar Arina
Não por ser A Deus que é
Mas falho de bárbara fé
Um atalho m'ilumina –
Sangue ao corpo ensina
O arrebatar tão eficaz
Qu'até de mim sou contumaz. 

Logo, descomparecido
Nesse juízo pertinente
De intentar ser ouvido
Com'os demais, na gente. 

Joaquim Maria Castanho

A OCIDENTE, A NASCENTE...




NASCENTE OCIDENTAL 

Lancei a minha mão ao horizonte
Para ver onde iria parar, cair… 
Aflorou tuas faces, tua fronte
Só pla esperança de te ver sorrir. 

Também o sol foi na mesma direção, 
Tomou caminho para os teus lados; 
Foi em busca, perseguindo minha mão
Por ter inveja dos meus cuidados.
Que esse astro sabe, se quer brilhar, 
Que tem de ter razões, causa de jeito, 
Tal e qual é para mim o teu olhar
Quando o verbo me pulsa no peito. 

Lancei a minha mão ao horizonte
Apenas pra ver o que de lá trazia… 
Trouxe sede e saudade dessa fonte
Que são teus olhos, na minha poesia. 

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, abril 27, 2017

AROMA DE ISTAMBUL




AROMA DE ISTAMBUL

E a bela samaritana
Deu ao estrangeiro
A beber essa tisana
Do olhar, primeiro…

E a saudade chama
A flama de seu chá
Já apenas plo cheiro!

Joaquim Maria Castanho

quarta-feira, abril 26, 2017

DA NEGAÇÃO DA SANIDADE




NEGAÇÃO DA SANIDADE

Já não temo a solidão
Nem receio morrer sequer, 
Pois meu medo é teu não
E não outro não qualquer… 

Supus, por deixar de te ver
Ser capaz d'esquecer também
O teu sorriso, a tua voz
Sem igual a mais ninguém, 
Mas ora fiquei a saber
Que não há forma de perder
Quem está vincado em nós, 
Quem ouvimos no caminho
(Micro-eco sem entrave
Nas ondas do vento suave)
Que fazemos para fugir
(Mas saudade agrave…), 
Estrela em que m'aninho
Insiste ser a casa cinco
Sublinhado sulco, vinco
Por favor não digas não
Outra vez, que de morrido
Ficarei vivo, mas ficção
Personagem sem coração, 
Tão rendido, tão sofrido
Que prà vida 'tou perdido… 
– Da sanidade negação! 

Não temo ser descoberto
Nem me saberem cativo, 
Mas tão-só não ter-te perto
Cada segundo que vivo.

Joaquim Maria Castanho

terça-feira, abril 25, 2017




ABRAÇO TRANSPARENTE

Mergulho em tuas águas
E sou o cristal de um jardim, 
Sem orgulho e sem tréguas
De ser em ti, como tu em mim
Já na ribeira dissolvente
Pla liquidez da sofreguidão: 
No abraço pleno a semente
Gera socalcos no coração, 
Janelas por cima deste rio
Que agita as profundidades
Mata sedes, corrói o frio
Planta vides nas saudades, 
Essas mais que uma, duas
Três, mil que sejam por segundo
Que, cópia de ti, serão luas
Cópias da lua qu'é A sol do mundo. 


Mergulho na água que tu és
Soluto de soletrar paixões, 
Que dá a volta mundo sem pés
Nem julgar o ser plas ilusões. 

Joaquim Maria Castanho

EM TRANSPARÊNCIA, O ABRAÇO




ABRAÇO TRANSPARENTE

Mergulho em tuas águas
E sou o cristal de um jardim, 
Sem orgulho e sem tréguas
De ser em ti, como tu em mim
Já na ribeira dissolvente
Pla liquidez da sofreguidão: 
No abraço pleno a semente
Gera socalcos no coração, 
Janelas por cima deste rio
Que agita as profundidades
Mata sedes, corrói o frio
Planta vides nas saudades, 
Essas mais que uma, duas
Três, mil que sejam por segundo
Que, cópia de ti, serão luas
Cópias da lua qu'é A sol do mundo. 


Mergulho na água que tu és
Soluto de soletrar paixões, 
Que dá a volta mundo sem pés
Nem julgar o ser plas ilusões. 

Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, abril 24, 2017

DESFOLHADO NOS SENTIDOS




COM AS FOLHAS SOLTAS DO SENTIDO

A dúvida me desfolha, tortura
E dilacera, que chego a delirar
Às doídas fronteiras da loucura, 
E aí te guardo pra lá do guardar. 

Não só teu rosto, mas também a voz
Perduram em mim, marcam o dia, 
Desatam e desenleiam estes nós
Com que alma à mágoa se prendia… 
Doía não te ver, com o doer atroz
Que fomenta essa melancolia, 
Que isola e ata, me deixa a sós,
E bloqueia o crer, que já descria
Sentir o quanto à vida se alia 
A si mesma e segreda existir,
Ou diz calada que sem ti é nada
Como igualmente eu nada sou, 
Ínfimo ponto sem ser nem porvir
Gota que seca no pó da estrada
Tão longe da água que a gerou
Que é lágrima de sangue morto, 
Coalho no soalho podre e torto
Do chão irregular, chão contorcido
Moída incerteza sobre teu querer,
Expetativa, papel atribuído 
Ao sentir que de mim sabes ter,
Que não sabê-lo me tira o sentido
Se dilacerado meu ser na espera
Corrói o ânimo já tão corroído
Que até o respirar me dilacera…


Tão amargurado, na incerteza
Que é a dor onde fora gerado, 
Que se fora flor de rara beleza
Havia de ter pétalas de cuidado
E dúvida, que me traz desfolhado.

Joaquim Maria Castanho

domingo, abril 23, 2017

DO MIRADOURO DE CASAL PARADO




DO MIRADOURO DE CASAL PARADO…

Em Casal Parado, as ruas
São como as ruas de qualquer lado
Com portas ímpares e portas pares
Janelas, varandas e paredes nuas, 
Cujas cores variam segundo o pintado
E conforme é vulgar em demais lugares… 

Mas Casal Parado não é igual 
A qualquer outro lado conhecido, 
Pois faz menção de dali se ver Portugal
Não plo que é mas plo que podia ter sido. 

Dali vê-se como se fosse uma geringonça
E este se parecesse a qualquer viatura, 
Que treme como gelatina e salta que nem onça
Quando a economia cresce segura;
Mas se, porém, oscila de incerteza
Traça, planeia e giza em linhas retas
Em direção a muitas dessas metas
Que parecem antídotos prà crise portuguesa.
E que já vem de há muito tempo atrás, 
Mesmo de mil trezentos e oitenta e três
Em que a coisa andava zás catrapus-catrapaz
Pelas desenvergonhices dos nossos reis.

Portanto, está bom de ver (e sentir)
Que em Casal Parado, nada anda sem mexer
Nem nada mexe sem muito rir, 
Tal e qual como costuma dizer
O nosso povo, sadio e bem-apessoado –
E que de Casal Parado não quer sair.

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, abril 21, 2017

SOB O AZUL, OLHANDO O MAR




SOB O AZUL, OLHANDO O MAR

        (Paisagem com rosto, ou alucinação sobre a água
                                             fulgente de um pôr-do-sol de Foz domingueira...) 

Olha as gaivotas, ali linhas de voo
O seu corte pontiagudo no diamantino céu
E cristal também plácido espelho
Das águas chispando (a)deuses. 

Podes pedir-lhe a calma da tarde
Que não te recusarão o destino,
Porquanto é o corpo quem parte
Mas ficando nelas o olhar-menino
Deste silêncio, líquido definido
Mascando ênfase no sonho corrompido
Pelo coração em sobressalto, desatino
Com a vida e seus incontáveis reveses, 
Que nos concedem sempre o que às vezes
Apenas acidente supomos ser no puro linho.

Não apetece ainda o escurecer:
Há caminhamantes na marginal…
Mas o soslaio do sol fisga a Pousada
E põe na grama verde a linha escalada
De romper as frestas ao molhe triste
Nos olhos dos olhos se o Douro viste.  

                           Pousada da Juventude, Porto
                           .../.../...– 16:30 horas 

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, abril 20, 2017

ESPIRAL ÍNTIMA




ÍNTIMA ESPIRAL 

Mas limito-me a ler a espera
Entre ser e ver-te, assim real
Enquanto o coração acelera
E entretece o voo original,
O retorno ao eterno querer
Onde os sonhos e a Quimera
Nunca esperam o nosso dizer
A fala, a palavra de quem dita
Que ser é ver que se acredita. 

E por esse interregno suposto
De quem se sacrifica e imola, 
Gosto tanto de gostar, qu’o gosto
É um éter que me dilui e evola. 

Joaquim Maria Castanho

O TONHO TALEGO




TONHO TALEGO

Tonho Talego era brigão e berrava lá no Sítio de Casal
Parado na minha terra do Tonho Talego, porque ele, sabem
Nunca debitou sentenças na televisão e podia berrar
E o Sítio era dum brigão, que era ele a sitiar. 

Às vezes, à tarde, em verões escaldantes, sentava-me
Na parede à beira do alcatrão apenas para o ouvir
E ele gritava e dizia que havia de a matar, que ela era
Uma puta, uma puta!!!, e ela era só a mulher e mãe
Dos filhos dele, mas ele não queria saber disso, 
Queria era o dinheiro dela para beber mais uns copos
De branco (jamais conseguiriam que mudasse prò tinto)
E poder jogar uma bisca de soldado, e ter motivos
Para discutir com outro qualquer
E esquecer-se da mulher.
À noite, madrugada fora, iria roubar que comer de dia
E os donos das hortas sabiam que ele os roubava
Mas não queriam saber, nem se importavam,
Pelo que Tonho Talego morreu sem nunca ter pedido
Nunca ter implorado nada a ninguém. 

Viveu miserável e só foi ao médico uma vez 
Em toda a vida, quando foi às sortes, nem estava doente
Que só adoecia quem podia naquele tempo. 
Tinha uma mesinha pra todo o mal, dizia
(Comprimidos de virar a mão e vacinas contra o teto)
A aguardente bem forte, que o grau é doutoramento
E até patente que tudo cura, febre, dor no dente
Fraqueza no tino ou estranhamento das ideias. 
Aos quarenta anos parecia um velho e era velho
Até era o mais velho da família dele, porque durara
Não muito mais que isso mas também poucos mais havia
Assim, tão duradoiros, depois do sol-a-sol e lambugem
Chilra pra não perderem a linha e ligeireza. 

Nunca lhe faltou a foiteza, nunca arrepiou caminho
Todavia se nunca torceu não o fez por razão nem certeza
Mas por desfastio e teimosia, que quem não sabe pra onde vai
Qualquer trajeto é perfeito. 

Tonho Talego morreu cedo, que agora é que ele havia de ser
E sentir-se como peixe na água com que os sapos cantam
E as dobradiças enferrujam. E é pena, pois dava-nos jeito
O seu jeito de ser, para explicar às crianças 
Como se não deve ser nem estar e muito menos fazer.

Creio até que é por estas ausências que a imaginação,
A criatividade, a ficção mais se justifica nestes dias...

Joaquim Maria Castanho 

quarta-feira, abril 19, 2017

NA ASPEREZA SE DESPERTA

  


ASPEREZA DESPERTA

Estamos quase dispostos e intercalados
Como sujeitos sem verbo (conjugável),
E nesse chão, os silêncios amontoados, 
No pleno diverso que eles próprios são
Escrevem o futuro que, ainda visitável, 
Faz parte do roteiro doutra dimensão…  

E se tivemos sorte, não o reconhecemos; 
Se já pedimos para ser ouvidos, só o olhar
O testemunhou; mas temos e não temos
Todas as condições essenciais para o voo
Que nos traga de onde nunca fomos, sequer
Nem nos interesse de nada saber, nem ficar
Arriscando perder também tudo que houver
Pra perder, apenas pla esperança de ganhar.

Somos a abertura determinada, essa fresta
Ínfima que há entre o todo e qualquer nada, 
Com que a aspereza desperta nos empresta
A beleza do que é rude, e passos à estrada.

Joaquim Maria Castanho  

terça-feira, abril 18, 2017

A RIMAR SE PERSCRUTA




A RIMAR SE PERSCRUTA 

Nasceram-me novos cuidados
Sob tua voz, teu líquido olhar
Ante meus olhos e devoção
Que, das margens, aguados
– Místicos e em tua atenção –
Me pedem sôfrego naufragar; 
Sucumbir à profundidade
Do soluto d'água marina
Que espelha os encantados 
Pulsares e sentir de Arina; 
Sentires de estrela a pulsar
Na latência da esperança
Com que as brisas fazem dançar
Folhas viçosas e salgueiros, 
Tremido oscilar que alcança
Esse poder que vem de cima
Sobre os regatos e outeiros
Dando-lhes o cristal da rima… 

Nasceram-me novos cuidados
Já tão há muito por nascidos, 
Que os olhos aos teus colados
Rogam pra que sejam ouvidos.

Joaquim Maria Castanho