Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
quarta-feira, março 02, 2016
terça-feira, março 01, 2016
JUÍZO DE REALIDADE
JUÍZO DE REALIDADE
Conducente é a prova
(Inegabilidade pura)
Se o verbo não estorva
A lucidez, e segura
Capricha pela atuação,
Sem hesitar no «SIM» ou «NÃO».
Do enredo é perita.
Da trama, nó fundamental.
E argumenta expedita
Sem tropeçar com a moral.
Mas à culpa castigo dá;
E inocenta quem o está.
Porque nessas duas faces
Tão distintas, tão iguais,
Está do que somos capazes
Como humanos e... mortais.
Joaquim Castanho
(O JUÍZO DE REALIDADE é aquele que enuncia factos ou que incide sobre relações entre factos; é um juízo que afirma ou nega a realidade de um fenónemo. O juízo de realidade opõe-se ao juízo de valor, e também se designa usualmente por JUÍZO CONSTATIVO, JUÍZO POSITIVO.)
segunda-feira, fevereiro 29, 2016
O APELO DO INFINITO
O APELO DO INFINITO
Se cuida quem é afoito
E vai à frente dos dias,
Nas horas em que pernoito
À luz de tuas alegrias...
Porque nelas me acoito
Que nem fossem fantasias
– Olhos num deitado oito
A perscrutar manhãs frias.
E nesse gesto tão vasto
Quanto é a esperança,
Dou-te beijo puro e casto
Numa nuvem que balança,
Puxa, me leva de arrasto
O vento em que voga (e dança).
Joaquim Castanho
sábado, fevereiro 27, 2016
Foi só um segundo, se tanto!
Foi só um segundo – se tanto! –
Enquanto o sorriso durou,
Mas foi tamanho o encanto
Que esse segundo me bastou.
A dúvida, inseguro manto
Qual sombra, se desanuviou,
E alegria eliminou o pranto
Com o sol limpo qu'então brotou.
De passagem, a magia doce diz
Mais que milénios havidos
Quanto o amor, só por um triz
Nos toca fund'alma e sentidos...
Tal disse teu sorriso – e lhe quis
Muito mais que a mil já tidos.
Joaquim Castanho
sexta-feira, fevereiro 26, 2016
FUNDO DE MANEIO
FUNDO DE MANEIO
Há uma visão nesta saga
Pra que se escreva o destino,
Cuja tinta é a nossa paga
Com o suor desde menino;
Escola de um outro curso
Com diploma na dignidade,
Alfabeto dos dias avulso
Na oração da necessidade.
Por isso se escoam azedos,
Cifrados modos de tristeza,
Em moedas a que teus dedos
Não palpam qualquer beleza.
Joaquim Castanho
quinta-feira, fevereiro 25, 2016
terça-feira, fevereiro 23, 2016
DOCE FAINA
DOCE FAINA
Meu aconchego, meu naufrágio
Nos sentires por que sentes
Sou teu argonauta, e contágio.
Que a rima me trouxe à vela
Quando rumei só, sem medida,
E pouco a pouco plas marés dela
Me ancorou à própria vida
– Com gestos de rosa à bolina
Pleno vogar de espinho manso,
Abranda o ser que me inclina,
Alcança o ritmo no balanço.
E assim, encantado por sereia
A cujos suspiros estremeço,
Aliso teus cabelos de areia
– Acúmulo os beijos que te peço.
Joaquim Castanho
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segunda-feira, fevereiro 22, 2016
NO SILÊNCIO A VOZ
NO SILÊNCIO A VOZ
Sou sinal de porta aberta
Dum futuro que já me disse,
No escuro da rota incerta
Pra que teu peito se abrisse.
E se me cruzo com o teu olhar
Num impulso respiro o mar
A que o rio me deitou um dia...
Mas nesse querer que é esperar,
Com que se é porto ou lugar,
A luz me faz foz por magia!
Joaquim Castanho
domingo, fevereiro 21, 2016
CORRENTE DE APORTAR
CORRENTE DE APORTAR
Meus dias já foram pardos
Tão sem norte, tão sem brilho
Quas'enseada de cardos,
Da morte me senti filho.
Voguei em mar cavado,
Por mar chão adornei sentir,
Entre margens fui meu lado
Vaga a descer, onda a subir.
E desse céu que espelhei
Quantas vezes bem agreste,
Aportei rabelo sem lei
Só plo néctar que me deste.
Joaquim Castanho
sábado, fevereiro 20, 2016
SONHO AZUL
SONHO AZUL
Me desbasta a vida pouco a pouco
Como um respirar de brandura,
Que percorrer o sonho é de louco
– Tal água mole em pedra dura.
Intenso, por vezes, áspero até
Acelera o pensar se o penso
Carrega-me o desespero de fé.
A sua estirpe torceu o mundo
Conduzindo-o bem para lá do lá,
E deu-lhe um céu tão profundo
Que, se o chamarmos, ele virá.
Forjou o voo imortal e ufano,
Com que o mais simples animal
Se tornou racional – e humano.
E assinou o espaço infinito
Com laivos de angelicais penas,
No sussurro azul desse grito
De onde nascem todos os poemas.
Joaquim Castanho
sexta-feira, fevereiro 19, 2016
A GENICA DO POEMA
A GENICA DO POEMA
Há um número infinito de poemas
Que escapam à nossa interpretação,
Ocultos em subtemas de seus temas.
Uns, são oriundos do vocabulário;
Outros, têm origem no inconsciente.
Porém, todos são também seu contrário
Mesmo que o não tenhamos pertinente.
Se lidos, as mais das vezes, tão-só são
Lineares encadeamentos de palavras;
Mas ao ouvi-los mudam sempre a questão
E acrescentam à nossa vista outra visão,
De que as metáforas também são escravas.
Que na vida, nenhuma sílaba é serena...
Este mesmo poema me disse a mim, hoje
Que o seu significado só vale a pena
Se ao temo-lo ao mesmo tempo nos foge!
Joaquim Castanho
quinta-feira, fevereiro 18, 2016
NEM TODA A PÍLULA É REMÉDIO
NEM TODA A PÍLULA É REMÉDIO
Que todo o poema é hermenêutico
Por mais sucinto e breve que seja,
Sabe-o a pena do poeta, se é ético
E em prosa verseja, como assim veja
Mais-valia em qualquer prosar poético,
Se pla poesia integral a não almeja...
O seu sentido é fechado, é circular
E diz, não dos sentidos o que é vulgar
Mas o que é matriz d'êxtase e empatia;
Pois que dizer em verso não é pecar,
Nem tem nexo o desejo que vê e quer sexo
No polissémico amplexo da poesia.
Todo o poema volta a si mesmo no fim.
Do que resulta, ser de si propedêutico;
E se nem todo o verso é poema, assim
Não é remédio o placebo farmacêutico.
Joaquim Castanho
quarta-feira, fevereiro 17, 2016
NAUFRÁGIO MOMENTÂNEO
NAUFRÁGIO MOMENTÂNEO
Quando o verbo percorre e dista
Sopra, chispa (sílabas), adoça
Momentos, denomina e avista
Sentidos, astrolábio de ser
A tecer rumo, rota, frota, prumo
Nesse tudo que acosta, assumo
Que a vida exige sempre viver.
É ela, não nós, quem marca a sina
Dispara o arco, se te abarco
Me anima, de pronto ilumina
Alinha o horizonte do barco
Insigne e parco, da popa à proa
Porque só teu olhar é o marco...
Por que soment'ele m'abalroa!
Joaquim Castanho
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