A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sábado, julho 15, 2017

C - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z




C - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z 

FAZER HOJE

Minha flor de pétalas tantas
Com insistência me promete
Em preces, em beijos, em mantras
Qual voz de nós na casa sete… 
Sete estrelas que clareiam; 
Sete pétalas pra um leque; 
Sete sílabas que penteiam
As escamas ao alfaqueque. 
Mas só por oito serem ora
Querem ser mais, não são frete: 
Querem a flor que se repete, 
Ter ontem no amanhã… – agora! 

Joaquim Castanho

sexta-feira, julho 14, 2017

B - POEMAS POLÍTICOS de A a Z - CADA CÊNTIMO




B - POEMAS POLÍTICOS de A a Z 

Cada cêntimo é uma gota de suor
Naco de nação, migalha de povo
Às vezes lágrima de trabalhador
Lágrima de trabalhadora, lição
Caída da construção dum país novo… 
Desperdiçá-lo, é negar-nos razão; 
Perdê-lo, apoucar-lhe o esforço; 
Cobiçá-lo, julgá-lo por cada pão
Que come, e traduzir por alvoroço
Suas conquistas, palavras, condição. 

Cada cêntimo é um grão de trigo
Ajuda viva pra matar fomes
Que se acendem, pondo em perigo
Milhões de mulheres, crianças, homens
Todos, todas, deveras essenciais, 
Pelo que atirar fora os "tostões" 
É desperdiçar balas, ou munições 
Na guerra de querermos ser iguais. 

Joaquim Castanho

quarta-feira, julho 12, 2017

ECOS DE JULHO




ECOS DE JULHO 

Já mergulhando nesse mar
Como um cubo gelado
Que se derrete no dia
Diluído, a soletrar
Fios de cabelo dourado
Conforme laço de poesia
Que mais solta do que ata, 
Ouço ecos em melodia… 

Por quem será? Por mim não é. 
Por ti, por ti e por ti também não. 
Nem por qualquer Tonho ou Zé. 
Nem é por quem nos descarta
E desagrega na condição… 
E que dizem? 
PA-RA-BÉNS MAR-TA – 
Ora… então, já sei por quem são! 

Joaquim Maria Castanho

domingo, julho 09, 2017

A - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z




A - POEMAS POLÍTICOS DE A a Z

Jamais portas que nos dividam
Jamais distância A Deus
Que já os olhos teus despertam
Mais que infinitos nos meus. 
Hei de dizê-los mudo, calado
Gritá-los pra lá do presente, 
Ainda que do diferente lado
E mostrando inversos à gente
Nas costuras, trocos mesquinhos
Misérias ou raios de Zeus
Que lavram as florestas e ninhos
Com labaredas avaras de eus!

Joaquim Castanho 

sábado, julho 08, 2017

RAZÃO POR INTEIRO




RAZÃO TOTAL

A minha alma levantou voo
E nega-se agora a pousar; 
Diz que quer ser o que sou…
Não sinto força prà contrariar!
Quando me culpa, eu perdoo. 
Se me crítica, dou-lhe atenção. 
E às vezes, até finjo que vou 
Considerá-la só meia razão…

Mas mal te vejo, logo desisto; 
É qu'ela quer à força ser beijo, 
E eu… eu sem ela não existo! 

Joaquim Maria Castanho 

sexta-feira, julho 07, 2017

ERRAR É VIAJAR




ERRÂNCIA FIXA

Por esta redoma nos digo, 
Nesta cápsula navegamos; 
O sonho navega contigo
Contigo vou, e voamos. 

Temos a imensidão do breu 
Sabemos a cor da terra, 
Que o amor somos tu e eu
Neste errar que não erra.  

Joaquim Maria Castanho

domingo, julho 02, 2017

ENCANTADA MELODIA




MELODIA ENCANTADA 

O dia das quatro estações
Decorreu hoje sem inverno, 
E o arco-íris das pulsações
Pintou-o ameno, moderno
Pra pacificar os corações
Escalou penhascos, penedos; 
Viajou por oásis e desertos; 
Voou sobre mares e silvedos;
E escoou-se entre os dedos
Palma com palma bem abertos
À desfilada, plo espaço… 
Mas levaste-me na garupa
Prà apagar da alma o traço, 
Vinco do receio e da culpa, 
Pondo pureza no que faço
Dando o cunho da poesia
A cada hora que expira
Com hinos em harpa e lira
Pra ouvir arco-íris no dia.  

Joaquim Maria Castanho

sábado, julho 01, 2017

EGO RESSUSCITADO




EGO RESSUSCITADO 

Amarro-me ao teu rosto
Pra fitar o infinito
Sob vendaval de desgosto, 
Sob o tsunami do grito… 

E bem lá do fundo do céu
– Imensidão e distância –, 
Ergueu-se deste eu incréu
Essa fé que nunca morreu
Nem perdeu a infância. 

Joaquim Maria Castanho

terça-feira, junho 27, 2017

ESSA INVENÇÃO, A POESIA




A POESIA, ESSA INVENÇÃO

Retardo o passo pra que passes
Cruzes portal pró desconhecido, 
Que faças o que só tu fazes
Dites a rota, dês sentido
Aos caminhos que te celebram
–  Aos poemas que te inventam!

Joaquim Maria Castanho 

domingo, junho 25, 2017

SILVO DE COLORIDA LUZ




SILVO DE COLORIDA LUZ 


Só quando te não vejo 
Posso refugiar-me em ti, 
Dizer que penso, que sinto
Que anseio, que desejo
Como foi o dia que vivi
Sem viver, se dele pinto
O esgar sonhado e ali
Refugiado atento
Mais caminho de pronto
Com os poemas que avento
À Sol num cruel rodopio
Pelas fisgas do assobio
Que sufi me deixa tonto… 

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, junho 23, 2017

A LEVEZA INTEMPORAL DAS ROCHAS




LEVEZA INTEMPORAL DA ROCHA

Me deponho ante ti
Num desígnio de então, 
Que no descruzar já li
Na pele a imensidão

Calada, 
                de granito
Como uma pedrada 
Acua tempo proscrito!

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, junho 16, 2017

re-GANHAR A PASSADA




(RE)GANHAR A PASSADA 

Plo óculo do infinito
Na descoberta incolor
Sonhos travam, e o atrito
Se refaz próprio propor 
E propósitos propõem
As singelas alegrias
Que pouco a pouco compõem 
Pegadas pra pegar os dias… 

Então, o verbo floresce
Pelas pétalas completo
No beijo que não esquece 
Carinhos d'avó e neto.

Joaquim Maria Castanho 

quinta-feira, junho 01, 2017

A DÁDIVA




A DÁDIVA 

Olho lá pra fora
Através de teu olhar, 
E de como ele se demora
Sem saber que esperar… 

Luz sobre azul celeste
Dum sorriso que me deste! 

Joaquim Maria Castanho

terça-feira, maio 30, 2017

AS SOMBRAS CARDINALES




AS SOMBRAS CARDINALES

A sombra de Cláudia é
Bem mais velha que ela; 
Está dobrada sobre si. 
Alguém que perdeu a fé
Soprou a própria vela
Se esqueceu de ser, ali
Longe de quem vimos… e eu vi. 

– E como era bela! 

Joaquim Maria Castanho

domingo, maio 28, 2017

DEGUSTAR SERENO E SILENCIOSO




SERENO E SILENCIOSO DEGUSTAR

Almoço devagar. 
Acrescento-m'assim
Só pelo paladar
A olhar o alecrim
Nas bermas do jardim
Ond'olhos resvalam
Nesse tanto sentir
Por ver-te a sorrir… 

– Que até o calam! 

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, maio 25, 2017

O ISCO VOADOR




O ISCO VOADOR

Pousou exatamente ali... 
Quase de propósito, pra que a visse... 
E eu vi! 
Callei, callei, calei
Segurei, 
E só agora o disse. 

Joaquim Maria Castanho 

PARABÉNS MINHA PRIMA




PARABÉNS Clara, minha prima
Neste dia de felicidade. 
Que cavalgues por ele acima
Até aos oásis da idade, 
Sem as ciladas nem azares
Sem atropelos nem mau clima, 
E companhia que desejares 
– Sejam família como pares! 

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, maio 12, 2017

TE VEJO ENTRE BÁTEGAS





TE VEJO ENTRE BÁTEGAS

Desço pelo meio da tarde
Por negras pedras gretadas
Onde a saudade me arde
Em quadras incendiadas
Dessa luz, entre sombras, nua
Pisada pela memória
Se, letra a letra, quase crua
Copia de nós sua história
E nos devolve esse elixir
Cujo suco é tempo puro, 
Mel coado n'areia do porvir
Cruzado em ponto seguro
Plas costuras da água caída, 
Como intervalos num muro 
Que são as seteias da vida. 

Joaquim Maria Castanho