A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sábado, julho 13, 2013

DO SUBJETIVO PLURAL



E como um asterisco luminoso
Sob o encantado sopro da brisa,
Eis-me vogando, amante cioso
Entretecido no silêncio que desliza
De pétala a flor, de dígito a giga
Num abraço entre gente amiga…



O verbo é breve; a intenção universal.
Mesmo que sobre ela haja quem diga
Que até nos coletivos é pessoal.

sexta-feira, julho 12, 2013

LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO



Nem todo o verso é versátil
Prò poema ser fluente,
Talqualmente os pombos deste continente
Em Istambul, que podem ir diariamente
À Ásia, mas não vão…

Para eles a ponte é inútil,
E preferem comer o milho do chão!

http://www.facebook.com/evolui.verde


DO QUERER PETRIFICADO  


Séculos e séculos de água,
Mas os olhos cegos da pedra
Sangram do tempo a mágoa
Dum querer que não medra…

Que todo o querer sem acreditar ser
É um não-querer envergonhado,
Omitido no verdete, a escorrer
Da pedra em que foi configurado.





INTRIGA NO ROMANCE



Neste jogo cujo progresso
Não carece de arma, tiro
Destreza, fuga ou arremesso;
Onde o silêncio cruza linhas
No pergaminho, papiro
Papel, visor…
As tuas regras são as minhas.

Mas se conspiro, então, mereço
Que digas que todo o romance é de amor.

quinta-feira, julho 11, 2013

COM AS PÉTALAS DA LÍNGUA (LUSA)   



Sílaba a sílaba te bebo
Néctar de veludo e carmim,
Seda melada, pele, cetim
Onde, e assim, nos concebo
Ato e intenção e voz de aedo
Fluindo pelos tempos sem fim…

Eu avaro, pedindo segredo; 
Tu, sôfrega, GRITANDO que SIM.


PRISÃO PERPÉTUA



Submisso acato teu querer:
Sei-me por nele perdido.
Mas, até onde a ordem valer,
Não há outro crer por querido.

Que nesse tronco de teu arco
Arqueado peito desferiu
O duplo golpe com que marco
O triunfo de cativo… – e sio!
  

TRIPLICE IDENTIDADE


Eu olho por ti,
Que olhas por ela
Que olha por ele
Que olha por nós.

E dessa janela
Ao ver-te me vi
Naquela e aquele…
Porque se temos
Voz, nunca somos
Unicamente sós. 


quarta-feira, julho 10, 2013

ÀS ENVILECIDAS FALAS



Não tendo outro mais que dizer-me
O velho mundo me disse que o mundo
Era velho e que, assim, dizia disforme
Sem conformar-se, querer de vagabundo
A acenar, beliscando verbos doídos…

Mas eu vivo num velho tão mais velho
Que ao velho profundo do mundo dou de relho,
Retorqui: «Isso é música pròs meus ouvidos!»


segunda-feira, junho 17, 2013

VONTADE GLOBAL

(a Galileu Galilei)

Creio ser de somenos este palpite
Que a terra não gira mais depressa
Por haver bravas e ruidosas ventanias…
Porém, fica-me bem que ainda acredite
Que toda a causa é visível, e promessa
Dos sentidos domarem a razão com manias.



Podia ser de outro modo? Podia, sim ;
E bem justo era que assim fosse, até
Por ser a hipótese um apetite, que a fé
Me trouxe, de ver como a terra roda sem mim.

domingo, junho 16, 2013

OLHAR NAVEGANTE


Quando conserto o olhar magoado
Pela verdura que vejo em frente,
Logo me vem ao sonho o estrado
Da ponte deste ao teu continente.

Que sentir não teme distâncias,
Nem se atém ao universo limitado
De um bem-querer cujas ânsias
Estejam sempre do mesmo lado…

Ora ele vem e vai; ora, vai e vem,
Baloiçando sobre ondas digitais,
Querendo tanto que seu querer bem
É um bem-quer de querer bem demais.



Ai!!!!!....



Sempre afeitos ao microfone
Ninguém lhes leva à palma
A pintar a situação visível
Com as cores do seu nome,
Esquecendo que a lusa alma
À verdade é bem sensível
E não quer ser enganada:

Que prà política ser credível
E defender a gente honrada,
Não deve ter seu dizível
No blá-blá que não diz nada!



OS PROJETOS ELABORAM-SE, NÃO SE ESPERAM



Viver é abrir,
Morrer é fechar;
Que saber sorrir
Acarreta amar.

Abrir é nascer
E omitir, acabar;
Quem sonha tem crer
E quer sem esperar.


sábado, junho 15, 2013

ESCREVER É ESCOLHER



Proveito e oportunidade
Estão ligados entre si:
Do primeiro, a utilidade
Com que a segunda devora
A prioridade no aqui
E agora, que é, do que li,
O que nunca deitei fora.

sexta-feira, junho 14, 2013

QUE AS RIMAS NOS SALVEM!



Digo tantas nadas(1)
Que ao algo desnoto;
E não fossem rimadas,
Tudo era bem pouco.



Ao vivente é dado
Esquecer mor lição,
Da que nasce ao lado,
Em pura ilusão…



(1)     Bagatelas, coisas nenhumas, ninharias, nonadas e inutilidades.

quinta-feira, junho 13, 2013

DE BRAÇO ERGUIDO – II



Nas famílias, perante o melhor gesto
Sempre há alguém a aprendê-lo por perto,
Que o futuro, quando se quer lesto
É um hoje a que o passado dá concerto.



Tudo o que somos já certamente foi
Um dia, em qualquer lado, ‘teve alguém
A fazer copy past do DNA se constrói
Assimilando-o, para vir a sê-lo noutrem.



O SUSTENIDO DO ECO



Há, na planície
Um silêncio assustado,
De quem a si mesmo disse
Ter de ir trabalhar noutro lado…

E ainda que ninguém o escute
Ou tenha por interrompido,
Eis que o olhar o repercute

Como um eco em sustenido. 
AS PESSOAS SÓ SONHAM SER… E DEPOIS SÃO.



Me enleias por abraço
Neste desassossego de alma,
Que o heterónimo é um traço
De quem se fez na própria palma.



Mais a de Ophélia o querer,
Conjugado num foi sequer,
Tendo o tampouco que tinha
Já que não há outra inha-inha
Da vida rainha, que nasceu pra ser
O verso numa linha de mulher.

(13.06.2013)

segunda-feira, junho 10, 2013

POBRE POETA (É O POVO)



Ao dia em que Camões morreu
Deram-lhe os “amigos” outro funeral:
Fizeram dele a efígie e o camafeu
Pràs comendas do “ilustre” Portugal.

De amargurada vida feneceu,
Mas após morte teve pedestal…
Até parece que o portuga nasceu
Só pra ser molestado e passar mal.

Porém, hoje vaticinam doutos sábios
Serem o valorizar do património
E a ruralidade, os novos astrolábios



Que vão tirar-nos deste Santantónio,
Desta Troika, por cujos finos lábios
Andamos todos neste pandemónio! 

sábado, maio 25, 2013

SABER ESCUTAR NÃO É DOENÇA



Com o enredo entre os dentes
Oscilo a cabeça num «não, não, obrigado!»,
Que para sermos todos diferentes
Ninguém precisa ser desarranjado.

Se estou muito bem como sou
Sem qualquer capricho ou mania,
Então, por que me hão de pôr nesse voo
Ao ninho dos cucos da patologia?

Loucura é ignorar, sermos indiferentes
A quantos mesmo ao nosso lado,
Com gestos inseguros e palavras reticentes,
Só pedem a atenção dum ouvido bem lavado…

A POESIA NÃO SE DIZ: DÁ-SE



Que o segredo do tempo está
No tempo guardado sem porta
Onde te espero, e de pronto já
Pra não me esconder do que exorta.



Na lapela, a pronúncia da fala
Trago como joia, pregão, crachá,
Pois muito pode quem não cala
O poema, que em vez de dizer, dá.

quinta-feira, maio 23, 2013


NASALANDO ME ALENTEJANO



Estirado na rede me alongo
E desenleio por leve balanço,
Como qualquer til em nu ditongo
Que por vão repasso ao descanso.



Atrevo-me a soletrar-lhe o gesto,
A pôr-lhe vincos de sílaba sã;
Porém, cada acento é só o resto
Do escoado caféii da manhã.



Tenho esse não-sei-quê de preguiça
Na fala desde que a letra me ocorre…  
Mas como detesto entrar na liça
Calo-me, e a pronúncia morre. 


quarta-feira, maio 01, 2013


QUEM PREDICA SE CONJUGA



Quanto pode um verbo que é predicado
Dum sujeito que se não sujeita aos jugos?
Mais que todos os complementos ao lado
Com seus lamentos, amuos e resmungos…



Todavia, se predica pode ser condenado:
Que os inocentes não lhe perdoarão jamais
Ficar de fora do pecado, sendo seus iguais!