A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

domingo, julho 14, 2013

FUI!


No pretérito perfeito de ser
Também estamos todos a ir,
Embora não se saiba bem para onde,
Que isso da gente viver
Por qualquer coisa é um partir...

A uns, porque deles a vida se esconde;
A outros, porque se meteram no bonde!



(Verbo SER – no pretérito perfeito: eu fui, tu foste, ele/ela foi; nós fomos, vós fostes, eles/elas foram.

Verbo IR – no pretérito perfeito: eu fui, tu foste, ele/ela foi; nós fomos, vós fostes, eles/elas foram.)
(H)ERA



Sobretudo por que quem escolhe
É escolhido também (quem ama),
Aquela que no tempo decorre
Fez da idade sua viva chama…

Pois que o tempo que a consome
Consumido é, no verbo do nome
Conforme o período que reclama.




(Hera – Deusa grega, filha de Cronos e de Reia, irmã e esposa de Zeus, mãe de Ares, de Hefesto, de Hebes e vários outros deuses, cujo caráter ciumento e vingativo a levou a perseguir as amantes de Zeus e seus filhos. Deusa protetora da família, do casamento e das mulheres, foi representada como uma matrona severa e majestosa, embora sempre jovem e sedutora. Em Roma foi identificada com Juno.

Era – Intervalo de tempo geológico correspondente a um eratema, ou a maior unidade convencional admitida comummente na hierarquia cronostratigráfica, e que em cronologia toma como como ponto de partida um acontecimento ou pessoa importante de quem recebe o nome, como se exemplifica na era hispânica, era cristã, era do mundo judaico, era de Bismark, etc.)  
PESSOAL E TRANSMISSÍVEL



No canto do quarto onde cresço
A pétala dos bites ilumina
A profundidade azul do começo
Em que o ser é e, na fala, germina.

E me esqueço, ressuscito e estremeço
Pronto prà lição que a vida ensina:
Que do vasto oceano onde me meço
Até à luz do querer que assim quer
É a ninfa a quem peço que seja mulher.

sábado, julho 13, 2013

NA FLOR, A CASA



Retrocede-me esta voz
Até à fala original,
Que é onde o eu se faz nós
Entre os lábios do plural.

E me diluo em carinho,
Em doçura me destilo,
Que a seda de teu ninho
É a sede do meu asilo.

PÉTALA DE BEM (TE QUERO)



Pagão é quem amputa e destrata,
Quem diz gostar e em vez disso mata
Embora o faça a mando superior…
Quem lapida, vergasta, oprime
E acha todo o sacrifício sublime
Desde que o façam em seu favor.

É quem desconhece que o amor
Não é capa, adereço maneirista,
Mas a entrega ao urgente alor
Que por bem-querer é conquista.


DO SUBJETIVO PLURAL



E como um asterisco luminoso
Sob o encantado sopro da brisa,
Eis-me vogando, amante cioso
Entretecido no silêncio que desliza
De pétala a flor, de dígito a giga
Num abraço entre gente amiga…



O verbo é breve; a intenção universal.
Mesmo que sobre ela haja quem diga
Que até nos coletivos é pessoal.

sexta-feira, julho 12, 2013

LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO



Nem todo o verso é versátil
Prò poema ser fluente,
Talqualmente os pombos deste continente
Em Istambul, que podem ir diariamente
À Ásia, mas não vão…

Para eles a ponte é inútil,
E preferem comer o milho do chão!

http://www.facebook.com/evolui.verde


DO QUERER PETRIFICADO  


Séculos e séculos de água,
Mas os olhos cegos da pedra
Sangram do tempo a mágoa
Dum querer que não medra…

Que todo o querer sem acreditar ser
É um não-querer envergonhado,
Omitido no verdete, a escorrer
Da pedra em que foi configurado.





INTRIGA NO ROMANCE



Neste jogo cujo progresso
Não carece de arma, tiro
Destreza, fuga ou arremesso;
Onde o silêncio cruza linhas
No pergaminho, papiro
Papel, visor…
As tuas regras são as minhas.

Mas se conspiro, então, mereço
Que digas que todo o romance é de amor.

quinta-feira, julho 11, 2013

COM AS PÉTALAS DA LÍNGUA (LUSA)   



Sílaba a sílaba te bebo
Néctar de veludo e carmim,
Seda melada, pele, cetim
Onde, e assim, nos concebo
Ato e intenção e voz de aedo
Fluindo pelos tempos sem fim…

Eu avaro, pedindo segredo; 
Tu, sôfrega, GRITANDO que SIM.


PRISÃO PERPÉTUA



Submisso acato teu querer:
Sei-me por nele perdido.
Mas, até onde a ordem valer,
Não há outro crer por querido.

Que nesse tronco de teu arco
Arqueado peito desferiu
O duplo golpe com que marco
O triunfo de cativo… – e sio!
  

TRIPLICE IDENTIDADE


Eu olho por ti,
Que olhas por ela
Que olha por ele
Que olha por nós.

E dessa janela
Ao ver-te me vi
Naquela e aquele…
Porque se temos
Voz, nunca somos
Unicamente sós. 


quarta-feira, julho 10, 2013

ÀS ENVILECIDAS FALAS



Não tendo outro mais que dizer-me
O velho mundo me disse que o mundo
Era velho e que, assim, dizia disforme
Sem conformar-se, querer de vagabundo
A acenar, beliscando verbos doídos…

Mas eu vivo num velho tão mais velho
Que ao velho profundo do mundo dou de relho,
Retorqui: «Isso é música pròs meus ouvidos!»


segunda-feira, junho 17, 2013

VONTADE GLOBAL

(a Galileu Galilei)

Creio ser de somenos este palpite
Que a terra não gira mais depressa
Por haver bravas e ruidosas ventanias…
Porém, fica-me bem que ainda acredite
Que toda a causa é visível, e promessa
Dos sentidos domarem a razão com manias.



Podia ser de outro modo? Podia, sim ;
E bem justo era que assim fosse, até
Por ser a hipótese um apetite, que a fé
Me trouxe, de ver como a terra roda sem mim.

domingo, junho 16, 2013

OLHAR NAVEGANTE


Quando conserto o olhar magoado
Pela verdura que vejo em frente,
Logo me vem ao sonho o estrado
Da ponte deste ao teu continente.

Que sentir não teme distâncias,
Nem se atém ao universo limitado
De um bem-querer cujas ânsias
Estejam sempre do mesmo lado…

Ora ele vem e vai; ora, vai e vem,
Baloiçando sobre ondas digitais,
Querendo tanto que seu querer bem
É um bem-quer de querer bem demais.



Ai!!!!!....



Sempre afeitos ao microfone
Ninguém lhes leva à palma
A pintar a situação visível
Com as cores do seu nome,
Esquecendo que a lusa alma
À verdade é bem sensível
E não quer ser enganada:

Que prà política ser credível
E defender a gente honrada,
Não deve ter seu dizível
No blá-blá que não diz nada!



OS PROJETOS ELABORAM-SE, NÃO SE ESPERAM



Viver é abrir,
Morrer é fechar;
Que saber sorrir
Acarreta amar.

Abrir é nascer
E omitir, acabar;
Quem sonha tem crer
E quer sem esperar.


sábado, junho 15, 2013

ESCREVER É ESCOLHER



Proveito e oportunidade
Estão ligados entre si:
Do primeiro, a utilidade
Com que a segunda devora
A prioridade no aqui
E agora, que é, do que li,
O que nunca deitei fora.

sexta-feira, junho 14, 2013

QUE AS RIMAS NOS SALVEM!



Digo tantas nadas(1)
Que ao algo desnoto;
E não fossem rimadas,
Tudo era bem pouco.



Ao vivente é dado
Esquecer mor lição,
Da que nasce ao lado,
Em pura ilusão…



(1)     Bagatelas, coisas nenhumas, ninharias, nonadas e inutilidades.

quinta-feira, junho 13, 2013

DE BRAÇO ERGUIDO – II



Nas famílias, perante o melhor gesto
Sempre há alguém a aprendê-lo por perto,
Que o futuro, quando se quer lesto
É um hoje a que o passado dá concerto.



Tudo o que somos já certamente foi
Um dia, em qualquer lado, ‘teve alguém
A fazer copy past do DNA se constrói
Assimilando-o, para vir a sê-lo noutrem.



O SUSTENIDO DO ECO



Há, na planície
Um silêncio assustado,
De quem a si mesmo disse
Ter de ir trabalhar noutro lado…

E ainda que ninguém o escute
Ou tenha por interrompido,
Eis que o olhar o repercute

Como um eco em sustenido. 
AS PESSOAS SÓ SONHAM SER… E DEPOIS SÃO.



Me enleias por abraço
Neste desassossego de alma,
Que o heterónimo é um traço
De quem se fez na própria palma.



Mais a de Ophélia o querer,
Conjugado num foi sequer,
Tendo o tampouco que tinha
Já que não há outra inha-inha
Da vida rainha, que nasceu pra ser
O verso numa linha de mulher.

(13.06.2013)

segunda-feira, junho 10, 2013

POBRE POETA (É O POVO)



Ao dia em que Camões morreu
Deram-lhe os “amigos” outro funeral:
Fizeram dele a efígie e o camafeu
Pràs comendas do “ilustre” Portugal.

De amargurada vida feneceu,
Mas após morte teve pedestal…
Até parece que o portuga nasceu
Só pra ser molestado e passar mal.

Porém, hoje vaticinam doutos sábios
Serem o valorizar do património
E a ruralidade, os novos astrolábios



Que vão tirar-nos deste Santantónio,
Desta Troika, por cujos finos lábios
Andamos todos neste pandemónio!