A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

domingo, junho 01, 2014

BAILIA CONJUGAL



Dançam na laçada do fio
Os olhos que a cor alinha,
E por demais a eles me alio
Jungindo tua alma na minha.

J Maria Castanho


(Imagem: Tapeçaria de Portalegre, segundo cartão de Guilherme Camarinha)
PROFUNDO ECO



Esta água já não é igual
À demais água que caiu do céu,
Pois canta ainda o madrigal
Da passada que sobre a ponte deu

Teu pé jungido pela sandália,
As vestes flanando sob a brisa,
E nos cabelos o lírio e a dália
A perfumarem a doce ecolália
Dessa ária que só o amor giza.


J Maria Castanho

sexta-feira, maio 30, 2014

PEQUENO TEMPLO



Sou pastor…
E tenho o chão por moradia.
Ela me protege do calor
Como também da noite fria.

Sou pastor…
E de noite apascento os sonhos,
Nados por uns olhos tamanhos
Feitos de terra e de maresia.


J Maria Castanho


quinta-feira, maio 29, 2014

COMEÇAR DO ZERO (OUTRA VEZ!)



Felizmente, o resultado eleitoral do partido cuja lista integrei para o Parlamento Europeu, foi muito pior do que aquele que eu estava à espera. Esse fato libertou-me de todo e qualquer compromisso que me ligasse ao dito partido – o POUS, Partido Operário de Unidade Socialista –, bem como com o eleitorado portalegrense, uma vez que preferiram INEQUIVOCAMENTE votar contra alguém ou alguma força apresentada a escrutínio, do que a favor da causa regional, de si mesmos, ou de alguém que com eles vive no dia-a-dia, comunga das dificuldades e anseios. Seria um mistério insolúvel se eu lhes desconhecesse as causas e preconceitos, ou as vísceras que os governam e parecem imperar sobre os tutanos... Mas não é o caso!

Portanto, apraz-me declarar que não repetirei a proeza de candidatar-me pelo POUS, nem de colaborar com qualquer publicação, em suporte-papel, que tenha a sua origem nesta terra por Baco plantada entre as serras e a planície, que da charneca em flor tão afastada atualmente se encontra. À primeira qualquer cai, à Segunda só quem quer, e à terceira apenas quem é asno. E eu nunca me perdoarei a asneira que cometi, que foi a de exercer os meus direitos de cidadão dentro da legalidade constitucional e democrática vigente, em observância aos conceitos da participação e cidadania, e no respeito pelos valores fundamentais que assistem à formação de uma Europa inclusiva, igualitária, emancipada, solidária, coesa, civilizada e desenvolvida. (Ou, supostamente, tudo isso!)

E não o faço por despeito, ajuste de contas ou simplesmente para racionalizar os péssimos resultados conseguidos. Faço-o porque sou JOAQUIM CASTANHO, nome que não herdei nem me foi dado, mas sim conquistei letrinha a letrinha dia a dia, mês a mês, ano após ano, com esforço e galhardia, de cara limpa, e sem jamais ter prejudicado ou molestado quem quer que fosse, de rosto erguido, frontal e em todo o lado, em transparência absoluta, e sem lhe omitir o mínimo noema ou fonema.


Joaquim Castanho  

quarta-feira, maio 28, 2014

SE TE NOMEIO, TE INVOCO – E CONVOCO



Adverso ao tempo o modo
Alinha este antanho de ser,
Cujo sentimento vai todo
Para aquela que me faz viver.

Digo-lhe pouco, bem sei, enfim
Se calado a beijo, distante.
Porém, ao vê-la, perco-me de mim;
E ao dizê-la, calo-me, adiante…


Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, maio 23, 2014



    Um, dois, três

      4, na casa 6.






    Um, dois, três

      4, na casa 6. 




domingo, maio 11, 2014

OPÇÃO    P.   O.   U.   S.



Porque é cada vez MAIS importante, que sejamos também cada vez MAIS europeus (DESENVOLVIDOS) em Portugal, e cada vez MAIS portugueses (INDEPENDENTES) na Europa, o P. O. U. S. – Partido Operário de Unidade Socialista, enquanto plataforma de diálogo, entendimento e consenso de todas as forças vivas da sociedade moderna, e globalizada, quer na esfera do relacionamento positivo, entre os trabalhadores e o tecido empresarial, e institucional, na legalidade democrática vigente, quer entre os cidadãos e os seus órgãos de representação e soberania, não se evitará a esforços para REFORÇAR, onde quer que esteja, a democracia, a sustentabilidade económica, social e natural, a consciência cívica, a melhoria da qualidade de vida, o bem-estar humano e animal, a biodiversidade, o equilíbrio do ecossistema e ecosfera, os ideais humanistas e humanitários da liberdade, igualdade e fraternidade, entre todos os homens e todas as mulheres do nosso povo, e dos demais povos das NAÇÕES SOBERANAS, que se pretendem, também cada vez MAIS LIVRES, e MAIS UNIDAS, e MAIS SOLIDÁRIAS, na nossa comum atualidade.  

Sobretudo porque o P. O. U. S. – Partido Operário de Unidade Socialista, é um partido ativo, e em constante atualização, na peugada dessa UNIÃO LIVRE DAS NAÇÕES SOBERANAS da EUROPA, que seja a EXPRESSÃO DIRETA, da vontade soberana e emancipada, responsável, e democrática, das suas instituições e povos, e uma autêntica ALTERNATIVA à UE das elites e jogos de poder, com que atualmente nos deparamos;  

Porque o P. O. U. S. é um partido plural, e polifónico, na senda de uma sociedade para todos os homens, e para todas as mulheres, onde o reconhecimento cultural, a dignidade, e a integridade da pessoa humana, e do seu ambiente, sejam invariavelmente observados;

Porque o P. O. U. S. está atento e promove o DESENVOLVIMENTO REGIONAL, como o DESENVOLVIMENTO NACIONAL, o DESENVOLVIMENTO EUROPEU, como o DESENVOLVIMENTO GLOBAL, veiculados pela gestão democrática da coisa pública e empresarial, e no respeito incontornável dos direitos, liberdades e garantias, que o movimento operário internacional tão esforçadamente conquistou;

E porque o P. O. U. S. é um partido aberto, motivado para a solução dos problemas da atualidade, renovado, e renascido das preocupações e anseios da gente, que connosco atravessa todos os dias, a mesma ponte do presente para o amanhã, criando e partilhando, pondo na prática quotidiana, tudo quanto muitos outros apenas contemplaram em teoria.


MAS PRINCIPALMENTE, porque o P. O. U. S. é a OPÇÃO, e não a alternativa.  

terça-feira, abril 29, 2014


SENHORA, PARTEM TÃO TRISTES

MEUS OLHOS POR VÓS, MEU BEM

 


Não sei se rio, se Douro

Neste carpir da saudade,

Que já os sonhos deste mouro

Moram agora noutra cidade…

 

J Maria Castanho

segunda-feira, abril 28, 2014


A ESPERANÇA REMANESCE SEMPRE QUE MAIO ACONTECE

 

 

Que fizeram de realmente notável os nossos políticos do establishment parlamentar português nos últimos 30 –  trinta!, curiosamente tantos quantos foram os dinheiros por que Judas vendeu o Mestre... –  de intensa e propalada atividade em prol da sociedade portuguesa aberta e para todos os homens e todas as mulheres? Esturraram as receitas dos impostos, o dinheiro que a União Europeia nos enviou para a convergência e AINDA contraíram substancial e nutrida dívida. Ou seja, fartaram-se de trabalhar, já que são precisos muito suor, sangue e lágrimas, para prejudicar tantos portugueses e portuguesas e tão pouco tempo.

Em consequência, pelo superlativo lusitano deste valoroso feito, devemos agradecer-lhe neste maio tão promissor como os demais maios que todos os anos se repetem, embora que dando-lhe um significado muito especial porque acarreta consigo o exercício da legalidade democrática que abril nos legou: exatamente, as eleições livres e por sufrágio universal para o Parlamento Europeu. E precisamente esse parlamento onde se poderão juntar os representantes eleitos pelos diversos povos europeus que não abdicam do seu direito de construir uma União Livre das Nações Soberanas da Europa, mobilizando-se em torno das conclusões da CONFERÊNCIA OPERÁRIA EUROPEIA de Paris, realizada em 1 e 2 de março p.p.

Sobretudo porque a esperança dos trabalhadores e trabalhadoras de todos os nossos países europeus (incluindo os que se veem a braços com a atual crise, como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, França, ... ) se fundamenta na sua própria capacidade de se aliar com as suas organizações, cuja independência é inalienável, de forma a abrir caminho na consolidação dessa Europa Livre e Soberana, que se quer cada vez mais justa, mais inclusiva, mais responsável, mais consciente, mais coesa, mais progressista, mais determinada, mais democrática, mais participativa, mais evoluída, mais humana, mais internacional, mais socialista, e menos elitista, menos tecnocrata, menos economicista, menos partidocrata, menos fundamentalista, menos exploradora e menos colonial, bem como menos dependente do grande capital, que apenas a vê como um bom e rentável negócio, onde o nível e qualidade de vida dos seus cidadãos não passa dum ato de compra e venda do qual pode recolher proveitosos resultados. E essa é uma decisão objetiva e incontornável que estamos dispostos a levar por diante, recorrendo a todos os meios legalmente estipulados, a fim de o conseguir.

 

   Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, residente e natural de Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

domingo, abril 27, 2014


NOTA DE GRATIDÃO

 


Podia-se enumerar aqui, tudo quanto os partidos políticos portugueses com assento na Assembleia da República fizeram em benefício da nossa gente, da nossa terra, da nossa cultura, porém acontece que aquilo que “eles” não fizeram nos prejudicou muito mais do que aquilo que “acham” ter feito, para nos ajudar todos e todas nós, nos últimos 32 anos de democracia que os 40 após abril propiciaram a Portugal, para superar com êxito as dificuldades anexas ao desenvolvimento, modernidade e globalização que obrigatoriamente temos que atravessar.

Deviam ter prescindido dos “comportamentos político-económicos de elevado risco para a sustentabilidade e estabilidade nacional – e não o fizeram.

Deviam ter aprofundado e reforçado a cidadania e a participação democrática, em vez de perseguir e tentar calar/omitir quantos e quantos alertassem para a gravidade das condutas partidárias e governamentais, que acrescentavam continuamente novas fragilidades às fragilidades de que já enfermávamos, e às dificuldades de convergência observáveis (até) à vista desarmada, sobejamente noticiadas e debatidas pelos mass media desde a década de 90, do século passado – e não o fizeram.

Deviam ter implantado uma reforma do Estado e o equilíbrio das contas públicas recorrendo ao know how disponibilizado pelos nossos ensinos superior e médio-superior, em vez do exportar como carne para canhão para as economias emergentes, ou assegurar a estabilidade e emprego “amparado” a clientela política com que rechearam o poder central e o poder local, quase invariavelmente sem as mínimas habilitações para o desempenho dos “cargos” atribuídos (por cunha e compadrio), como foi seu apanágio durante décadas e a ninguém deixou de ser claro – e não o fizeram. 

Deviam ter sido democratas e foram partidocratas. Deviam ter gerido a nossa pouca riqueza para criar mais riqueza, bem-estar e desenvolvimento, e menos assimetrias, mas em vez disso aumentaram as diferenças sociais e a miséria, destroçando a classe média, pondo-a ao nível dos que só podem contar com os rendimentos mínimos para sobreviver.

A democracia responsabiliza-nos. A democracia promove a nossa emancipação. A democracia torna-nos mais conscientes de nós mesmos acerca de nós, acerca dos outros, acerca do ambiente, acerca da natureza, acerca da história familiar e coletiva. A democracia antecipa-nos e projeta-nos na peugada de um futuro consistente e sustentável, plural e fraterno. Todavia, o que é que esses partidos que usufruíram das vantagens e patrocínios que abril lhes outorgou fizeram com os milhões a que tiveram direito para as suas campanhas eleitorais? Diminuíram-nos as hipóteses de justiça, dificultaram o acesso à saúde, à educação, à habitação e ao emprego; tornaram as nossas possibilidades de financiamento externo e interno mais estreitas e onerosas; fragilizaram a nossa economia e entorpeceram o dinamismo empresarial com subsídios para as não-produções. Embotaram-nos os sentidos e discernimento com retóricas perversas, cultivaram o dogma e a exclusividade, a cunha e o favorecimento de “eleitos e elegíveis”, corromperam os necessitados e adulteraram os princípios constitucionais de acordo com os interesses momentâneos e circunstanciais. Esbanjaram o dinheiro que veio da União Europeia mais o que recolheram dos nossos impostos. Venderam as empresas públicas que criavam mais-valias sociais. Instruíram os pequenos comércios e pequenas empresas na falência proveitosa. Forjaram ilusões. Argumentaram com corporativismos às lutas trabalhistas. Arregimentaram os intolerantes para a indiferença.

E aumentaram-nos o receio pelo amanhã, a insegurança no presente, descrédito pelo passado e a incerteza como meio de vida e sustento. E isso já os homens e mulheres pré-históricos tinham em  abundância e de sobejo.

 

Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, residente e natural de Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

sábado, abril 26, 2014

QUE MOTIVAÇÃO NOS SUBSCREVE?



Foi o 25 de Abril (de 1974) que nos devolveu a capacidade de escolher entre sofrer a realidade ou desfrutá-la, que nos tinha sido amputada durante a longa noite da ditadura corporativista, instaurada em Portugal, por Oliveira Salazar. Não vamos desperdiçar essa oportunidade em quezílias de somenos, nem em diatribes estratégicas daqueles, e de suas políticas, que nos levaram à crise atual, cujo fito é indesmentivelmente o de nos dividir para melhor nos manipular. Com o nosso declarado apoio, que se expressará nas urnas, nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, estaremos em consonância com as aspirações e anseios dos demais povos da União Europeia, nomeadamente com o povo francês, espanhol, italiano, grego e irlandês, que foram os que com maiores dificuldades se debateram para equilibrar as suas contas públicas e economia, e onde o desemprego, a precariedade, a incerteza no futuro e a austeridade maior miséria têm criado.
Não estaremos sós neste desígnio. O POUS (Partido Operário de Unidade Socialista, enquanto secção nacional da IV Internacional Socialista) e o MRMT (Movimento para a Retirada do Memorando da Troika), também manifestarão no dia 25 de Maio deste ano, a sua firme e determinada cooperação solidária com nossos povos, na construção das bases de uma União Livre de Nações Soberanas da Europa, que pautará a sua ação em Bruxelas pela defesa das liberdades, cidadania, igualdade e fraternidade de todos e todas sem exceção, quer sejamos crianças ou adultos, estudantes ou trabalhadores, artistas ou reformados.
Porque é essa a nossa maneira de agradecer com responsabilidade e consciência cívica, emancipação política e participação democrática, a soberania e liberdade que Abril nos devolveu, reforçou e ensinou.




Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, natural e residente em Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista. 

sábado, abril 12, 2014


O EREMITA
 
 
 

 

Escolho-me no pretérito da voz

E percorro-me com o olhar em longe,

Que o amanhecer é esse ontem de nós

Com que todos os futuros se tornam hoje.

 


sábado, abril 05, 2014

IR ALÉM DA LUZ



As belezas dos caminhos
São os pés que as fazem,
Lendo nas xaras, ninhos.
Mostrando os passos, agem.

E íngremes jamais serão
Se tiverem por objetivos
Os pés que os passos dão,
Sumas causas e motivos.
MUTAÇÕES E SOMBRAS



“A escrita, exterior ao dilema, é a «terceira arquitetura», multiplicação das operações de apresentação do inapresentável: experimentação, construção de cenários, de simulações, multiplicação das lentes, das fontes de luz, das velocidades, etc.”

Sob o reflexo do gesto inaudito desse «não» em chamas
Eis-te a revulsionar a memória esquecendo que me amas.
Tenho medo da morte, porém, perante esta tamanha sorte
Voto-lhe o desdém que merece quem o sul arrefece, aquece o norte
E põe nos olhos da consorte a escuridão profunda das lamas
Dos lodos, das poeiras radioativas e cinzas em que o globo fenece,
Alimenta a desgraça que grassa no oceano sujo e sem graça
E faz das revoltadas águas o resultado dessa humana trapaça
Que é hipotecar o futuro em nome dum presente mais seguro
Erguendo muro sobre muro e a paliçada da censura, contraforte
Fazendo-se vítima da violência semeada a aplicar justiça
Quando foi seu hediondo crime que a gerou nessa novel preguiça.

Estremecem-me os ossos até ao tutano e vacilo entre charnecas
Adulteradas, corrompidas, afastadas da bravura selvagem
Das crises por saldar naufragando pela pieguice das surrobecas
Negras lápides do saber e lamechice da sonsa malandragem.

Dizem produzir para criar emprego, renovando assim os remorsos
Pelo sacrifício de quantos por perigos e guerras esforçados
Se foram da lei da morte libertando, mas gastam em luxos onerosos
Os cobres anhos que nas serras fizeram seus brocados
Ao punho da enxada, aço puro desses hortelões valorosos
Que ainda lhes minam e corroem os espíritos mal exorcizados.


quarta-feira, abril 02, 2014


 


E sagrou-te plena de luz na aurora

Como quem acetina a atalaia alerta

Qu’estendendo olhar à planície do agora

“O mundo inteiro abarca e nada aperta.”

 


terça-feira, março 25, 2014


 

ESTRADA DA PRINCESA ENCANTADA

 
 
 

Cidadã do Aquém e demais eras

Essa que aqui caminhou entre bermas,

Montou o dorso de querubins e quimeras

Foi aroma de estevas e giestas ermas.

 

Jungiu o sabre, recolocou o diadema

E desabrochou rosa que ao vento se abre

Como a pétala doce e mansa dum poema.

 


sábado, março 22, 2014

A PRINCESA ENCONTRADA



Subi ao alto da Serra
A ver a Princesa Encantada,
Mas ela mudara de terra
Em demanda doutra morada…

Em pranto doído carpi
Essa tão cruel desilusão,
E inquiri às pedras por ti.

Respondeu-me o eco, então:
«Voltei prò teu coração
Que é o reino onde nasci!»

OLHAR 101 D



Os que não conseguem vislumbrar a princesa para além da pedra podem até ir mais longe, chegar ao alto da Serra, mas jamais enxergarão a realidade que Portalegre foi, é e será. Nem reconhecer o ser maravilhoso, encantador e genial que está sob essa essência biológica do feminino que a cada mulher encerra, no seu corpo sempre magnífico mas inconstante, sempre arrebatador mas em metamorfose, sempre belo mas variável em que sua alma se esconde. O ritmo de seu ansiar, o pulsar de seu querer, a fertilidade de seus gestos, entendimentos e palavras. Enfim, as suas preces de liquefazer toda a rigidez, todo o bloqueio e qualquer mágoa.
Assim falou o vento aos olhos que escutam a profundidade das alturas.

quinta-feira, março 20, 2014

MERENDA SERRANA



Na esfera do largo aberto
Onde se espraiam as vistas,
O maior erro parece certo
Se desmaia em março pleno…

E nessa luz me sento sereno
Foz e voz no percurso das pistas,
A comer o ar verde mas ameno
Que inspira quaisquer artistas.

SENTIMENTO E EMPATIA



Crasso intento me cabritou
Aos olhos esse dizer fulgente
É o intenso e denso e alto voo
De quem segue o sol constantemente…

E porque o tive sem o saber, porém,
É ele agora esse tu que em mim vive
Vivendo a viver-te como eu – também!

AI PORTALEGRE!



Me confirmo velho pleito
Bem à beira do caminho,
Que esta mata é o peito
Onde me nasceu o ninho.

domingo, março 16, 2014

IMPREVISÍVEL CONSEQUÊNCIA




Se os verbos me tivessem dito,
Mostrado alguma vez o teu jeito
De abrir os olhos como um grito
A dilacerar o escuro do peito,
Então, eu jamais te teria olhado
Da janela quando passaste
Nesse escrever profundo em mim
Dando-me o chão nu e magoado
Da ausência que nele deixaste
A escurecer-me de breu sem fim…

quarta-feira, março 12, 2014

QUADRA ESTREMUNHADA



Minha estrada somos nós
Como disse a madrugada,
Que cantou com a mesma voz
Da lua, ao ser acordada!

DA SILABADA CONDIÇÃO



Nas ruas quase desertas, ainda
Se escrevem poetas, pelas esquinas,
E quando a tarde, enfim, finda
Botam sobre a mesa seus tostões…

Porém, as sílabas, assassinas
Comem-lhos, rapaces, em refrões!



segunda-feira, março 10, 2014

(DES)MOTIVAÇÃO



Palimpsesto de nada,
Outra coisa nenhuma,
Deitou-se à beira da estrada
Como num colchão de espuma.

Teve o chamego do vento,
Sentiu o pulsar da viagem;
Mas, prà’travessar o momento,
Faltou-lhe AINDA coragem…

PRÉ-TEXTO



Digo assim coisas sem senso
Cuja lógica só eu vejo,
Mas o coração com que penso
Vai todo pra ti neste beijo.



QUILHA EM RISTE



Procura teu caminho
Diz pão se o souberes dizer
Amor se houver alguma luz
Acesa é a tua voz em mim.

Procura tua esperança
Escuta silêncio se sentires chão
Estende a casa de compridos olhos
Sobre a planície há janelas a sorrir.

Procura tua palavra
Afaga-a no gomo da língua
Rola-a como se fosse transparente
Tecido, luar na madrugada
Lengalenga murmurada a eito
Segando a dor, abrindo o peito.



BAFO D’EGO



Cada qual se diz urgente
Como uma lufada de ar,
Que no frio o morno é quente
E se muito, pode queimar.



ÁGUA FRESCA EM BILHA PURA,
QUEM A BEBE MELHOR SE CURA



Pedra branca é enfeite
Para o barro do coração,
E a água que aí se deite
Há de ter gosto de paixão…

Da que dura sendo mole
Como dita vero rifão,
Curando mais ela num gole
Que todo o ouro da ilusão.

BILHAS DE NISA



Água fresca e generosa
Que todas as sedes mata,
Sabe a pétalas de rosa
E dá voz à forma exata!