A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sábado, maio 14, 2016

POR ESSE ILUMINADO CICIO




POR ESSE ILUMINADO CICIO 


É esse o segredo que a alma segrega... 
Que sem tarde, nem cedo, 
O luar venha ledo,
Gritar essa a luz que nos agrega.
E então ela diga, e seja o que quer
Como mulher, menina, rapariga, 
Oráculo onde a primavera prega, 
Põe e dispõe, e assim venha, se vier, 
Numa pérola íntima... (e amiga).  
O seu sonho, minha bússola será
Imenso esse no balanço de nós, 
Irmã do mar, Vénus e Iemanjá, 
Que nos banha – e ata sem retrós... 
  
Lícita tessitura de entretecido brilho
Amar-te-ei como homem finito, 
Mas seguir-te-ei como um filho
Em teu trilho, até para lá do grito.  

Joaquim Castanho

ROTA, MAR E FROTA




ROTA, MAR E FROTA 

Quase oceano rimado
Quase rima, profundidade,
Busco teu rosto osculado 
Antes do princípio da tarde. 
Só tu és quem em mim existe, 
E após segundos contigo
Eis que fico todo o dia assim... 
Andam-me sois na intenção
Luas intensas como olhar, 
E um verbo em conjugação
Que chega quase a conjurar. 
E que conspira, que persiste
Que diz coisas que não digo, 
Que te vê como meio e fim – 
Caminho que traço e persigo! 

Joaquim Castanho  

sexta-feira, maio 13, 2016

SEXTA-FEIRA É COM X




SEXTA-FEIRA É COM X 


Tenh'um sorriso guardado
Mesmo à beirinha de mim, 
Só com os olhos escutado
Já estavam as compras no fim... 
Que quando vivemos de vez
Ou quando somos reais, 
Chegamos a sentir-nos reis
Entre hinos e odes triunfais. 
E somos aquela nota dez
Que nos transforma iguais, 
Contada no sistema de seis
Que é a avó dos decimais.  

Então, o sonho dita o lugar, 
Inventado para cada flor
Com verbo honesto e seguro – 
E sílabas vivas pràs regar
Com gotas simples de puro... ...! 

Joaquim Castanho

quinta-feira, maio 12, 2016

DLIM-DLÃO DE LUZ




DLIM-DLÃO DE LUZ


Tenho ritual de bem-querer
Que não doi, que não magoa; 
Noemas que nascem por te ver, 
Sílabas que meu olhar entoa... 
Oscilante pérola viva, 
Em dança d'eterno alento: 
Tem poemas por nobres pagens, 
Desde que também se sirva
Do viver cada momento
(Qu'enobrece ambas as margens
Do grande rio do sentimento.)

Tenho um ritual que te diz
Como se foras seu respirar, 
E marca dos sonhos à raiz 
Dum brinco – e na alma a brincar!  

Joaquim Castanho 

quarta-feira, maio 11, 2016

VEJO SIRENES EM FLOR

 
 
 
VEJO SIRENES EM FLOR


 

Brincam-m'os olhos urgentes

Com palavras em revoada,

Pardalitando plos teus

– E todos os tudos são nada

Perante os detalhes seus.

D'urgência mas não doentes,

Jogam raios, sem trovoada,

Escrevem caminhos plos céus

– Doces carinhos por estrada.

Brincam, pardalitam tão-só,

Já saltitando contentes,

Por nos apertarem num nó

De palavras... – tão urgentes!

Joaquim Castanho

quarta-feira, maio 04, 2016

SEMPRE É SEM PICOTADO




SEMPRE É SEM PICOTADO 

Ande eu por onde andar
Ou veja quem quer que seja, 
São teus olhos o meu lar, 
Teu olhar que meu deseja. 
Pare eu por onde parar
Ou esteja ond'esteja, 
Estou contigo a rimar
Sem dúvidas nem peleja. 
Que os verbos além de si
Conjugam-se por ti também,
E exigem que seja por ti
– Mas só em ti e mais ninguém. 

Exigência assaz cumprida
No sempre que dura a vida! 

Joaquim Castanho 

O TEU NOME


terça-feira, maio 03, 2016

PELO RIMAR REMAMOS




PELO RIMAR REMAMOS

Imprevista a voz na omissão
Pondera e supõe; todavia
Temos para cada ocasião
Uma fala que não porfia: 
Sugere de manso, que dizer
É já repetida exaustão – 
E perguntar aos olhos se querem ver
Seria omitir-lhes a própria função... 

No adro urbano, intemporal
Em que expetativas passeiam, 
Braço dado, aspiração plural, 
Romarias à porta, procissão
E banda, as gentes anseiam 
Mudar seguras, e gerir as incertezas
Com todas as cartas sobre as mesas.

Direito legítimo lhes assiste. 
Versos querem e não discursos. 
Que a razão com razão persiste
Prà'lém dos estigmas, tabus obtusos.   

Joaquim Castanho

segunda-feira, maio 02, 2016

O TEU NOME




O TEU NOME 

Nobre luz, nobre dia, nobre mês
Nobre amanhã... Tudo é nobre. 
Tudo é cor e sonho e magia
Tão simples que nos descobre
A cada hora em sintonia
À que te vi pla primeira vez. 

O mundo ganhara sentido
(Odor que excelsa flor exala)
Entre surpresa, e eu perdido
Só ouço – o íntimo que fala. 
Porque assim cuido ter tido
A cada dia esse maior cuidado
Ainda mais contigo que comigo, 
Dizendo teu nome mas calado,
Pra que não corresse perigo. 

Joaquim Castanho 

domingo, maio 01, 2016

VISÃO DE CELEBRAR(TE)




VISÃO DE CELEBRAR(TE)

Tenho um poema no olhar
Nascido de ti ao ver-te, 
Com verbos para conjugar, 
E saltitar no eu inerte. 
Trazem dias a reboque, 
Escrevem aves integrais, 
Liras que à flor convoque
Com o toque dos jograis. 

O infinito se lhe rende, 
Poesia culto lhe presta, 
E nisso o povo entende 
Amor co sonho defende,
Com a alma numa festa.  

Joaquim Castanho 

sábado, abril 30, 2016

NENHUM POEMA É TÃO BONITO COMO TU




NENHUM POEMA É TÃO BONITO COMO TU


Que sentido tem o sentido das coisas? 
Se a morte vem não tem sentido nenhum... 
Porém, entre lajes, túmulos e lousas 
Epitáfios floresceram de modo vário. 
O meu, ditará tão-só conforme isto:  
«Aqui jaz o poeta falhado», porquanto
Te fiz mais de mil poemas sem que algum
Fosse tão bonito como tu, e se existo
Outros mais de mil te farei plo encanto
A que me dou, rendo pleno, todo e tanto
Como se foras da vida tudo (e o contrário).  

O que serei e sou apenas de ti veio...  
E se poeta persigo aquela perfeição  
Que é fazer o poema de ímpar enleio
Que te traduza, então, sou só o meio
De executar quanto dita o coração. 

Joaquim Castanho 

DOCE ESPERA




DOCE ESPERA 

Mel de rosmaninho respirado
Em raros instantes, se fugazes, 
São o destino de meu cuidado, 
São os cuidados mais capazes. 
Tem a magia doce da poesia. 
Tem poesia de sublime doçura.
Tem a primavera de cada dia
Até pra lá da noite escura. 

E só esse mel é meu sustento, 
Que outro não conheço nem quero; 
E ainda que ele solte o tempo
Só doçura é, se por ti espero. 

Joaquim Castanho 

sexta-feira, abril 29, 2016

SÓ HÁ UMA VIDA




SÓ HÁ UMA VIDA 

E assim, repentinamente, 
Tudo passa a bater certo: 
O que acendia, é fulgente; 
O que só havia, fica perto.
Tenho teu rosto na mente;
Eu preso nele, ele liberto... 
Que todo poema é semente
Mesmo nas dunas do deserto. 
Desertos cheios de gente:
Esponjas que não apagam! 
Que a flor é pra quem sente, 
Não porque sentidos a tragam
Em tropel, ou de investida...  
É aspergir sonhos com o mel
De teus olhos, que são a vida! 

Joaquim Castanho 

quinta-feira, abril 28, 2016

SONS LUMINOSOS




SONS LUMINOSOS 

Tenho em minh'alma
O eco de tua voz:
Cinco dedos assim
Erguidos da palma, 
Pugnando por mim
Pugnando por nós. 

Acenam à vida 
– Não fazem adeus! –,
Secreta medida 
Do astro dos céus. 
E foi magia tua
Sei disso certeza, 
Que mulher e lua
São pérola ilesa.   

Joaquim Castanho 

FLOR DA CHARNECA E DA FAMÍLIA




FLOR DA CHARNECA E DA FAMÍLIA 

Nuvens brancas como navios em viagem
Armada volátil – no azul a imensidão! –  
Dançam entre estrofes, sopro, aragem
Erigindo sonhos, a poesia e a canção. 
Seu verbo é transparente na paisagem. 
Sua velocidade, medida de intenção... 
Levam cirros, nimbos e quinas na bagagem 
Prò êxito da lusitana navegação.  
A eternidade sagrou-as como suas. 
A íntima luz elegeu-as por brancura. 
São pérolas de vapor, quase luas
Que expressam a sensualidade pura. 
A mim disseram-me hoje quem és afinal:
Flor de cinco pétalas no céu de Portugal. 

Joaquim Castanho 

quarta-feira, abril 27, 2016

CANTO-TE DE COR




CANTO-TE DE COR 

Arredondo a letra
E enrolo a língua: 
Poesia espreita,
E sobra à míngua. 
O verso é menor
(Redondilha de luz), 
Traz recado de cor
E não bate truz-truz.
Apenas faz tantam 
– Batida perfeita! – 
S'ainda de manhã
A poesia espreita.  

Joaquim Castanho 



terça-feira, abril 26, 2016

INVOCAÇÃO E COTODIANO




INVOCAÇÃO E COTODIANO  


Percorro espaço e dia, e não te encontro... 
Todavia, eu continuo a fazer-te poemas
Nascidos com as planícies e outroras, 
Como se fossem outros tantos temas
Apenas vincados na semente das horas. 
Percorro espaço e dias, e não te encontro... 
Mas teus gestos, teus modos, habitam-me. 
São sempre o néctar, a uva, vivo mosto
Que me induz e conduz a esse certame 
Das mais sublimes divindades terrenas. 
Afã de serôdias ousadias, e insurretas
As vozes íntimas travam sútil batalha
Com a maledicência e ignorância, netas
Do ressentimento, ódio, e demais tralha
Que dita que quem não ama, só atrapalha. 

Então, só, convoco as divindades terrenas:
Peito aberto, eis-me aqui, honesta prontidão
Que as supremas paixões (embora amenas)
São brutais e ímpias tempestades no coração.  

Joaquim Castanho

segunda-feira, abril 25, 2016

CONTINUO A FAZER-TE POEMAS E NINGUÉM SABE


CONTINUO A FAZER-TE POEMAS E NINGUÉM SABE




CONTINUO A FAZER-TE POEMAS E NINGUÉM SABE 

Olho prà página em branco
E descortino nela o poema
O rosto, olhos, voz, cabelo, noema
Teus sem dúvida; estanco
Paro, que já era escrito 
Aí, só que sem aparo ou pena. 

O atrito, a nervura, o sulco
A imagem, o esquisso, o dito
E o não-dito são a margem e o fulcro
De um verbo que se estende contrito. 

Os poemas brotam das magias
Com que Musas entretecem os dias; 
Seus motivos motivados são
Sulcando o tempo, o modo, o chão
A terra brava da incerteza
As areias fugidias da lucidez, 
Com que o sonho semeia a natureza
Humana pràs cidades de Inês. 

Então, 
Os poemas florescem das magias
Com que as deusas entrançam os dias
Com motivos que determinados são,
Arroteando «sins» que soam a «não». 

E os pulsos abertos solares
Deixam fluir pretéritos futuros
Onde homens e mulheres dançam a pares
Entre áleas de flores em seus jardins
(Orquídeas, dálias, tulipas, rosas, jasmins)
Sem mondas, abates, podas nem muros. 

Joaquim Castanho 

domingo, abril 24, 2016

O POEMA MAIS-QUE-PERFEITO




O POEMA MAIS-QUE-PERFEITO

Tanto quanto o alento joga
E se enreda nas armadilhas, 
Voa a notícia, e anda em voga
Por um mar digital, milhas e milhas;
Todavia, não será tão assim 
Que a lucidez e metas se esvaem, 
Porquanto, só merece seu fim 
Querubim a quem as asas não caem. 
Nem os cadernos de negra capa, 
Que já trazem odes no interior; 
Abri-los, é Vénus quem destapa 
Véus entre películas em flor. 

Eu tenho um... que afagou tua mão...  
Toque simples que (naturalmente) 
Transformou uma vulgar transação
Num poema perfeito – e evidente!   

Joaquim Castanho