Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
quinta-feira, maio 26, 2016
PRECIOSIDADE ÍMPAR
PRECIOSIDADE ÍMPAR
Para que melhor possa vê-lo,
Que os sonhos ficam desse lado
Muito bem fechados – e com selo.
E prò validar, foi carimbado
Por leais rimas, com afeto e zelo
Que se exigem ao real sonhado,
Já que tê-lo é só defendê-lo,
Pra que não fique contrariado.
A esse sorriso, m'entrego também;
E mais nada peço nem preciso
Pra ver o universal indiviso,
Plural e conciso, que esse alguém
Tem, e que mesmo havendo igual
Não é igual ao de mais ninguém.
Joaquim Castanho
quarta-feira, maio 25, 2016
ALMAS EM SIMBIOSE (PERFEITA)
ALMAS EM SIMBIOSE (PERFEITA)
Na génese desta claridade
Cuja intenção é reincidente,
O destino tece, reconhece e faz
Diz, renova autenticidade,
Em cada sílaba diferente,
O dialeto misto que nos traz
À tona da multidão sem gente.
Então, nada pode a indif'rença
Se do querer é nascida crença
E aval prà realização concreta;
Que a alma jorra pura e intensa
E abraça, e estreita, e aperta
Na trança de seda que me acerta.
Joaquim Castanho
segunda-feira, maio 23, 2016
NA INSEGURANÇA DO INÉDITO
NA INSEGURANÇA DO INÉDITO
No exato esgrimir da sílaba alerta
O dizer percorreu corpo, verbo e voz
Que por sua é, era, e será, como certa
E determinada a ser quanto somos nós...
O seu pendor, e vocação, nos desperta
E mostra ainda tão plurais como sós;
Tão irreais como a matéria concreta,
Tão concretos na alucinação precisa,
Que o próprio corpo ao ser só avisa
Se estivermos atentos; qual profeta
Que apenas por encomenda profetisa...
E é nestas alturas, que a lua pode mais.
Que a sílaba aberta produz aberturas
Onde cada se fecha, esgrime punhais ,
E se agarra às passadas, por seguras.
Joaquim Castanho
domingo, maio 22, 2016
SENTIR É VIRGULAR
SENTIR É VIRGULAR
No pontuar assumido
Com que o verbo me tripula,
Andei pla noite perdido
Nessa sede que virgula
– E a vírgula no sentido.
Fui do lés a lés pla magia
Com encanto acoplado,
Até rever à luz do dia
Esse sinal que me teria
Tão-somente iluminado.
A visão gizara a rota
– Que já pra mim decidira! –
Pois os sonhos são frota,
Que traz ao leme uma lira.
Então, com todo o cuidado,
Perscrutei o teu ouvido,
A ver se sob o entrançado
A vírgula do meu sentido
'Tava no lugar indicado
– Conforme o sonho tido...
Não havia dúvida alguma:
A vírgula aí presente
Era só ela e mais nenhuma,
Como se fosse ponto assente
Dum pontuar assumido...
Plo que ficou de repente
A virgular-me o sentido!
Joaquim Castanho
sábado, maio 21, 2016
FLOR DAS BRISAS ESTIVAIS
FLOR DAS BRISAS ESTIVAIS
Alinhadas com precisão
No rigor da equidade
Vejo pétalas de condão
– Doces flores sem idade...
Seu labor é sua razão
(Ou responsabilidade)
Quase trigo, quase pão
Alfabeto da dimensão
Da beleza na verdade;
E reunião transversal
Na simplicidade eficaz
Com que a flor se faz plural
– Florid'amor, florida paz.
Joaquim Castanho
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SUTIL SAUDAÇÃO
SUTIL SAUDAÇÃO
Se a sombra tivesse forma
De dizer o que muito calo,
Seria lei, preceito, norma
D'estreitar o que é ralo;
Modo com que se transforma
O ser língua (por que falo)
Como luz que se entorna
Do saber – e cria calo.
Pequeno toque, solução
Elixir para amor total,
Tal e qual o olhar teu
Quando me deu a ilusão
De ser bênção vinda do céu...
– Num carinho sem igual.
Joaquim Castanho
sexta-feira, maio 20, 2016
PEQUENO É O VERBO PRA TÃO NOBRE SENTIR
PEQUENO É O VERBO PRA TÃO NOBRE SENTIR
Trago eu a ideia à solta,
E verbos por cujo alor
São colibris à sua volta.
Afloram destinos certos
Dando afeto, mansidão
Se pròs sentidos despertos
Entre gestos e condição.
E nesse tão seu frenesim
Como mil asas a bater
Polvilham pétalas em mim
– Sentidos que não sei dizer...
Joaquim Castanho
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quarta-feira, maio 18, 2016
(RE)PARO PARA CRER
(RE)PARO PARA CRER
Pendurei o meu sentido
Do verbo aveludado,
Desse avelã tão querido
Aos olhos de meu cuidado;
E o crer, só de querer estar
Nesse caminho medido,
Onde se encontra sentido
Para qualquer caminhar.
Co verb'assim pendurado
Ganha sentir no cuidado
Se o virmos refletido...
Avelã, fruto colhido
A reparar no teu olhar
– E querer ser teu reparar.
Joaquim Castanho
domingo, maio 15, 2016
Há mãos que dizem tudo
Há mãos que dizem tudo,
Que tocam como quem pensa,
Cuja polpa é veludo
E cor de ternura imensa.
São mãos que emprestam luz
Aos dias mais soturnos,
Modelando o que nos conduz
Entre espectros diurnos...
Eu conheço umas mãos assim
A escrever no ser profundo,
Com lavanda, e com jasmim,
Os cinco cantos do mundo.
Joaquim Castanho
sábado, maio 14, 2016
POR ESSE ILUMINADO CICIO
POR ESSE ILUMINADO CICIO
É esse o segredo que a alma segrega...
Que sem tarde, nem cedo,
O luar venha ledo,
Gritar essa a luz que nos agrega.
E então ela diga, e seja o que quer
Como mulher, menina, rapariga,
Oráculo onde a primavera prega,
Põe e dispõe, e assim venha, se vier,
Numa pérola íntima... (e amiga).
O seu sonho, minha bússola será
Imenso esse no balanço de nós,
Irmã do mar, Vénus e Iemanjá,
Que nos banha – e ata sem retrós...
Lícita tessitura de entretecido brilho
Amar-te-ei como homem finito,
Mas seguir-te-ei como um filho
Em teu trilho, até para lá do grito.
Joaquim Castanho
ROTA, MAR E FROTA
ROTA, MAR E FROTA
Quase oceano rimado
Quase rima, profundidade,
Busco teu rosto osculado
Antes do princípio da tarde.
Só tu és quem em mim existe,
E após segundos contigo
Eis que fico todo o dia assim...
Andam-me sois na intenção
Luas intensas como olhar,
E um verbo em conjugação
Que chega quase a conjurar.
E que conspira, que persiste
Que diz coisas que não digo,
Que te vê como meio e fim –
Caminho que traço e persigo!
Joaquim Castanho
sexta-feira, maio 13, 2016
SEXTA-FEIRA É COM X
SEXTA-FEIRA É COM X
Tenh'um sorriso guardado
Mesmo à beirinha de mim,
Só com os olhos escutado
Já estavam as compras no fim...
Que quando vivemos de vez
Ou quando somos reais,
Chegamos a sentir-nos reis
Entre hinos e odes triunfais.
E somos aquela nota dez
Que nos transforma iguais,
Contada no sistema de seis
Que é a avó dos decimais.
Então, o sonho dita o lugar,
Inventado para cada flor
Com verbo honesto e seguro –
E sílabas vivas pràs regar
Com gotas simples de puro... ...!
Joaquim Castanho
quinta-feira, maio 12, 2016
DLIM-DLÃO DE LUZ
DLIM-DLÃO DE LUZ
Tenho ritual de bem-querer
Que não doi, que não magoa;
Noemas que nascem por te ver,
Sílabas que meu olhar entoa...
Oscilante pérola viva,
Em dança d'eterno alento:
Tem poemas por nobres pagens,
Desde que também se sirva
Do viver cada momento
(Qu'enobrece ambas as margens
Do grande rio do sentimento.)
Tenho um ritual que te diz
Como se foras seu respirar,
E marca dos sonhos à raiz
Dum brinco – e na alma a brincar!
Joaquim Castanho
quarta-feira, maio 11, 2016
VEJO SIRENES EM FLOR
VEJO SIRENES EM FLOR
Brincam-m'os olhos urgentes
Com palavras em revoada,
Pardalitando plos teus
– E todos os tudos são nada
Perante os detalhes seus.
D'urgência mas não doentes,
Jogam raios, sem trovoada,
Escrevem caminhos plos céus
– Doces carinhos por estrada.
Brincam, pardalitam tão-só,
Já saltitando contentes,
Por nos apertarem num nó
De palavras... – tão urgentes!
Joaquim Castanho
quarta-feira, maio 04, 2016
SEMPRE É SEM PICOTADO
SEMPRE É SEM PICOTADO
Ande eu por onde andar
Ou veja quem quer que seja,
São teus olhos o meu lar,
Teu olhar que meu deseja.
Pare eu por onde parar
Ou esteja ond'esteja,
Estou contigo a rimar
Sem dúvidas nem peleja.
Que os verbos além de si
Conjugam-se por ti também,
E exigem que seja por ti
– Mas só em ti e mais ninguém.
Exigência assaz cumprida
No sempre que dura a vida!
Joaquim Castanho
O TEU NOME
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terça-feira, maio 03, 2016
PELO RIMAR REMAMOS
PELO RIMAR REMAMOS
Imprevista a voz na omissão
Pondera e supõe; todavia
Temos para cada ocasião
Uma fala que não porfia:
Sugere de manso, que dizer
É já repetida exaustão –
E perguntar aos olhos se querem ver
Seria omitir-lhes a própria função...
No adro urbano, intemporal
Em que expetativas passeiam,
Braço dado, aspiração plural,
Romarias à porta, procissão
E banda, as gentes anseiam
Mudar seguras, e gerir as incertezas
Com todas as cartas sobre as mesas.
Direito legítimo lhes assiste.
Versos querem e não discursos.
Que a razão com razão persiste
Prà'lém dos estigmas, tabus obtusos.
Joaquim Castanho
segunda-feira, maio 02, 2016
O TEU NOME
O TEU NOME
Nobre amanhã... Tudo é nobre.
Tudo é cor e sonho e magia
Tão simples que nos descobre
A cada hora em sintonia
À que te vi pla primeira vez.
O mundo ganhara sentido
(Odor que excelsa flor exala)
Entre surpresa, e eu perdido
Só ouço – o íntimo que fala.
Porque assim cuido ter tido
A cada dia esse maior cuidado
Ainda mais contigo que comigo,
Dizendo teu nome mas calado,
Pra que não corresse perigo.
Joaquim Castanho
domingo, maio 01, 2016
VISÃO DE CELEBRAR(TE)
VISÃO DE CELEBRAR(TE)
Tenho um poema no olhar
Nascido de ti ao ver-te,
Com verbos para conjugar,
E saltitar no eu inerte.
Trazem dias a reboque,
Escrevem aves integrais,
Liras que à flor convoque
Com o toque dos jograis.
O infinito se lhe rende,
Poesia culto lhe presta,
E nisso o povo entende
Amor co sonho defende,
Com a alma numa festa.
Joaquim Castanho
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