Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
quinta-feira, julho 11, 2013
quarta-feira, julho 10, 2013
ÀS ENVILECIDAS
FALAS
Não tendo
outro mais que dizer-me
O velho
mundo me disse que o mundo
Era velho
e que, assim, dizia disforme
Sem conformar-se,
querer de vagabundo
A acenar,
beliscando verbos doídos…
Mas eu
vivo num velho tão mais velho
Que ao
velho profundo do mundo dou de relho,
Retorqui:
«Isso é música pròs meus ouvidos!»
segunda-feira, junho 17, 2013
VONTADE GLOBAL
(a Galileu Galilei)
Creio ser de somenos este palpite
Que a terra não gira mais depressa
Por haver bravas e ruidosas ventanias…
Porém, fica-me bem que ainda acredite
Que toda a causa é visível, e promessa
Dos sentidos domarem a razão com manias.
Podia ser de outro modo? Podia, sim ;
E bem justo era que assim fosse, até
Por ser a hipótese um apetite, que a fé
Me trouxe, de ver como a terra roda sem mim.
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domingo, junho 16, 2013
OLHAR NAVEGANTE
Quando conserto o olhar magoado
Pela verdura que vejo em frente,
Logo me vem ao sonho o estrado
Da ponte deste ao teu continente.
Que sentir não teme distâncias,
Nem se atém ao universo limitado
De um bem-querer cujas ânsias
Estejam sempre do mesmo lado…
Ora ele vem e vai; ora, vai e vem,
Baloiçando sobre ondas digitais,
Querendo tanto que seu querer bem
É um bem-quer de querer bem demais.
Ai!!!!!....
Sempre afeitos ao microfone
Ninguém lhes leva à palma
A pintar a situação visível
Com as cores do seu nome,
Esquecendo que a lusa alma
À verdade é bem sensível
E não quer ser enganada:
Que prà política ser credível
E defender a gente honrada,
Não deve ter seu dizível
No blá-blá que não diz nada!
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sexta-feira, junho 14, 2013
quinta-feira, junho 13, 2013
DE BRAÇO ERGUIDO – II
Nas famílias, perante o melhor gesto
Sempre há alguém a aprendê-lo por perto,
Que o futuro, quando se quer lesto
É um hoje a que o passado dá concerto.
Tudo o que somos já certamente foi
Um dia, em qualquer lado, ‘teve alguém
A fazer copy past do DNA se constrói
Assimilando-o, para vir a sê-lo noutrem.
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AS PESSOAS SÓ SONHAM SER… E DEPOIS SÃO.
Me enleias por abraço
Neste desassossego de alma,
Que o heterónimo é um traço
De quem se fez na própria palma.
Mais a de Ophélia o querer,
Conjugado num foi sequer,
Tendo o tampouco que tinha
Já que não há outra inha-inha
Da vida rainha, que nasceu pra ser
O verso numa linha de mulher.
(13.06.2013)
segunda-feira, junho 10, 2013
POBRE
POETA (É O POVO)
Ao
dia em que Camões morreu
Deram-lhe
os “amigos” outro funeral:
Fizeram
dele a efígie e o camafeu
Pràs
comendas do “ilustre” Portugal.
De
amargurada vida feneceu,
Mas
após morte teve pedestal…
Até
parece que o portuga nasceu
Só
pra ser molestado e passar mal.
Porém,
hoje vaticinam doutos sábios
Serem
o valorizar do património
E
a ruralidade, os novos astrolábios
Que
vão tirar-nos deste Santantónio,
Desta
Troika, por cujos finos lábios
Andamos todos neste pandemónio! sábado, maio 25, 2013
SABER ESCUTAR NÃO É
DOENÇA
Com o enredo entre
os dentes
Oscilo a cabeça num
«não, não, obrigado!»,
Que para sermos
todos diferentes
Ninguém precisa ser
desarranjado.
Se estou muito bem
como sou
Sem qualquer
capricho ou mania,
Então, por que me hão
de pôr nesse voo
Ao ninho dos cucos
da patologia?
Loucura é ignorar, sermos
indiferentes
A quantos mesmo ao
nosso lado,
Com gestos inseguros
e palavras reticentes,
Só pedem a atenção
dum ouvido bem lavado…
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quinta-feira, maio 23, 2013
NASALANDO ME ALENTEJANO
Estirado na rede me alongo
E desenleio por leve balanço,
Como qualquer til em nu ditongo
Que por vão repasso ao descanso.
Atrevo-me a soletrar-lhe o gesto,
A pôr-lhe vincos de sílaba sã;
Porém, cada acento é só o resto
Do escoado caféii da manhã.
Tenho esse não-sei-quê de preguiça
Na fala desde que a letra me ocorre…
Mas como detesto entrar na liça
Calo-me, e a pronúncia morre.
quarta-feira, maio 01, 2013
QUEM PREDICA SE CONJUGA
Quanto pode um verbo que é predicado
Dum sujeito que se não sujeita aos jugos?
Mais que todos os complementos ao lado
Com seus lamentos, amuos e resmungos…
Todavia, se predica pode ser condenado:
Que os inocentes não lhe perdoarão jamais
Ficar de fora do pecado, sendo seus iguais!
sábado, março 30, 2013
NOTURNO
VOO VERTICAL
Quão
espessa a tessitura da noite
Se
mais que o silêncio a entreteça,
Ainda
embora o peito sôfrego acoite
Esse
abraço que só a distância terça…
Mas a
voz desce ao fado, tange-o
Melancólico
ao dedilhar das ondas;
E o
barco do destino, por contágio
Balança
o ser em repetidas rondas.
Circulares
e centrífugas todas elas
Numa
espiral em contraluz cerzida,
Se a
ternura solta ao vento as velas
Para
receber e doar a própria vida!
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quinta-feira, março 28, 2013
NATAL
DA ÁRVORE
Na alameda
dos troncos cinzentos
Aconteceu,
hoje, grande novidade:
Havia um
deles com oito rebentos
Do verde
translúcido da claridade.
Uns cinco,
vieram sós, espalhados
Aqui e
ali, como quem espera alguém;
Dois,
fizeram logo par, enamorados
A espreitar
o pequenino, mais além
Que sob
os musgos d’água saturados
Arriscava
vingar e afirmar-se também.
Eu passei,
ambos sorriram para mim…
E ao
ver, como no pequeno reparei
Na
brisa tremeram, dizendo que «sim».
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