A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sábado, março 21, 2015

NA ÁRVORE DOS DIAS




NA ÁRVORE DOS DIAS


As árvores inventaram a cor
Só para pintar a paisagem;
E fizeram-no com tanto amor,
Que o amor deixou de ser miragem.

E, na primavera, Ele é muito mais real…
Umas vezes, recata-se na espera;
Outras, torna-se arranjo floral,
Para enfeitar a ecosfera:
A mesa, o quarto, a sala – e o quintal!


J Maria Castanho

sexta-feira, março 20, 2015

INSCREVO-TE NO CÉU




Inscrevo-te no céu
Como um traço…

Pincelada no véu
Escuro – do espaço.

J Maria Castanho
  

SOB A CONCISA LUZ DO SER





SOB A CONCISA LUZ DO SER

Dança-me na alma a luminosidade,
O voo dos fios fulgentes, solares
Aos quais até a própria verdade
Sucumbe ante os sorrisos ímpares
Raios, que raiam o para lá do lá
Nessa dança de luz, de verbo, de cor
Símbolos que só o coração sabe ler,
Odes milenares no seio da imensidão
Dos dias que lhe desenham o fulgor,
E os versos singulares desse querer
Que se diz crendo em puro fervor…

E nisso eu creio, e sonho, e me inclino
Devoto rendido de teu sorriso,
Qual luz que nos celebra, e lá do cimo
Nos fita e enleia o ser exato e conciso.


J Maria Castanho 

quinta-feira, março 19, 2015

OS DEBRUNS DAS HORAS IMPREVISTAS




Sempre que ponho debruns nas horas previstas
E predicados em sujeitos desirmanados
Eis que as árvores me fornecem pistas
De leituras, para todos os cantos magoados…

J Maria Castanho

DIGO ALMA, LUZ, SINAL




Digo alma, luz, sinal;
Digo olhos d’avelã e mel…
Que viver só tem plural
De poema, cuja tinta
A pena engana e finta
Com o sangue e o cinzel.


J Maria Castanho

SILÊNCIO, PALAVRA PERIGOSA




Silêncio, palavra perigosa
Que o recatado remanso tem,
Pelo tanto que é respirar de rosa
Como pela sentida falta d’alguém…

J Maria Castanho



quarta-feira, março 18, 2015

SUBLINHO O QUE DIZES






SUBLINHO O QUE DIZES

Que na linha deste sonhar
Em que o horizonte se põe,
Trago a doçura do olhar
Daquela que será mãe
Dos rebentos primaveris,
Das estrelas do amanhã,
Das flores que a vida quis
Entretecer com sua lã.

É um destino, mito também
Que aqui fica conjugado,
Já que todo o olhar sabe bem
Sublinhar no conversado.


J Maria Castanho 

LIKES IDOS




LIKES IDOS

Semeei “likes” ao reguinho
Mas não me valeu o saber,
Que o teu olhar de carinho
Ainda me não foi dado ver…

J Maria Castanho
  

terça-feira, março 17, 2015

in ESTAS FRONDES




in ESTAS FRONDES

Me diluo pelas sombras chãs
Dessas estrofes em que espraio
Esses hoje d’acender amanhãs,
Planícies de grito e desmaio
Da terra que nutre e inspira
Toda árvore que o céu prefira…

E aí, como quem apenas quer dizer
Calo-me reticente, e enfim
Esmero cuidados pra trazer
Teus olhos comigo – e só pra mim!


J Maria Castanho  

segunda-feira, março 16, 2015

POEMA BIODEGRADÁVEL




POEMA BIODEGRADÁVEL

Murmuram auroras, perto e distantes,
Que o sonho desconhece quilómetros
Nem se teme por lonjuras, mas antes
É topógrafo de mapas culturais
Sem astrolábios nem cronómetros,
Sequer estatísticas, pontos cardeais.

Porque em ritmo de tantã sustenido
E métrica rude, fórceps na rima,
Tem sustentabilidade e sentido
Sem causar nenhuma alteração no clima.

É verbo d’oxigenar mares abertos
Na plástica d’ansiares desgarrados,
Que onde os seres vivos, mas despertos
Acendem o querer são do ser, vão dizer
De todas as maneiras, e por todos os lados.


J Maria Castanho

domingo, março 15, 2015

A REALIZAÇÃO HUMANA DA HUMANIDADE





A realização humana da humanidade
Inscreve os sonhos de toda a gente
Num palmo de horizonte fulgente
Como se fosse da cor de nossa idade…

Depois, vem a noite de mansinho
E esquecemos anos, meses, dias… Fica só carinho!


J Maria Castanho

LUSCO-FUSCO EM COMUNHÃO




LUSCO-FUSCO EM COMUNHÃO

Acende-se o verbo na luz final,
Pede-se lume à escuridão,
Entoa-se o dia em clave plural,
Reparte-se o pão, empresta-se o sal…

J Maria Castanho

sábado, março 14, 2015

CONGEMINAÇÃO PRIMAVERIL




CONGEMINAÇÃO PRIMAVERIL

No crer, nenhum gesto nos diz
Como se fôssemos inauditos,
Porque das pétalas à raiz
Até a seiva cala os gritos…


J Maria Castanho  

SONHO DE ACONTECER ACONTECENDO




SONHO DE ACONTECER ACONTECENDO

Abre-se entre as pétalas
A magia de uma alma
Que às flores a nobre palma
Instruiu, no apelo e no segredo;
E a sua ânsia é qualidade,
Qual enseada sem o penedo
Abrupto e vil da saudade…

Abre-se a pétala do ventre,
Flor de crer na cor e querendo,
Que o sonho lhe mora entre
Num pedido… E acontecendo!


J Maria Castanho

sexta-feira, março 13, 2015

QUEM ME DERA NÃO TER VOZ




Quem me dera não ter voz
Se me perguntam assim
Coisas que falam de nós
Nas vozes que falam de mim

J Maria Castanho

OUVI CANTAR A SOLIDÃO




Ouvi cantar a solidão
Mesmo à beira da janela…
Fui ver: era um pobre tendilhão
Que me perguntava por ela!


J maria Castanho

TÉNUE E TÍMIDO LUAR





TÉNUE E TÍMIDO LUAR

Rendida a voz que da lua espreita
O níveo brilho acalenta a vida;
Assim é o fulgor que teu olhar deita
Ante essa luz da manhã prevenida,
Já que o sonho habita a leda voz
No seu grafitar profundo em nós,
Estes traços a giz em lousa partida.

E o verbo puxa-lhe fogo estival.
Ensina-lhe o esgrimir azul da fala.
Pisa os calos à serôdia moral
Que, tardia, quer revelar mas cala;
Capitula, baixa os braços tensos
Amarfanhando suas fraldas e lenços
Nos soslaios que o silêncio exala.


J Maria Castanho

quinta-feira, março 12, 2015

NUNCA SOU EU QUEM ME DIGO



Nunca sou eu quem me digo…
É a alma que o faz sem fim;
Por isso, o amor que persigo
Também me persegue a mim.


J Maria Castanho

IMPÉRIO INESPERADO




IMPÉRIO INESPERADO


Inesperadamente o dia sorriu-me
Como se fosse o primeiro dia dos dias,
Depois borboletou-me a alma conforme
O avelã matinal me quis crer que querias…

Minha vontade é nula perante a tua,
E logo o dia me nebula o céu assim
Com que pé ante pé vou do chão à lua
Sem, nem sequer, ter eu passado por mim.


E nesse salto brusco por que ofusco,
Elipse inesperada, extensão da alma
Se me busco, só teu dizer é augusto
E imperativo império que me acalma.

J Maria Castanho

terça-feira, março 10, 2015

TUDO NA VIDA




Tudo na vida é passagem
Entre um estádio e outro;
E pétala rosa,  folhagem
Viram chão…  – tapete morto.

J Maria Castanho