A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

segunda-feira, junho 23, 2014

DESPERTAR SILENTE



Sopro o mansinho da névoa,
Apago as defesas sólidas à liquidez do verbo,
Desço degrau a degrau a muralha de nuvens
Que a sinuosidade das horas me construiu em volta,
Qual cintura de silêncio onde a manhã me habita.

Tenho sempre extensões prontas pràs metonímias da luz
Das quais me socorro como de óculos escuros, fumados
Os teledentritos da expetativa são caminhos entre complementos
Numa oração intrinsecamente devota às vestais
Nunca à deusa mas a quem a serve singela e livre
Desvendando a nudez inominável dos nomes
Desfechando o arco do corpo no orgasmo do grito.

Tenho sede de tua fome quando só o abraço a sacia
Porém procuro-te ainda no veludo melaço dos figos maduros
Seda suculenta sob a língua bárbara ante o império da pele
Que poro a poro é descoberta a luziluzir no algodão matinal
Encastelado de espera sobre espera em direção à elevada profundidade
– O ser nuclear jogando fora as cascas oxidadas do ontem.

domingo, junho 22, 2014

ME DEMORO NO LÚDICO LODO



Apologista do incomparável, ou não, trago
A trago a paisagem me embriaga
O olhar como um néctar contagiante,
E escrevem-me sonetos verdes
Outros debruns rendilhados,
Quais rameados arcaicos de sublinhar azuis.

Porém, ainda nada sei de cor
E só pela execução do sorriso afago
Se pinto nenúfares nos pauis
Cuja ânsia, movediça e inconstante,
Sobre o instante desce a adaga
Da língua que soletra como afaga
Toda a distância entre menor e maior…

Porque nada me suspende aí, agora
Onde me atolo no lodo da ilusão que demora.


J Maria Castanho 
ASPIRAÇÃO AXIOMÁTICA



Me aboboro até aos genes ancestrais
Nesse licor que me escorre e também me destila
Qual língua cujo nome me consome
E greta e esfarela na moída argila
Do tempo que apenas regressa nos murais
Das cavernas em rupestre que só diz quando exila…

Porque estreita é a margem da poesia,
Várzea fugaz a ladear o rio do momento,
Cercadura barroca para a gótica letargia
Das tempestades em perpetuação do movimento
Que nunca foi, luz suspensa da noite sem dia.


J Maria Castanho

domingo, junho 15, 2014

DA LUCIDEZ DO AMOR



Quem mais terá dito, assim
Que o verbo não se demora
No paleio à beira do fim
Com o minuto maior que a hora?

Por mim o creio, se comigo estás
No inteiro desse segundo
Que é o sonho, quando nos traz,
Bem prò meio da realidade do mundo.


J Maria Castanho

sábado, junho 14, 2014

RUMORES



São como hinos, as mãos silenciosas
Nos gestos precisos e exatos,
Das feirantes de artesanatos
Que capricham, capricham
Sem, porém, serem caprichosas.

Replicam, consertam, e recriam
Como quem executa pura magia,
Se cerzem uma simples meia…
E nesse cerzir de falas cuidadosas
Tecem e entretecem a melodia
Das aranhas apanhadas na teia.


J Maria Castanho
UPA!



Limpa bem os pés,
Se vais partir.
E cuidado com quem deixas para trás…

É que, quando o futuro surgir
Na curva estreita sem cores nem fés,
Ele pode esquecer-se de quem és
– Ou de como estás.


J Maria Castanho

sexta-feira, junho 13, 2014

DA DIMENSÃO E ORIGEM DO UNIVERSO



Sabes, no mundo, os mundos são ainda muitos mais
Do que todos quantos são aqueles que já conhecemos,
Em que há sempre mais um por cada um dos animais,
Incluindo todos os homens e mulheres – pelo menos!


                                                                             J Maria Castanho
SINGULARIDADES DO CANETO



À noite, no serralho, as garinas
Como quem não dava pela cousa,
Gizavam figurinhas, tão candidinhas
Que até faziam corar a lousa.


J Maria Castanho
SER INTEGRAL



A farinha desse trigo
Que o tempo tanto moeu,
Trará ainda consigo
Esse farelo que sou eu…

Sonhador de longo curso,
Cavaleiro sem cavalo,
Pirata, escriba, corso
E maré no intervalo

Entre uma vaga e outra vaga
Que acerta sempre em cheio,
Da espiga moída que traga
O Mar da Palha bem no meio.


J Maria Castanho

terça-feira, junho 10, 2014



BACO E PORTUS ALACER

Rouxinol de vinho tinto
Só canta de alma cheia,
Tal e qual eu me sinto
Inda-bem-não, volta e meia!


J Maria Castanho


LUZ DA TARDE

O luar da tarde, é pequenino
E mal se nota no azul do céu
A lua, cujo brilho é destino
De entretecer o destino meu…

Joaquim Castanho



NO ENCLAVE DAS VOZES

Essa ária que o futuro entoa
Em vozes de muito sotaque
Dão ao afeto o brilho que soa
Na clave dum sol que bem as trate…


J Maria Castanho

quinta-feira, junho 05, 2014

VESPERTINA PRECE



Que o quarto-crescente entre
Pla janela do quarto e construa,
Tão lesto como imediatamente,
Sobre a cama tua silhueta nua…

Que o quarto-crescente diga
De repente teus lábios abertos,
E sopre as areias da fadiga
Prà imensa ilusão dos desertos.


J Maria Castanho

domingo, junho 01, 2014


BAILIA CONJUGAL



Dançam na laçada do fio
Os olhos que a cor alinha,
E por demais a eles me alio
Jungindo tua alma na minha.

J Maria Castanho


(Imagem: Tapeçaria de Portalegre, segundo cartão de Guilherme Camarinha)
PROFUNDO ECO



Esta água já não é igual
À demais água que caiu do céu,
Pois canta ainda o madrigal
Da passada que sobre a ponte deu

Teu pé jungido pela sandália,
As vestes flanando sob a brisa,
E nos cabelos o lírio e a dália
A perfumarem a doce ecolália
Dessa ária que só o amor giza.


J Maria Castanho

sexta-feira, maio 30, 2014

PEQUENO TEMPLO



Sou pastor…
E tenho o chão por moradia.
Ela me protege do calor
Como também da noite fria.

Sou pastor…
E de noite apascento os sonhos,
Nados por uns olhos tamanhos
Feitos de terra e de maresia.


J Maria Castanho


quinta-feira, maio 29, 2014

COMEÇAR DO ZERO (OUTRA VEZ!)



Felizmente, o resultado eleitoral do partido cuja lista integrei para o Parlamento Europeu, foi muito pior do que aquele que eu estava à espera. Esse fato libertou-me de todo e qualquer compromisso que me ligasse ao dito partido – o POUS, Partido Operário de Unidade Socialista –, bem como com o eleitorado portalegrense, uma vez que preferiram INEQUIVOCAMENTE votar contra alguém ou alguma força apresentada a escrutínio, do que a favor da causa regional, de si mesmos, ou de alguém que com eles vive no dia-a-dia, comunga das dificuldades e anseios. Seria um mistério insolúvel se eu lhes desconhecesse as causas e preconceitos, ou as vísceras que os governam e parecem imperar sobre os tutanos... Mas não é o caso!

Portanto, apraz-me declarar que não repetirei a proeza de candidatar-me pelo POUS, nem de colaborar com qualquer publicação, em suporte-papel, que tenha a sua origem nesta terra por Baco plantada entre as serras e a planície, que da charneca em flor tão afastada atualmente se encontra. À primeira qualquer cai, à Segunda só quem quer, e à terceira apenas quem é asno. E eu nunca me perdoarei a asneira que cometi, que foi a de exercer os meus direitos de cidadão dentro da legalidade constitucional e democrática vigente, em observância aos conceitos da participação e cidadania, e no respeito pelos valores fundamentais que assistem à formação de uma Europa inclusiva, igualitária, emancipada, solidária, coesa, civilizada e desenvolvida. (Ou, supostamente, tudo isso!)

E não o faço por despeito, ajuste de contas ou simplesmente para racionalizar os péssimos resultados conseguidos. Faço-o porque sou JOAQUIM CASTANHO, nome que não herdei nem me foi dado, mas sim conquistei letrinha a letrinha dia a dia, mês a mês, ano após ano, com esforço e galhardia, de cara limpa, e sem jamais ter prejudicado ou molestado quem quer que fosse, de rosto erguido, frontal e em todo o lado, em transparência absoluta, e sem lhe omitir o mínimo noema ou fonema.


Joaquim Castanho  

quarta-feira, maio 28, 2014

SE TE NOMEIO, TE INVOCO – E CONVOCO



Adverso ao tempo o modo
Alinha este antanho de ser,
Cujo sentimento vai todo
Para aquela que me faz viver.

Digo-lhe pouco, bem sei, enfim
Se calado a beijo, distante.
Porém, ao vê-la, perco-me de mim;
E ao dizê-la, calo-me, adiante…


Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, maio 23, 2014



    Um, dois, três

      4, na casa 6.






    Um, dois, três

      4, na casa 6. 




domingo, maio 11, 2014

OPÇÃO    P.   O.   U.   S.



Porque é cada vez MAIS importante, que sejamos também cada vez MAIS europeus (DESENVOLVIDOS) em Portugal, e cada vez MAIS portugueses (INDEPENDENTES) na Europa, o P. O. U. S.Partido Operário de Unidade Socialista, enquanto plataforma de diálogo, entendimento e consenso de todas as forças vivas da sociedade moderna, e globalizada, quer na esfera do relacionamento positivo, entre os trabalhadores e o tecido empresarial, e institucional, na legalidade democrática vigente, quer entre os cidadãos e os seus órgãos de representação e soberania, não se evitará a esforços para REFORÇAR, onde quer que esteja, a democracia, a sustentabilidade económica, social e natural, a consciência cívica, a melhoria da qualidade de vida, o bem-estar humano e animal, a biodiversidade, o equilíbrio do ecossistema e ecosfera, os ideais humanistas e humanitários da liberdade, igualdade e fraternidade, entre todos os homens e todas as mulheres do nosso povo, e dos demais povos das NAÇÕES SOBERANAS, que se pretendem, também cada vez MAIS LIVRES, e MAIS UNIDAS, e MAIS SOLIDÁRIAS, na nossa comum atualidade.  

Sobretudo porque o P. O. U. S.Partido Operário de Unidade Socialista, é um partido ativo, e em constante atualização, na peugada dessa UNIÃO LIVRE DAS NAÇÕES SOBERANAS da EUROPA, que seja a EXPRESSÃO DIRETA, da vontade soberana e emancipada, responsável, e democrática, das suas instituições e povos, e uma autêntica ALTERNATIVA à UE das elites e jogos de poder, com que atualmente nos deparamos;  

Porque o P. O. U. S. é um partido plural, e polifónico, na senda de uma sociedade para todos os homens, e para todas as mulheres, onde o reconhecimento cultural, a dignidade, e a integridade da pessoa humana, e do seu ambiente, sejam invariavelmente observados;

Porque o P. O. U. S. está atento e promove o DESENVOLVIMENTO REGIONAL, como o DESENVOLVIMENTO NACIONAL, o DESENVOLVIMENTO EUROPEU, como o DESENVOLVIMENTO GLOBAL, veiculados pela gestão democrática da coisa pública e empresarial, e no respeito incontornável dos direitos, liberdades e garantias, que o movimento operário internacional tão esforçadamente conquistou;

E porque o P. O. U. S. é um partido aberto, motivado para a solução dos problemas da atualidade, renovado, e renascido das preocupações e anseios da gente, que connosco atravessa todos os dias, a mesma ponte do presente para o amanhã, criando e partilhando, pondo na prática quotidiana, tudo quanto muitos outros apenas contemplaram em teoria.


MAS PRINCIPALMENTE, porque o P. O. U. S. é a OPÇÃO, e não a alternativa.  

terça-feira, abril 29, 2014


SENHORA, PARTEM TÃO TRISTES

MEUS OLHOS POR VÓS, MEU BEM

 


Não sei se rio, se Douro

Neste carpir da saudade,

Que já os sonhos deste mouro

Moram agora noutra cidade…

 

J Maria Castanho

segunda-feira, abril 28, 2014


A ESPERANÇA REMANESCE SEMPRE QUE MAIO ACONTECE

 

 

Que fizeram de realmente notável os nossos políticos do establishment parlamentar português nos últimos 30 –  trinta!, curiosamente tantos quantos foram os dinheiros por que Judas vendeu o Mestre... –  de intensa e propalada atividade em prol da sociedade portuguesa aberta e para todos os homens e todas as mulheres? Esturraram as receitas dos impostos, o dinheiro que a União Europeia nos enviou para a convergência e AINDA contraíram substancial e nutrida dívida. Ou seja, fartaram-se de trabalhar, já que são precisos muito suor, sangue e lágrimas, para prejudicar tantos portugueses e portuguesas e tão pouco tempo.

Em consequência, pelo superlativo lusitano deste valoroso feito, devemos agradecer-lhe neste maio tão promissor como os demais maios que todos os anos se repetem, embora que dando-lhe um significado muito especial porque acarreta consigo o exercício da legalidade democrática que abril nos legou: exatamente, as eleições livres e por sufrágio universal para o Parlamento Europeu. E precisamente esse parlamento onde se poderão juntar os representantes eleitos pelos diversos povos europeus que não abdicam do seu direito de construir uma União Livre das Nações Soberanas da Europa, mobilizando-se em torno das conclusões da CONFERÊNCIA OPERÁRIA EUROPEIA de Paris, realizada em 1 e 2 de março p.p.

Sobretudo porque a esperança dos trabalhadores e trabalhadoras de todos os nossos países europeus (incluindo os que se veem a braços com a atual crise, como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, França, ... ) se fundamenta na sua própria capacidade de se aliar com as suas organizações, cuja independência é inalienável, de forma a abrir caminho na consolidação dessa Europa Livre e Soberana, que se quer cada vez mais justa, mais inclusiva, mais responsável, mais consciente, mais coesa, mais progressista, mais determinada, mais democrática, mais participativa, mais evoluída, mais humana, mais internacional, mais socialista, e menos elitista, menos tecnocrata, menos economicista, menos partidocrata, menos fundamentalista, menos exploradora e menos colonial, bem como menos dependente do grande capital, que apenas a vê como um bom e rentável negócio, onde o nível e qualidade de vida dos seus cidadãos não passa dum ato de compra e venda do qual pode recolher proveitosos resultados. E essa é uma decisão objetiva e incontornável que estamos dispostos a levar por diante, recorrendo a todos os meios legalmente estipulados, a fim de o conseguir.

 

   Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, residente e natural de Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

domingo, abril 27, 2014


NOTA DE GRATIDÃO

 


Podia-se enumerar aqui, tudo quanto os partidos políticos portugueses com assento na Assembleia da República fizeram em benefício da nossa gente, da nossa terra, da nossa cultura, porém acontece que aquilo que “eles” não fizeram nos prejudicou muito mais do que aquilo que “acham” ter feito, para nos ajudar todos e todas nós, nos últimos 32 anos de democracia que os 40 após abril propiciaram a Portugal, para superar com êxito as dificuldades anexas ao desenvolvimento, modernidade e globalização que obrigatoriamente temos que atravessar.

Deviam ter prescindido dos “comportamentos político-económicos de elevado risco para a sustentabilidade e estabilidade nacional – e não o fizeram.

Deviam ter aprofundado e reforçado a cidadania e a participação democrática, em vez de perseguir e tentar calar/omitir quantos e quantos alertassem para a gravidade das condutas partidárias e governamentais, que acrescentavam continuamente novas fragilidades às fragilidades de que já enfermávamos, e às dificuldades de convergência observáveis (até) à vista desarmada, sobejamente noticiadas e debatidas pelos mass media desde a década de 90, do século passado – e não o fizeram.

Deviam ter implantado uma reforma do Estado e o equilíbrio das contas públicas recorrendo ao know how disponibilizado pelos nossos ensinos superior e médio-superior, em vez do exportar como carne para canhão para as economias emergentes, ou assegurar a estabilidade e emprego “amparado” a clientela política com que rechearam o poder central e o poder local, quase invariavelmente sem as mínimas habilitações para o desempenho dos “cargos” atribuídos (por cunha e compadrio), como foi seu apanágio durante décadas e a ninguém deixou de ser claro – e não o fizeram. 

Deviam ter sido democratas e foram partidocratas. Deviam ter gerido a nossa pouca riqueza para criar mais riqueza, bem-estar e desenvolvimento, e menos assimetrias, mas em vez disso aumentaram as diferenças sociais e a miséria, destroçando a classe média, pondo-a ao nível dos que só podem contar com os rendimentos mínimos para sobreviver.

A democracia responsabiliza-nos. A democracia promove a nossa emancipação. A democracia torna-nos mais conscientes de nós mesmos acerca de nós, acerca dos outros, acerca do ambiente, acerca da natureza, acerca da história familiar e coletiva. A democracia antecipa-nos e projeta-nos na peugada de um futuro consistente e sustentável, plural e fraterno. Todavia, o que é que esses partidos que usufruíram das vantagens e patrocínios que abril lhes outorgou fizeram com os milhões a que tiveram direito para as suas campanhas eleitorais? Diminuíram-nos as hipóteses de justiça, dificultaram o acesso à saúde, à educação, à habitação e ao emprego; tornaram as nossas possibilidades de financiamento externo e interno mais estreitas e onerosas; fragilizaram a nossa economia e entorpeceram o dinamismo empresarial com subsídios para as não-produções. Embotaram-nos os sentidos e discernimento com retóricas perversas, cultivaram o dogma e a exclusividade, a cunha e o favorecimento de “eleitos e elegíveis”, corromperam os necessitados e adulteraram os princípios constitucionais de acordo com os interesses momentâneos e circunstanciais. Esbanjaram o dinheiro que veio da União Europeia mais o que recolheram dos nossos impostos. Venderam as empresas públicas que criavam mais-valias sociais. Instruíram os pequenos comércios e pequenas empresas na falência proveitosa. Forjaram ilusões. Argumentaram com corporativismos às lutas trabalhistas. Arregimentaram os intolerantes para a indiferença.

E aumentaram-nos o receio pelo amanhã, a insegurança no presente, descrédito pelo passado e a incerteza como meio de vida e sustento. E isso já os homens e mulheres pré-históricos tinham em  abundância e de sobejo.

 

Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, residente e natural de Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

sábado, abril 26, 2014

QUE MOTIVAÇÃO NOS SUBSCREVE?



Foi o 25 de Abril (de 1974) que nos devolveu a capacidade de escolher entre sofrer a realidade ou desfrutá-la, que nos tinha sido amputada durante a longa noite da ditadura corporativista, instaurada em Portugal, por Oliveira Salazar. Não vamos desperdiçar essa oportunidade em quezílias de somenos, nem em diatribes estratégicas daqueles, e de suas políticas, que nos levaram à crise atual, cujo fito é indesmentivelmente o de nos dividir para melhor nos manipular. Com o nosso declarado apoio, que se expressará nas urnas, nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, estaremos em consonância com as aspirações e anseios dos demais povos da União Europeia, nomeadamente com o povo francês, espanhol, italiano, grego e irlandês, que foram os que com maiores dificuldades se debateram para equilibrar as suas contas públicas e economia, e onde o desemprego, a precariedade, a incerteza no futuro e a austeridade maior miséria têm criado.
Não estaremos sós neste desígnio. O POUS (Partido Operário de Unidade Socialista, enquanto secção nacional da IV Internacional Socialista) e o MRMT (Movimento para a Retirada do Memorando da Troika), também manifestarão no dia 25 de Maio deste ano, a sua firme e determinada cooperação solidária com nossos povos, na construção das bases de uma União Livre de Nações Soberanas da Europa, que pautará a sua ação em Bruxelas pela defesa das liberdades, cidadania, igualdade e fraternidade de todos e todas sem exceção, quer sejamos crianças ou adultos, estudantes ou trabalhadores, artistas ou reformados.
Porque é essa a nossa maneira de agradecer com responsabilidade e consciência cívica, emancipação política e participação democrática, a soberania e liberdade que Abril nos devolveu, reforçou e ensinou.




Joaquim Maria Nicau Castanho, candidato ao Parlamento Europeu, natural e residente em Portalegre, na lista do POUS – Partido Operário de Unidade Socialista. 

sábado, abril 12, 2014


O EREMITA
 
 
 

 

Escolho-me no pretérito da voz

E percorro-me com o olhar em longe,

Que o amanhecer é esse ontem de nós

Com que todos os futuros se tornam hoje.

 


sábado, abril 05, 2014

IR ALÉM DA LUZ



As belezas dos caminhos
São os pés que as fazem,
Lendo nas xaras, ninhos.
Mostrando os passos, agem.

E íngremes jamais serão
Se tiverem por objetivos
Os pés que os passos dão,
Sumas causas e motivos.
MUTAÇÕES E SOMBRAS



“A escrita, exterior ao dilema, é a «terceira arquitetura», multiplicação das operações de apresentação do inapresentável: experimentação, construção de cenários, de simulações, multiplicação das lentes, das fontes de luz, das velocidades, etc.”

Sob o reflexo do gesto inaudito desse «não» em chamas
Eis-te a revulsionar a memória esquecendo que me amas.
Tenho medo da morte, porém, perante esta tamanha sorte
Voto-lhe o desdém que merece quem o sul arrefece, aquece o norte
E põe nos olhos da consorte a escuridão profunda das lamas
Dos lodos, das poeiras radioativas e cinzas em que o globo fenece,
Alimenta a desgraça que grassa no oceano sujo e sem graça
E faz das revoltadas águas o resultado dessa humana trapaça
Que é hipotecar o futuro em nome dum presente mais seguro
Erguendo muro sobre muro e a paliçada da censura, contraforte
Fazendo-se vítima da violência semeada a aplicar justiça
Quando foi seu hediondo crime que a gerou nessa novel preguiça.

Estremecem-me os ossos até ao tutano e vacilo entre charnecas
Adulteradas, corrompidas, afastadas da bravura selvagem
Das crises por saldar naufragando pela pieguice das surrobecas
Negras lápides do saber e lamechice da sonsa malandragem.

Dizem produzir para criar emprego, renovando assim os remorsos
Pelo sacrifício de quantos por perigos e guerras esforçados
Se foram da lei da morte libertando, mas gastam em luxos onerosos
Os cobres anhos que nas serras fizeram seus brocados
Ao punho da enxada, aço puro desses hortelões valorosos
Que ainda lhes minam e corroem os espíritos mal exorcizados.


quarta-feira, abril 02, 2014


 


E sagrou-te plena de luz na aurora

Como quem acetina a atalaia alerta

Qu’estendendo olhar à planície do agora

“O mundo inteiro abarca e nada aperta.”