Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras
terça-feira, outubro 14, 2014
SINE QUA NON
Descobre na ocasião
O intemporal imediato,
O princípio da fusão
Da visão com o tato;
Que tateando se vai
Içando da escuridão
A forma que por si sai
Dos destroços… da ilusão.
Depois, não a limites:
Dá-lhe plena liberdade.
Que aquilo em que acredites
Só assim se faz verdade!
J Maria Castanho
CISMA E PONTO FINAL
Nada nesta vida está seguro
Nem definitivo nada nela há,
Pois que perante qualquer “muro”
Ou (pre)conceito, maré ou desdita,
Questão ou afã, logo nosso peito
Exige, e sentida direção lhe dará…
E se o imo da consciência nos fita,
Ou dita esclarecimento a preceito
– Sexo ou Amor? – digo, sem jeito
Nem moral de quem nega e faz fita,
Que se o corpo pede, a alma acredita.
J Maria Castanho
ANSEIO E INSIGHT
Dança ainda sufi a palavra viva
Aberta ao afeto da cor cordata,
Abraçando a sílaba que a cativa
Dando-lhe acento se a voz a capta.
Sem nunca descansar suficiente
Nem nunca se cansar sequer demais,
Que toda a luz anseia por ser gente
Melhor a cada dia nos céus plurais.
J Maria Castanho
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Velha Aliança
segunda-feira, outubro 06, 2014
HISTÓRIA DO CHÃO, A MEMÓRIA
Se me outono
Me estremeço…
Ligo o sono
E amareleço.
Se não tem dono
O ano qualquer,
Me abandono
Pelo que vier…
Nisso me meço
Coisa nenhuma,
E co qu’esqueço
Viro caruma(*).
Húmus futuro
Seiva presente,
Grafito o muro
Sou toda gente.
J Maria Castanho
(*)Caruma – casca que envolve a castanha quando
ainda está verde.
domingo, outubro 05, 2014
sábado, outubro 04, 2014
O CARETO DA ALDEIA
Aprumado e distinto
O senhor da aldeia,
Põe o sorriso na cara
Quando a coisa ‘tá feia.
E os comuns mortais
(Que ele sempre ignorara)
Perdoam-lhe a ideia
D’ele os julgar iguais
Se precisar dos demais.
E dizem: «É coisa rara,
Nossos parentes que tais,
Que andam sempre de má cara
Mesmo a arrumar no tinto…
Aprumado e distinto
Faz-nos sempre cara feia…
Se não tem fisgada ideia!»
J Maria Castanho
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APIADEIRO ADIADO
Rigorosamente desorganizado
Propósito de à toa permanecer
Coreografia caótica do lado
Inverso do acaso e esquecer;
Eis que se aproxima aquela voz
Que sabe e diz que não diz para dizer
Da preterição sem esforço nem nós
De embaraçar ou enlear o viver…
Está pronta, cacho engarrafado
Em ponto-cruz mas de sinistra forma
Pondo de frente o avesso celebrado
Duma regra que jamais será norma;
E digo que não te quero (hoje) aqui,
Que a saturação é a variante,
Porque a hora habita fora de si
E o amor mora minutos adiante.
J Maria Castanho
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quinta-feira, outubro 02, 2014
LER É [TAMBÉM] IMAGINAR
Serena e atenta
Deslinda sinais
Definidas letras
De tinta concreta,
Cor de quem intenta
Ajustar-se certa
Aos tons sociais.
Tem fatos em mente
Ideias exatas,
Assim, de repente,
E antes abstratas.
Tão-só porque viu
Sons que não havia,
E com eles seguiu
A imagem… Surgia!
J Maria Castanho
quarta-feira, outubro 01, 2014
DETERMINAÇÃO OUTONIÇA
Oscilam as folhas dos salgueiros
Em sua dança de Adeus à brisa
Que tintila nas várzeas e outeiros
E nos junge ao corpo a camisa…
Em breve tombarão de tanto acenar,
Pois que o adeus nos verdes seus
É também o outono a dizer aos céus
Que, quando veio, foi pra ficar.
J Maria Castanho
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