A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

segunda-feira, julho 22, 2013

ASSIMÉTRICAS SIMETRIAS



Esse tesouro que nos esconde
Abaixo da entretela da razão
Também entrança os sonhos, onde,
Nos cruzamos cordão sobre cordão,
Laçada a laçada, passo a passo...




Como letra a letra, assim
De sílabas pedalada
Posta por vinco no traço
Desse ser muito de nada
Que tido é por cada fim.

Em cada objetivo gizado, cada ser imprimido
Na rotativa universal, estendido a corar rigor,
Que isto de ser igual anda por mal compreendido,
Que sendo nós todos diferentes, não é nenhum favor
Perceber que a igualdade torna assimétricas também
As simetrias legais pondo os males no mesmo saco do bem.
A lei enquadra, o homem cumpre, a diferença perdura
Tornando desigual o que desigualmente nascido fora!




Porque se a vida é sonho, projeto, crença e aventura
Voar não carece de asas como pares em estendedouro:
É um saber estar de saber ser, magia doce, e pura
Cerzidos em letras de sol, atada bagagem de ouro
Pedalando, pedalando, na bicicleta da literatura.



sábado, julho 20, 2013

BAILIA DAS ALGAS LÚDICAS



Nos limites da lucidez
Levantei o olhar prà lua...
Ligou-me ela em outra vez
À lídima luz da face nua
Da voz livre, alta e solta
Que esta reflete todo o mês,
Se a liberdade nos volta
A deslimitar a alva tez
Pràs libelinhas da manhã,
As que lutam na verdura
De pétala em pétala vã
Como uma malva à procura
De sua mágoa na água chã
Dos lábios em sã ternura...
E leda a palavra soou, sem lamento, enlevada, lisa
Louvando alucinada na esperança de ser elo alado
De ser a ligação das vozes com o vento doce brisa
Que levemente limpa os limos da lembrança grisa
Às algas lúdicas de nosso alimento puro e melado!



(Lídima – legítima, original, autêntica, vernácula;

Grisa – parda, cinzenta, velha, grisalha.)


sexta-feira, julho 19, 2013

O OUTRO LADO DOS POEMAS



Sabido é que as costas dos poemas
Serem movimentados bastidores…
Em alguns, aí se arranham temas,
Teorias agem como gladiadores.

As meninas viram raparigas
E dão gargalhadas dos senhores
Sisudos, que lhe ouvem as cantigas
E as elogiam, que nem doutores…

Os homens sérios e circunspectos
Arrotam, desfraldam sujos lemas,
Vociferam loucos e insurretos,
Ou adormecem babando semas(*).

E também há quem dedos tamborile
Nas costas amantíssimas de seu par,
Preferindo que a métrica brilhe
Quando o orgasmo está a chegar!





(*SEMA – “Átomo” semântico, a menor quantidade de conteúdo significativo, ou traço subjacente de significação na face significada duma língua.)



terça-feira, julho 16, 2013

NA ESTRADA DO MEIO


Entre partida e chegada
Há uma estrada no meio,
Que é sempre asfaltada
Pela saudade e anseio.



Será longa e perigosa,
Como breve ou segura,
Conforme a fome de prosa
Tenha poesia à mistura…


segunda-feira, julho 15, 2013


SOSSEGADA SERENIDADE

Ergo o cálice;
Este, não é o teu sangue.
Mastigo o pão;
Este, não é o teu corpo.
Procuro o teu olhar,
Invento mil razões para te esquecer.



Há «podia dizer-te» em toda a volta,
Incluindo na planície até o horizonte…
Podia dizer-te que…
Podia dizer-te que…
Podia dizer-te que…
(…)

Contudo, nenhuma me convence,

Nenhuma  me desacomoda a tarde.


domingo, julho 14, 2013

FUI!


No pretérito perfeito de ser
Também estamos todos a ir,
Embora não se saiba bem para onde,
Que isso da gente viver
Por qualquer coisa é um partir...

A uns, porque deles a vida se esconde;
A outros, porque se meteram no bonde!



(Verbo SER – no pretérito perfeito: eu fui, tu foste, ele/ela foi; nós fomos, vós fostes, eles/elas foram.

Verbo IR – no pretérito perfeito: eu fui, tu foste, ele/ela foi; nós fomos, vós fostes, eles/elas foram.)
(H)ERA



Sobretudo por que quem escolhe
É escolhido também (quem ama),
Aquela que no tempo decorre
Fez da idade sua viva chama…

Pois que o tempo que a consome
Consumido é, no verbo do nome
Conforme o período que reclama.




(Hera – Deusa grega, filha de Cronos e de Reia, irmã e esposa de Zeus, mãe de Ares, de Hefesto, de Hebes e vários outros deuses, cujo caráter ciumento e vingativo a levou a perseguir as amantes de Zeus e seus filhos. Deusa protetora da família, do casamento e das mulheres, foi representada como uma matrona severa e majestosa, embora sempre jovem e sedutora. Em Roma foi identificada com Juno.

Era – Intervalo de tempo geológico correspondente a um eratema, ou a maior unidade convencional admitida comummente na hierarquia cronostratigráfica, e que em cronologia toma como como ponto de partida um acontecimento ou pessoa importante de quem recebe o nome, como se exemplifica na era hispânica, era cristã, era do mundo judaico, era de Bismark, etc.)  
PESSOAL E TRANSMISSÍVEL



No canto do quarto onde cresço
A pétala dos bites ilumina
A profundidade azul do começo
Em que o ser é e, na fala, germina.

E me esqueço, ressuscito e estremeço
Pronto prà lição que a vida ensina:
Que do vasto oceano onde me meço
Até à luz do querer que assim quer
É a ninfa a quem peço que seja mulher.

sábado, julho 13, 2013

NA FLOR, A CASA



Retrocede-me esta voz
Até à fala original,
Que é onde o eu se faz nós
Entre os lábios do plural.

E me diluo em carinho,
Em doçura me destilo,
Que a seda de teu ninho
É a sede do meu asilo.

PÉTALA DE BEM (TE QUERO)



Pagão é quem amputa e destrata,
Quem diz gostar e em vez disso mata
Embora o faça a mando superior…
Quem lapida, vergasta, oprime
E acha todo o sacrifício sublime
Desde que o façam em seu favor.

É quem desconhece que o amor
Não é capa, adereço maneirista,
Mas a entrega ao urgente alor
Que por bem-querer é conquista.


DO SUBJETIVO PLURAL



E como um asterisco luminoso
Sob o encantado sopro da brisa,
Eis-me vogando, amante cioso
Entretecido no silêncio que desliza
De pétala a flor, de dígito a giga
Num abraço entre gente amiga…



O verbo é breve; a intenção universal.
Mesmo que sobre ela haja quem diga
Que até nos coletivos é pessoal.

sexta-feira, julho 12, 2013

LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO



Nem todo o verso é versátil
Prò poema ser fluente,
Talqualmente os pombos deste continente
Em Istambul, que podem ir diariamente
À Ásia, mas não vão…

Para eles a ponte é inútil,
E preferem comer o milho do chão!

http://www.facebook.com/evolui.verde


DO QUERER PETRIFICADO  


Séculos e séculos de água,
Mas os olhos cegos da pedra
Sangram do tempo a mágoa
Dum querer que não medra…

Que todo o querer sem acreditar ser
É um não-querer envergonhado,
Omitido no verdete, a escorrer
Da pedra em que foi configurado.





INTRIGA NO ROMANCE



Neste jogo cujo progresso
Não carece de arma, tiro
Destreza, fuga ou arremesso;
Onde o silêncio cruza linhas
No pergaminho, papiro
Papel, visor…
As tuas regras são as minhas.

Mas se conspiro, então, mereço
Que digas que todo o romance é de amor.

quinta-feira, julho 11, 2013

COM AS PÉTALAS DA LÍNGUA (LUSA)   



Sílaba a sílaba te bebo
Néctar de veludo e carmim,
Seda melada, pele, cetim
Onde, e assim, nos concebo
Ato e intenção e voz de aedo
Fluindo pelos tempos sem fim…

Eu avaro, pedindo segredo; 
Tu, sôfrega, GRITANDO que SIM.


PRISÃO PERPÉTUA



Submisso acato teu querer:
Sei-me por nele perdido.
Mas, até onde a ordem valer,
Não há outro crer por querido.

Que nesse tronco de teu arco
Arqueado peito desferiu
O duplo golpe com que marco
O triunfo de cativo… – e sio!
  

TRIPLICE IDENTIDADE


Eu olho por ti,
Que olhas por ela
Que olha por ele
Que olha por nós.

E dessa janela
Ao ver-te me vi
Naquela e aquele…
Porque se temos
Voz, nunca somos
Unicamente sós. 


quarta-feira, julho 10, 2013

ÀS ENVILECIDAS FALAS



Não tendo outro mais que dizer-me
O velho mundo me disse que o mundo
Era velho e que, assim, dizia disforme
Sem conformar-se, querer de vagabundo
A acenar, beliscando verbos doídos…

Mas eu vivo num velho tão mais velho
Que ao velho profundo do mundo dou de relho,
Retorqui: «Isso é música pròs meus ouvidos!»


segunda-feira, junho 17, 2013

VONTADE GLOBAL

(a Galileu Galilei)

Creio ser de somenos este palpite
Que a terra não gira mais depressa
Por haver bravas e ruidosas ventanias…
Porém, fica-me bem que ainda acredite
Que toda a causa é visível, e promessa
Dos sentidos domarem a razão com manias.



Podia ser de outro modo? Podia, sim ;
E bem justo era que assim fosse, até
Por ser a hipótese um apetite, que a fé
Me trouxe, de ver como a terra roda sem mim.

domingo, junho 16, 2013

OLHAR NAVEGANTE


Quando conserto o olhar magoado
Pela verdura que vejo em frente,
Logo me vem ao sonho o estrado
Da ponte deste ao teu continente.

Que sentir não teme distâncias,
Nem se atém ao universo limitado
De um bem-querer cujas ânsias
Estejam sempre do mesmo lado…

Ora ele vem e vai; ora, vai e vem,
Baloiçando sobre ondas digitais,
Querendo tanto que seu querer bem
É um bem-quer de querer bem demais.