A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

quinta-feira, junho 18, 2015

RECORDAR SONHANDO




RECORDAR SONHANDO

É muito caprichosa, a noite... 
Tem mistérios inauditos. 
E em cada luar que acoite
Brilhos pálidos e expeditos. 

Às vezes, sei-o eu – e bem!...
Possui-nos através dum sorriso;
Através do recordar preciso,
Por tanto desejarmos alguém. 

A mim, acontece-me frequentemente... 
E acordo a beijar os ares, além 
De deitar a língua de fora, contente. 
Porque vivi; e vivendo, vivi-te também. 

Joaquim Castanho

quarta-feira, junho 17, 2015

O DOGMA É COMO A POEIRA




O DOGMA É COMO A POEIRA: PODEM ATIRÁ-LOS AO AR QUE BAIXAM SEMPRE, E NINGUÉM EVITARÁ DEPOIS O VERMOS CLARO NOVAMENTE

"Na luta pelo melhor, muitas vezes se corrompe o bom."
WILLIAM SHAKESPEARE

Ao contrário do que alardeiam algumas forças políticas hiperautoritárias e individualidades (anexas) atreitas ao banquetear-se continuamente com a coisa pública, só com uma segurança social robusta e sustentável é possível fazer frente aos desafios futuros gerados pelas circunstâncias adversas resultantes da insustentabilidade demográfica, da imigração crescente, do envelhecimento populacional e aumento da esperança média de vida, do esgotamento próximo de muitos recursos naturais, das alterações climáticas e do elevado abandono/fracasso escolar que desde sempre nos tem caraterizado, mas principalmente porque todos os Estados europeus se encontram (obrigatoriamente) a braços com o equilíbrio das suas balanças, redução do défice para patamares plausíveis e diminuição das dívidas, e não podem alienar verbas da economia e finanças públicas para combater a pobreza, diluir as desigualdades, esbater as assimetrias e fomentar a valorização das suas franjas sociais mais descapitalizadas. E não o podem fazer porque as regras de contabilização e orçamentais europeias ou nacionais o não permitem, não têm um crescimento económico que o facilite, ou agilize, e se encontram na generalidade obrigados a desipotecar o seu futuro, futuro que vieram metendo no prego durante anos e anos impunemente, e utilizaram aleatoriamente como aval e garantia para contrair a dívida com que ora estamos todos e todas levar em cima, traduzida pela austeridade progressiva, e que teve como únicos causadores as políticas de desenvolvimento insustentável que os governantes dos últimos 20 anos, pelo menos, fez questão de gizar, implantar e cumprir.

Portanto, a questão social e da sustentabilidade do sistema de segurança social é uma matéria em que o dogmatismo faccioso, alapardado nela pelos seus principais comensais, nos pode sair muito caro e provocar sequelas irreversíveis em termos de desenvolvimento local, regional, nacional e europeu, deveras inflamatórias e obstrutivas à emancipação e liberdade dos povos, sobretudo do nosso, bem como alguma regressão no desenvolvimento humano, económico e social já conseguidos. E é dum criancismo obtuso incontornável julgar-se um dos irmãos desta família alargada com direito a não estudar nem fazer os trabalhos de casa só porque os restantes irmãos não os fazem e já estão de férias, nem precisam de igualmente os fazer por se encontrarem em níveis diferentes e os fizeram anteriormente. Pois as desinteligências em matéria de coesão social pagam-se caro, produzem feridas que fragilizam o tecido social e a confiança dos homens e das mulheres na humanidade, o que, por mais que venham a ser compensadas futuramente jamais serão esquecidas.

O processo de envelhecimento populacional já originou dissabores e teve reflexos diretos na sustentabilidade demográfica da década passada, e, agravado com a sangria dos jovens recém-formados para os países onde lhes é possível trabalhar e criar família, é bem possível que venha a acentuar-se na próxima, temendo-se logicamente que ao sistema de segurança social português notoriamente debilitado venham a surgir novos desafios que o desestruturarão inevitavelmente, tornando-o inapto e incapaz de lhe responder conforme dele se espera e esperam as gentes que o têm sustentado, ficando paulatinamente a assistir ao empobrecimento generalizado e esquartejamento do todo social da nossa portugalidade, não obstante tenha tido duas reformas recentes sob essa perspetiva, uma em 2001 e outra em 2006, em que lhe foram introduzidas algumas mudanças de fundo no sentido de lhe minimizar os danos, tendo em conta a proteção básica da cidadania (e da sua natureza solidária), a estruturação do regime contributivo e uma gama poupanças complementares. Porém o fator de sustentabilidade, a nova fórmula de cálculo, a proteção das longas carreiras contributivas, a atualização das pensões e respetiva desindexação ao salário mínimo, o modelo de financiamento e a sua transparência, alteração dos regimes contributivos especiais, o combate à fraude e evasão contributiva e os incentivos à natalidade, não surtiram os efeitos desejados nem protegeram as franjas sociais mais desfavorecidas, pelo que foram, por assim dizer, inócuas e inócuos, e bateram de frente com uma forte resistência interna motivada pelos sucessivos cortes salariais e redução de pessoal ou reestruturação orgânica em curso no ministério.

Como se isso não fosse suficiente, a crise instalada e mal gerida, a submissão total aos ditames e diretivas da troika, a falta de imaginação dos dois governos anteriores e que as supervisionaram, a falta de sensibilidade humanista, humanitária e democrática generalizada, nomeadamente dos parceiros sociais (UGT, CAP, CCP, CIP e CTP), fragilizaram intencionalmente o sistema e tornaram inoperativas as suas valências positivas nestas reformas facilitando que os fatores negativos se acentuassem ganhando o respetivo vínculo social tão evidente quanto indesejável da desmotivação política e descrença comum na democracia, com que atualmente todos os partidos e todas as forças políticas se deparam, e podem quantificar com as elevadas percentagens de abstenção verificadas nas eleições europeias. O que nos obriga a concluir que à força de tanto espremerem as capacidades do sistema de segurança social português para lhe otimizarem os efeitos o secaram e tornaram impotente face à problemática que o tempo nos reserva. E é pena!


Joaquim Castanho         

terça-feira, junho 16, 2015

A SEGURANÇA SOCIAL É UM PILAR DA DEFESA E DA SEGURANÇA NACIONAL




A SEGURANÇA SOCIAL É UM PILAR DA DEFESA E DA SEGURANÇA NACIONAL

"Não acredito na sabedoria coletiva da ignorância individual."
T. CARLYLE

Com a sustentabilidade demográfica subtraída, o sistema de segurança social português ameaça ruir não num muito longo prazo, como parece que está a ser previsto pelas forças do establishment político atual, mas em poucos anos, sobretudo se atendermos ao crescente envelhecimento populacional que já lhe sacudiu forte abanão durante a primeira década deste milénio, e para o qual não foi suficiente a reversão do IVA em 2005, e muito menos as novas medidas consubstanciadas na introdução do fator de sustentabilidade para a fórmula de cálculo das pensões, a anexação de fundos profissionais e corporativos, o aumento progressivo do período contributivo, a cobrança da dívida à segurança social nem o combate à evasão contributiva, implementados por este governo e o anterior, pelo que se demonstra urgente reformar as reformas deste sistema com vista a habilitá-lo para enfrentar com êxito as dificuldades agravadas pelo êxodo motivado da nossa população ativa para países estrangeiros, gerando neles as suas famílias, como sugerem as previsões para próxima década, onde também nos prevalecerá uma cadeia circunstancial adversa cuja ênfase recai na imigração crescente, exigências e limitações do sistema e cuidados de saúde, elevado desemprego (uma em cada dez pessoas está desempregada na UE), acesso oneroso à educação e ensino, justiça e formação profissional, além das consequências diretas das alterações climáticas, como sejam as deslocações populacionais e alteração dos métodos e culturas agroalimentares das diferentes regiões do país, incluindo as variações dos recursos (naturais e humanos) pesqueiros.

Por conseguinte, ao envelhecimento ativo propalado recentemente contrapõe-se o crescimento integrado e inclusivo, a aprendizagem contínua com estágios (semestrais) remunerados, a que o consequente início temporão da carreira contributiva aliada com o aumento substancial do ordenado mínimo nacional, além do empenho generalizado em políticas de desenvolvimento, regionais e nacionais, com incidência na economia verde, e de conservação do património natural, edificado e cultural, pelo empreendedorismo e geração das micro e pequenas empresas de cariz sócio-ambiental, energético e do sistema de transportes, que abram novas perspetivas de emprego e aumento da oferta de trabalho, nomeadamente na área do serviço social e gerontológico, estrategicamente apoiadas pelos recursos das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), promovendo a descontinuidade progressiva da comparticipação orçamental nos setores da defesa e da cooperação estratégica com os países exteriores à CPLP- Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. 

Nessa amplitude sistemática o reforço da equidade e o reforço da proteção deve fazer-se não só pela instituição definitiva da TSU (taxa social única) mas igualmente da PU (pensão única), cujo valor terá por base o salário mínimo nacional + C (bonificação resultante do total dos anos civis contributivos) para todos os beneficiários/contribuintes do regime geral, tendo também o contínuo cuidado de fazer transportar/confluir (gradual e progressivamente) os regimes especiais para o regime geral, que se agregará num universo/sistema eficaz, sustentável e universal, a que a conveniente revisão/reformulação do Código Contributivo não pode ser alheia nem adiada.

Assim, consideram-se falaciosos e motivados negativamente os argumentos que apelidam de idealista ou utópica a coesão social, uma vez que a segurança pública e a defesa nacional só serão reais e efetivamente conseguidas desde que haja um sistema de segurança social sustentável, lúcido, vigoroso, pujante, universal e congruente com as necessidades reais e objetivas do país, porquanto a estabilidade, a ordem e o progresso internos dependem quase exclusivamente das condições existenciais, de bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos e das cidadãs de todas as classes sociais visíveis e submersas na nossa sociedade, a sociedade portuguesa, que pretende ser para todos os homens e todas as mulheres, todos os credos e culturas, na contemplação dos valores da fraternidade, igualdade e liberdade que caraterizam as sociedades ocidentais, europeias, abertas, desenvolvidas e modernizadas.

Porque a defesa da identidade, da nacionalidade, da territorialidade, da cultura e da sustentabilidade portuguesas não se faz com mais submarinos, mais corvetas de guerra, mais caças-bombardeiros, mais mísseis de longo ou curto alcance, nem mais recursos e equipamentos bélicos, mas sim com maior desenvolvimento (regional e nacional), mais cultura, mais conhecimento, mais educação, mais solidariedade, mais esperança de vida, melhor ambiente, melhor saúde, maior inclusão, maior emancipação, maior responsabilidade e consciência cívicas, maior humanismo e humanidade, bem como o positivo reforço das qualidades de cidadania, transparência e aspirações democráticas dum povo. E nunca com essa propalada sabedoria coletiva que é produto de muitas abdicações individuais.


Joaquim Castanho  

domingo, junho 14, 2015

TER OU NÃO TER VOZ




TER OU NÃO TER VOZ

Tens o olhar
Pronto a dizer
Aquilo que queres calar,
Aquilo que queres esquecer.

Tens o olhar pronto a dizer
Que calar é sempre perder.

Tens o olhar.
Pronto: tens o dizer.

Tens o olhar.
Pronto: tens o calar
Por fazer.  

Joaquim Castanho

AGUACEIRO DE JUNHO





AGUACEIRO DE JUNHO


A criança clandestina que abrigas em ti
Esse tripulante sem contrato que te conduz
Anda a monte da infância que não viveste
Como cego sem sepultura numa oração de luz.

Portanto, deixa escorrer os cabelos molhados
E sobre o dorso direito descansa o pensamento
O lânguido torpor de aspergir todos cuidados
Deixa-os vogar nas ondas, desfraldar os ventos
Ao vento dos sonhos no vento de seus momentos. 

É o teu dia de areia, clepsidra na praia do tempo…
Embora a duna do ser adormeça ainda como raiz
Que anseia germinar sob o que dela mesma de si diz! 

Joaquim Castanho


GOLPE DE ASA





GOLPE DE ©ASA

Já era quase noite neste dia ainda o mesmo dia
Quando comecei a escrever-te mas é de madrugada
Quando a aurora do odor do teu corpo se mistura
E dilui em brasa no perfume acidulado da rosa canina
E seu fumo evola e dança entre nós urgentes e nus
Que os ventres se requerem desesperados e sôfregos
E se fundem num só fogo de igual fragrância o sangue
Latejante sangue, febril e avassalador de esquecimento
Que cheira tão bem que até dói custoso de acreditar
As folhas a arderem estralejando desde a semente à raiz
Libertando fleumas de convergir na morrinha da manhã.

Eu confesso que também não sei quase nada das horas
Dos dias e do tempo apenas reconheço os minutos que sinto
Na intensidade dos sessenta segundos de pensar em ti em ti
Em ti no analógico desmedido até ferver cachoeiras de DNA
Furnas de lava ácida nucleica borbulhante nas lagoas cerebrais
Ou desmesuradas quedas de água interior a despencar abruptas
Precipícios líquidos do desejo com que te dissolves em mim.

Há outras coisas que quero igualmente dizer-te sem parar
Claro, mas que podem esperar ainda pelo sacrifício do verbo
Quando o degolarmos na pedra do altar de todos os silêncios
E o seu latido agonizante raspa o arrepio pra sulcar a alma
Com as pontas de diamante as estrelas anavalham o medo
O rasgam de alto a baixo, esfaqueiam-no cristais cintilantes
Plantam nas telas do céu diamantinos e fulgentes soslaios
Esses teus com que dizes não à morte de nenhum animal
Flor, árvore, ideia, cor, som, gesto, expressão de agora ser
Porque tu preferes que profira a vida em linhas de horizontes
Paralelos sobre a paridade como socalcos de aproximação
Palavras sobre palavras a irromper no imo seio das veias
Que pulsantes impulsionam correntes águas a espraiarem-se
Até não podermos mais de tanto ruborizarmos no inconfessável
Vermelho desejo tumescente segredo dum beijo sequestrado.  

Porque quando se é julgado por incendiário e ter ateado fogo
À floresta dos sonhos incondicionais e estes em labaredas
Te incendiarem o corpo no suplício da obsessiva possessão
E me possuíres em ti como um crime consumado no imo foro
Então poderei explicar sem as usuais contundências ilusórias
Da retórica dos remorsos e rebates dos desejos arrependidos
Que mergulhei na morte abraçado ao meteorito incandescente
Do teu beijo e atravessei-a toda num golpe de adaga imperial
Separando a eternidade em duas metades como fruto maduro
Cometa acutilante de unha felina a dizer a fresta que nos une.  

Joaquim Castanho

VERTIGEM





VERTINGEM

Séria, murmuraste que não tenho idade…
Que sou aquele minuto difuso que vagueia
Entre o segundo, a hora e a claridade
Que ao sangue nosso apelo incendeia.

Dizes-me instante… Seja. Resigno-me portanto.
Pois nunca sei como argumentar contra ti,
Que és o simples complexo do soslaio de espanto
De cada memória que em pleno futuro vivi.

Era meia-noite, mais quase nada depois
Que o segredo disse o silenciado cicio
Na vertigem feita queda no precipício
Em que suados e colados e gritados caímos os dois!

Joaquim Castanho

sexta-feira, junho 12, 2015

ARTIGO 183




Artigo 183.º

1.      Os deputados eleitos por cada partido ou coligação de partidos podem constituir-se em grupo parlamentar.
2.      Constituem direitos de cada grupo parlamentar:
a)     Participar nas comissões da Assembleia em função do número dos seus membros, indicando os seus representantes nelas;
b)     Ser ouvido na fixação da ordem do dia e interpor recurso para Plenário da ordem do dia fixada;
c)      Provocar, por meio de interpelação ao Governo, a abertura de dois debates em cada sessão legislativa sobre assunto de política geral ou setorial;
d)     Solicitar à Comissão Permanente que promova a convocação da Assembleia;
e)     Requerer a constituição de comissões parlamentares de inquérito;
f)        Exercer iniciativa legislativa;
g)     Apresentar moções de rejeição do programa do Governo;
h)     Apresentar moções de censura ao Governo;
i)        Ser informado, regular e diretamente, pelo Governo, sobre o andamento dos principais assuntos de interesse público.
3.      Cada grupo parlamentar tem direito a dispor de locais de trabalho na sede da Assembleia, bem como de pessoal técnico e administrativo da sua confiança, nos termos que a lei determinar.

APRESENTAÇÃO PÚBLICA DOS CANDIDATOS ÀS PRIMÁRIAS PARA AS LEGISLATIVAS DO LIVRE / TEMPO DE AVANÇAR

Das quatro centenas e piques que compõem o número total de candidatos e candidatas às primárias do LIVRE / TEMPO DE AVANÇAR às eleições legislativas do presente ano, quase metade estiveram, dia 10 deste mês, nas escadarias da Assembleia da República, a dar-se a conhecer entre si aos demais inscritos e eleitores, numa ação conjunta e concertada, harmoniosa e simbólica, comprovando serem um corpo legislativo íntegro, coeso, homogéneo, empenhado, diverso e voluntarioso, que não se coíbe a esforços para avançar no cumprimento da democracia participativa que a nova ordem constitucional implantada na sequência da revolução de abril devolveu ao povo português.

Ali, no Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, a festa da democracia celebrou a nacionalidade com a simplicidade coreográfica duma foto de família, grande e coesa, multigeracional e diversa, que vai dos 18 aos 84 anos, provando que todos e todas somos de menos para cumprir Portugal, bem como na sociedade portuguesa os imperativos da inclusão e da cidadania são uma mais-valia de registo ativo e exemplar, para prosseguir na construção duma sociedade mais justa, mais equitativa, mais cidadã, mais emancipada, mais responsável, mais sustentável, mais democrática e mais consciente, onde todos os homens e todas as mulheres, todas as crianças e adolescentes, todos os idosos e todas as idosas, todos os credos e todas as culturas, têm lugar e são desejados ou desejadas.

E essa é uma grande diferença que ora se contempla, porquanto deixou de pertencer só ao universo da democracia teórica e passou a pertencer ao universo da democracia prática, quotidiana e mediática.   


Joaquim Castanho 

quinta-feira, junho 11, 2015

O PÃO DA MENTIRA



no dia em que li O PÃO
DA MENTIRA, foi um dia assim:
e ainda tinha o livro na mão
e alguém reparou em mim.


Joaquim Castanho

SURPRESA BOA




SURPRESA BOA

Quando o véu se levanta
Pela voz que não esquece,
A felicidade é tanta
Que a gente até acha não ser;
Ou tão-só simples partida do viver,
Nesse querer que no ser se entretece
A tanto crer na vida… Que a merece!

Joaquim Castanho
ƸӜƷ ♫♪✿♣♦☀♫♪Ÿ♫♪ ✿♫♪☀♫♣♦♪ ƸӜƷ (Y)

segunda-feira, junho 08, 2015

Quem quiser participar, está no tempo de avançar!

_/|\_ Meus amigos e minhas amigas que residem e estão recenseados/as em Portugal: Eu serei um dos candidatos nas primárias do LIVRE /TEMPO DE AVANÇAR, a decorrer ainda este mês. Mas para votarem é essencial que estejam inscritos... E as inscrições terminam dia 14. É a hora! 

quarta-feira, junho 03, 2015

QUEM SAI AOS SEUS NÃO DEGENERA




QUEM SAI AOS SEUS NÃO DEGENERA

Há posturas que invertem as palavras,
E palavras que denunciam posturas,
Sobretudo, as dessas gentes escravas
Servidoras de mafiosas escravaturas…

Podiam ser humanas, e até parecem;
Porém, de tanto querer iludir-nos, a nós,
Vivem numa ânsia tal que se esquecem
Que também somos filhos de nossos avós!


Joaquim Castanho

domingo, maio 31, 2015

AMPLEXO LUMINOSO





AMPLEXO LUMINOSO

É vazio o eco de uma floresta sem pássaros,
Ainda que restolho gretado sob o sol acutilante
Suplique esquisso no horizonte violeta e rosa,
Cheio do silêncio gritante dos sobreiros solitários,
Sob outro estendal de panos templários (da prosa).

E mais que isso, na penumbra do rés-do-chão
A linha de teus gestos que se desprendem
Pouco a pouco, tudo-nada, cabelos desalinhados
Estendidos como um sonho do olhar recorrente
Que, de visto, nos deixa quase embriagados,
Com os braços esticados na procura cega do ser
Elástico, elegante, ágil, felino de ter-te urgente
Verbo preso na caixa da boca, pronto a dizer
Pelos socalcos das sílabas o crescente desejo,
A tua liquidez desmaiada no ocaso; acutilante
Da estrela da alma prestes a rebentar em luz,
Lá no alto onde apenas se chega por ânsia de jus,
Esmagamento absoluto de perpetuar-te em mim
– AaaSSSSSiiiiiiMMMM!!!! – até as veias rebentarem,
Gretarem a frase pelos complementos diretos
Direitos ao verbo eclodir pra esgarrar a casca,
Pô-la porta aberta a soltar brados, sons insurretos
Despertos pelo teu ledo grito a estilhaçar o medo!


J Maria Castanho

quinta-feira, maio 28, 2015

ESTAS MURALHAS TE PERTENCEM




ESTAS MURALHAS TE PERTENCEM


Não posso dar-te as chaves da minha cidade
Porque é livre e de portas abertas, sem idade...
Mas de tanto nomeá-las, a todas as suas ruas
Se tornaram minhas – e que agora, são tuas!


Tuas, por direito e alegria de um Portus Alacer;
Que aos portos só podem chamar-se da alegria
Se forem igualmente pertença daquela, que mulher
Foi também rainha e luz diamantina, no dia-a-dia.


Portanto, se quanto esta terra teve egrégios avós
É meritória do romance que o teu nome encerra,
Das muralhas de D. Dinis os Pedros somos nós
Pedras de afeto seguro que só por ti se esmera,
E cresce dando-lhe o peito como lho dá a Serra.


Que os montes das oliveiras, penhascos e sobreiros
Onde pascem os sonhos floridos das Maias este mês
Sabes, sem dúvida o fazem para serem os primeiros
A cantar-te em saudade, com baladas a Dona Inês!



Joaquim Castanho

quarta-feira, maio 27, 2015

O ESTILO SOMOS NÓS

 

 

 

O ESTILO SOMOS NÓS

 
Incontáveis copos de vinho
e Li Bai compõe cem poemas.
Dorme numa taberna, no mercado de Chang’an,
quando o imperador solicita a sua presença.
O poeta recusa a barca do Filho do Céu e diz:
“Que Sua Majestade saiba,
este seu humilde servidor
é o rei dos Bêbedos.”

LI BAI

 


“No Verão de 742, de novo na província de Shandong, Li Bai cumpre o ritual de ir ver o nascer do sol no alto da montanha, exatamente sobre a Taishan, a mais sagrada de todas as montanhas da China. Lá encontra meninas de jade que lhe oferecem de beber em taças de nuvens. Mil duzentos e trinta e nove anos depois, em Outubro de 1981, no mesmo lugar, um português, aos tombos pela China, cumpriria, rigorosamente igual ritual” – afirma António Graça de Abreu, no Prefácio a Poemas de Li Bai, editado pelo Instituto Cultural de Macau, em 1996. Omar Kayyam, outro poeta da nossa intencionalidade, astrónomo e matemático persa, muçulmano, e que viveu entre os anos 1040 e 1122, celebra os prazeres etílicos, em termos quase religiosos, não obstante a proibição do uso de bebidas alcoólicas estipulada no Alcorão, proibição essa a que se deve a descoberta do café, que então foi considerado como substituto do vinho. E fá-lo em termos tais, que esse misticismo ultrapassa o purgatório, como no Rubayyat «um jardim, uma jovem ondulante, a ânfora cheia de vinho, / meu desejo e minha amargura: eis o meu Paraíso e o meu Inferno. / Mas quem percorreu o Céu e o Inferno?», ou naquele outro em que confessa que «jamais desejei o manto do engano. / Mas roubaria por um copo de vinho. / Tenho setenta anos: o meu cabelo é de neve. / Hoje quero ser feliz: amanhã será tarde», onde as noções de tempo e propriedade, de ética e de sociedade, são minimizadas face à impetuosidade da bebida. Inúmeros artistas plásticos, não só andaram aos bordos, como esculpiram ou pintaram sob a inspiração de Baco, onde figuram os nomes de Miguel Angelo, mas igualmente Rubens, Velázquez, Murillo, Le Nain, Jordaens, os mestres flamengos e a quase totalidade dos surrealistas da modernidade. Xenefonte, Tácito, os versos de Homero, Anacreonte, Horácio, Rabelais, Baudelaire e Carducci, ou ainda os escritos geórgicos de Plínio, Columelle e Catão, são inegáveis testemunhas da importância do vinho na História (e nas estórias). Exemplos mais recentes nas literaturas nacionais e universal, como o foram Jack London, Blaise Cendras, Fernando Pessoa, Hemingway, Manuel da Fonseca, Cardoso Pires, que não negaram nunca o valor da bebida como auxiliar de criatividade. Da Antiguidade aos nossos dias, o vinho tem estado sempre na linha da frente das relações sociais e artísticas, impondo-se sobremaneira, senão pelo recurso económico e comercial que é, pelo menos nos efeitos que propicia.

Ao longo dos tempos, dispersando-se por diversas tonalidades, perfis, sabores, graus, divinizado ou satanizado, socializado ou marginalizado, o vinho veio no entanto ganhando foros de imprescindível na caracterização das celebrações (de vitórias desportivas, de colheitas, de negócios, de matrimónios e batizados, de inaugurações e de liturgias), da sabedoria (no reconhecimento da palavra e da honra, da família e da amizade, da integridade dos contratos, da reconciliação entre opositores), do amor (na antecipação e preparação do prazer, na resistência às paixões impulsivas e momentâneas, no afogar das mágoas passionais), do ritual (religioso, guerreiro e de iniciação à maturidade), do tempo que passa (iludindo a solidão, esquecendo as limitações ou eliminação do vazio existencial), de todos os dias (às refeições, aos encontros e nas esperas), da saúde (como analgésico, desinfetante e condimento substancial das mesinhas caseiras) e da morte (para “chorar” ou beber o defunto, esquecer os entes perdidos e comemorar ou homenagear datas épicas e heróis); mas foi sobretudo na sua capacidade de transfigurar o tempo e os modos, que o vinho veio a realizar a maior proeza histórica, que até hoje nos foi concedida: a da igualdade. Aquilo que sempre foi impossível pelas medidas de coesão, pelas políticas e reformas sociais, pelas legislações e Cartas de Direitos, pela luta de classes ou pelas atividades missionárias e evangélicas, conseguiu-o somente a tendência alcoólica dos povos, pondo na mesma mesa ou valeta, tanto os ricos e afortunados, os clérigos e os tropas, os políticos e os vagabundos, os doutores e os analfabetos, os condutores e os peões, os valentes e os fracos, os feios e os lindinhos, como os atléticos e os enfezados: de gatas e, às vezes, na mesma morgue.

Portanto, independentemente daquilo que aconteceu no passado ou do que venha a resultar no futuro, importa hoje escamotear, exorcizar, pensar, as motivações e efeitos dum bem, que se mal usado nos pode desgraçar. Esclarecer as relações de amor/ódio com um produto de tão grande poder sobre nós e os outros, é um passo importante para ganharmos patamares de defesa, como de usufruto do prazer, que nos podem auxiliar no relacionamento com uma substância que tanto nos pode pôr a par dos imperadores, à semelhança do que sucedeu com Li Bai, ao ser solicitado à presença de Sua Majestade, como dos velhos ladrões de Omar. Nos pode emprestar o génio de um premiado com o Nobel, como nos pode atirar para uma cadeira de rodas o resto da vida, entornando-nos o cálice da eternidade no asfalto do sofrimento e dependência. Como nos pode facilitar o dia-a-dia ou torná-lo numa dolorosa ressaca, mais ou menos interrompida conforme a carteira ou disponibilidade temporária.

Porém, sendo uma espécie de corda bamba entre bebedores e abstémios, o equilibrista nem sempre mantém a postura da vara, faça ele o que fizer, porquanto se esgueira demais para os lados da imaculada perfeição que é abdicar de si mesmo em favor da sua teoria de vida. E hoje, superiormente às circunstâncias que estipulam o consumo ou não de bebidas alcoólicas, o que está sobretudo em causa é como cultivar a nossa atitude perante este ou aquele produto, que nos pode ser benéfico e igualmente nocivo, e assim definitivamente possamos aprender a conviver com “alguém” de que nunca seremos capazes de nos separar, embora nos comprometa ou nos teste os limites por dá cá aquela pinga. Principalmente porque, como Li Bai, também nos é possível afirmar das bebidas, sem mágoa, que são essa «água faiscando como seda prateada / [que] transforma a terra num céu sempre igual» e nos permite «agarrar esta noite de luar, / vogar na barca do vinho e procurar as flores.” Essencialmente  porque tudo é possível, se acreditarmos que sim. E o vinho e o tempo, é, pelo modo como se usam (consomem, bebem, fazem, gastam, aproveitam, testemunham, apuram, editam) que ganham a diferença – e a qualidade... Enfim, o seu estilo. E esse, somos sempre nós.

 

Joaquim Castanho      

segunda-feira, maio 25, 2015

ZOOM DUM ECO DESPIDO E ESPELHADO




ZOOM DUM ECO DESPIDO E ESPELHADO


Se ao zoom que zune sobre a janela
Se estilhaça a luz no espelho da água,
Então, se se mergulha a sede na mágoa
Nasce por ela o nu desejo despido nela
Aquela que pra ser o que em si havia
Se despiu ali perante o olhar motivado
Daquela que vendo só via o que queria
E não quanto ao espelho fora mostrado.

Que quando zune o zoom cru da fantasia
E vai de janela em janela sendo aumentado
É quase certo haver algo nela, algum dia
Quanto visto ser certo e estar também errado.

Pois que ver é estar-se todo nu nessa visão
E pôr os olhos onde quem só pôs o coração!

J Maria Castanho



UMA APOSTA PELA MUDANÇA, UMA MUDANÇA PELO FUTURO





UMA APOSTA PELA MUDANÇA, UMA MUDANÇA PELO FUTURO


A autonomia e consciência cívica, responsabilidade pessoal e coletiva, a democracia direta e participada, a cidadania plena e irrevogável, o empenho e conhecimento social ou individual sobre a qualidade de vida, a biodiversidade e sustentabilidade ambiental, são as raízes fundamentais duma sociedade equilibrada e justa, emancipada e fraterna, humanizada e livre, que favoreça o são relacionamento entre nós mesmos, bem como entre nós e as outras espécies, entre a nossa e as restantes sociedades e as suas respetivas culturas. Ao invés do que alguns setores egoístas da presente conjuntura sociopolítica pretendem afirmar (no discurso) e confirmar (na prática), o ser humano não vive para a exclusiva satisfação das suas necessidades, nem para o fixado intento de ser feliz (olhando ou não a meios), embora também precise de os conseguir, quer a felicidade como os meios, em termos e patamares plausíveis e positivos, mas antes para a vida, que quer ser omnipresente e eterna, e nos tem a nós, homens e mulheres, apenas como mais uma estratégia, entre milhões de outras conhecidas, para o realizar. Portanto, devemos animar o nosso cotodiano quotidianamente num movimento presente e constante acerca dele, mas igualmente sob os auspícios do futuro e sua providência, a fim de salvaguardarmos a harmonia social, o equilíbrio dos ecossistemas, a unidade do indivíduo e as suas capacidade de empatia, de forma a que se mantenha livre, lúcido, objetivo, livre e autoconfiante face a todas as problemáticas que nos impeçam ou bloqueiem, a cada qual como às comunidades onde está inserido, de responder positivamente às expetativas que a vida nos reservou ou atenções que nos despensa e exige. O ecocentrismo é, assim, a resposta imediata e a atitude consentânea com esta perspetiva existencial, assente em três grande linhas de força ou pilares (integração simbiótica do ser humano na natureza e combate de todos os dualismos que a sonegam – condicionamento da atividade económica e opções tecnológicas que ponham em causa a sustentabilidade e a biodiversidade essenciais – prossecução funcional da natureza de modo a facilitar um contínuo de harmonia planetária), com vista a prosseguir as bases de concórdia interpessoal e internacional num sistema operacional da plataforma ambiental que é a atividade sociopolítica regional, nacional, europeia e global.

Neste sentido importa que nos sensibilizemos quanto à nossa maneira de estar e conviver, de forma a que neles contemplemos a tomada de consciência entre grandeza e grandiosidade –  posto que a primeira é sinónimo de excelência, magnificência, fortuna, honraria, dignidade, mas segunda nos sugere megalomania, sumptuosidade, dispendiosismo extravagante –, a fim de efetuar a mudança social e ideológica que faça confluir a qualidade de vida com níveis de bem-estar (material e espiritual) conformes às exigências dos ecossistemas que compõem o nosso habitat e dos quais também somos parte, e a mais interessada, por sinal, uma vez que cada vez se torna mais evidente, em termos de sobrevivência, que ou sobrevivemos todos e todas (incluindo as espécies) ou não sobrevive ninguém. Ou seja, nunca a escolha se nos deparou tão fácil. E imperiosa.  Ou mudamos, ou a natureza e a vida nos mudam.

Pelo que, e em conformidade com o status quo global  facilmente diagnosticável e à vista desarmada, devemos reconhecer que o florescimento da vida humana e não-humana tem valor em si mesmo, e não relativo aos objetivos e finalidades que lhe determinámos ter de acordo com os nossos interesses; que a nossa riqueza depende sobretudo da nossa diversidade e da diversidade dos seres vivos que compõem o nosso ecossistema; que não temos o direito de usurpar os direitos à vida das demais espécies a não ser para satisfazermos as nossas necessidades vitais; que o controlo da densidade populacional se deve fazer em termos de manutenção e preservação do nosso território e ambiente, e não por fundamentos e necessidades económicas e belicistas; que a interferência da espécie humana sobre as demais é excessiva e abusadora a maior parte das vezes; e que as nossas opções políticas, sendo a política......, devem ser democráticas e não autoritárias, quer em relação a nós mesmos e nós mesmas, quer em relação à ecosfera e espécies que têm igualmente por habitat. Será isso sobre-humano? Não creio. Principalmente para nós, portugueses e portuguesas, habituados que estamos a sair do quadradinho térreo das ideias quadradonas para abarcar a universalidade do ser e do habitar. E essa mudança nunca a fizemos apenas por nós, mas pelo nosso futuro... O mesmo futuro que ora nos convoca.

Joaquim Castanho     

       



sexta-feira, maio 22, 2015

SONHAR PARA FAZER ACONTECER





SONHAR PARA FAZER ACONTECER

E na raiva perdida, o caminho deserto
Pela sofreguidão dum futuro tão perto
Que é ser já ontem em vez de só amanhã,
Nessa rude e imensa solidão, palavra chã,
Soluto da consciência do ente desperto,
Quase viva de crer correr no tempo certo,
Para destruir o que é áspero da meiga lã,
E nascer na aurora de teus lábios de manhã…

Qual tempo de esgrimir o Mal e o Ninguém
Que são todos, pra ter apenas por único bem
Esse refazer da sede no grito d’exigir viver
E ter as mãos que procuram tão-só o encontrado
Na transformação do indiferente em amado,
Como se fosse desejado, o sonho de acontecer!


J Maria Castanho