“MENINA QUE ESTÁS À JANELA…”

Mas que coisa de ferro será essa
Onde sempre se nos enleia o coração?
São arabescos próprios de quem começa
E acaba, logo após exímia fundição.
Reflexos doutro tempo que resistem
Se aos olhos os olhos imploram atenção,
De serem aqueles por quem eles existem
Tão sós de ver, que outros não veem, não…
E que vistos, demais serão reparados
Assim, como quem finda por vê-los tais
Que as pupilas dos seres nossos amados
São as meninas das meninas de meus ais!
Reflexos doutro tempo que resistem
Se aos olhos os olhos imploram atenção,
De serem aqueles por quem eles existem
Tão sós de ver, que outros não veem, não…
E que vistos, demais serão reparados
Assim, como quem finda por vê-los tais
Que as pupilas dos seres nossos amados
São as meninas das meninas de meus ais!
Por mais longe que chegue o apêndice mucal
Neste condomínio fechado o sonho se diz
Se é pura sede a seda doce e quente
Quando celebramos a noite das noites
É quando o ver é visto
Sei, sim, sei que sou fundamentalmente kitsch

Que o breve é leve quando ao se prolongar se faz curto
Podendo – quem sabe! – até haver
Ao nascer da esperança, seus sentimentos
Eis-me rasgando o instante em pedaços;
Embora sejam iguais as cordas tensas
Consequentemente, não podemos adormecer
É que, ao ver assim a beleza sem lhe tocar, a gente
Nas trevas da distância singro
Clicando rima acima se ruma no rio do tempo
Inclui minha prece no teu sonho de mar e sol
As liras e as harpas conhecem-lhe a dedilhada tradução
Anda-me a alma neste somenos da Psique enamorada
Que isso, de ser Mariana se cumpre de qualquer maneira
Escuta… Eu venho de muito longe
Que nisso do rasgar primaveril
Andava eu morrendo por tão pouco ver-te,
E assim, apareces na tarde que me amanhece
Havia naquela sombra o não haver do gesto,
Tu como poema, eu como apagada e crua prosa.
Acontece sempre que a cor se oculta
Sob o contorcido sobreiro, junto à carreteira





Então, lhe dá valor, muito valioso, aquela leda mente
Que sempre haverá alva na rosácea ansiedade
