A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

terça-feira, dezembro 24, 2013

quarta-feira, dezembro 18, 2013

DA VINDIMA DOS ASNOS



Sua alteza bem prendada
Tem albarda por mestria:
Umas vezes, dá xaropada;
Outras, só colhe arrelia.
DOS BELICOSOS E SÚTIS ESTRATAGEMAS



Há enredos de má espécie
Que entretecem algumas mentes,
Semeando em quem não merece
Ódio e veneno por sementes…

Depois, até colhem a atenção
Que nunca têm por seu mérito,
Fervilhando na alucinação
De terem (a)tingido o crédito.

ROUPA SUJA NO VARAL



Fizeram da toalha uma rodilha
Para desalimpar ética e moral
O voo da cotovia sem anilha
Que ora pousou neste quintal…

O da literatura – quem diria!
Que os escrúpulos, coisa e tal
Estão a sete e picos hoje em dia,
Pois há quem leia pra fazer mal
Mesmo que seja só à … cotovia.

terça-feira, dezembro 17, 2013

PRESÉPIO E REALIDADE



Se a felicidade fosse natalícia
Como prega a nossa antiga tradição,
As famílias eram só amor e delícia
E não havia nenhuma mesa sem pão.



Conceição Rodrigues (ilustração) 
PRENDA DE NATAL



Deram um tiro na cotovia
Apenas com uma toalhinha…
– E lá se foi a literacia
Prà enxovia mesquinha!



quarta-feira, dezembro 04, 2013

NO DESAMANHECER, A ESPERANÇA



Recostado na soalheira sala
À espera do lusco-fusco
Cusco a rua a soprar o sol devagarinho.

E tenho marcada escala
Nessa espécie de fera
Tornada guardião etrusco;
Mas nisto, a nua espera
Que quer montar seu destino
Cavalga agora uma doce quimera
De ouvir-te a voz novamente…

Que até pode ser um som sem nada de gente.
Até pode ser uma saudação insignificante.
Posto que, para mim, será sempre um hino!



segunda-feira, dezembro 02, 2013

A FÉ QUE NOS VIRGULA



De pronto me vejo e agrafo
Nessa vírgula perdida
Plas esquinas do parágrafo,
Se estremece de florida
A meia aspa da vida
Na braveza do tráfego…

Porque o poder nada é
Se a liberdade amputa,
Pois o ínfimo chisco de fé
Impõe o ritmo e… e… luta!



domingo, dezembro 01, 2013

ASSASSÍNIO DE CARÁTER




Se a difamação mata
E o boato fere e exila,
Então, por que a gente
Trata
A/O diferente
Como aberração de gorila?



sábado, novembro 30, 2013

(PURO INVESTIMENTO...)



São para ti as flores
Que tenho na minha mão,
Pra nunca sentir dores
Nem o frio da solidão.



VELHA NOVA



A minha notícia nasce da pedra
E traz na bruma a doce aurora,
Que a ternura apenas medra
No urgente granito do aqui e agora.


REPENTINO DESPERTAR



Não haverá dias frios
Se o sol da memória
Se içar das apatias
E criar novas histórias.

Nem mesmo sombras pueris
De brocados desfiados
Nos gestos cruéis ou vis
Dos perdidos e magoados.

Porque bem mais que a dor
Pode o sentido da gente
Que desperta muito amor
Todos dias… e de repente!

sexta-feira, novembro 29, 2013

FLOR QUEBRADA FLOR




Já de sustos, o definitivo
Me trouxe a aflição maior
Que, por quem sou cativo
Perdi de vista – com dor.

E assim, na saudade
Me fica também a amargura,
Além do nome que há de
Guardar-se numa fatura.



OBRIGADO PELOS SAGRADOS INSTANTES



Resta-me de ti, agora
O sem-número de talões
Com o teu nome e a hora,
Pelo ato das aquisições.

E os ácidos tormentos
Que a saudade dita a fogo,
Cruel e ímpia ante o rogo
De quem, feliz, apenas fora
Na vida, raros momentos.

quinta-feira, novembro 28, 2013

DO MÉRITO DAS PALAVRAS



Tenho palavras urgentes sob a língua ardente
Como gritos nascidos dum verbo humedecido,
E cada qual cala a míngua de sal fulgente
Que outros verbos têm apenas por ter nascido…

Um deles está em ti como tu estás sempre em mim.
Porém, de tanto beijá-las por dentro e por fora,
Algumas há (livres) que se soltaram e fugiram enfim
Para estarem todas sempre contigo como agora!

BINÁRIO GENITAL



Por simplicidade se entende
A aproximação ao ser, que sendo,
Tem um gerúndio que acende
O tempo e o prazer, em crescendo…

É um clímax, assim, adormecido
Pronto a eclodir, feito vulcão,
Gesto que suporta o sustenido
Dum «SIM» que apaga qualquer «não»!

BINÁRIO GENITAL



Por simplicidade se entende
A aproximação ao ser, que sendo,
Tem um gerúndio que acende
O tempo e o prazer, em crescendo…

É um clímax, assim, em sustenido
Pronto a eclodir, feito vulcão,
Gesto que suporta o sustenido
No «SIM» para apagar todo o «não»!

quarta-feira, novembro 27, 2013

CARÊNCIA (CRÓNICA)



Morrer é quase nada
Perto da tua ausência,
Que a sede na madrugada
Só antecede a carência…

Esse fazes-me falta assim
Constante em todo o dia,
Como se fora o sol de mim
A brilhar tão-só por magia.



CERTEZA PURA



Se me digo, mendigo
Do teu afeto é o perto,
Tão perto – juntinho, digo
É que será o estar certo.





terça-feira, novembro 26, 2013

CARTOGRAFIA ÍNTIMA



Abatem-se gritos
Contra esta vidraça,
Feito uivos aflitos
Do vento, quando passa…

– Só não passa jamais
A aflição por te não ver,
Que os olhos são vitrais
Com o mapa do sofrer.




De olhar em mar magoado
Me desassombra o desamor,
Que ser é estar habituado
Já até à nossa própria dor!  



SOALHEIRO GÉLIDO AMANHECER



É a voz a derramar-se no gesto
Como delta de sentidos sentidos,
Emoções que deflagram no resto
Desse ser que só é nos sustenidos,
Tónicas auroras, lilases, cintilantes
Ante os ecos dos sonhos de antes…

Se acordados desacordam febris
Nata de cânfora no néctar dos dias,
Que mais que as manhas e demais ardis
Ardem gelados nas manhãs frias.

quinta-feira, novembro 14, 2013

Quando somamos o tempo ao modo
E dizemos à sombra para nos esperar,
Temos da parte, não a parte mas o todo
E do todo não tudo, mas aquele estar
Dum quase que ficou repleto e gordo
Como um verbo que não cabe em si mesmo
E se conjuga distante, inábil e a esmo…



Às vezes, por tudo e por nada, assim
Em qualquer frase de ações imperfeitas,
Bate os pés, faz brindes sem tchim-tchim
E tilinta como moeda descendo estreitas
Escadas; depois, para de impulso e supetão

A dizer que não quer porque sim, e até porque não.
Pouco me dizem os gestos vãos
De quem se esconde a ver os outros,
Mesmo que nos tratem por irmãos
Nos deem loas, créditos e pontos…

Que a vida nunca se compadece
De quantos lhe passam ao lado;
Lhes destina esse frio que aquece,

Ou dá-lhes um calor bem gelado.



ESCRIBA DIGITAL



Neste chão em que me escrevo
Sem qualquer condição,
Não sou escravo nem servo
Mas escriba de sim e de não.
  

segunda-feira, julho 29, 2013

CONJUGAÇÃO NO IMPERATIVO PERFEITO



Ao acordar me espreguiço,
Desenleio dos sonhos o ser,
E ponho no gesto o viço
De um renascido viver.



Me sacudo das ilusões
Que esta noite me criou,
Na solidão das solidões
Onde sonhei ser o que sou.



E sou apenas o que me digo,
Ou de mim escolhi dizer:
Sou o verbo amar contigo

– Incondicional acontecer. 
OPÇÃO ÚNICA


Se me conto, te afago;
se te afago, me escolho,
que a alma nos é um trago
de nosso próprio molho.

A nossa essência de ser
é a palavra escolhida,
e onde até para dizer
somos uma opção de vida.



Nos dizemos sendo mais,
nos afagamos pouco a pouco,
para nos sermos iguais
– gemido profundo e rouco.

sábado, julho 27, 2013

O DESTINO SE ESCREVE DE ACASOS



Inanna, a grande mãe, que a humanidade traduziu
E avó lhe chamou em tantas línguas se diz amor
Que só de dizê-lo todos nos sentimos muito melhor…



Uns, porque no ritual da fala até se explicam outros
Como estes assim ditos se preenchem em seu vazio,
Na seda se tecem da teia de seu próprio e mesmo fio.



E pese embora, esse meigo e infinito enleio, há encontros
Que nos desencontros se entretecem desígnios de astros.

quinta-feira, julho 25, 2013

NA BREVIEDADE DA DISTÂNCIA



O traçado da voz desanoitece
Se na alma se requer inquieta,
Que o sonho premeia quem merece
E a elegeu como sua própria meta.



Mas se nunca se omitirem as linhas,
Que unem os ecos de nossos sentires,
As vozes cruzadas, tuas e minhas,
Te farão chegar antes de partires.



quarta-feira, julho 24, 2013

HIP-HIP-HUUAAA!!!...



Ergamos nosso ideal
Num tchim-tchim de tradição,
Que isso de ter real
Também traz obrigação:

Orgulho de celebrar
A amizade filial,
Companhias do remar
Na navegação social.

****

E contra ventos e agouros,
Contra azares ou vilanias,
Seremos exemplos vindouros
Em rodeios e academias.

Estaremos também presentes
Em toda e qualquer eleição,
Que a vida de nossas gentes
Carece de sagaz solução

Em resoluta harmonia
E alvorouço de prontidão,
Que a honra se faz dia-a-dia
Na luta pela emancipação.

Que a vida é um vira de virá,
Aqui e em toda a parte – hip-hip-hhuuuááá!!...



terça-feira, julho 23, 2013

SERÔDIO ME DEMORO



Orlando as ondas da expetativa
Que escutam a espera do omisso visto
Eis-me condomínio sob a mirada insistente
Uma oitava acima do germinado silêncio...



Ouço o olhar ouvindo o ósculo redondo
Na ousadia ontológica oscilando osci osci
Lando ando ando entre a mirada do outrora
Agora na ágora do verbo doce se consente
Ocluso e respirado ao desmaio da cor
Onde breve e determinado cruzo o ócio
Repouso a mão no meigo e condoído olhar
Ou penumbra da voz ao osso dos tempos
Que remói no voo do eco a onda da demora
O som soa
E sou!  



segunda-feira, julho 22, 2013

ASSIMÉTRICAS SIMETRIAS



Esse tesouro que nos esconde
Abaixo da entretela da razão
Também entrança os sonhos, onde,
Nos cruzamos cordão sobre cordão,
Laçada a laçada, passo a passo...




Como letra a letra, assim
De sílabas pedalada
Posta por vinco no traço
Desse ser muito de nada
Que tido é por cada fim.

Em cada objetivo gizado, cada ser imprimido
Na rotativa universal, estendido a corar rigor,
Que isto de ser igual anda por mal compreendido,
Que sendo nós todos diferentes, não é nenhum favor
Perceber que a igualdade torna assimétricas também
As simetrias legais pondo os males no mesmo saco do bem.
A lei enquadra, o homem cumpre, a diferença perdura
Tornando desigual o que desigualmente nascido fora!




Porque se a vida é sonho, projeto, crença e aventura
Voar não carece de asas como pares em estendedouro:
É um saber estar de saber ser, magia doce, e pura
Cerzidos em letras de sol, atada bagagem de ouro
Pedalando, pedalando, na bicicleta da literatura.