Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

São o chão em chamas onde as lavras
quarta-feira, outubro 30, 2019
segunda-feira, outubro 28, 2019
FLORES DE ESTILO
AS
FLORES DE ESTILO
É...
Se se fica, ficasse
Bem
ou mal, seja onde for,
E
quem se pica, pica-se
Então,
se também picasse
Muito
maior seria a dor.
Que
nos nós, encruzilhadas
Ond'a
pronúncia não vigora,
Há
picos, coisas faladas
Que
picam como quem chora.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
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quinta-feira, outubro 24, 2019
A BORBOLETA ALQUIMISTA
MARIPOSA
ALQUIMISTA
És
o único verbo que sei conjugar
No
silêncio do espaço imprevisto
Se
o sorriso aflora sem precisar
Tão
preciso eu fora no teu olhar.
E
aí borboleteio mal te avisto
Quando
por amor ao amor insisto;
Pouso
e ouso, o coração a bater
Ansioso
diz mais do que sei dizer
Mais
do qu'a voz, do qu'a alma e o mito...
E
o sonho grita, lá do infinito
Joga
setas na brisa (sem atrito
Mais
velozes qu'o grito) e diz: é ela!!
Joaquim
Maria Castanho
quarta-feira, outubro 23, 2019
AO BALANÇO DA FOLHA
NO BALANÇO DA FOLHA
O vento fustiga arvoredo
Cujas folhas já combalidas
Jogam fora o verde segredo
E sucumbem amarelecidas.
Caem ao chão ou levantam voo
Riscam as sombras desmaiadas,
Alisam cinzas que o céu coou
Entre nuvens desidratadas
– Que nem pingo d'água escorrem,
Que nenhuma vivalma acodem.
Porém, se uma se inclina
Balança entre mil cuidados,
Reluz, sede sacia, anima
Até os sonhos bloqueados.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
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terça-feira, outubro 22, 2019
O TORTULHO
FUNGO
LUNAR
Já
trépido, o dia, descamba
Desce
prò outro lado do mundo,
Rasga
sertões no país do samba
Exala
negruras que não excomungo.
Foi
lento a passar, ronceiro
Analógico
na navegação;
Arqueou
salto, caiu inteiro
No
avesso (reverso) d'escuridão.
Mas
nem assim, o ânimo mingua
Ou
a vida para, retrai, exila
Que
nos recantos húmidos, a Lua
Fecunda
fungos... Tortulho brilha.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
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segunda-feira, outubro 21, 2019
SUBJETIVIDADES
SUBJETIVIDADES!
Dependem
os fatos doutros factos
Pendem,
oscilam, interligados
Pondo
dependência em seus atos
Independentemente
dos dados
Dos
argumentos, das perspetivas
Dos
detalhes que lhes dão sensatez
Solidez,
concisão, positivas
Mesmo
que sejam só dois ou três...
Dependem.
Tal como nós pendemos
Entre
tendências ou sujeitos
S'acaso
nos damos ao que vemos
Dando-lhe
qualidade e... defeitos!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
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quinta-feira, outubro 17, 2019
OS LIVROS SÃO TABUINHAS DE MIRAR O UMBIGO
42.
OS
LIVROS SÃO TABUINHAS A MIRAR O UMBIGO
Entre
mim e ti eu sou o labirinto alheio
Meda
de palha numa eira falha de grão,
Baraços
de tojo, cânulas de aveia, centeio
Destes
braços que malham pra catar pão
Que
não medrou, cuja semente se perdeu
No
receio desta gente que também sou eu,
Se
fez decalque, pressão, zip, ecrã, visão…
Ponto,
interceção entre o que é material
E
o que é espírito, as tabuinhas são cultura
E
essência de vida em teoria e em ideal
Que
têm palavras, símbolos e estrutura
Pelo
que algumas são mesmo, e à parte
Autênticos
exemplos, vivas obras de arte.
Nascem
após gestação apurada, coletiva
Mas
que é inequívoca plo cunho pessoal,
Pra
que o sonho nelas s’aquiete, sobreviva
De
maneira ativa, prolífera, bela e racional.
São
almas qu’espelham e inventam almas
Integridade,
dignidade, respeito, galhardia
E
apreciam partilha, venda, citação, palmas
Passear
de mão em mão e boa companhia.
Não
raras, de clássicas, são agora eternas;
Outras,
de universais, viraram circunstância
Local,
etária, conjugam antiguidade e infância.
E
há as que trazem ao cimo e de forma vária
O
que noutras era fixo e uno, ou letra sumária.
São
livros que se cumpriram no seu suporte
Sinas
públicas ou clandestinas de consorte…
Fazem
zoom sobre esses ínfimos detalhes
Que,
tão pequenos, passam despercebidos
Embutidos,
floreados, filigranas, entalhes
Que
em sociedade se esvaem tipo e diluídos.
Joaquim
Maria Castanho
in
REDESENHAR A VOZ, página LXIX
Com
foto de Elie Andrade
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AO TEMPO CERTO E TEMPO ERRADO
31.
TEMPO
CERTO E TEMPO ERRADO
Pensar
certo como s’errado fosse
Causa
calafrios quando se faz…
Dedos
frios, voz tropeça na tosse…
Convence-s’o
sujeito de incapaz.
Mas
não é tão mau com’o contrário:
Pensar
errado como se fosse certo
– Qu’assim
se torna o bom ordinário,
O
asno se faz passar por esperto.
Pensar
requer responsabilidade
Plo
que certo ou errado não conta,
Que
se é honesto o pensador há de
Rever
na verdade o que desmonta
A
mentira, a ilusão, a desgraça –
E
ver qu’o tempo só fica se passa.
Joaquim
Maria Castanho
In
REDESENHAR A VOZ, página LIV
Com
foto de Elie Andrade
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segunda-feira, outubro 14, 2019
BEIJO SECULAR
O BEIJO SECULAR
Beijar
os teus olhos é soletrar
É
abrir sulcos n'alma imperfeita
Semear
neles cristais e âmbar
Espreitar
luz que também espreita;
É
rogar aos céus sem crer rogar
Implorar
perfeição à jus eleita,
Eleger
amar o negrume lunar
Sem
fundo por uma fenda estreita.
Mas,
principalmente, é reconhecer
Que
sem eles não há amar, não há ver
Não
há esperança, não há esplendor;
Não
há dúvida, e não há certeza
Não
há felicidade, nem beleza.
Não
há sonho... E também não há amor!
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
domingo, outubro 13, 2019
A VÍRGULA MUTANTE
VÍRGULA MUTANTE
Era uma vez um aprendiz de jornalista por sua própria conta e risco. Começou como uma vírgula que em breve se tornou asterisco. E sempre que alguém lhe perguntava porquê respondia: «Eis que à realidade visto, com os fatos que de mim mesmo dispo.» Porém, de maduro bebeu demais... Até que um dia, regressou à poesia, e deixou definitivamente os jornais.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Maria José Castanho
quarta-feira, outubro 09, 2019
METAMORFOSE DA PEDRA
A
METAMORFOSE DA PEDRA
Na
pedra que o faz imortal
Cinzelou
o beijo (de granito);
Porém,
a ternura foi tal
Que
a pedra se tornou grito.
Invadiu
nave celestial,
Cruzou
aquéns e aléns terrenos,
Tirou
ânsia à humanidade.
Irados
mares tornou amenos
E
aos sábios deu bondade.
Mas
a mim, que sou um sonhador
Arreigado
e irreverente,
Pôs-me
a pensar ser por amor
Qu'as
pedras se fizeram gente.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
EM CUMPLICIDADE (MINERAL)
CUMPLICIDADE MINERAL
Desce
na brisa...
O
ar não contamina.
É
só oxigénio que desliza
Rasgado
por fiapos de neblina.
Dedico-te
toda a esp'rança.
E
dedico-te todo o desejo
E
dedico-te o dizer que balança
E
dedico-te a ânsia dum beijo
Num
arpejo que nos alisa
Motiva
e anima
– E
determina.
És
minério do mesmo veio
Labirinto,
em surpresas várias.
Granito,
grão a grão, pleno e cheio
Sinal
d'inspiração d'estrofes diárias.
Joaquim
Maria Castanho
Com
foto de Elie Andrade
terça-feira, outubro 08, 2019
A GOTA MADURA
GOTA MADURA
As dúvidas, como as certezas
Se têm igual transparência,
São tal e qual outras belezas
Que nos incitam à coerência.
Coerência no crer e no pensar.
No sentir, esperar e no querer.
Na contemplação e no imaginar.
No fazer, comprar e no escolher.
As dúvidas são mãe da certeza
Porque ela só nasce do duvidar,
Carregando peso à leveza
Qu'amadurece, pra de vez pingar.
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Elie Andrade
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