Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

São o chão em chamas onde as lavras
quinta-feira, junho 24, 2021
quarta-feira, junho 23, 2021
Silhueta Distante
SILHUETA DISTANTE
Dito-me estendendo a fala
Sobre o chão que pisaste,
Qu’o coração nunca cala
S’os olhos veem que passaste…
Mas o verde verte agora
Sombra na luz azul do dia,
Qual bandeira qu’aflora
O mal se vê, dos sem poesia!
Joaquim Maria Castanho
segunda-feira, junho 21, 2021
IDEIA LÍQUIDA
IDEIA LÍQUIDA
Leva-me a levada Serra abaixo
Com gestos íngremes e rápidas curvas;
Contudo, se das nuvens me desencaixo
Em trovões, raios (aparo) e novas chuvas
Ou misteriosa sinfonia, rumor (baixo)
Surdina mansa d’água ao rés da terra,
E tilintando espuma, eis que acho
O mais onírico qu’o sonho encerra:
– O de ser breu diluído, nascido dos céus
Feito ideia, mas transformada um dia
Em vala de pedra, cimento e poesia
Descendo dos fundos cimos da ribeira
Pra juntar alecrim à urze e uveira,
Send’assim maneira, de dar luz aos ilhéus!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Maria Inês / Mia Teixeira
#poesia
#poemas
#redesenharavoz
#literaturaportuguesa
quinta-feira, junho 17, 2021
quarta-feira, junho 16, 2021
A BOLSA DAS MARMITAS
A BOLSA DAS MARMITAS é uma novela policial, mas jocosa. De costumes, mas divertida. De crítica social, mas sem magoar ninguém. Que promove uma região, mas nunca a nomeia. Que está pejada de realidade por todas as sílabas, mas como espelho dela.
Carrega consigo o peso da atualidade duma terra (Casal Parado) dividida em quatro: a parte de cima e a parte de baixo; o lado direito e o lado esquerdo. Mas igualmente um romance de afeto e paixão entre duas personagens essenciais: Ludgero Campaniço e Eslovákia Hirondina. O primeiro, oriundo da grande família dos Ninguém-Tem-Nada-Com-Isso; e a segunda, natural de New Ville, que é uma terriola que fica para lá do Canadá.
Todavia, não posso adiantar mais nada… Em breve estará entre nós, e cada leitor ou leitora o poderá constatar por si mesmo, por si mesma.
O autor
Joaquim Maria Castanho
sábado, junho 12, 2021
HOJE
HOJE
Procura-me no tempo… Exatamente
Onde o ontem e amanhã fazem esquina;
Tão perto, ao rés do que é permanente
Mas que a eternidade ainda declina.
Não precisas de trazer nada (em mente)
E outras coisas qu’a etiqueta ensina;
Sequer boas intenções… Apenas sente,
Qu’é nas ilusões que o afeto germina.
São elas o caldo viscoso (com gorgulhos)
Visceral, pantanoso, e lamacento,
Apropriado pròs melhores mergulhos
À profundez oceânica do momento.
– Ou do exemplo, instante tumescente
Que penetra a lama donde nos contemplo!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#literatura
#poema
#redesenharavoz
segunda-feira, junho 07, 2021
SACADA HISTÓRICA
SACADA HISTÓRICA
Esta sacada mora em mim
Como um obstáculo inamovível.
Cerca-me de ferro forjado
Algema-me em formas simétricas
Obriga a ler contornos invisíveis
Entre o miolo branco da luz
Durando mais que qualquer vida.
Já no século XVIII era assim.
E também, quase todos que a viram
Pereceram, ou estão próximo disso
Mais século menos século…
Todavia, ela permanecerá
Por outros tantos – pelo menos!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#redesenharavoz
#literatura
#poema
#certa
#castanho
domingo, junho 06, 2021
Dia santo, Santo dia
DIA SANTO, SANTO DIA
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Começo a semana sem ti
Vai a semana no meio,
Ainda nem sequer te vi
Já tenho o copo cheio.
Tento não perder o tino
Qu’a coisa anda aziaga,
Para fintar o destino
Para curar esta chaga.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Entraparam-m’a cabeça
Nada de narizes ao léu,
Pra que não nos aconteça
Ser outras estrelas no céu.
Ind’ò domingo não chegou
Já me sinto a futurar,
Que o sonho também sonhou
Chegar a ti, contigo estar.
Neste preparo
Em que a gente balança,
Só tu és quem eu acato
Tu és toda a esperança.
Pelo mau trato
Que a vida me tem dado,
Tu és a minha vingança
Tu és o meu El Dourado.
Joaquim Marias Castanho
6 de junho de 2021
10:00 / 12:00 horas
quinta-feira, junho 03, 2021
A ARTE DAS ARTES
A poesia é a arte das artes.
PORQUÊ?
Porque com todas elas, ela convive, sem nenhuma ofuscar, mas antes completando, e acrescentando valor, como sucede com a música, com a pintura, com o teatro, com o romance, com o cinema, com a fotografia, com a escultura, com a arquitetura, com a paisagística, com a pedagogia, com a didática, com o desporto, com a gastronomia, com a decoração urbana, com a decoração doméstica, com a filosofia, com as ciências, com as ideologias, com a política, com a história, com o moderno, com o antigo, com o exotismo, com o esoterismo, com a cibernética e com a semiótica. Com o design e com TV.
Quando Bob Dylan, num passado ainda recente, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura, enquanto poeta, estendeu esse prémio a outra arte: à música.
Quando foi atribuído, a Gabriela Mistral, nos meados do século passado, o Prémio Nobel da Literatura, ela estendeu-o ao magistério primário, à pedagogia e à didática.
Quando no quotidiano, no dia a dia, em qualquer esquina, em qualquer café, em qualquer praia, em qualquer rochedo, em qualquer floresta, em qualquer fábrica, em qualquer repartição, em qualquer meridiano, nos acontece a poesia, ELA decora-os, embeleza-os, e dá-lhes sentidos e significados que, até aí, nunca tiveram ou lhes foram reconhecidos.
A POESIA É DESVIO. Sem ELA, tudo é rotina. Tudo é tédio. Tudo é compulsão. Tudo é monotonia. E tudo é lassidão.
Na economia, no jornalismo, na rádio, na televisão, marca presença, ilustra, dignifica, ou serve de argumento às matérias da comunicação social. Os jornais de referência repetem-na em títulos e a publicidade em slogans.
A poesia motiva, mostra, festeja, celebra, enaltece, conta, regista, fixa, o que a humanidade tem de heroico (ÉPICA), de existencial (DRAMÁTICA), de sentimental, emocional, afetivo e psicológico (LÍRICA), em cada uma das suas eras, de suas aspirações, de suas crises e de seus sucessos. Torna presente o que foi passado; “realiza” o que será futuro.
É imprescindível nas comemorações, atos solenes e passos em frente, de quase todas as culturas da atualidade. Os hinos de todos os países, compõem-se de poemas mais ou menos musicados, dando relevo ao que há de mais profundo em suas almas, seus inconscientes e conscientes coletivos.
Seja o que for que a humanidade fez ou possa vir a fazer, foi antevisto pela poesia, e diversos poetas ou diversas poetisas passaram por lá anteriormente, e interiormente.
A poesia integral, a prosa versificada e a prosa poética, divergem formalmente, mas estão unidas, e imbuídas, do mesmo sentido gregário, artístico, poético, ético, estético, literário, linguístico, pedagógico, filosófico e socializador, reunindo os seus cultores, fazedores e apologistas, numa mesma, grande e universal família – a nossa, a da POESIA. Umas vezes, cada qual trabalhando em separado e avulso; outras, em equipa, criando, divulgando, promovendo, usufruindo, trazendo a arte das artes para a praça pública, para o dia a dia. Para a publicação, para o entretenimento, para o espelhar da alma e das almas, para o livro… Como neste caso.
O livro qu’aqui ‘tá – obra com muita gente,
É um verso plural, poema coletivo.
Reúne de cada qual o ser diferente;
Dá a todos e todas, um sentir positivo.
Joaquim Maria Castanho
TODO O POEMA É CONTROVERSO
TODO O POEMA É CONTROVERSO
Cada momento é único.
E mesmo qu’o tempo seja
Extensível, por peleja,
Adulterado ou púnico,
Cada momento é único.
Nada há que o contorne.
Nem pérfida mente, visão
Distorcida pla navegação,
Ou alguém que o transforme…
Ninguém há que o contorne!
Único ainda qu’adverso…
S’o momento é legítimo
E nasce da graça dum crer,
Traz colado a si um verso
Seja público ou íntimo,
Pra que toda a gente ao ler
O dê ímpar… – controverso!
Joaquim Maria Castanho
#poesia
#literatura
#redesenharavoz