Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

São o chão em chamas onde as lavras
terça-feira, setembro 27, 2022
terça-feira, setembro 20, 2022
(SÓ) somos quem somos
SÓ SOMOS QUEM SOMOS
Deslumbra a fidelidade intrínseca…
Não há metáforas para o teu olhar.
E quando a sombra se torna promíscua
Nenhuma lágrima o poderá lavar.
Hidrato basilar será a sua máscara
O pigmento da memória por colorido;
Mas no fim de tudo o corpo é chácara
Onde o fado destila poema (sofrido).
Que o ser se à alma se entrega de boa-fé
Nem resiste, enfim, à sua unificação,
É porque quer ser somente aquilo que é.
Abdica da mentira e representação,
Do logro, da iluminura e do rodapé,
Pra casar co’a verdade da sua condição.
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 20 de setembro de 2022
domingo, setembro 18, 2022
NOTAR A AUSÊNCIA É DESEJAR VER
NOTAR A AUSÊNCIA É DESEJAR (VER)
Somente saudade resta depois de ti
Ao partir semeaste vazio no meu olhar,
E não fora o instante rasgar que senti
Só a memória habitaria este lugar.
O TEU SORRISO inventou-me por dentro
Como qualquer madrugada por fazer,
E agora se plas manhãs adentro entro
É tão-só na esperança d’O voltar a ver.
O TEU SORRISO é luar prestes a crescer
Entre aspas, até eclodir bem no centro
Onde a palavra entretece o puro tecer,
O que nem mil vocábulos têm pra contar,
Quanto unicamente em teus olhos li…
– Que a ausência é prenúncio de desejar!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 18 de setembro de 2022
domingo, setembro 11, 2022
A GRANDE incógnita
A GRANDE INCÓGNITA
Chamo-me Futuro, e não sou pra graças.
Nada sei do amanhã à exceção daquilo
Que é tão irrevogável como os braços de Milo
Na frugalidade do Agora e suas trapaças.
Podem não me ver sem lentes especiais
Esquecer-me entre as bagagens usuais
De quem pernoita nos desvãos e nas praças.
Nos arquivos, concertos e festivais
Ou nas partilhas por heranças e traças
Com que a inveja congemina planos, ameaças
Para se vingar dos que pensa serem mais.
Mais isto e aquilo, aqueloutro e coisa e tal
– Sabe-se lá! – Ou sinal intermitente
Tipo digital VIVO / MORTO, Virtual
Versus Real, em que existe tanta gente.
Chamo-me Futuro, e estou de partida
Para onde o passado não me encontre,
Perdendo de mim o rasto, sentido e norte,
Ainda que mui deseje repetir a vida!
Joaquim Maria Castanho
Com foto de Mia Teixeira
Portalegre, 11 de setembro de 2022
sexta-feira, setembro 09, 2022
TÍTULO PÓSTUMO
TÍTULO PÓSTUMO
Era uma vez um poema sem título
Que fazia parte de um romance, vivo
Real, ativo, nada abstrato e cativo
Do enredo, sendo dele outro capítulo
Jovem, mas sensato e ilimitado,
Como a sustentabilidade infinita
A sua pele cor de mel enfeitiçado
Seu olhar de luar de outono-escuro
Que chamo num silêncio qu’apenas grita
Sentido amor que vai para lá dos sentidos.
Se me aproximo, seu sorriso é puro.
Se o nomeio, conta cantando Mil… Dois… Cem… Três…
E salta da História o tempo, o muro
Dos nomes, para ser Rainha… – Sim…: outra vez!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 09 de setembro de 2022
terça-feira, setembro 06, 2022
SOBRE A IMORTALIDADE DO SONHO
SOBRE A IMORTALIDADE DO SONHO
Na orla do movimento
Todo o caos desacontece:
Fenece plo sentimento
Que só teu rosto merece.
E esse sinal que sei de cor
Bem a jeitinho de beijar
Quase tão botão de flor;
Quase seio de nobre amor
Qu’até põe o sonho a sonhar.
Porque ao ver-te eu o digo
Posto fora de perigo
Já longe de qualquer mal:
S’até o sonho sonho contigo
Que não se passará comigo
Que sou simplesmente mortal!
Joaquim Maria Castanho
Portalegre, 06 de setembro de 2022