A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

segunda-feira, agosto 08, 2011

NO BALANÇO DA LITEIRA

Assim, se houvesse alguma razão especial
Para crer que as crenças são fundamentais
Diria, sim diria, neste rumar por rimas adentro
Na cadeira de arruar fazendo o balanço ao real
Que mais que a sede há os pródigos murais
Que virtuais, neles mais te leio se me busco
E no contato brusco do instante me concentro…

Porque a principal fortaleza que na vida haverá
É a leda seda cujo fio o passado no futuro tem
Feito linha de entretecer o momento conforme está,
Momento conforme o desejo quer se o ser se atém
Que o documento só é o momento que do passado vem,

Passo a passo como onda de luz que na areia se desfaz
Que isso de dançar sob o vaivém cadente da História
É muito próximo de ser autêntico quando é ser capaz
De navegar pelas páginas dos pergaminhos da memória.

Que o breve é leve quando ao se prolongar se faz curto
Qual silêncio que entre notas de sílabas acesas nutro!

5 comentários:

Quasímodo disse...

Sem dúvida tocará fundo o coração de nossa amiga Lúcia.

Merecido. Parabéns.

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Nosso amigo Clóvis (vulgo Quasímodo), já sabe o que toca fundo em mim,amigo Joaquim...
Obrigada, por ter antecipado,para mim, a leitura do lindo poema. Como dizemos por aqui : AMEI!
Não sei se você já ouviu falar da Padaria Espiritual", um movimento literário que existiu no Ceará nos
anos 1890. Você me lembra, aqueles "padeiros", que preparavam lindamente, seus "pães" para as "fornadas". Se não conhece, busque na Wikipédia.
Um abraço
Lúcia

joaquim maria castanho disse...

Sim, tem Vc razão... Pode haver alguma semelhanção não intencional com a exotérica do grupo de O Pão, embora seja apenas isso. Semelhança por uso da mesma simbologia dentro do universo imagético que me comporta. Porque ele, exatamente ele, faz toda a diferença. Na relação alfanumérica o 3, 5, 8 e 1 podemos estar próximos, só que a minha imagética só fica definitivamente esclarecida no 2, 6, 7, 12, 13 e 20 (o XX, cromossómico).
O meu universo vem de muito atrás. Vem do tempo em que o sistema numérico não era ainda antropocêntrico e decimal mas sim hexagonal e matriarcal. A Mesopotâmia encerrava já os quatro cantos do mundo, é certo. Porém eles se reuniam pela tríade “comandada” por Arina, que tinha a ladeá-la Inanna e Shara. O resto está inscrito na memória de uma alma que não quer perder os seus registos originais…
Tenho imensa pena de não poder aproveitar a alegoria do pão, como os amassadores faziam, porquanto a farinha seja a mesma o forno aquece com outra chama.
Mas reconheço que a aproximação é bastante e até pertinente, na maior parte dos meus poemas onde a polissemia e/ou subjetividade se destacam.
Jinhonssssssssss

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Curiosa, e antevendo a continuação do diálogo, voltei. Não sou poeta, e pouco, ou quase nada, entendo do fazer poético, de suas métricas e tais...Só sei que gosto, quando há beleza nas reuniões de palavras, revestidas das chamas de que você fala, bem diversa da que que aquece a massa: aquela chama, aquece à alma...o coração...bem sei.
Citei a Padaria Espiritual, porque tenho familiares (tios-avós) que dela fizeram parte e aprendi,portanto, a admirar aqueles jovens de um século anterior ao meu. Tínhamos, em casa, exemplares de O Pão.
Obrigada, Joaquim, pela profunda aula que ministrou, só para mim.
Bjos

joaquim maria castanho disse...

Apraz-me confessar quanto apreciei saber da sua ligação familiar e afetiva com os artífices de O Pão, e de como, o meu pequeno e sintético exórdio sobre o universo imagético em que me movo e os amassadores da Padaria Espiritual trabalhavam a massa, a sensibilizou ou “esclareceu” a propósito das diferenças e semelhanças que nos gizam as rotas. Longe de pretender ensinar-lhe fosse o que fosse, pois a máxima sabedoria que se pode ter neste capítulo já Vc a possui em reconhecida quantidade e valia – o seu saber gostar e apreciar a “coisa” poética na acesa chama do espírito que não omite a acuidade dos (sete) sentidos; sim sete, e não apenas cinco, porquanto a empatia e propriocepção são mais-valias humanas de que não devemos amputar-nos – de muito boa e elevada e louvável estirpe, índole e, conforme demonstrou nas gentis palavras que me dirigiu, intenção colaboradora, que em literatura é o princípio essencial motivador de entendimento entre o emissor e o recetor, ou vice-versa. Porque sem a colaboração avisada e a excelsa acuidade de quem lê, de pouco ou nada servem as mais lindas e melodiosas estrofes, nem os superlativamente inteligentes constructos linguísticos…
Portanto, afora esses pormenores técnicos do jogo de silabar sentidos, ideais, sentimentos e emoções que é a “poesis”, creia-se uma invejável afortunada e alma privilegiada, não só por possuir e conviver de perto com o espólio cultural circunscrito nos exemplares de O Pão, porquanto eles refletem o esplendor de uma geração de elevada preocupação ética e genial criatividade, mas também porque no balanço da sua cadeirinha de arruar sentir a paisagem que atravessa deixando-se envolver nela, mantendo-se permeável aos seus valores e beleza, na singeleza de uma ternura a que o intelecto se não opõe. DEVERAS. OBRIGADÃO por ser quem é, sentir o que sente, observar sem esquecer, e ver com olho invisível o quanto de essencial há nas aparências. Mhhhhhuuuuuaaaaammmmm ******