A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

terça-feira, novembro 20, 2012


DO ANTES E DO DEPOIS



A solução do mundo é
Qualquer coisa de irreal,
Que onde se interpõe a fé
Tudo que não é bem, é mal.

Dois opostos se completam,
Duas faces da mesma moeda:
Uma, são os olhos que pecam;
A outra, os que o pecado azeda.

E da luta entre estes dois
Só sai quem cega de vez,
Que antes do pecado, o depois
Se chama desejo e languidez.

Tanto peca o são como o impuro,
Que a culpa não tem fastio;
Se alimenta tanto do inseguro
Como do afoito, do tolo e arredio.

É senhora de casa e mesa posta,
E por prazer tem toda a virtude;
Aos doentes a saúde mostra
E aos sãos esconde a saúde.

Por isso se crê que a ilusão
Tem o papel de muito importar:
Dá ao mundo a solução
Pra ninguém o querer mudar!

sábado, novembro 17, 2012


ÁGUA ACESA



É, esta, a terceira tarde de chuva
Quase contínua, a fria humidade,
Assenta-nos na alma como uma luva
Feita por medida – e brinde da idade.

Ninguém poderá alterar os destinos
Perante tão implacável natureza…
Porém, ao cruzarem a luz os pingos finos
De chuva semelham estrelas de água acesa!


sábado, novembro 10, 2012


AMAR E VER TÊM A MESMA MEDIDA



Que pode um homem pensar, assim direi,
Quando a voz se lhe embarga no ocaso
E o sol, ao esconder a luz, como sua lei
É outra agora, outro o seu desembaraço?
Nada nos aprouve tanto, plebeu ou rei
Me vi ante ela, sujeito em seu duro laço
Nó de apertado rigor e formatado me sei
Como vassalo fiel que só teu sou e faço
Pertencer é um verbo de registo vincado
A que nenhum pretenso ser tem acesso,
Que aquele que bem ama melhor é amado
Sendo também verdade o contrário avesso…
Pois de mim para mim próprio me vejo atirado
Em teu amor, que é todo quanto do meu mereço!

quarta-feira, novembro 07, 2012


NA VOZ DAS MÃOS


Enquanto na orla dos anseios inquietos
A horda de pétalas silvestres reluz,
Reflexos dispersos, raios de alva jus
Traçam tangentes aos primordiais afetos



Esses, que tidos por puros e sãos
Se nos cruzam como apelos secretos
Nos lúcidos trajetos…



– Da palma das mãos!

domingo, novembro 04, 2012