A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

sexta-feira, agosto 07, 2015

O PAR IMPERFEITO





O PAR IMPERFEITO

Não estamos aqui para competir,
Nem tu, nem eu, temos nada com isso.
Crias o que podes, dizes o que queres
Calas o que te apetecer; nada te impede...
Ser é tão-só caminho tracejado de sendo...
E eu criarei igualmente o que puder.
Faço o que quero só por o fazer.
Digo o que quero apenas para o dizer.
Escuto-te se vir que é caso disso
E sei que havemos de lá chegar um dia.
Não sei onde, mas temos o porquê tatuado
Em qualquer parte da alma, na artéria da poesia
Que dá prà Praça da Liberdade e centro ajardinado.
Qualquer meta é realizável se o sangue pulsar,
Por isso, se fores para o mesmo lado que eu,
Ou se eu for para o mesmo lado que tu,
Podemos caminhar a par e conversar um pouco
Acerca dos ontens e dos amanhãs, das quimeras
A sobrevoar outonos, outeiros e primaveras.
Veremos o mar se for preciso... o que será baril,
Esteja ele calmo e morno ou tempestuoso e louco;
E poderemos até sentar-nos na estação ferroviária
Com uma máquina fotográfica, pão com chouriço
E um garrafão. Ou então, nada disso... Apenas
Alguns poemas, que fiz pelos beijos que te não dei
Quando me apeteceu fazê-lo mas estavas longe
A espremer os cravos de abril até darem sumo de laranja.


Joaquim Castanho

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