Sejam as palavras ditas para além do mal e do bem As que o escriba ouve, o escriba dá, o escriba tem!
A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

São o chão em chamas onde as lavras
quarta-feira, março 30, 2016
AS RAÍZES DO AMOR
AS RAÍZES DO AMOR
Sem teu olhar não existo.
Sem teus olhos não me vejo.
Sem teu carinho sou aquém.
Sem tua voz sou pedra, xisto.
Sem teu rosto não versejo.
Sem tua vida nem vida tenho.
Digo-me só se me escutas
E nunca vou de onde venho,
Que se travo algumas lutas
Não são d'espada nem lenho.
Minha missão é outra aqui
Nesta Terra, nestes países:
É ver-te – e guardar o que vi
Pra matar a sede às raízes.
Joaquim Castanho
terça-feira, março 29, 2016
COM A PALETA DE VERMEER
COM A PALETA DE VERMEER
Hoje, vi o teu rosto, com gosto e olhar de um pintor
Que, de tão deslumbrado,
Não consegue fugir ao imperativo da cor
Sentindo-me arrebatado
Tanto, tanto, que queria pintar esse quadro
Só pra poder contemplá-lo a toda a hora,
Sabê-lo retido entre linhas a régua e esquadro
E pendurá-lo no crer que me escora
Alicerça à vida, enreda de real eternidade
E ter a certeza que ver-te é ser verdade,
Mesmo quando sonho e viajo ao infinito
Com as plenas asas do verbo a flamejar,
A planar, confiantes, até no rodopio do grito...
Havia de guardá-lo secreto
Emoldurado com os raios solares
De quando este se põe, encarniçado e aberto
Para os horizontes milenares;
E, mais ainda!, repeti-lo vezes e vezes
Até ao Olimpo, por espelhos, aos milhares,
E reconhecer como deusas e deuses
Invejando-te comentam, rapaces,
Audazes, entre os brilhos rosa e lilases
Dos íntimos murmúrios: «Que pintura linda...»
Joaquim Castanho
quarta-feira, março 23, 2016
segunda-feira, março 21, 2016
SE NÃO CHOVER VAI ESTAR UM LINDO DIA
SE NÃO CHOVER VAI ESTAR UM LINDO DIA
Me decorrem do sangue as veias
Em marés de estro e luas cheias,
Da raiz à sombra com que devora
Toda a luz – fulgor intransigente...
É o inverno que parte se o verão
– Truz-truz – lhe bate à porta
Perguntando se há gente.
Mas na casa do tempo nasceu Senão
Para quem a esperança é letra morta
E que, embora não desejado,
Escancar'as folhas descuidado
Para o anfitrião que nunca esgota.
– Truz-truz – é o verão a bater;
Mas Senão não vai responder.
Que o tempo ora perdido ora
Preenchido se ora também pede;
E mesmo se o atiramos fora
É sempre um Zenão que nos mede.
Joaquim Castanho
domingo, março 20, 2016
ÍNTIMA REPÚBLICA
ÍNTIMA REPÚBLICA
Pronta mas liberta a ordem vigente
Se amplifica original e certa,
Quando à franja especial atente
Por correta, e de justo alerta,
Tão de repente, que por si aperta,
E limita o sentido do realmente.
Tanto se estende como contrai.
Tanto se preenche como s'esvai.
Tanto alicia pra sentidos novos
Como actualiza o ser dos povos.
Que a ordem se orienta pla razão
E vontade de justiça no Direito,
Plo que é vinculativa prà nação
E é república em nosso peito.
Mas a lacuna oculta subsequente
Que a nosso criar on line abarca,
Nem restringe se mau uso faz a parca
Gente do que é nobre e pertinente,
Pondo em vão vida, feitos, esp'rança
De quem partilha e aos mais alcança.
Joaquim Castanho
quarta-feira, março 16, 2016
POEMA COM intenSão
POEMA COM intenSão
Escuto o teu abraço e nada digo.
Sou verbo que adormeceu silêncio
Do silêncio que partilho contigo
Dentro de dicionário tão extenso
Como é o da ilusão que persigo...
E sob esse véu de calar e esconder
Biombo de todas as vozes intimistas,
Cicio-te esta paixão que faz doer
Mesm'os desejos mais idealistas.
Joaquim Castanho
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terça-feira, março 15, 2016
NO CHINFRIM DA'BALADA
NO CHINFRIM DA'BALADA
Noturno abreviado
Como rondó de partida
Chora a ciranda em fado
Desfazendo fila à saída,
Que o jardim irá fechar
Dentro d'imediatos versos,
Repetidos ou diversos,
Que até podem peneirar
– E em requebros de sambar.
São essa quinta coluna
Do exército fabuloso
Com que rimas, uma a uma,
Gingaram no chão arenoso
Entre paredes de buxo,
Alegretes de violetas
Trajando roxo de luxo
Para ouvir as trombetas
Que encerram a bateria,
Todas guinchando tão certas
Que os vis ruídos destas
Chegam a "pracer" melodia.
Joaquim Castanho
NOTURNO – composição para piano ou orquestra, de caráter ternurento ou melancólico.
RONDÓ – ária em que se repetem sempre os temas principais.
CHINFRIM – baile popular, arrasta-pé, algazarra de abalada.
segunda-feira, março 14, 2016
ESCREVER SOLTO
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PINGA A PIPA, PIA O PINTO
PINGA A PIPA, PIA O PINTO
Lengalenga ajuizada
Tem pandeireta, bandolim,
Tambor, violão, e a passada
De quem passeia plo jardim.
E às vezes um violino
A fazer de bom cometa,
Qu'arranha nosso destino
Onde nenhuma flor é certa.
Serpenteia pla tradição
Que nem espiral, remoinho
Para moer mas sem pilão
Nossas pedras do caminho.
Lengalenga se dançada
Em correria pelo sertão,
Traz alvoroço à criançada
Ou traz chuva prà criação;
Nuns sítios parece nada,
Noutros, brota vida do chão.
Joaquim Castanho
domingo, março 13, 2016
TRATAR IGUAL O IGUAL // TRATAR DIFERENTE O DIFERENTE
TRATAR IGUAL O IGUAL
TRATAR DIFERENTE O DIFERENTE
O destino indica ao ser
A lei por que se enleia
Somente porque quis viver.
Faz suas preces à lenda,
Alinha deuses por poder,
Abre sulcos numa senda
Pra dificultar percorrer.
Acoita vis predicados,
Admoesta o inocente,
E sem olhar par'os lados
Fita passados de frente...
Que é equidade assente
Tratar com modo vário
Tudo o que é diferente
– E mente, e mente, e mente
Quem disser o contrário.
Joaquim Castanho
sábado, março 12, 2016
INTERPRETAR É PENEIRAR
INTERPRETAR É PENEIRAR
Em fila caracoleamos
Entre sebes e alegretes,
Nesta ca(u)sa de que somos
Aprendizes ou cadetes;
Causa de casa prevista
Diz a previsão causada,
A condizer, por ser mista,
Com a ideia formada.
E diz também que o dizer
Em causa é entendido
Por essa maneira do ver
Somente nela vertido;
Ca casa da causa convém
Mandado volteio geral,
Por ser a causa de ninguém
Qu'é casa pra todos igual.
Joaquim Castanho
sexta-feira, março 11, 2016
CANTO CHÃO, CHÃO DE CANTE
CANTO CHÃO, CHÃO DE CANTE
Numa dança bem rodada,
Este crer ser positivo
Sem me omitir em nada.
Que numa ciranda, talvez,
Cirandada em compasso,
Cada qual tem a sua vez
Sem nunca perder o espaço,
O pé; e roda que roda então
Pra bater palmas no centro,
Onde mundo se faz mundão
Quer à volta, como dentro.
Joeiro de nobre propor
Semente de rimar gentio,
Co jeito plural desta cor
Que tem a terra do plantio.
Joaquim Castanho
quinta-feira, março 10, 2016
i-Luz
O travo grave da breve treva
Entrava no enclave a brisa
E morno entorpece a gleba
Que na areia ao sol se alisa...
O verão está no fim, e a eito
Se escoa assim-assim a luz,
Que à sombra ganha defeito
Num pleito sem lei nem jus.
É o ocaso a pedir perdão
De ocultar à humanidade
O astro que nos dá a ilusão
Que sem ilusão não há verdade.
Joaquim Castanho
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quarta-feira, março 09, 2016
OS VERSOS ELEITOS
OS VERSOS ELEITOS
A exigente correção de enunciados
Que, sendo versos, são para a poética
Átomos, células de ditos e rimados.
O seu teor discursivo tem na ética
Raízes profundas e, mesmo escusados,
Eliminam a controversa cética
Aos prosaicos mais iluminados.
São nela o tudo, como também o nada.
São do agir o princípio e a bitola.
E se rematados na forma desejada
Sentem-se dilectos em sua escola.
Eleitos, triunfais e aclamados
São versos corretamente enunciados.
Joaquim Castanho
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terça-feira, março 08, 2016
SABER OUVIR
SABER OUVIR
A pessoa ideal é uma pauta,
E que carece de preenchimento!,
Sobretudo quando nos faz falta
Não todo o dia, mas a dado momento.
Da mulher, qualquer homem tem uma,
E que nunca é de mais ninguém,
Mesmo se ele bebe, se droga e fuma,
Lhe bate, explora e vota ao desdém.
Que isso da gente imaginar o que quer
Como se fossem ternos por medida
As/os demais, seja homem, mulher,
Jamais bateu certo com esta vida:
Há é quem nos escute e quem s'escute;
Quem nos ame, ou apenas nos desfrute.
Joaquim Castanho
segunda-feira, março 07, 2016
DIZER QUE «NÃO» DIZ
DIZER QUE «NÃO» DIZ
Cuja sombra rápida sendo,
Me escreve a versos lestos
Quando te vejo (lendo).
Trazes o mar secreto do céu
No olhar inequivocado,
Pondo-me o sentir ao léu
Tão em segredo gerado.
E nesse desvendar, contudo,
Íntimo que me devora,
Fico-te vassalo, mas mudo
Calo o sentir que me aflora.
Joaquim Castanho
domingo, março 06, 2016
VAGUEAR POÉTICO
VAGUEAR POÉTICO
Se o que fica dito é tido em conta
E situação de facto verificada,
Então qualquer quadra 'tá pronta
Após ficar muito bem quadrada.
Do juízo à proposição de sua monta,
Nesse ir e voltar por que é enunciada,
Já ao acto a consequência aponta
Se da regra é subsumida e derivada.
Porque toda a quadra é silogismo
(Com premissa maior, e menor, e conclusão),
Espécie de narciso sem narcisismo
Agitand'os nenúfares da confusão.
Que pensar à toa todos pensam por certo;
Só poetas vagueiam pra ir mais perto.
Joaquim Castanho
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sábado, março 05, 2016
SOMBRA FEMINIL
SOMBRA FEMINIL
Sobre a sorte, convém dizer,
Que pairam nuvens sombrias,
Se por ganhar calha perder
Não fortunas, mas dias.
Sua cinza de brasa pouca
Roga verbo sem provisão,
Ca luz da sombra é rouca,
Pla sussurrante ocasião...
Porém, a própria sombra
Encanta se em si trouxer,
Colorido que deslumbra
Numa voz e riso de mulher.
Joaquim Castanho
sexta-feira, março 04, 2016
NINFA A(U)STRAL
NINFA A(U)STRAL
Escolho a fala e não o credo.
Escolho o que cedo exala
Desse olhar que nunca cala
No apelar ao céu dum cedro;
Dum cipreste na paisagem
A recortar a cinza dos dias,
Oscilando sob essa aragem
Que fustiga as manhãs frias.
E dessa escolha com calma
(Sem agitada ansiedade)
Vejo em tua face aquela alma
Que me dita a realidade...
Mas nada de concreto lhe digo;
Só a registo, lhe sorrio e sigo.
Joaquim Castanho
quinta-feira, março 03, 2016
A PROPOSIÇÃO «LEGAL!»
A PROPOSIÇÃO «LEGAL!»
Do pleito a lei remissiva tem
Numa ficção onde o prevê,
Aquele olhar que é também
Aquela descrença que o crê.
É distinta mas não acaba.
É um mas qu'outro mesmo vale.
E sendo núcleo serve de aba
Prò dito restrito que o cale.
Entrementes finge outro ser
Sendo o exato clone de si,
Que a palavra lei pode ter
Outra ca prenda agora aqui.
Joaquim Castanho
PROPOSIÇÃO – acto ou efeito de propor, expressão do juízo, primeira parte de um discurso ou de um poema onde se expõe o assunto que se vai tratar, asserção, princípio, máxima, expressão de um ou mais pensamentos por meio de palavras, oração (gramatical ou não).
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quarta-feira, março 02, 2016
terça-feira, março 01, 2016
JUÍZO DE REALIDADE
JUÍZO DE REALIDADE
Conducente é a prova
(Inegabilidade pura)
Se o verbo não estorva
A lucidez, e segura
Capricha pela atuação,
Sem hesitar no «SIM» ou «NÃO».
Do enredo é perita.
Da trama, nó fundamental.
E argumenta expedita
Sem tropeçar com a moral.
Mas à culpa castigo dá;
E inocenta quem o está.
Porque nessas duas faces
Tão distintas, tão iguais,
Está do que somos capazes
Como humanos e... mortais.
Joaquim Castanho
(O JUÍZO DE REALIDADE é aquele que enuncia factos ou que incide sobre relações entre factos; é um juízo que afirma ou nega a realidade de um fenónemo. O juízo de realidade opõe-se ao juízo de valor, e também se designa usualmente por JUÍZO CONSTATIVO, JUÍZO POSITIVO.)
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