A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras

A aventura das palavras... das palavras... as palavras... as palavras
São o chão em chamas onde as lavras

quarta-feira, agosto 31, 2016

PEQUENO ÉDEN




PEQUENO ÉDEN 

Há pétalas a florescer
Na trança de fios de luar, 
Em que um dia me pude ver
No avelã madura do olhar;
Sentir aroma de violetas, 
E reconhecer este lugar
Feito pra fadas e poetas… 
Pequenos sonhos, mágicos, 
Estrelas de Lua Nova, 
Odes, víveres práticos, 
Frutas, das cores e paletas
Cujo odor o sabor comprova. 

Mas, principalmente, alguém
Que me transporta à certeza, 
De ser outro Éden também
Simplicidade e beleza.

Joaquim Maria Castanho 

terça-feira, agosto 30, 2016

OLÁ, AMIGA!!


OLÁ, AMIGA!




OLÁ, AMIGA!

Procuro-te como um cego
E não te encontro; todavia, 
Só a mim mesmo eu renego
Ante a desfaçatez do dia. 
Procuro-te, e à luz entrego
Toda a ânsia e melancolia, 
Que nunca nego, colo e prego
Nas costas doídas da poesia. 
Ela e tu são meu supremo bem; 
Destrinça entre ambas não há. 
A Ela motivas, mas és pra quem
A escrevo, ou sinto, ou digo. 

Procuro-te. E onde quer que vá
Contigo vou e só por ti (sigo!)

Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, agosto 29, 2016

domingo, agosto 28, 2016

A VIDA PÕE; O DESTINO, DISPÕE




A VIDA PÕE; O DESTINO, DISPÕE


Se os olhos fecho, então vejo-te; 
Mas abro-os, e, logo, procuro-te.
Minha vida é a tua residência
Fixa, a que nem mesmo a ausência
Ou os desencontros podem adiar… 

Decorei-te. Teu rosto é o meu mapa, 
O conteúdo, a narrativa e a capa
Quando viro páginas, a respirar. 

Impressas no fogo brando da visão
Tuas faces são agora realidade
Constante, quer eu te veja, como não
– Esteja em casa, ou na cidade!

Se penso, minha mente, foge para ti, 
De quem olha em frente e mais nada vê... 
Porém, nunca me canso de ver quem só vi
Tão raras vezes – noutros motivos e porquê. 

Joaquim Maria Castanho

sábado, agosto 27, 2016

POEMA SECRETO




POEMA SECRETO

Guardo o que é precioso só pra mim… 
Escondo-o em segredo de toda a gente, 
Desejando que jamais chegue ao fim
Esse sentido nascido de repente. 

Digo o que não digo com teus olhos assim
Vivos, mágicos, a fulgirem na mente; 
Tão acesos, que ardo em sedas e cetim
Como um vitral à luz do sol nascente. 

Ao mundo nada importa do que sinto: 
Para os demais, pouca valia tem. 
Portanto, digo; mas a seguir desminto

Ou minto e finto, e sem fingir, também
Eis-me vendo ora, o teu olhar distinto
– E sinto-o, como nunca senti o de ninguém! 

Joaquim Maria Castanho

sexta-feira, agosto 26, 2016

OBRIGADO DOCE AMIGA II


OBRIGADO DOCE AMIGA




OBRIGADO DOCE AMIGA 

Teu lindo sorriso de «Bom dia»
Devolveu-me toda a alegria
Que o fado quis outrora roubar; 
Foi ápice, pétala de magia, 
Pérola na manhã “fria” a brilhar
(Entre soturnidades do calhar
– Ou encontros nos trilhos casuais
Aos quais, não há como evitar.) 

É teu o maior poder: o da cura. 
E os sublimes segredos da flor, 
Baloiçando nas vagas, segura
E enleada nos cabelos – favor
Que deuses e deusas apenas dão
A quem no Olimpo há de entrar;
Não por morte, sequer de avião, 
Mas só pelo coração, a pulsar. 

É por isso, por esse dom perfeito
Do sorrir, que raras pessoas têm, 
Que o poema, além de versos feito,
Se compõe também do sentir eleito
Que não se sente por mais ninguém. 

Joaquim Maria Castanho

quinta-feira, agosto 25, 2016

BEM DESTINA A DESTINADA




BEM DESTINA A DESTINADA 

Nasce noutro corpo este pulsar, 
Com este ritmo, este balanço; 
Tem avelãs maduras no olhar
E o verbo a remar pelo avanço
Dos dias onde o sonho te quer ver… 
Mas se digo à alma para parar
Ou ao coração que pare de bater, 
Continua mesmo assim a pulsar, 
A rumar, e nada o pode conter. 

Porque já me não pertence quem sou,
Por um dia te ter ouvido e visto, 
Que a vida é uma flecha em voo 
Que giza na lousa, risca o xisto; 
Ou é sombra que à luz dá rota 
Quando o olhar a outro olhar nota! 

Joaquim Castanho

quarta-feira, agosto 24, 2016

TRÊS VEZES TRÊS




TRÊS VEZES TRÊS 

Por três vezes o nácar cintilou
Entre os breus da existência,
E em todas elas meu ser voou
Num grito (calado) de urgência… 
Arrebatado sim, e premente
Preso à eterna luz fulgente
Do universo que a vida criou. 
Encontro triplo, tripla magia
Que a cintilar germinou, talvez, 
Outras tantas pétalas de poesia
Que se hão de multiplicar por três. 
Até o infinito da imensidão. 
Até o crepitar da madrugada. 
Até que os corpos sejam a razão 
Da alma perdida, se encontrada
Ao cubo de si, pérola da voz
A escalar as rampas da memória, 
Da beleza que escreveu em nós 
Seus dias… – e própria história! 

Joaquim Maria Castanho  

terça-feira, agosto 23, 2016

PEQUENOS QUASES DE MISTÉRIO




PEQUENOS QUASES DE MISTÉRIO 

Nas clareiras das florestas, 
Entre grupos ou multidões, 
Surgem lindas fadas, lestas
E fugazes, cujas intenções 
(Raras mas nada funestas) 
Nos mistérios, audazes
Sublimes são só quases
Como visões transitivas. 

Resplendem incandescentes,  
Cabelos em áureas vivas, 
Sutis pérolas a cintilar… 
E é a magia destes entes
(Da beleza bem cativas)
Que põe os aedos a sonhar. 

Pois hoje, uma vi, eu
Tão real e arrebatadora
– Instante em que apareceu –, 
Que ora da Poesia é Senhora
– Sendo Ela, tudo o que é meu!  

Joaquim Castanho 

segunda-feira, agosto 22, 2016

LUMINOSA OPTERIA




LUMINOSA OPTERIA 

Mas a luz do teu sorriso 
Não carece de corrente, 
Eclodindo sem aviso
A voar no céu da gente. 
Matando breu duro e liso
Só com azul dulciquente. 

É assim que sempre o vejo… 
Tal como o vejo agora: 
A abrir as portas do beijo
– Fechar sulcos à demora. 

Que tipo de luz é, não sei; 
Mas brilha intensamente. 
Às vezes parece ser a lei;
Outras, apenas sua lente.

Joaquim Castanho 

domingo, agosto 21, 2016

MAGIA CIRCULAR




MAGIA CIRCULAR

Me rolo lua, pedaço dela
Na poalha encantada 
Pérola, barca à vela
Do ser, e assim celebrada
De repente, na mirada 
É quase nada, ausente 
Mas tão viva, mas tão bela
Que a gente, se se cala
Então, é ela a nossa fala. 

E me envolvo se resolvo
Desenvolver no enleado
Mistério, que me devolvo
Ao luar, já cativado
Por tua face, e semblante
De lua serena e distante. 

Mas os gestos são-te dança
Sideral que atravessa
Janela desta mudança
Nessa linha que começa
Halo de pérola se avança
Como quem apenas regressa.

Joaquim Castanho 

sábado, agosto 20, 2016

MUSA DA MADRUGADA




MUSA DA MADRUGADA 

Tudo o que a gente sabe
É pouco ante teu brilho; 
Qualquer coisa que cabe
Entre as solas e o trilho
Nos passos dum peregrino, 
Que te preza com’um filho
Em busca de seu destino… 

És a dona da alvorada, 
A desprendida dos dias; 
Musa no céu estampada
Que nos dita as poesias. 

Joaquim Castanho

sexta-feira, agosto 19, 2016

O VALOR DO VERBO




O VALOR DO VERBO 

Esqueço o caminho de volta a mim
E já não sei regressar a quem fui, 
Depois de ter naufragado, enfim
De onda em onda e força motriz
Da luz em teu cabelo, sem receio
Que seja meio e fim que sempre quis; 
Nada mais me revela e esconde
Nem sublinha na linha escrita, 
Seda que é a sede e a fonte
De enleio numa flor infinita… 

Precisão sem precisar mas rigor
Do sentir que me deixa marcado, 
Dando aos verbos o verbo do valor
Que é passar a vida a teu lado. 

Joaquim Castanho

quarta-feira, agosto 17, 2016

TEMPO ALUCINADO




TEMPO ALUCINADO

Deixo escorregar o tempo pla tinta
Que o versejar sustenta e compõe, 
Até que cada ser também o sinta
Como dor de doer que nunca doi. 
Outra mágoa sem olhos de água…
Ausência que capricha a presença… 
Única guerra que é só trégua… 
Rima de fé feita de descrença… 

E nesse lento esvair escoado
As sílabas agrestes, tiranas, 
Por tentar ver-te em todo o lado
Põem-me, enfim, os olhos em chamas. 

Joaquim Castanho

terça-feira, agosto 16, 2016

ALICERCE NATURAL AFETIVO




ALICERCE NATURAL AFETIVO 

Por se refazer na expressa voz
O teor dos vastos horizontes, 
O verbo dos verbos está em nós
 – Brisa que afaga vales e montes. 

E nas correntes de ar em voo plano
O teu nome de pérola em flor
Sopra dos versos o que é insano, 
Expulsa receios, afronta a dor. 

Tens o poder e fulgor da saudade. 
Tens o nácar secreto que aquieta. 
E por ti o sonho soa a verdade… 
– Como querer que sem crer desperta! 

Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, agosto 15, 2016

NÃO HÁ LUCIDEZ SEM LUZ




NÃO HÁ LUCIDEZ SEM LUZ 

Atencioso, ímpar, mágico
Como antes nenhum outro vi, 
Teu jeito alterou o gráfico 
De meu cardiograma (sem ti). 
E ditou-me de imprevisto
Reportagens, leads sociais, 
Crónicas de conteúdo misto
Pràs poéticas dos jornais, 
Factos alinhados por composto
Em edições simples e normais, 
De quem observa o mundo aposto
Pra não lhe omitir os sinais. 

Porque sem teu jeitinho gentil, 
Teu sorriso maravilhoso, 
O dia a dia seria cruel e vil,
E o poema… – juntar palavroso!

Joaquim Maria Castanho

OLHOS DE MADRUGADA EM FLOR




OLHOS DE MADRUGADA EM FLOR

Das pétalas de lua preciosa
Que as ondas do mar depuraram, 
Nasceu o poema, o mote e a glosa
Com que os aedos celebraram
De todas, sua maior estima
Ou motivo de sentida rima, 
Dentro do tempo e tempos idos
Presentes, futuros e ideais
Tanto, qu’até hoje são ouvidos 
Nas rádios, e lidos nos jornais. 

São sílabas do nome em flor, 
Mãe com olhos de água mansa; 
Pérolas no limbo nácar da cor
Nas sete portas de esperança
Do berço encrespado do amor. 
Mas muito mais, sempre e ainda
Centelha de luz das almas puras
Donas da vida viva, e linda
Que ilumina as noites escuras.

Joaquim Maria Castanho

domingo, agosto 14, 2016

COM CERTEZA QUE VOEI




COM CERTEZA QUE VOEI

Dança-me uma estrofe gentil
Comovida com o teu jeitinho, 
Cujas rimas – bem mais de mil! –
Me distraíram todo o caminho. 

Por isso, não posso contar o que vi… 
Nem sequer sei por onde passei! 
Que meus olhos, de presos em ti
Tanto cantam, como dançam a par,
Por imaginar verem teu olhar
Nessas nuvens com que me cruzei. 

Joaquim Maria Castanho

sábado, agosto 13, 2016

OCASO DANTESCO




OCASO DANTESCO 

Põe-se o sol incendiado 
Como Dante nunca observou, 
Já que o Inferno assim criado
Foi tão-só o Céu quem o pintou. 

Joaquim Castanho

PARA LÁ DO TÉDIO ESTIVAL




PARA LÁ DO TÉDIO ESTIVAL

O teu suspiro bateu fundo
Neste sentir assolapado, 
Ind’assim as vozes do mundo
Não disseminem o recado
Vedado a ímpios gentios
– Vítimas de tédios e estios.

Que o ar, embora seja leve
É também sujeito ao atrito, 
E vindo de repente e breve
Pode ter a força de um grito
Nas imaculadas sem atavios
– Vítimas de tédios e estios. 

Por isso o poema fugiu ledo
Aos adivinhos pouco sadios, 
Pró tema ficar em segredo
Das bocas dos tédios e estios. 

Joaquim Castanho 

sexta-feira, agosto 12, 2016

O MAIOR SENTIR




O MAIOR SENTIR 

Hoje bebo pétalas de ternura
E me atiro pràs ondas de teu mar, 
Que nessa sede o anseio perdura
Em doce júbilo, doce naufragar. 
O destino és tu, fonte segura
De meu afeto, devaneio, pulsar; 
Que quando beleza nasce pura
É certo à candura também brotar. 
E no tão simples que a vida fora
Pela rota, sublime descoberta, 
M’entrego em prece a ti, Senhora
Como vassalo que enfim desperta
Prà fidelidade, que de amor é mãe – 
E dos sentires, sentir de maior bem! 

Joaquim Castanho

quinta-feira, agosto 11, 2016

BATALHÃO INTERIOR




BATALHÃO INTERIOR 

Reacenderam teus olhos em mim
A magia que só eles transportam, 
E por cujos o infinito ganha fim
Na luz que assim dão, e exortam
A alma a atingir a perfeição 
Do voo de teu nome inteiro
Que, em Tróia, foi o primeiro
Tal como o é no meu coração 
Aonde posto entre instantes
(Meios e víveres e produtos)
O afeto e sentires de antes
Voltaram maduros, resolutos. 

Que a vida é plena e ousada, 
E exige, repentina, também 
Ca ordem noutra ordem criada
Seja a dos soldados sem espada, 
Ou glóbulos que o sangue tem!

Joaquim Castanho

terça-feira, agosto 09, 2016

A EVASÃO DOS POETAS




A EVASÃO DOS POETAS 

Suave porém serena,
Qual flor entre verbos,
A deus solar, amena
Passa por seus servos
Sob a inveja de Atena.  

O Ateneu a respeita
E culto lhe conserva, 
Se a Poesia, eleita
Às ordens de Minerva, 
É hábil arte feita
Já por si outra serva. 

Mas os mortais, tal eu
Suspendem a respiração, 
Ainda assim o Ateneu 
Não nos exija atenção!

Joaquim Maria Castanho

segunda-feira, agosto 08, 2016

CRUZADA PORTUGUESA




CRUZADA PORTUGUESA 

Na contracapa da madrugada
A tarde desconhece a brisa, 
E se lhe toca é um quase nada
De ar que não passa nem alisa
Teus cabelos de ninfa celta, 
A desaguar (caídos) em delta.

É esse o sufoco prà inspiração. 
Essa esponja que sentir apaga.
Essa a mudez que a voz amarga 
– Fraga se naufraga a navegação.

Mas a saudade, à velocidade 
De cruzeiro, diz que é verdade
Andar assim, por ti, a saudade
A cruzar o mundo inteiro! 

Joaquim Castanho

domingo, agosto 07, 2016

SUBLINHADO OCASIONAL




SUBLINHADO OCASIONAL 

No céu, como um traço
No véu, o rasgo teceu
Pincelada em compasso
Pelas passadas que não deu. 

E com ele, então, pintou
Pele em apelo, estreme… 
Apesar de não ter asas, voou; 
Embora voe, só é derme! 

Joaquim Castanho

sábado, agosto 06, 2016

SAUDADE IMPERATIVA (E INCONTORNÁVEL)




SAUDADE IMPERATIVA 
(E INCONTORNÁVEL) 

Se me adormecessem por um momento
Teus olhos de esteva solidária, 
Teu inquieto e inseguro acento
De aguda gravidade imaginária
Ante o borboletear desta ousadia, 
Certamente diria que a saudade
É uma constante autoritária
Na fresta gregária de meu dia a dia…

E que esse momento seria causador 
Da desgraça e dor, e atrocidade
Que a vida comete com quem a passa
Sem negaça a sentir o que é verdade! 

Joaquim Castanho

sexta-feira, agosto 05, 2016

TOCAR O NOME




TOCAR O NOME 

E toco o veludo do nome
Em teu ombro divino, 
Par’assim nascer conforme
O sentir desse menino
A quem ternura negada 
Foi uma negra madrugada. 

E toco teu nome eterno
Num ritual d’esperança
Sutil, pleno, doce e terno
Nascendo nova criança
Outra vez, e com preceito
Dentro ou fora do peito. 

E toco-te como o colibri
A quem a sede e a fome
Levou para perto de ti – 
E a derme em flor de teu nome!

Joaquim Castanho

quinta-feira, agosto 04, 2016

ALMAS UNIDAS NUM SÓ ESPÍRITO





ALMAS UNIDAS NUM SÓ ESPÍRITO… 
Aguarelas de poesia e Encontro de poetas 2015/16
Coletânea – Edição de Autor

“Que tenho sereias que se despem de peixe
 Assim, na exata latitude de teu ser…”
In Joaquim Castanho
IÇADO (OURIÇO) DO MAR 
(Página 106)

Da explícita (ou implícita) simbiose que há entre a pintura e a poesia, nasceu um projeto que se configurou numa sequência de ações, eventos ou exposições, e que, finalmente, sob a coordenação de David Marques, revisão gráfica de Teresa Carvalho e patrocínio direto da Câmara Municipal de Torres Vedras e Junta de Freguesia Santa Maria, São Pedro e Matacães, se traduziu na edição de um livro de 298 páginas onde se reúnem e integram as colaborações a propósito de cerca de meia centena de poetas, dez pintores e algumas outras participações avulso, cujo resultado global é valorativamente superior à soma das partes, não só pelo seu contributo para a cultura do lugar, como também para a poesia, a língua portuguesa, a palavra escrita ou dita enquanto veículo de valores identitários e filosóficos, instrumento de marketing territorial, expoente de criatividade e estesia, ou elo de ligação entre gentes, localidades e regiões. 

Estruturado em VII Capítulos (Resumo biográfico dos poetas, Resumo biográfico dos pintores Aguarelas poéticas, O olhar interpretativo/poético sobre Aguarelas do Encontro Internacional de Aguarelistas 2015 – Santa Cruz, Olhar poético sobre o Município de Torres Vedras, Tema livre – De asas ao vento, Avaliação poética do Encontro de Poetas e O olhar interpretativo/poético sobre a Exposição “Aguarelas com Poesia”, de 19 de março a 2 de abril de 2016, integrada no Encontro de Poetas), tem o grande mérito de trazer para a ribalta do momento alguns poetas e algumas poetisas já nossos conhecidos, como igualmente muitos outros de que dificilmente ouviríamos falar ou, mais grave ainda, desconheceríamos o poetar, não fora esta oportunidade, como o são Abílio Manuel Carreira Santos, Ana Matias, Ana Rosa Pinto, António Alberto Teixeira Santos (Alberto Cuddel), António José Rebocho Arranhado Portela, António Manuel Esteves Henriques, António Matos Lopes Belo, Augusto Manuel Molarinho Andrade, Áurea Maria Justo, Carla Tavares, Carlos Cardoso Luís, Carlos Manuel Fernandes, David António Fonseca Marques, Elisa Pereira, Emanuel Lomelino, Florinda Timóteo Miguel Dias, Francisco de Assis Machado da Cunha (Frassino Machado), Hélder Neto, Helena Rocha Pereira, Joaquim Maria Castanho, Joaquim Ramos Pereira, Jorge Paulino-Pereira, José Alves Merello, José António Carreira Santos, José António de Jesus Gomes Adriano, José Vicente Faria, Liska Azevedo, Lucília Maria Barros Galhardo de Carvalho, Manuel Filipe Carvalho de Almeida, Maria Aline Mamede Rocha, Maria da Conceição Marques, Maria do Pilar Santos, Maria do Sameiro Matos, Maria Emília Lopes, Maria Graça Melo, Maria João Pedro, Maria Manuela Reis Frade, Maria Sousa, Marta Roml, Nicol Carmen Peceli, Olívia Maria de Andrade Guapo Ribeiro Faria, Renato Manuel Valadeiro, Rosa Martins e Vítor-Luís Grilo. Enfim, uma longa lista que corresponde a outros tantos poemas feitos com balizas determinadas e sob inspiração particular que, de uma forma ou de outra, nuns mais acentuadamente que noutros, se vão pouco a pouco libertando dos pomos pontuais motivadores para ingressar na esfera dos universais valorativos.  

Joaquim Maria Castanho 

quarta-feira, agosto 03, 2016

JAMAIS LEREI ESTE POEMA




JAMAIS LEREI ESTE POEMA 

Porque o texto testa os limites
E, inoportuno, estremece
Ante signos, símbolos, grafites
Onde ele próprio acontece
Significado (em que acredites), 
Magia d'algo que nasce e fenece, 
É esses olhos com que o fites
Se à desatenção cortas cerce... 

Mas acima de tudo, como também, 
É outra tradução dos sentimentos 
E ideias que os ultrapassa, além
Da cristalização dos momentos
Em que eclodiram e foram reais
Sendo o que são, e serão... — jamais!

Joaquim Castanho 

segunda-feira, agosto 01, 2016

COM SOFREGUIDÃO TE RESPIRO - II



COM SOFREGUIDÃO TE RESPIRO




COM SOFREGUIDÃO TE RESPIRO

O poema sublime e eterno
Nasce como uma pérola nácar 
Entre dois corações que se querem bem, 
Depurando as paixões e o carinho
De seu mútuo fluxo e naufragar
Em naufragar nas fragas do caminho, 
Que nunca é percorrido por mais ninguém.
É uma Torre Eiffel íntima e interior
Tão alta que rompeu Zénite e Nadir, 
E para lá deles frutificou como flor
Onde jamais algo se supôs florir. 
É uma descida abrupta pla vertigem
Do ápice de um grito tão profundo
Que, no ir e voltar, o vaivém da viagem
Atravessa, destroi e restaura todo o mundo.

O poema sublime e de eterno voar
É o rasto de fogo lunar, manso e terno
Que meu olhar no teu cabelo deixou
Quando nele naufragou… e naufragou…
E naufragou… E naufragou… — até respirar! 

Joaquim Maria Castanho