DESILUMINADO SILÊNCIO
Escuto o silêncio de agora...
Nem a neve cai sobre o coreto,
Nem este frio que nos devora
Respira as rimas do soneto.
É só manto branco que escora
As sílabas num assíndeto,
Que a transbordar deita fora
Quanto é quente e concreto.
Porque concreta é a saudade
É o afeto, ou o jeito de andar,
Os brotos a rebentar nos ramos.
Não esse silêncio de frialdade
Que impede os coretos de falar
Acerca da vida a que nos damos.
Joaquim Maria Castanho
Com fotos de Elie Andrade


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