
Por mil anos que vivêssemos jamais conseguiria esconder-me de ti
Deixar de sofrer por cada dia, hora, que partes, sais, tão-só te adias
Como se fosse amputado por vitais desastres, danos, perdas, afasias,
Órgãos essenciais, membros sem os quais não viveria, veres que não vi.
Porque sou um morto sem ti, uma alma penada, coisa, avantesma:
Um registo apagado. Um mutante sem futuro. Um ser do ser isento.
O Quasímodo. A elevada potência de nada. A nulidade em si mesma.
A raiz quadrada de ninguém. Um grafite sem muro. O cais insustento.
Porque sou a encarnação do desespero puro, o clamor da voz insana
Gesto tímido de menino abandonado e inseguro, seco musgo na savana
Força escondida sob a laje da esperança decepada, restolho que emana

Pó, a esperar-te verso a verso, suplício das artes, na oclusão do ser
De fazer rimar amor com desejo, cotejo de futuro na erva em chama
Ou regresso, se a saudade clama, na dor em que partes, e repartes
O silêncio dito, escutado a bater, num salto alto que me toca, a dizer!
1 comentário:
vou dizer o quê?
que tu és bom, mesmo, mesmo BOM?
:)
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