DA PRESUNÇÃO DA VELA ACESA

Nas assoadelas de quem muito se afirma e diz,
O mundo não é nenhum vergel ou culto quintal
Que lhe acabe na iluminada ponta de seu nariz...
Há bastante mais vida para além da de cada qual
Que se insurge como medida da pureza e matriz
Dos costumes ou simplesmente do bem e do mal
Que estruma os preconceitos com que se faz juiz.
Juiz dos outros se se lhe comparando acha superior,
Como se nele se albergasse toda a verdade infinita
Em imaculado pecúlio de nobre e galhardo valor
Cuja lei é ditame mesmo sendo baboseira inaudita,
Bobagem egoísta ou vil desmando de feudal senhor
Que vê razão no mesquinho arrufo em que acredita!