
De raiz branca, a mandrágora e o lótus
O génesis português, o verbo, a regra
De sair vivo porém cativo entre mortos…
Mesmo que a luz nos enfeitice e separe
Estas palavras ficarão, cruas, nuas e vivas
A testemunhar, que se nos céus houver luar
E de te amar nunca pare, nestas velas a brilhar
Ardidas para além dos tempos e das seivas,
Seu fim será breve como leve é este chão de mar,
Este encrespado de espuma e leivas a chamar
No peito dos alqueives ainda por arrotear.
Já que de ao sonho ao sonhado, pressentido então
Seja dado ser infinito se se intentar ser imortal,
Como o de Petrarca, Dante ou até de Nasão,
Porque não o nosso, se é humano quão é real?...
Prometo bem, e cumpro mesmo ser capaz
De cantá-lo todo o caminho, da ode ao hino
Que à teima de ternura o sexo faz, o ser se compraz
Como as aves fazendo o ninho, palha e palha
Em que nasça menina ou rapaz, génio ou canalha.
Mas importa que seja rafeiro, castanho, mestiço,
Digo zambo, cabrito, simbiose – sei lá!
Para que quando se quebre do sonho o feitiço
Dos corpos ao culto da terra
Se veja nele que houve todos os plurais e há
Metade de cada um sem guerra
Das cores que ao crepúsculo lótus nos dá.

Uma estrela apagada no escuro
Mas que brilhe durante o dia,
Tornando-nos o olhar mais puro
Fazendo da diferença energia.

E que tenha a exigência perfeita, a noção exacta
Do que a (as)simetria faz às cores, faz às formas,
Para que ao ritmo da voz inaudita, tépida e intacta
Diga que as harmonias desarmam, e são normas.
Os diálogos... As trocas ímpares, sem rede.
Como se fôssemos seixos dum regato fundo
Correndo constante ao cristalino da sede
De ter em si mesmos todo o mundo.

Ou álibis... ou cúmplices... ou sentinelas,
Guardiões dessa fortaleza muralha
Porque mais que os lábios a língua se toca
